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Tintas, mãozinhas e as marcas de uma experiência

aprendendo a carimbarTrês professoras observaram uma experiência real atravessar uma das crianças da turma. Perceberam o momento da pesquisa autônoma, a descoberta e a aprendizagem. Tudo isso num simples ato de carimbar a mão.
Para a nossa satisfação, as professora registraram o momento e compartilharam também suas experiências e conquistas.

Fabiana, Nathaly e Michelle, do CEI Nossa Turma, SP, planejaram uma proposta de pintura com rolinhos para a turma de 12 a 18 meses. A ideia era preparar algumas mesas cobertas com grandes folhas de papel, pratos rasos com tintas guache coloridas e rolinhos de espuma.

As professoras identificaram o interesse das crianças em explorar as tintas com o corpo todo. Gostam de colocar as mãos nos recipientes e espalhar as tintas nos dedos, braços, rosto, nos colegas e nas professoras! As marcas no papel acontecem, mas não são o principal foco de todos os pequenos que ainda pesquisam as texturas e outras propriedades das tintas.

aprendendo por imitação

Choveu no dia programado e as professoras colocaram em prática o plano B: sequestraram o refeitório.

Prepararam duas grandes mesas bem afastadas para permitir a escolha e a livre circulação dos pequenos, o que funcionou muito bem. Os rolinhos também ampliaram a pesquisa, pois além de percorrer o papel e a pele deixando marcas, foram amassados e espremidos.

proposta pintura CEI Nossa Turma

Eis que num momento, depois de passar o rolo com tinta preta na palma da mão e mergulhar a mão no prato, uma menininha de lacinho verde resolveu posicionar a mão no papel da mesa. Apoiou e retirou com cuidado. Surpreendeu-se e ficou encantada com o que viu: uma imagem da própria mão estampada na mesa!

processo de descoberta de carimbar a mão

Nessa altura da história, muitos leitores podem pensar: nada mais comum e corriqueiro do que ver mãozinhas de crianças carimbadas durante atividades da Educação Infantil!

Mas aí é que moraram as descobertas da menininha, das três professoras e de mais algumas crianças.

Essa não foi uma vivência qualquer para a pequena. É provável que ela já tenha tido a mão carimbada pelas professoras em outras ocasiões… mas até aquele dia nunca havia descoberto nada com isso! A experiência nunca tinha sido dela.

A surpresa e a expressão de insight[1] de quem compreendeu o processo foi tão espontânea e clara, que as professoras se sensibilizaram. Como estavam atentas às conquistas das crianças, registraram o processo da lacinho verde e mais tarde refletiram sobre o que observaram.

aprendizagem por imitaçãoA descoberta foi imitada por outras crianças, que experimentaram e aprenderam ao imitar a colega (Zona de Desenvolvimento Proximal do Vygotsky, lembra?).

Experiências são vivências significativas, que atravessam as pessoas e deixam marcas. Segundo o pedagogo e filósofo da educação, Jorge Larrosa – um dos magos do Tempo de Creche – somente aprendemos nos momentos em que experimentamos. São os breves instantes que nos atravessam que produzem aprendizagens.

É possível que um fato corriqueiro como esse passe despercebido pela maior parte dos professores. Porém, é nesses instantes encantados que mora a potência do ensinar e do aprender. Fabiana, Nathaly, Michelle, a pequenina do lacinho verde e outros coleguinhas foram atravessados pelo prazer de descobrir e crescer.

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PARA SABER MAIS…

[1] Insight é a clareza súbita na mente, iluminação, estalo, luz, compreensão ou solução de um problema pela súbita captação mental.

Jorge Larrosa, em seu artigo Notas sobre a experiência e o saber de experiência, afirma que a experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. Para ele a experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.

Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky – para saber mais leia a postagem Percurso investigativo: o desenho e a zona proximal de desenvolvimento

CEI Nossa Turma é uma creche conveniada à Prefeitura de São Paulo e é parte dos projetos sociais da Associação Nossa Turma. As professoras Fabiana Guimarães dos Santos, Nathaly da Silva Cunha e Michelle Ferreira Gonçalves são responsáveis pela turma de Berçário 2 (12 a 24 meses) desta postagem.

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Arroz para brincar

Proposta com arroz 2O tanque de areia está lá molhado, abandonado e as crianças estão com cara de tristeza? Sua escola não tem tanque de areia? Substitua por bandejas com arroz! A riqueza das experiências com a areia na área externa não é suprida, mas o arroz cru favorece outros desafios. Para as crianças muito pequenas é uma forma de introduzir as brincadeiras de encher, esvaziar e transferir sem se preocupar com o desejo de levar tudo à boca.

Como organizar esta proposta?

