Arquivo mensal: julho 2018

Remexendo no planejamento e no registro pedagógico

Planejamento e Registro são instrumentos valiosos e fundamentais da prática pedagógica que precisam ser cutucados e repensados de tempos em tempos. Elaboramos um percurso de palavras e conceitos que estruturam bons planejamentos e registros consistentes, para movimentar e provocar reflexões e até novas experiências de registrar e planejar.

Para começar…

Pensar no cabeçalho. É preciso formalismo e disciplina para organizar e sistematizar as informações. Costumamos acreditar que a memória dá conta de tudo, “que nunca esqueceremos aquele fato” e “que poderemos explicar melhor quando alguém tiver dúvida”!  Mas não é assim. Porque vamos acumulando um grande número de “fatos inesquecíveis”, não somos um banco de memórias e nem sempre estaremos próximos de quem pode ler e se alimentar dos nossos registros. Assim, é importante anotar as informações básicas do planejamento e do registro: professor, turma, data, nome da atividade e projeto (se for o caso).

Em seguida, detalhar o espaço, os materiais e a organização dos mesmos. Já abordamos em diversas postagens a importância do Espaço Propositor para as experiências das crianças, portanto, detalhar o planejamento da arrumação do espaço é fundamental para orientar o professor no momento de colocar em prática a proposta. Também é importante registrar como o espaço organizado influenciou o desenvolvimento da atividade para ter novas ideias.

Esse bloco de informações se encerra com o fator tempo. No planejamento, o tempo é uma hipótese a ser calculada:
Qual o melhor momento do dia para propor a atividade? 
Quando as crianças estão no clima da proposta pensada pelo professor?

De acordo com a experiência do professor, quando ela deve ser implementada de modo a garantir que as crianças tenham tempo suficiente para brincar, pensar, experimentar e finalizar as pesquisas?

Já no registro, o tempo entra como fator a ser avaliado. O momento da atividade foi bem escolhido? Foi propício para as crianças “entrarem no clima”? A duração da proposta ocorreu como o previsto? As crianças queriam continuar na atividade mas a rotina do dia impediu as experiências? Ou as brincadeiras se encerraram antes da previsão do professor e essa questão precisa ser repensada?

No planejamento…

Planejamento de atividade

É a vez dos objetivos. O que o professor espera que as crianças façam? Pensar em verbos é o modo mais fácil de entender o que são os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento elencos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC):

Expressar; correr; pular; narrar; experimentar (materiais); classificar; riscar; desenhar; pintar; marcar; cantar; produzir sons; identificar; observar; pesquisar (de mil maneiras!); coordenar movimentos; se relacionar; compartilhar; identificar (mil objetos, conceitos e situações!)… e assim por diante! Uma infinidade de ações possíveis a partir das quais as crianças podem pesquisar, interagir, brincar, descobrir e aprender.

Mas… por que o professor pensou em trabalhar esses objetivos? O que o levou a esta direção? Transitar nesta seara é deixar de propor atividades porque “a atividade é legal” ou porque “as crianças vão gostar” ou ainda “porque vi na internet/na sala ao lado e a turma adorou”. As propostas do professor devem estar relacionadas a outras questões como:

  • Vou aprofundar uma pesquisa que já começou;
  • Surgiu um desejo entre as crianças;
  • Os pequenos ficaram interessados em descobrir;
  • Percebi uma necessidade específica (desenvolver uma habilidade, trabalhar as relações e emoções, abordar a diversidade etc…);
  • Trabalhar um aspecto da cultura da escola/comunidade.

São diversas explicações possíveis que permitem justificar trilhas de aprendizagem.

A partir desta reflexão, os objetivos conduzem o professor a planejar a postura mediadora a ser colocada em prática durante a proposta. Não basta apresentar materiais e espaços incríveis para garantir aprendizagens complexas e profundas! O professor tem conhecimento-preparo para olhar-escutar e perceber-intervir para ampliar-aprofundar as pesquisas das crianças e, consequentemente suas aprendizagens. As estratégias de intervenção (também já falamos sobre isso em outras postagens) são imprescindíveis para que as crianças sejam desafiadas a resolver problemas e querer conhecer e saber mais. É pensar em estratégias para instigar e colocar sugestões sutis, propostas de desafios e ampliação de repertório.

