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Planejamentos ampliados com atividades que se transformam

Será que as crianças precisam experimentar coisas novas todos os dias?
Por que muitos professores entendem que atividades só são interessantes quando os materiais e as técnicas são inéditas? Planejamentos ampliados que partem de um mesmo tema podem interessar os pequenos?

Cruzamos com professores esforçados e dedicados, que às vezes passam noites e finais de semana preparando planejamentos, construindo brinquedos e até ensaiando teatrinhos para surpreender, entreter e divertir as crianças.

Educar crianças pequenas é isso?
Para provocar curiosidade, favorecer experiências e promover aprendizagens é necessário inovar a cada proposta?

A resposta é NÃO para todas as perguntas!
Crianças estendem e ampliam suas aprendizagens quando experimentam desdobramentos daquilo que já conhecem.

Não é diferente de nós, adultos.
Imagine uma situação em que vamos aprender a fazer tricô. Começamos com um ponto básico. Praticamos com uma linha simples para pegar o jeito. Melhoramos a habilidade e aprendemos sobre o processo básico.
O primeiro trabalho fica pronto! Admiramos a nossa produção, avaliamos e partimos para outro projeto.
Trocamos as cores e o tipo de lã. Produzimos um novo trabalho.
Aí continuamos na brincadeira mas arriscamos experimentar outros tipos de pontos e de agulhas.
O que aconteceria se logo depois do primeiro trabalho partíssemos para o crochê? Qual seria a profundidade da pesquisa do tricô e do crochê?

Voltando para a Educação Infantil…

Os professores Leticia, Wellington e a auxiliar Bruna, de um grupo multietário (2 a 4 anos), do CEI Nossa Turma, SP, têm uma queda pela música. Wellington toca violão e anda com o instrumento sempre à mão. Letícia, jovem e dinâmica, adora música. A formação com a educadora Andréa Franco Schkolnick, especialista na linguagem, enriqueceu ainda mais os horizontes.

Roda Música Nossa Turma

A dupla nos mostrou uma série de fotografias das propostas de pesquisa sonora e musical realizadas com as crianças no Projeto Brincando com a Música. Percebemos a concentração e a organização do grupo diante da exploração.

Música Nossa Turma 2Como isso aconteceu? Como chegaram a essa profundidade?

Com um misto de repetição e variação!

As crianças têm oportunidades e tempo para expressar-se pela música. Os professores não acreditam que trabalhar esse e outros campos de experiências é coisa para uma ou outra vez! Planejam e replanejam as propostas, ora fabricando objetos sonoros, ora explorando seus sons, ora sentando em roda para conhecer um repertório musical e ora acompanhando as canções com os objetos fabricados. Como dizem no universo das Artes, fazendo variações sobre um mesmo tema é que as crianças conquistaram foco e aprofundaram as aprendizagens.

1 tocando junto

O processo de construção dos chocalhos envolveu pintura e montagem dos objetos com exploração plástica de cores e suportes tridimensionais. A música utilizada nas propostas, que se tornou parte do repertório da turma, foi Meu Querido Paiol do Helio Ziskind (Cocoricó). Leticia e Wellington trabalharam o andamento rápido e lento, a intensidade (volume alto e baixo) e brincaram com a participação das crianças tocando os chocalhos.

pintando objeto sonoro 01

Em algumas instituições os professores são orientados a realizar a cada semana, um número definido de propostas de artes visuais, de música, de corpo ou de natureza… Com frequência pré-estabelecida, o professor nem precisa ler os interesses e necessidades do seu grupo, cumprindo uma programação engessada de atividades.

A identificação de oportunidades significativas está na observação do dia a dia, na reflexão a partir dos registros e nos planejamentos que andam de braços dados com a realidade singular de cada grupo. É a filosofia do tricô que possibilita aprofundamento de aprendizagens e construção de conhecimentos.

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PARA SABER MAIS...

Wellington Santos Paes Landin, Leticia Saldanha Cruz e Bruna I. Russo são professores do CEI Nossa Turma, creche conveniada com a Prefeitura de São Paulo, administrada pela Associação Nossa Turma.

→ A música Meu Querido Paiol está disponível no Youtube.

→ Para saber mais sobre propostas com a linguagem da música leia as postagens:

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Para uma Educação Infantil de qualidade

Segundo pesquisas americanas, diálogos que convocam a participação engajada e criativa das crianças, formação continuada de educadores e articulação da escola com ambientes comunitários e instituições governamentais são alguns dos requisitos para termos uma Educação Infantil de qualidade.

A especialista em primeira infância da universidade de Columbia nos Estados Unidos, Sharon Lynn Kagan, afirmou em entrevista à Revista Veja de 02/07/2017 que ler para crianças pequenas e fazer perguntas prevendo respostas abertas é fundamental para a formação e tem impacto na vida escolar do futuro aluno.

