Arquivo mensal: novembro 2018

Que escola queremos para as crianças e suas famílias?

A educação infantil é aquilo que queremos que ela seja.
Mas o que queremos que ela seja?
 Uma instituição voltada só para a criança? Ou um fórum, um lugar de encontros, cultura e educação para a sociedade?
Como a escola pode ser um espaço inclusivo para a sua comunidade?
Como as famílias, os moradores do entorno, os professores e os alunos podem se sentir pertencentes para interagir e desfrutar desse polo de educação e cultura?
Quem participa da educação das crianças nas creches e pré-escolas?
Qual o sentido de viver o cotidiano da Educação Infantil?

Se acreditamos em aprendizagem pela experiência e experimentação, a escola também deve pensar sobre suas experiências, crenças e políticas, contestar e resistir àquilo que não acredita, para poder se reinventar. Continue lendo..

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Barro e argila: lugar de honra nas culturas da infância

Publicamos a postagem Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças? para começar uma conversa sobre a modelagem na educação infantil. Agora convidamos a artista-educadora Beatriz Nogueira (Bia) para mexer num ponto importante dessa questão: qual a nossa relação com o barro? Costumamos experimentar trabalhar esse material? Brincar com ele? Sentir de todas as suas características? … tudo isso para poder apresentá-lo para as crianças! Bia explica os percursos de um trabalho formativo desenvolvido com professores e as dicas para colocar a argila no lugar de honra na rotina da educação infantil.

Na voz da Bia…

Que tal recorremos às memórias pessoais das brincadeiras com o barro? Se abrirmos nossas bagagens, encontraremos lembranças das experiências que vivemos, seja debaixo de uma forte chuva, onde deixamos as marcas dos pés num lamaçal, seja pisando no fundo fofo e barrento de um rio ou mesmo da beira mar. Brincadeiras de fazer buracos, muros, castelos, riscando com gravetos ou simplesmente afundar os dedos dos pés sem mais nem porque.

Tal como a areia, o barro é presença fundamental nas culturas da infância e podem ser inúmeras as maneiras para aproximar barro e argila do cotidiano das crianças na escola.

Participei de um encontro de formação para educadoras e educadores da educação infantil a convite da equipe do Tempo de Creche e decidimos dedicar uma postagem para compartilhar as ricas experiências que vivenciamos naquele dia. Espero com essa partilha fomentar ideias que provoquem novas inspirações.

BARRO E ARGILA: IGUAL OU DIFERENTE?  

O barro passa por um tratamento para se tornar argila e está presente na nossa história desde as culturas ancestrais, tanto na produção de utilitários quanto nas manifestações artísticas. Hoje é possível encontrar inúmeros artistas e artesãos que dedicam suas vidas à prática da modelagem.

A ARTE INSPIRA OS GESTOS DA MODELAGEM

Desta vez, a artista ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino foi a grande inspiração para o encontro!  Ao observar algumas imagens de suas obras, percebemos que a produção da artista envolve, em grande parte, a manipulação da argila por meio da repetição de gestos elementares, próprios ao ato de modelar. A artista produz uma série de elementos, tais como variações de bolinhas, cobrinhas e plaquinhas, para então colocá-los lado e lado e organizá-los compondo diferentes instalações*.

                  Obra: estão na mesa. Anna Maria Maiolino, 2017
fonte:https://www.artinamericamagazine.com/reviews/anna-maria-maiolino/

Impulsionado pelas obras de Maiolino, o grupo de professores experimentou a modelagem na prática e discutiu sobre possíveis maneiras de introduzir o trabalho com argila para as crianças.

ATIVIDADES DE MODELAGEM: QUAL É A INTENÇÃO?

Toda proposta pode ser interessante para as crianças e, para isso é importante estabelecer uma intenção. A definição do foco da proposta envolve pensar no que queremos que a criança desenvolva e vivencie. Por exemplo: desenvolver a coordenação motora fina; experimentar forças e pesos; figurar bichos e seres etc..