A pesquisadora e educadora Gisela Wajskop afirma que ao brincar a criança é autora de suas ações, “elaborando e colocando em prática suas fantasias e conhecimentos, sem a intervenção direta do adulto, podendo experimentar um pensar e solucionar problemas de forma livre das pressões”.  Porém, Gisela destaca que, quando o professor não enriquece e apenas contempla as brincadeiras das crianças, favorece aquilo que elas já sabem ou vêm brincando repetidas vezes em casa e com os colegas da escola. Existe um limite muito delicado entre interferir mudando totalmente os percursos criativos e investigativos das crianças, e fazer intervenções e sugestões sutis para ampliar e enriquecer as brincadeiras e propor novos desafios. Com isso, respeitar a autonomia não quer dizer “abandonar as crianças ao Deus dará” e só cuidar. A autonomia está relacionada às escolhas dentro de um ambiente enriquecido de possibilidades e desafios “magicamente” propostos pelo adulto.

No registro…

Professoras fazendo registro

O registro da atividade deve expressar o que foi vivido, do ponto de vista das crianças e dos saberes do professor. Especialmente, o registro é a memória das experiências de aprendizagem das crianças e da docência. Desse modo, as anotações e as imagens devem revelar questões muito além do simples fato de comprovar que uma atividade foi realizada e as “crianças aproveitaram bastante”!

Professora fazendo registroUm bom registro não é genérico, ele deve privilegiar os detalhes. Além de abordar como os materiais, a organização do espaço e do tempo influenciaram na proposta, é preciso apontar as experiências interessantes, as descobertas e dificuldades das crianças, as emoções que dominaram as brincadeiras, as intervenções que surtiram efeitos positivos e as que precisam ser repensadas. Situações como essas transformam o registro num instrumento valioso para o professor aprender com a própria prática, se aperfeiçoar, discutir com seus colegas e, especialmente, construir com fluidez as trilhas de aprendizagem das crianças. Definitivamente, ou o registro alimenta as práticas dos professores, ou ele é mero instrumento de prestação de contas.

A educadora Stela Barbieri defende que é importante considerar a reflexão e o registro na prática pedagógica: “escrever, estudar e documentar o próprio trabalho, para depois poder olhar com distanciamento e aprender com ele. Aprender com o que as crianças dizem, querem, sentem, percebem”.

Tópicos para planejar e registrar col

Cada um dos aspectos do planejamento e dos registro pedagógico estão detalhados no livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertas, além de tabelas e percursos para o professor elaborar e organizar seus instrumentos metodológicos. Algumas tabelas estarão disponíveis na área de assinantes do blog Tempo de Creche. Se você ainda não se cadastrou, cadastre-se gratuitamente para fazer o download desses instrumentos: Tabela para Pauta do Olhar 1; Tabela para Pauta do Olha 2; Roteiro de Planejamento.

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre Planejamento e Registro Pedagógico nas postagens:
O que planejar… alguma sugestão?
Organização de propostas: garantia de brincadeira e aprendizado
O ritmo das crianças e a ansiedade do professor
Um roteiro para começar registro e planejamento – parte 1
Um roteiro para começar registro e planejamento – parte 2

Bibliografia
BARBIERI, S. Interações: onde está a arte na infância? São Paulo: Blücher, 2012.
WAJSKOP, G. O brincar – 0 aos 6 anos. Editora Didática Suplegraf, 2009.

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Palavra de Marcela Chanan: os bebês e as interações na escola

Agosto está chegando e a escola volta a trabalhar no ritmo do acolhimento e de um processo de “mini-adaptação”. Geralmente nos meses de julho, os pequenos voltam a passar um tempo prolongado com as famílias e, no final das férias, deixar o colo da mamãe não é tarefa fácil para ninguém! Conversamos com a pedagoga e especialista em Educação de 0 a 3 anos, Marcela Chanan, também autora do blog Cultura Infantil, para fazer uma série de postagens, inspiradas em Winnicott, que retoma as questões que cercam o momento delicado da adaptação, tão constituinte das relações da criança no ambiente escolar. Esta é a primeira parte.