Ao lado de outros pesquisadores de infância e educação, a americana considera essencial o desenvolvimento da linguagem e o diálogo que valoriza a interlocução das crianças.

O que isso quer dizer?

Perguntas em que o adulto prevê respostas “certas” ou que buscam confirmação daquilo que já se sabe não estão abertas para favorecer o pensamento criativo e a resolução de problemas. Como exemplo, no lugar de perguntar aos pequenos de que cor é o sapato, é melhor perguntar para que serve o sapato e fazer um escuta aberta para as respostas.

crianças pesquisando a luz

Os trabalhos de Lynn têm auxiliado diversos governos na busca por uma educação infantil qualificada. Ela acredita que boa parte do cérebro se desenvolve até os 3 anos de idade e 90% dele até os 5 anos. Com isso, defende que as crianças crescem mais rápido de 0 a 5 anos do que em qualquer outra época da vida. Crianças pequenas são mais vulneráveis e impressionáveis, consequentemente o impacto das ações de educação sobre elas é muito maior do que nas crianças mais velhas.

Numa de suas palestras ministradas no Brasil, a estudiosa apresentou condições para o desenvolvimento ideal das crianças pequenas. Entre elas, o tamanho da sala, o número de crianças por grupo, a formação do professor, a proporção criança-professor, um currículo prático e não conteudista e, sobretudo, o modo como o educador interage com a criança.

Todos esses parâmetros devem estar sustentados por uma estrutura composta por 8 engrenagens. Contudo, Lynn destaca que todas as engrenagens são vitais e que na falta de uma, o resultado da educação fica completamente comprometido.

As 8 engrenagens:

  1. criança pesquisando buraquinhosCurrículo com oportunidades ricas de aprendizagem e intenso uso da linguagem nas relações adulto-criança e criança-criança. Crianças precisam estar ativamente engajadas nas propostas de atividades e na sua própria rotina. Um ambiente questionador que encoraje as perguntas dos pequenos, mesmo as mais simples, é condição de uma educação de qualidade. Nesse sentido, é preciso dar oportunidades para que eles pensem, reflitam e demonstrem sua curiosidade e assim, respeitar a cultura infantil: literatura, costumes e famílias.
  2. Políticas públicas que garantam níveis mínimos de segurança e saúde.
  3. Financiar a Educação Infantil tendo em vista que não existe investimento mais impactante na vida do ser humano e da sociedade.
  4. Articulação entre as instituições governamentais, como postos de saúde, assistência social, cultura e laser.
  5. Qualificação profissional dos educadores, seja por meio de requisitos e apoio governamental, seja por iniciativa própria dos professores e instituições.
  6. Prática de observação e registro para planejar atividades, observar, registrar e planejar novamente.
  7. Envolvimento dos pais e responsáveis, fundamental para que as crianças pequenas se sintam apoiadas. Para que isso aconteça é preciso que as famílias se certifiquem que a instituição de educação honrará suas culturas, respeitará suas crenças, valores e singularidades.
  8. Integração da escola aos ambientes comunitários.

Os parâmetros elencados pela pesquisadora americana não são inéditos ou estranhos para a comunidade de educadores da Educação Infantil brasileira. Porém, o que sempre foi compreendido como crença hoje é reconhecido como realidade por meio de pesquisas e dados científicos.

Que tal avaliar as engrenagens que estão ativadas na sua instituição?
Como sua comunidade compreende a Educação Infantil? Existe reconhecimento da importância do trabalho desenvolvido com as crianças pequenas?

Talvez esse seja um bom momento para refletir sobre abordagens pedagógicas que colocam a curiosidade, a indagação, a interação e as expressões no coração da prática educacional, dentro e fora da escola.

crianças observando o céu

Se engajados, podemos lutar para garantir as prerrogativas governamentais em busca de qualidade na educação das crianças na primeira infância. Mas as ações pontuais promotoras de formação profissional em cada escola, que atingem cada professor, também são elementos transformadores da educação. Profissionais de todas as áreas precisam se atualizar, se repensar e refletir sobre o que já sabem, o que não sabem e o que precisam aprender. É nas atitudes individuais que começamos a trilhar uma jornada que pode de fato qualificar a vida dos cidadãos.