AÇÕES DE MODELAR E AS EXPERIÊNCIAS DAS CRIANÇAS

Quais ações o professor pode esperar que as crianças façam com a argila?
Por exemplo: enrolar, amassar, apertar, dedilhar, furar, espalmar, socar, torcer, marcar, pisar, levantar, pendurar etc..

ARGILA: FORMATOS E QUANTIDADES

Que formato e quantidade de argila melhor se adequa à intenção pedagógica da proposta? Diversos fatores estão implicados no modo como apresentamos a argila para a turma. Por exemplo, ao oferecer um bloco grande do material sem disponibilizar mesas e cadeiras, pode-se favorecer um trabalho de força e peso, que promove uma relação direta da massa com o corpo todo da criança. Ao oferecer pedaços já modelados e pré-formatados (como bolas, pequenos cubos, placas e tiras), pode-se instigar um trabalho de montagem das partes. Organizando uma atividade com pedaços de argila e água, pode-se estimular uma experimentação mais barrenta, um processo de dissolução da argila.

ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO

Como a criança vai visualizar a argila logo no início da proposta?
Como o espaço está preparado?
A criança participa da organização?
Mesmo nas atividades em que são disponibilizados pedaços de argila semelhantes, é dada a oportunidade da criança escolher com qual pedaço quer trabalhar?
Há variação na apresentação: um dia a argila é colocada sobre a mesa, no outro, sobre o piso, em outro momento, na área externa?
O trabalho acontece com as crianças de pé ou sentadas?
Elas podem escolher como irão se acomodar para trabalhar a massa?

COMBINAÇÃO ENTRE MATERIAIS

Considere propor também trabalhos que relacionam a argila com outros materiais:

  • Naturais: gravetos, pedras, folhas, sementes
  • Não-estruturados: esponjas, borrachas, fios, tecidos
  • Estruturados: conduites, canos de PVC, cilindros de papelão, varetas, arame.

 

DICAS ÚTEIS

  • Qualidade da argila – Compre a argila de bons fornecedores. As argilas ditas “escolares” em geral são caras e não tem boa qualidade. Procure na internet por fornecedores de argila para modelagem, cerâmica etc. Existem argilas de várias cores e texturas.
  • Teste da argila antes de organizar a atividade – se o material estiver mais duro e ressecado, é possível adicionar um pouquinho de água e trabalhar a argila até que ela volte a ficar úmida e moldável.
  • Uso de água – controle bem o uso da água. Caso a proposta não envolva a dissolução da argila, procure usar o mínimo ou até mesmo não usá-la, exceto se o material já estiver um pouco endurecido.
  • Corte – o barbante ou o fio de nylon são excelentes cortadores (as crianças adoram experimentar!)
  • Barbotina – a barbotina é uma mistura de água com argila que se faz para modelar com moldes e também para usar como “cola”. Mistura-se um pouco de argila com água até conseguir a consistência de pasta dental. Sugere-se mantê-la num recipiente fechado para conservá-la por mais tempo. Aos poucos as crianças vão aprendendo a usar a “cola” de argila, passando-a com pincel nas peças que desejam unir.
  • Cuidados com a conservação – é imprescindível que a argila seja mantida em sacos plásticos grossos impedindo o contato com o ar. Deve ser estocada à sombra. Se bem conservada, pode durar por um longo tempo. As peças realizadas pelas crianças que não passarem pelo processo de secagem, podem ser reunidas, amassadas num novo bloco e conservadas conforme descrito acima, para serem reutilizadas outras vezes.

Vale sempre lembrar que a modelagem não acontece em uma única proposta. Assim como outros saberes, ela está inserida num processo de aprendizagem que ocorre ao longo das variadas etapas e que conta sempre com muita experimentação e brincadeira!

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PARA SABER MAIS…

→ * Instalação é uma manifestação artística contemporânea composta por elementos organizados em um ambiente. Ela pode ter um caráter efêmero (só “existir” na hora da exposição) ou pode ser desmontada e recriada em outro local (Wikipédia).

Beatriz Nogueira é artista-educadora, formada em Artes Plásticas. Mestranda em artes visuais É formadora de educadores e professora de artes na Escola Alef Peretz, atelieristada Escola Primeira e colaboradora do Núcleo Traços Trecos e Trocas.