Bebês 4 palavra de marcela chananTempo de Creche – Como você vê a escola na constituição da identidade do bebê?

Marcela – O bebê existe a partir da relação com o outro, a mãe ou quem exercer essa função. Donald Winnicott (1896-1971), pediatra e psicanalista inglês, fez várias contribuições para a psicanálise, dentre elas, a concepção teórica que enfatiza a importância das relações do bebê e da criança pequena com o ambiente.

O adulto cuidador é o ambiente facilitador que forma a constituição do eu na criança, seu desenvolvimento emocional e amadurecimento. Pensando no espaço escolar, é preciso considerar que bebês começam a frequentar a creche ainda muito pequenos e, geralmente, em período integral. Então na escola, o educador é o ambiente facilitador que tem papel central no desenvolvimento infantil.

Tempo de Creche – Na escola os professores podem assumir um papel fundamental na construção da identidade dos bebês?

Marcela – Sim. Como disse anteriormente, na escola, o educador é o ambiente suficientemente bom (leia sobre esse conceito no final da postagem). Ou seja, ele é um adulto sensível, que está atento às necessidades da criança e se dedica aos seus gestos e ações. Mas tudo na medida certa! É comum e esperado que pequenas falhas (não negligências!) aconteçam para que o bebê se desenvolva normalmente, num percurso que parte da dependência e ruma à independência.

Assim como em casa, na escola essas falhas acontecem naturalmente, pois o educador trabalha com um grupo de crianças e se adapta à sua diversidade. A falha saudável é aquela em que, por exemplo, o bebê precisa esperar um pouco para receber o que deseja, mas não deixa de receber. Essa falha faz parte do processo de desenvolvimento emocional.

Bebês 3 palavra de marcela chananTempo de Creche – Como os professores devem construir relações com os grupos de bebês?

Marcela – O bebê precisa de um adulto referência para estabelecer um vínculo de confiança. Um ou dois adultos, que podem ser o professor e o auxiliar, devem desenvolver uma rotina que promova constância e previsibilidade ao bebê e à criança pequena.

Um bom educador-ambiente investe numa relação com o bebê em que se mantém presente por inteiro. Abre mão das suas vontades, pré-conceitos e idealizações, se identifica com as crianças, procurando observá-las, escutá-las, sem imposição e rigidez. É um adulto que tem empatia pelas crianças e desenvolve um vínculo afetivo decisivo para o desenvolvimento saudável dos pequenos.

Tempo de Creche – Pode falar um pouco sobre os cuidados com bebês no ambiente da escola?

Marcela – Crianças pequenas são vulneráveis e deve-se zelar por sua tranquilidade, bem-estar e segurança, esta última num sentindo mais amplo, sem superproteção. As experiências sensoriais dos bebês acontecem no corpo todo e vão formando o seu psiquismo. Tudo é novidade e a consciência corporal está em construção. Nesse sentido, a forma de segurar o bebê é um exemplo muito importante de cuidado.

Para Winnicott, todo o acolhimento, proteção e sustento físico e psíquico se chama Holding (leia sobre esse conceito no final da postagem). A rotina dos cuidados corporais, como a troca de fraldas, banho, alimentação, chama-se Handling (leia sobre esse conceito no final da postagem).  Como já dissemos, a criança vai aprendendo e se percebendo a partir do outro e o diálogo, por exemplo, enriquece essa  interação.

Bebês 2 palavra de marcela chanan

Tempo de Creche – Pensando especificamente na chegada à escola, quais questões estão implicadas nesse processo? Os ambientes da família e da escola se complementam?

Marcela – A partir das experiências com a mãe, o bebê se sente seguro para outras relações, para poder receber o cuidado de um outro adulto e desenvolver confiança no novo ambiente. Por isso, quando a criança chega à escola pela primeira vez, é importante que o educador pergunte à mãe sobre as especificidades dos cuidados corporais, os hábitos e costumes.

Um ambiente com condição favorável considera o âmbito físico e psicológico. É como se ele fosse um outro cuidador. É um ambiente saudável, que atende e respeita as necessidades do bebê e da criança pequena, onde possam viver e ser acolhidos nas suas alegrias e nos seus momentos de agressividade, raiva. Que possam desfrutar de momentos de cuidados privilegiados, do brincar livre, de ser chamados pelo próprio nome e reconhecidos por suas preferências, sentindo-se únicos.