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PARA SABER MAIS…

Sharon Lynn Kagan é professora titular de Políticas voltadas à Primeira Infância do Teachers College da Universidade de Columbia, Estados Unidos. Também é  diretora do Centro Nacional para Crianças e Famílias. kagan@tc.columbia.edu
Veja a palestra da pesquisadora no Brasil em que fala sobre a qualidade da Educação Infantil ofertada nas creches e pré-escolas. Partindo de dados de sua pesquisa – de que 72,4% da educação infantil brasileira é inadequada -, ela apresentou variáveis que poderiam levar o Brasil a enfrentar o desafio da qualidade. Palestra apresentada no Seminário Avaliação da Qualidade da Educação Infantil/ Fundação Carlos Chagas (junho de 2010 – São Paulo – SP) – O seminário divulgou a pesquisa Educação Infantil no Brasil: avaliação qualitativa e quantitativa – e discutiu suas implicações e desdobramentos. A pesquisa foi realizada em 2009 e 2010, em seis capitais brasileiras: Belém, Campo Grande, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro e Teresina.
Leia mais sobre curiosidade e pesquisa nas postagens:
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Um cardápio variado de cantos de atividades

Que tal aproveitar as férias com menor número de crianças de diversas idades para testar novos cantos de atividades que permanecem na sala?

Antes de pensar em outras possibilidades é importante dizer que a escola existe na vida dos pequenos para ampliar seus desafios e construir saberes. Por isso, canto permanente não quer dizer imutável! Cantos permanentes de atividades tem uma temática que se mantém, mas a partir da observação e do acompanhamento das brincadeiras, o professor pode introduzir novos materiais, alterar a arrumação e até dar um descanso no tema se perceber que os interesses estão diferentes.

canto de carrinhos

É comum encontrarmos nas salas da Educação Infantil cantos de leitura, de casinha, de cozinha e até de carrinhos e fantasias. Com essas organizações de espaços e materiais, provocamos brincadeiras, o letramento e o faz de conta. Outras atividades lúdicas, tão importantes quanto essas, ficam de fora do cardápio de propostas disponíveis para escolha autônoma das crianças.

  • Canto do Desenho

Uma folha de papel colada no chão ou na parede e alguns lápis podem ter um espaço permanente na sala ou até no pátio. Uma mesa pode compor o ambiente. Com o tempo, os formatos, tamanhos, texturas e cores dos suportes devem variar e também a qualidade dos riscadores (lápis de cor, giz de cera, giz de lousa, carvão, pedaços de tijolos e outros). Crianças precisam desenhar todos os dias! Desenho é uma forma de elaborar e expressar pensamentos que ainda não cabem no vocabulário dos pequenos. O desenho convoca a participação de todo o cérebro, ativando as estruturas responsáveis pelo pensamento lógico, a imaginação e o controle motor. Além de tudo isso, o desenho solicita concentração e foco, auxiliando no desenvolvimento dessas habilidades. Finalmente, desenhar provoca as relações. Crianças gostam de desenhar sozinhas e também em conjunto. Apreciam os gestos e traços realizados pelos colegas e aprendem com eles.

Possibilidades do desenho

  • Canto de elementos da natureza

canto para plantarOrganizar um canto permanente com folhas, galhos, gravetos, sementes, pedras e conchas coletadas na sala ou no pátio . Em ambientes externos, como solários, é possível deixar material para que as crianças façam sozinhas suas plantações: potes, pás, terra, adubo, sementes e mudinhas. Há dois anos, uma turma de crianças da Suécia está pesquisando e plantando sementes e brotos de hortaliças que conseguem na cozinha, a partir das frutas e legumes que consomem.

canto com elementos da natureza

 

  • Cantos de construção

Em geral, brincadeiras com construções tridimensionais ficam relegadas a alguns joguinhos de montar cujas peças vão se perdendo e se misturando ao longo do ano. Trabalhar a tridimensionalidade é fundamental para desenvolver inúmeras habilidades, tantas quantas as adquiridas com o desenho, as brincadeiras de faz de contas e outras. Fazendo construções com materiais pequenos e também com grandes blocos como caixas, caixotes e tábuas, as crianças desenvolvem a consciência do equilíbrio, as habilidades viso-espaciais, levantar hipóteses, planejar e resolver problemas; criar; trabalhar o foco e a cooperação. Todas essas habilidades estão implicadas no desenvolvimento global da criança e em especial da escrita e do pensamento matemático.

Disponibilizar, desde jogos de construção até potes plásticos, copos, palitos de sorvete, canudinhos, tubos e caixas de papelão ou cartão firmes, de tamanhos variados, atrai e desafia as crianças para inventar torres, casas, carros, cenários e uma infinidade de objetos e histórias.

canto de construção

Cantos de atividades diversificadas são propostas que levam tempo até que se tornem parte da rotina das crianças. É só com a frequência e constância que os pequenos percebem que os cantos vão permanecer por tempo suficiente para que eles brinquem tranquilamente. Assim, acaba o primeiro ímpeto de esgotar os desejos porque aquela oportunidade pode ser única! Então, é provável que ao encontrar o novo canto organizado, as crianças dediquem mais tempo e energia a ele, testando, desorganizando e reorganizando. Depois,  percebem que os materiais e a proposta vão permanecer por tempo suficiente para esgotar as brincadeiras.

