É difícil se desprender da cultura de comemorar o Dia das Mães, Pais…

Um artigo publicado na Folha de São Paulo no domingo (14/05/2017) nos fez retomar esse aspecto da cultura que entra no automatismo e não passa pelos canais da reflexão: e se a criança não tiver mãe para comemorar o Dia das Mães?

Por que a dificuldade de refletir sobre o apelo emocional e comercial de comemorar o Dia das Mães, Pais… ?

desenho mãe e filha

desenho da mãeNa reportagem, a jornalista Sabine Righetti visitou escolas no início do mês de maio, próximo ao famoso e comercialmente cultivado Dia das Mães. Numa das visitas ela percebeu que uma criança que não tinha mãe, ao escrever sua cartinha de Dia das Mães, registrou: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.”

Mãe com criança e laranjas - PicassoAo passear nas redes sociais no último domingo encontramos uma amostra dos vários tipos de manifestações dedicadas a mães presentes e falecidas. Fotos, poemas, piadas, vídeos, imagens, inundaram Facebook, WhatsApp e Instagram, bem como os famosos comerciais e programas de TV. Praças, hospitais, centros culturais e governamentais também se expressaram a respeito. Acreditamos que a maioria das pessoas participou postando ou curtindo o que foi publicado. Esse clima de emoções nos leva a pensar que atropelamos discussões e importantes reflexões sobre a pertinência dessa celebração e quais os formatos de maternidade podem ser encontrados nas famílias que compõem a comunidade da escola.

Na postagem publicada em agosto de 2016 (DIA DOS PAIS, das mães, dos avôs, dos padrinhos…), uma leitora comentou que não podemos esquecer que o comércio, a mídia e as redes sociais também pressionam a criança e levantam o tema do dia dedicado a celebrar a mãe. Nesse caldeirão de forças e influências, o quanto estamos preparados para nos posicionar? A escola dedica momentos a discutir com sua equipe a pertinência dessa e de outras comemorações?

desenho família

A quantidade de manifestações e propostas de atividades, modelos de lembrancinhas e publicações na mídia (como o artigo da Folha) sinaliza que este assunto ainda está mobilizando energias e convocando para a reflexão. Também revela que por estar entranhada na cultura de massas, as comemorações de dia dos pais, mães, avós e família ainda estão longe de encontrar respostas fáceis.

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Balão-Para-Saber-MaisPARA SABER MAIS…

Artigo do Jornal Folha de S. Paulo:  E se a criança não tiver mãe para fazer um desenho na escola? de Sabine Righetti, publicado em 13/05/2017 23:27

Mãe com crianças - Vic MunizHá alguns dias, visitei umas escolas em São Paulo para uma atividade acadêmica com alunos da FGV-SP e inevitavelmente nos deparamos com um exercício pelo qual eu passei quando estava na escola (e você também deve ter passado): a elaboração de uma cartinha para as mães. No chamado “mês das mães”, a tarefa do desenho ou do textinho costuma passar pelas aulas de português a artes, de alunos de diferentes séries, em escolas públicas e privadas.
Mas e se o aluno não tiver mãe?
Estiquei os olhos para a cartinha de um aluninho de uma das escolas por onde passei. O texto, no lugar de “mãe”, dizia em garranchos algo do tipo: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.”
A cada cinco crianças nascidas no Brasil, uma é filha de mãe adolescente. Em uma das escolas públicas que nós também visitamos, cerca de 10% das alunas do ensino fundamental estavam grávidas. Elas tinham algo entre 13 e 14 anos. Filhos de mães adolescentes têm grandes chances de ser criados pelas avós.
Alguém já pensou que uma criança que está na escola pode ter na avó a sua figura maternal? Ou pode ser órfã? Pode estar morando em um abrigo provisoriamente? Pode viver com o pai e a nova esposa dele? Pode ser um filho de um casal gay de dois homens e, portanto, não ter a ideia da “mãe”? LEIA MAIS 

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

 

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