Bebês 1 palavra de marcela chanan

Tempo de Creche – Pode explicar alguns dos conceitos de Winnicott – mãe (cuidador) suficientemente boa; falhas; holding e handling?

Marcela – Uma mãe suficientemente boa, na visão do psicanalista, não é uma mãe perfeita, mas suficiente, devota aos cuidados do filho. A mãe-ambiente se adapta ativamente às necessidades do bebê, reagindo aos seus gestos e expressões.

A falha da mãe suficientemente boa permite que o bebê constitua o seu “eu” (self), impulsionando o desenvolvimento emocional. Por exemplo, a mãe atrasa uma mamada aos poucos, o bebê chora e acaba por receber seu alimento. De modo inverso, quando o cuidador-ambiente, seja em casa ou na escola, oferece o alimento antes mesmo do bebê comunicar a fome, não dá espaço para o bebê ser ele mesmo e requisitar suas necessidades. Quando os gestos do bebê não são considerados, é como se ele precisasse se defender criando um falso “eu” (falso self), que se submete ao que vem do externo.

A vida de um indivíduo saudável é caracterizada por medos, sentimentos, conflitos, dúvidas, frustrações, tanto quanto por características positivas. O principal é que o homem ou a mulher sintam que estão vivendo sua própria vida, assumindo responsabilidade pela ação ou pela inatividade, e sejam capazes de assumir os aplausos pelo sucesso ou as censuras pelas falas.
(Donald Woods Winnicott. Tudo começa em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1999)

O Holding  é a sustentação do bebê que satisfaz a sua dependência absoluta. É a forma como se segura e toca o bebê, acalenta e acolhe, levando em conta sua fragilidade e proporcionando apoio e firmeza, a fim de transmitir segurança e confiança. Com a continuidade desse cuidado o bebê vai se formando e amadurecendo.

O Handling  é a forma como o bebê é manipulado nos momentos de cuidado corporal, que o faz sentir as diferentes partes do próprio corpo por meio do toque das mãos do cuidador. Esse cuidado propicia, processualmente, a consciência corporal.

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PARA SABER MAIS…

eu (2)Marcela Chanan é pedagoga e especialista em Educação de 0 a 3 anos pelo Instituto Singularidades. Estuda as abordagens de Reggio Emilia e Pikler e a psicanálise com crianças no Instituto Sedes,  Atua com formação de professores e é criadora e autora do blog Cultura Infantil.

Leia mais sobre os cuidados do bebê na abordagem de Emmi Pikler nas postagens:

12 dicas sobre Movimento e Aprendizagem a partir de Emmi Pikler

Educação dos 0 aos 3 anos: contribuições de Emmi Pikler

Palavra de… Sylvia Nabinger: filosofia e práticas Emmi Pikler

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Férias: um tempo para pensar no respeito ao TEMPO do educador

Diversas creches e escolas de educação infantil estarão de férias ou em recesso por alguns dias no mês de julho. Após seis meses de trabalho focado na educação e no cuidado de crianças pequenas – energéticas, criativas e preciosas – estamos cansados!
Nos horários de trabalho, os professores são polvos com 8 braços, atletas maratonistas e camaleões, com olhos que enxergam até atrás da cabeça!
Mas não é só isso. Como é o tempo do educador na escola?

Professor atleta polvo camaleão

Esses profissionais são escritores da própria prática, documentaristas das histórias que vivem com as crianças e arquitetos que planejam a estrutura educativa oferecida nas instituições de educação.

É muito esforço e dedicação que, bem da verdade, nos enche o coração todos os dias.

Assim, o descanso é merecido mas traz consigo um tempo e uma oportunidade para refletir justamente sobre o TEMPO!

Nem todos os professores da educação infantil têm as mesmas condições de trabalho nas escolas e creches espalhadas pelo país. Algumas instituições de ensino ainda contratam professores declarando-os na carteira de trabalho como “auxiliar de desenvolvimento infantil” ou “professor de educação infantil”. Ora, professor é professor! Sai da faculdade de pedagogia com esse título! E o aperfeiçoa com o estudo continuado e a experiência.