É importante pensar que os cantos despertam para situações de aprendizagens intensas que, em geral, não terminam com uma ‘brincadinha’. A professora Ana Helena Rizzi Cintra ressalta que as crianças devem poder transitar com todos os materiais da sala e reconstruir os ambientes de acordo com suas necessidades, e que dentro do possível os cantos que elas criam devem permanecer até serem transformados, dando identidade para o espaço e continuidade para a elaboração das brincadeiras. Desse modo as brincadeiras podem continuar por dias e, com isso, a organização do espaço feito pelas crianças precisa ser respeitada e conservada. A forma como organizam as próprias brincadeiras pode ser importante para que ela continue e se amplie. A sala precisa ser limpa e os cantos desmontados? Caso seja necessário, a sugestão da professora Ana Helena é negociar e anotar com as crianças como o espaço está arrumado ou mesmo fotografa-lo.

Segundo a professora Ana Helena, outro ponto importante é que o adulto não decida aleatoriamente que elementos retirar do canto. No meio do material pode ter uma tampinha insignificante para o adulto mas que uma das crianças acha especial e brinca todos os dias. Desse modo, o que era pesquisa para a criança vai parar no lixo!

Com a escola mais tranquila e turmas misturadas, professores podem pesquisar, juntar materiais e preparar cantos interessantes para serem testados e perpetuados quando as outras crianças voltarem das férias. Aproveite a oportunidade!

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PARA SABER MAIS…

Foto Ana Helena Rizzi Cintra Ana Helena Rizzi Cintra  é filósofa, pedagoga e professora da Creche da USP. Especialista em Dança e Consciência Corporal.

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Dicas para planejar e preparar Cantos de Atividades Diversificadas

Cantos de atividades diversificadas e Jogos heurísticos: muitas brincadeiras!

Palavra de… Denise Nalini: cantos de atividades e as tomadas de decisão das crianças

Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!

Desenho: espelho do desenvolvimento infantil

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Um fim de semana sobre e para as crianças em Brasília!

O Centro Cultural do Banco do Brasil Brasília apresenta as 10h do dia 1 de julho, sábado, o filme O Começo da Vida.  O longa-metragem, dirigido por Estela Renner, traz uma reflexão sobre o direito ao convívio familiar, principalmente nos seis primeiros anos de vida. Às 14h será apresentado o curta metragem Terreiros do Brincar, de Renata Meirelles e David Reeks, com a participação de crianças em vários grupos de manifestações populares em quatro estados brasileiros. 

Jardins da infância CCBB

Para a tarde do dia 2, domingo, entre 14h e 19h, estão previstas atividades ao ar livre, com oficinas destinadas ao público infantil, e rodas de conversa para os pais e/ou responsáveis. As oficinas vão abordar os direitos das crianças, a partir de temas como maternidade, cidade e ocupação nos espaços públicos, convivência familiar, desenvolvimento infantil, e respeito à diversidade. O programa também irá fomentar a realização um grande piquenique no gramado do CCBB com brincadeiras tradicionais.

Aproveite para divulgar esse evento na sua escola e para participar da companha solidária levando 1kg de alimento. Sua doação será encaminhada à instituição que desenvolve projetos culturais para pessoas em vulnerabilidade social

Leia também: 
O Começo da Vida: um filme sobre infância para encantar e refletir
Brincadeira livre ou conduzida?
Sementes do Nosso Quintal – um filme lindo e um ótimo recurso para reuniões e paradas pedagógicas

 

 

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Jogo de brincar ou jogo de competir?

jogo das cadeiras criança tristeDuas situações de competição X participação envolvendo a Dança das Cadeiras chamaram a nossa atenção recentemente. A brincadeira tradicional foi proposta para crianças na faixa de 3 a 4 anos, em diferentes instituições, e causou tristeza, choro e frustração nos grupos e também nos professores.
Por que as crianças que saíam do jogo ficavam tão chateadas a ponto de chorar e impedir a continuidade da brincadeira?

Pois é! A Dança ou Jogo das Cadeiras é um jogo tradicional que, dependendo da forma como é brincado, leva à questão de ganhar ou perder, inadequada até 4 anos.
Por que será? Qual a diferença entre competição e participação? 

jogo das cadeiras de sentar no colo Santa Marina

Piaget e sua discípula, a educadora Constance Kamii, estudaram as situações de jogo com regras ao longo da infância e também as implicações da competição entre os participantes. Para ambos, as crianças até 5 ou 6 anos estão no estágio do brincar egocêntrico, em que brincando juntas ou separadas não se preocupam com a questão de “vencer”. Crianças pequenas gostam do desafio de jogar e se divertem cumprindo tarefas, regras ou combinados propostas pelos jogos. E só!

jogo das cadeiras do SnoopyOutro aspecto dessa questão diz respeito às disputas. Nessa fase elas podem brigar por um brinquedo ou até para serem escolhidas como ajudantes para servir a fruta na hora do lanche. Isso porque o brinquedo e servir a fruta têm um valor intrínseco e imediato para elas. Nos jogos, por outro lado, objetos interessantes ou privilégios não estão diretamente envolvidos. O que os pequenos ganham concretamente chegando em primeiro lugar numa corrida? O que eles ganham em superar os amigos? O que compreendem desta situação?