As referências sobre a artista Anna Maria Maiolino estão no livro de Helena Tatay (org) – Anna Maria Maiolino. São Paulo, Cosac Naify, 2012. E nos sites:

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9539/anna-maria-maiolino
https://annamariamaiolino.com/

Leia mais sobre modelagem e tridimensionalidade na educação infantil nas postagens:
Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças?
Modelagem e desenho: conversas entre a bi e a tridimensionalidade 

Bia comandou um dia de formação dos educadores dos CEIs Aníbal Difrancia, Nossa Turma e Santa Marina, em São Paulo, como parte de um projeto de formação em arte e cultura, apoiado pelo IMPAES – Instituto Minidi Pedroso de Arte e Educação Social, e desenvolvido pela equipe Tempo de Creche (Joyce M. Rosset e Angela Rizzi).

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Leitura de livros para crianças: como e por quê?

Revisitando as principais postagens sobre o tema!

 Pensamos algumas questões para orientar as ideias e levantar sugestões a partir das que apresentamos em diversas postagens sobre o tema. Leitura de livros para crianças, o que é importante?

 

QUESTÕES PARA PENSAR

  1. Que critérios utilizar quando escolher uma história para ser lida para as crianças?

Na postagem Uma preciosa lista de livros infantis , Ângela Aranha nos conta que um dos sabores da vida é ver as descobertas das crianças no contato com a literatura e suas inúmeras linguagens. Salienta que em cada idade a criança está em um momento diferente, por isso é importante entendermos o que ela está explorando e descobrindo para oferecermos o livro mais próximo de seus interesses. Como alguém envolvida com o encantamento dos livros, dá dicas mais que interessantes para cada faixa etária.

Na tarefa de leitura de livros, toda a escola está convidada a participar da escolha de novos títulos para a biblioteca. Na postagem Escolher os livros: um momento de prazer  está indicado vários títulos e dicas para melhor aproveitamento da riqueza que os livros proporcionam.

 

  1. O que fazer quando as crianças não se interessam pela escuta da leitura?

O contato constante e frequente com os livros possibilita o desenvolvimento da atitude leitora da criança
Na postagem 9 dicas especiais para contar histórias, a arte de contar histórias é apresentada em dicas fáceis e “testadas” para que o sucesso deste momento seja garantido.

 

  1. É possível envolver as crianças numa grande brincadeira a partir do enredo da história e vice-versa, isto é, a história nascer da brincadeira?

Na postagem Palavra de Patrícia Auerbach: como ler livros para crianças – Patrícia Auerbach (autora dos livros-imagem O Jornal e O Lenço) conta que ao dobrar o jornal fazer um barquinho, seu filho olhou e disse – Um pirata! e saiu incorporando o personagem.

Sabemos que o momento da roda de leitura é oportunidade preciosa para promover a linguagem oral e o contato com os livros. Porém, como toda e qualquer proposta, é necessário que o professor se prepare para promover diálogos participativos. As crianças precisam de oportunidades para pensar, se expressar à sua maneira e perceber que aquilo que falam tem importância. Diálogo não é monólogo do professor!

Outra postagem que aborda um tema importante é Crianças, famílias, escolas e as palavras apresentando um estudo que comparou a quantidade e a qualidade das palavras ouvidas pelas crianças nos três primeiros anos de vida e a relação com os recursos e o nível educacional das famílias. Esclarece como o ambiente influencia o desenvolvimento da linguagem da criança e indica como contribuir com essa aprendizagem.

Cuidando da qualidade da experiência leitora na Educação Infantil, as atividades de ler e narrar histórias de ficção ou de vida constitui uma experiência humana fundamental para sentir-se parte de um grupo, de uma cultura e ter identidade própria.*

Boas conversas e literatura inspiram, ampliam o repertório de palavras e melhoram o raciocínio, ‘dando sentido ao que somos e ao que nos acontece’ (Jorge Larrosa). Escola e famílias, parceria que potencializa a educação e o desenvolvimento das crianças.

  1. Que livros você gosta de ler para as crianças? Por quê?

Comente e amplie este diálogo!

Textos consultados:

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