No contexto dessa função, os profissionais de algumas escolas particulares e creches municipais conveniadas, enfrentam uma jornada de trabalho de 8 horas por dia, 5 dias por semana COM AS CRIANÇAS!

Se você que nos lê não conhece essa realidade, deve estar assustado.

Imagine que um “professor de educação infantil” de um CEI paulistano (Centro de Educação Infantil), chega ao trabalho por volta das 7 ou 8 horas, e sai às 16 ou 17h. Descontada a hora do almoço, os professores permanecem com as crianças por 7 horas corridas. Tudo certo se o trabalho docente qualificado não envolvesse outras demandas fundamentais como planejar atividades, refletir sobre os registros, organizar as práticas e a documentação pedagógica e participar de momento de formação permanente com o coordenador. O saber e o fazer docente que complementam a formação inicial ocorre nesses momentos, e só assim se conquista qualidade e renovação ao longo da vida profissional.

Pergunto então, onde cabem esses momentos num CEI conveniado à Prefeitura de São Paulo, por exemplo?

Não cabem! E como se explica essa situação?

Segundo os pesquisadores Ana Paula Nascimento e Cleber de Oliveira Silva, da Universidade de São Paulo, (2015), Centros de Educação Infantil/Creches Particulares Conveniadas e Centros de Educação Infantil da Rede Pública Indireta recebem recursos financeiros da prefeitura, porém a gestão dos professores e dos funcionários cabe às instituições privadas. A diferença no montante pago pela prefeitura a essas instituições impacta diretamente as condições de trabalho dos professores. Explicam as pesquisadoras:

quando falamos de valorização profissional, os docentes da rede direta trabalham 25 horas semanais com crianças e 5 horas em formação, possuem ainda quatro dias no ano destinados a reuniões pedagógicas de 6 horas cada e um Estatuto do Magistério que permite, entre outras garantias, progressão na carreira; já os docentes da rede conveniada trabalham as 40 horas semanais com as crianças, tendo somente um dia por mês para tratar de sua formação e organização da escola, sem garantias dadas em um Plano de Carreira.

Assim, além do dia da parada pedagógica mensal, não há tempo para respirar e PENSAR.

Um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, em 21 de maio de 2017, destaca que 80% das crianças de 0 a 3 anos e 11 meses da cidade frequentam creches conveniadas ou terceirizadas que apresentam “condições piores de atendimento, com maior proporção de alunos por educador, supervisão pedagógica deficiente e infraestrutura inadequada”.

Das 2069 creches paulistanas registradas em 2016, 1693 eram conveniadas e só 376 diretas (com o regime adequado de horas de trabalho, dentro e fora da sala).

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Sabemos que há uma carência de vagas para atender as crianças pequenas de diversas cidades e que existe uma limitação de verba “suprida” com os acordo de terceirização. Mas esse processo precisa ser revisto. Todos os professores do país merecem condições semelhantes de trabalho. Todas as crianças têm direito a uma educação qualificada.

Nós do Tempo de Creche, formadoras que somos, conhecemos e trabalhamos com diversas creches conveniadas em São Paulo. Podemos afirmar que lidamos com muitos professores, coordenadores e diretores heróis, que procuram fazer o impossível para educar suas crianças com qualidade. Mas essa dinâmica não é justa: nem com os professores e nem com as crianças e suas famílias que, ao realizarem a inscrição no sistema de vagas da prefeitura, não têm o direito de optar por instituições cujos professores dispõem ou não de condições adequadas de trabalho.

Isso não é respeito. Não é democracia. É INjustiça social. Temos que ficar atentos e nos posicionar.

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre formação permanente nas postagens:

Leia o artigo dos pesquisadores Ana Paula Nascimento e Cleber de Oliveira Silva sobre a terceirização das creches da cidade de São Paulo: As creches conveniadas em São Paulo: quais os reais motivos dessa opção política. In: Fineduca – Revista de Financiamento de Educação, Porto Alegre, v. 5 n. 10, 2015. 

Leia a reportagem do jornal Folha de São Paulo sobre a política de creches da cidade de São Paulo.

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