Até 5 ou 6 anos as crianças são muito egocêntricas para se importar com a performance dos colegas.

A partir dessa idade, no entanto, elas começam a prestar mais atenção nas próprias conquistas e nas dos colegas. Começam a comparar e caminham para a competição.

Mas o que é competir?

Competir é comparar os desempenhos e superar os outros. E aí a intervenção do professor é fundamental.

Ao ganhar, algumas crianças expressam orgulho e sentimentos de superioridade. Quando professores enaltecem e valorizam as conquistas com muitos “muito bem!” e premiações, acabam por reforçar a superioridade do vencedor e também o sentimento de fracasso dos perdedores. Frente às primeiras experiências com jogos de competição, o professor deve valorizar a brincadeira, a participação do grupo e até adequar as regras dos jogos conforme a leitura que faz sobre o desenvolvimento das crianças.

Voltando para a Dança das Cadeiras, algumas variantes são indicadas para adaptar a brincadeira para os menores.

jogo das cadeiras de livro1- Para os bem pequenos, as cadeiras podem ser retiradas mas não os participantes! A proposta é sentar no colo do amigo que quiser acolher quem sobrou. É muito bacana observar como o grupo vai se organizando para ter os amigos sentados no colo. Além de adequada, a brincadeira tradicional modificada desafia o espírito de colaboração coletiva.

2- Para a faixa dos 4 a 6 anos, quem sai do jogo pode controlar a música. Desse modo, ao ficar sem cadeira, a criança ainda tem uma oportunidade de participar.

A convivência de crianças cria situações de competição e participação. Competir faz parte da natureza humana, mas os sentimentos de superioridade e de inferioridade não são condições para a competição acontecer. Com olhar afiado e intencionalidade nas ações, os professores podem construir situações positivas de aprendizagem com jogos e brincadeiras tradicionais e suas adequações às faixas etárias da Educação Infantil.

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Balão-Para-Saber-Mais Jean Piaget não era um educador, era um investigador da aprendizagem ou da epistemologia genética. Constance Kamii, sua discípula, tendo trabalhado com Piaget em vários períodos, foi uma das pensadoras que promoveu e adaptou seu pensamento à educação, especialmente na faixa etária da Educação Infantil.

→ Bibliografia – Group Games in Early Education: implications of Piaget Theory, Constance Kamii e Rheta DeVries. National Association for the Education of Young Children, Washington, 1988

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Baralho Corporal para desafiar o corpo

Brincadeiras que desafiam a percepção sobre o próprio corpo, equilíbrio, orientação e ocupação do espaço são momentos apreciados pelas crianças e favorecem amplas aprendizagens.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 1

Se a questão é desafiar o corpo, que tal esta sugestão?

A professora Leny, da Turma da Onça, da EMEI Nelson Mandela, SP, propôs a brincadeira do Baralho Corporal para o seu grupo.

A proposta é simples mas rica, e as crianças adoraram.

A professora organizou uma série de cartelas com bonequinhos que representam esquemas de posições do corpo – esse tipo de ilustração usada para orientar quem faz ginástica e outros esportes. Cada imagem é uma provocação para desafiar o corpo e a mente.

baralho corporal

O professor escolhe aleatoriamente uma cartela do baralho e o grupo reproduz a posição do desenho com o próprio corpo.

A brincadeira do Baralho Humano pode começar mais direta até as crianças pegarem o jeito. Depois, pode ser a vez de cada criança sortear uma posição.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 2

Brincar em pequenos grupo com crianças acima de 4 anos amplia ainda mais as possibilidades. O desafio poderia ser estendido para as equipes que teriam que “montar” a posição do baralho num amigo “boneco”.

29_MVG_cult_soleilImitar posições e sentir o próprio corpo assumindo posturas diferentes é uma experiência importante para crianças pequenas que a cada dia descobrem sobre o mundo e sobre si mesmas. Ana Helena Rizzi Cintra, quando professora de bebês na Creche Oeste da USP, percebeu que os pequenos de 18 meses gostavam de se espichar e se curvar sobre os colchonetes. A partir desse olhar, ela selecionou um trecho de vídeo com a atuação de uma contorcionista com bambolê do Cirque du Soleil. Separou bambolês e colchonetes na sala com a TV, colocou o filme e plantou a provocação. Os pequenos assistiram a exibição da artista e procuraram imitar alguns gestos usando até o bambolê.

Sutil, encantador e desafiador. Brincar com o corpo pode ampliar o já famoso “Siga Mestre” e seguir por outros caminhos.

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Balão-Para-Saber-Mais

Leia sobre o campo de experiências Corpo e Movimento na postagem:
Aprendizagem dos movimentos

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A Festa Junina por todo o país

Vai chegando o final do primeiro semestre e as escolas começam a pensar na organização das festividades do mês de junho. É comum o olhar das instituições se voltar para os arraiais com as bandeirolas e os chapéus de palha, hoje sinônimos da festa caipira. Mas as manifestações juninas são só isso ou temos outras referências para brincar nestas ocasiões? Existem outras tradições?

Carimbó

O festejo com quadrilhas, comidas típicas e o tradicional casamento na roça e seus personagens – noivo, noiva, pai da noiva, padre e delegado –  encontram respaldo no contexto cultural das comunidades do Nordeste. Foi naquela região, no período colonial Brasileiro, que começaram as festas juninas vinculadas aos três santos: São João, São Pedro e Santo Antônio, o casamenteiro. Das primeiras manifestações até os dias de hoje, muitas transformações ocorreram decorrentes das evoluções dos festejos nas grandes cidades, mas é do Nordeste o forró e os cortejos pelas cidades .

E as manifestações juninas das outras regiões
Pesquisar outras tradições pode ser uma proposta pedagógica?

O Colégio Sidarta, Cotia, vem se dedicando anualmente a olhar as culturas brasileiras. A cada ano pesquisa as manifestações culturais de cada uma das regiões, convidando as famílias e a comunidade para participar de todos os momentos da atividade.

Cultura do Sul

Num ano, o chapéu do tropeiro, sinônimo de orgulho das tradições dos estados do sul, marcou as festividades. Os tropeiros e suas violas, que embalam cantigas de saudade, atravessam a paisagem rural brasileira conduzindo o gado nas cavalgadas. São responsáveis por uma gastronomia diferenciada, vinculada às possibilidades alimentares que encontram pelo caminho. O arroz de carreteiro é um prato típico*. Os festejos a partir dos elementos dessa cultura compõem outro cenário para as festas juninas.

Cultura do Norte

Neste ano a pesquisa da comunidade do Sidarta voltou-se para a região norte, com o Carimbó.  Com traços da origem indígena, o carimbó é dançado em roda. Os tambores ressaltam os traços africanos da manifestação e as saias longas, esvoaçantes, rodadas e floridas apontam as origens das antigas europeias. Na pesquisa sobre a festa, o Sidarta trouxe as pinturas corporais indígenas com o grafismo inspirado nos elementos da natureza.

chapeu de palhaSeja qual for a região pesquisada, essa é uma forma de aproximar a grande diversidade cultural brasileira das crianças e suas famílias, se afastando do estereótipo do chapéu de palha desfiado, muitas vezes sem significado.

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*Arroz de carreteiro – O arroz é um prato característico do Brasil, mas o arroz carreteiro, também conhecido como arroz-de-carreteiro, tem sua origem relacionada aos tropeiros e mercadores que transportavam cargas e viviam atravessando a região sul em carretas, um meio de transporte puxado por bois. Ao preparar as refeições era comum cozinhar o arroz com a carne de charque, expressão sulina para a carne seca e salgada, em panelas de ferro colocadas no fogo de pequenas fogueiras.

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Balão-Para-Saber-MaisPara ler:
Festa Junina: oportunidade para trabalhar com a equipe de educadores
Chita, Festa Junina e um kit para brincadeiras

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Sou o que sou, não o que vou ser…

É possível olhar outro ser humano com olhos neutros?
Acho que não! Percebemos o mundo a partir do que somos e das experiências que acumulamos na jornada da nossa vida.

Lá no início do ano, quando entramos em contato com as crianças que vão ser “nossas”, é com um olhar subjetivo que encontramos outras tantas subjetividades concentradas em corpos pequeninos.

PROVOCAÇÃO SOU O QUE SOU

Estar consciente de que nosso olhar nunca é neutro, é ponto de partida para pensar sobre a forma como vemos as crianças e como desenhamos suas características em nossas cabeças. É esse desenho, ou conceito, que pauta as relações com os pequenos.

Mas outro aspecto da relação pontua nossas ações, emoções e, consequentemente, as atividades que planejamos para as crianças:

Será que estamos propondo conteúdos pertinentes àquilo que as crianças são ou compatíveis com a expectativa do que elas virão a ser?
Estamos ouvindo o que as crianças dizem sobre si mesmas?
Estamos considerando, em nossos planejamento, as crianças como são hoje?

A palavra considerar faz refletir:  com = junto  +   siderar = sideral, universo.

Assim, estamos trazendo crianças reais para o nosso universo?

Crianças irrequietas, tímidas, ousadas, investigativas, abruptas, calmas, pensativas, contemplativas, quietas, tagarelas. É comum recebermos mensagens de professores se queixando de crianças assim ou assado e grupos “difíceis” de lidar.

Especialmente na faixa etária da educação infantil, é mais provável pensar que o professor se relaciona a partir das expectativas subjetivas sobre um ideal de criança, e desenvolve com elas um trabalho que se distancia da realidade, entrando em colisão com subjetividades desconsideradas (des=negação da consideração).

Se a turma é energética, impetuosa fique a maior parte do tempo fora da sala! Desafie o corpo, gaste boas energias com as crianças e, depois de ter os corpos satisfeitos, faça roda, conte histórias e converse.

Se a turma é curiosa, cutuca, abre, remexe e fuça, ofereça desafios para pesquisar objetos e transformações.

Se o grupo gosta de meleca, explorar texturas, sentir os materiais com e no corpo, planeje e ofereça frequentemente propostas de artes visuais e plásticas com diferentes tintas, argila, massas, farinhas, entre outros materiais e prepare um ambiente onde os pequenos terão liberdade para explorar.

Nem todos estão com desejo ou disposição para participar da atividade?

Que tal organizar pequenas propostas paralelas para contemplar outros interesses? Caixas com livros, um jogo de montar, um cantinho pra faz de conta considera (!) singularidades. 

Experiências são a fonte da aprendizagem, do desenvolvimento e o alicerce da construção da identidade. Experimentações verdadeiras, sem objetivos fechados e que favoreçam a expressão de cada indivíduo, são a matéria prima da educação que contempla crianças reais!

Leia mais em

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Tintas, mãozinhas e as marcas de uma experiência

aprendendo a carimbarTrês professoras observaram uma experiência real atravessar uma das crianças da turma. Perceberam o momento da pesquisa autônoma, a descoberta e a aprendizagem. Tudo isso num simples ato de carimbar a mão.
Para a nossa satisfação, as professora registraram o momento e compartilharam também suas experiências e conquistas.

Fabiana, Nathaly e Michelle, do CEI Nossa Turma, SP, planejaram uma proposta de pintura com rolinhos para a turma de 12 a 18 meses. A ideia era preparar algumas mesas cobertas com grandes folhas de papel, pratos rasos com tintas guache coloridas e rolinhos de espuma.

As professoras identificaram o interesse das crianças em explorar as tintas com o corpo todo. Gostam de colocar as mãos nos recipientes e espalhar as tintas nos dedos, braços, rosto, nos colegas e nas professoras! As marcas no papel acontecem, mas não são o principal foco de todos os pequenos que ainda pesquisam as texturas e outras propriedades das tintas.

aprendendo por imitação

Choveu no dia programado e as professoras colocaram em prática o plano B: sequestraram o refeitório.

Prepararam duas grandes mesas bem afastadas para permitir a escolha e a livre circulação dos pequenos, o que funcionou muito bem. Os rolinhos também ampliaram a pesquisa, pois além de percorrer o papel e a pele deixando marcas, foram amassados e espremidos.

proposta pintura CEI Nossa Turma

Eis que num momento, depois de passar o rolo com tinta preta na palma da mão e mergulhar a mão no prato, uma menininha de lacinho verde resolveu posicionar a mão no papel da mesa. Apoiou e retirou com cuidado. Surpreendeu-se e ficou encantada com o que viu: uma imagem da própria mão estampada na mesa!

processo de descoberta de carimbar a mão

Nessa altura da história, muitos leitores podem pensar: nada mais comum e corriqueiro do que ver mãozinhas de crianças carimbadas durante atividades da Educação Infantil!

Mas aí é que moraram as descobertas da menininha, das três professoras e de mais algumas crianças.

Essa não foi uma vivência qualquer para a pequena. É provável que ela já tenha tido a mão carimbada pelas professoras em outras ocasiões… mas até aquele dia nunca havia descoberto nada com isso! A experiência nunca tinha sido dela.

A surpresa e a expressão de insight[1] de quem compreendeu o processo foi tão espontânea e clara, que as professoras se sensibilizaram. Como estavam atentas às conquistas das crianças, registraram o processo da lacinho verde e mais tarde refletiram sobre o que observaram.

aprendizagem por imitaçãoA descoberta foi imitada por outras crianças, que experimentaram e aprenderam ao imitar a colega (Zona de Desenvolvimento Proximal do Vygotsky, lembra?).

Experiências são vivências significativas, que atravessam as pessoas e deixam marcas. Segundo o pedagogo e filósofo da educação, Jorge Larrosa – um dos magos do Tempo de Creche – somente aprendemos nos momentos em que experimentamos. São os breves instantes que nos atravessam que produzem aprendizagens.

É possível que um fato corriqueiro como esse passe despercebido pela maior parte dos professores. Porém, é nesses instantes encantados que mora a potência do ensinar e do aprender. Fabiana, Nathaly, Michelle, a pequenina do lacinho verde e outros coleguinhas foram atravessados pelo prazer de descobrir e crescer.

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PARA SABER MAIS…

[1] Insight é a clareza súbita na mente, iluminação, estalo, luz, compreensão ou solução de um problema pela súbita captação mental.

Jorge Larrosa, em seu artigo Notas sobre a experiência e o saber de experiência, afirma que a experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. Para ele a experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.

Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky – para saber mais leia a postagem Percurso investigativo: o desenho e a zona proximal de desenvolvimento

CEI Nossa Turma é uma creche conveniada à Prefeitura de São Paulo e é parte dos projetos sociais da Associação Nossa Turma. As professoras Fabiana Guimarães dos Santos, Nathaly da Silva Cunha e Michelle Ferreira Gonçalves são responsáveis pela turma de Berçário 2 (12 a 24 meses) desta postagem.

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Arroz para brincar

Proposta com arroz 2O tanque de areia está lá molhado, abandonado e as crianças estão com cara de tristeza? Sua escola não tem tanque de areia? Substitua por bandejas com arroz! A riqueza das experiências com a areia na área externa não é suprida, mas o arroz cru favorece outros desafios. Para as crianças muito pequenas é uma forma de introduzir as brincadeiras de encher, esvaziar e transferir sem se preocupar com o desejo de levar tudo à boca.

Como organizar esta proposta?

  • Selecionar potes, copos, canecas, pratos e bacias de tamanhos variados. Garrafas pet e de leite podem ser cortadas e se transformar em potes, pás e funis.
  • Separar colheres e conchas de metal, plástico e madeira, com diversos tamanhos e formatos.
  • Proposta com arroz GrupoBandejas plásticas rasas, aquelas utilizadas para alimentos, são ótimas para fazer as vezes do tanque de arroz. Se não estiverem disponíveis, utilizar bacias. O número de bandejas depende do tamanho e da quantidade de crianças. É bom imaginar que provavelmente os pequenos se acomodarão em torno das bandejas com o arroz para brincar.
  • Para turmas de até 15 crianças entre 12 e 24 meses, 2 kg de arroz são suficientes. Para grupos maiores ou crianças acima dessa idade, é recomendável aumentar a quantidade.
  • Uma lona plástica ajuda na hora de arrumar a sala e dar sequência à rotina. Se utilizar, não esquecer de colar o plástico no chão com fita crepe para evitar tropeços e tombos. Depois de limpas as lonas podem ser reaproveitadas em outras propostas.

Proposta com arroz materiaisAs crianças compreendem a brincadeira e dispensam instruções quando encontram o ambiente esteticamente organizado e convidativo. Algumas avançam ávidas por explorar, outras observam de longe pensando sobre os modos de interagir e outras esperam os amigos agirem para se inspirarem. Seja qual for o modo de se aproximar e brincar, as crianças vão inventar jeitos de acordo com suas experiências e habilidades:

  • mergulham as mãos e percebem as texturas,
  • tentam agarrar os pequenos grãos,
  • Procuram pegar com as colheres,
  • transferem de um lugar para o outro,
  • batem, sacodem e atiram,
  • brincam de fazer comidinha,
  • levam à boca e às vezes comem.

Proposta com arroz

Reserve uma hora ou mais para a proposta porque os pequenos adoram!

Na hora de encerrar, pequenas vassourinhas e pás convidam o grupo a mudar de brincadeira e a ajudar a arrumar. Sem chororô ou frustração porque a brincadeira só mudou!

Proposta com arroz Limpeza

Proposta com arroz 1Prepare-se para registrar momentos por meio de fotos e anotações. Muitas dicas poderão surgir a respeito das habilidades conquistadas, demandas e necessidades, interesses e possibilidades para variar e ampliar a proposta:

  • Como as crianças entraram na brincadeira?
  • Quais foram as ações mais observadas?
  • Quais habilidades estão apresentando?
  • Quais habilidades precisam ser mais trabalhadas?
  • Que perguntas surgiram? (no caso de crianças maiores)
  • Como se relacionaram com o professor e com as outras crianças? Brincam juntas, lado a lado ou sozinhas?

Possibilidades de ampliação

Proposta com areiaUtilizar outros grãos e sementes como cores, formatos e tamanhos diferentes (não tóxicos), colorir o arroz com corante alimentício (sacudindo num saco fechado e depois deixando secar), preparar areia da lua para brincar com os mesmos utensílios e recursos (areia da lua é uma mistura de areia peneirada, amido de milho e óleo que molda e é mais fácil de limpar porque não gruda. Para mais informações leia a postagem Três dicas de materiais inusitados e uma para ajudar na bagunça

No final, é só recolher a lona plástica com o arroz espalhado e varrer o que ficou no chão. Se o arroz não estiver muito sujo, é só peneirar para tirar as sujidades e guardar para usar novamente. Pronto! Tudo organizado… e muita brincadeira brincada.

 

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