  • Selecionar potes, copos, canecas, pratos e bacias de tamanhos variados. Garrafas pet e de leite podem ser cortadas e se transformar em potes, pás e funis.
  • Separar colheres e conchas de metal, plástico e madeira, com diversos tamanhos e formatos.
  • Proposta com arroz GrupoBandejas plásticas rasas, aquelas utilizadas para alimentos, são ótimas para fazer as vezes do tanque de arroz. Se não estiverem disponíveis, utilizar bacias. O número de bandejas depende do tamanho e da quantidade de crianças. É bom imaginar que provavelmente os pequenos se acomodarão em torno das bandejas com o arroz para brincar.
  • Para turmas de até 15 crianças entre 12 e 24 meses, 2 kg de arroz são suficientes. Para grupos maiores ou crianças acima dessa idade, é recomendável aumentar a quantidade.
  • Uma lona plástica ajuda na hora de arrumar a sala e dar sequência à rotina. Se utilizar, não esquecer de colar o plástico no chão com fita crepe para evitar tropeços e tombos. Depois de limpas as lonas podem ser reaproveitadas em outras propostas.

Proposta com arroz materiaisAs crianças compreendem a brincadeira e dispensam instruções quando encontram o ambiente esteticamente organizado e convidativo. Algumas avançam ávidas por explorar, outras observam de longe pensando sobre os modos de interagir e outras esperam os amigos agirem para se inspirarem. Seja qual for o modo de se aproximar e brincar, as crianças vão inventar jeitos de acordo com suas experiências e habilidades:

  • mergulham as mãos e percebem as texturas,
  • tentam agarrar os pequenos grãos,
  • Procuram pegar com as colheres,
  • transferem de um lugar para o outro,
  • batem, sacodem e atiram,
  • brincam de fazer comidinha,
  • levam à boca e às vezes comem.

Proposta com arroz

Reserve uma hora ou mais para a proposta porque os pequenos adoram!

Na hora de encerrar, pequenas vassourinhas e pás convidam o grupo a mudar de brincadeira e a ajudar a arrumar. Sem chororô ou frustração porque a brincadeira só mudou!

Proposta com arroz Limpeza

Proposta com arroz 1Prepare-se para registrar momentos por meio de fotos e anotações. Muitas dicas poderão surgir a respeito das habilidades conquistadas, demandas e necessidades, interesses e possibilidades para variar e ampliar a proposta:

  • Como as crianças entraram na brincadeira?
  • Quais foram as ações mais observadas?
  • Quais habilidades estão apresentando?
  • Quais habilidades precisam ser mais trabalhadas?
  • Que perguntas surgiram? (no caso de crianças maiores)
  • Como se relacionaram com o professor e com as outras crianças? Brincam juntas, lado a lado ou sozinhas?

Possibilidades de ampliação

Proposta com areiaUtilizar outros grãos e sementes como cores, formatos e tamanhos diferentes (não tóxicos), colorir o arroz com corante alimentício (sacudindo num saco fechado e depois deixando secar), preparar areia da lua para brincar com os mesmos utensílios e recursos (areia da lua é uma mistura de areia peneirada, amido de milho e óleo que molda e é mais fácil de limpar porque não gruda. Para mais informações leia a postagem Três dicas de materiais inusitados e uma para ajudar na bagunça

No final, é só recolher a lona plástica com o arroz espalhado e varrer o que ficou no chão. Se o arroz não estiver muito sujo, é só peneirar para tirar as sujidades e guardar para usar novamente. Pronto! Tudo organizado… e muita brincadeira brincada.

 

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Tempo de Creche bate-papo na Ciranda de Filmes SP

No próximo sábado, dia 27/05, às 13h, queremos convidar professores, diretores e coordenadores para assistirem conosco o ótimo filme Chocolate, exibido na Ciranda de Filmes. E depois da seção conversar, refletir e sonhar embalados pela poesia desse filme tão sensível.

A Ciranda de Filmes é um festival gratuito de cinema com foco na infância e na educação. O filme Chocolate fala da vida das crianças que acompanham suas famílias, compartilham seus dramas e também experimentam o sabor da brincadeira, da cultura e da vida em comunidade.

Após a seção, a equipe do Tempo de Creche convida para um bate-papo sobre o filme, as crianças da história e a infância dos nossos pequenos. MARQUE NA SUA AGENDA e não deixe de comparecer!

CIRANDA - FILME CHOCOLATE

Captura de Tela 2017-05-22 às 18.03.20

Filme Chocolate – 27/05, das 13 às 15h
Bate-papo com Tempo de Creche – das 15 às 15h30
Local: Espaço Itaú de Cinema – Augusta/Sala 3
Endereço: R. Augusta, 1475 – Cerqueira César, São Paulo – SP, 01305-100

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Fazer uma vez é o mesmo que não fazer!

Planejar propostas de atividades repetidas para crianças é cair na mesmice? É bom ou ruim para elas? Fazer atividades uma só vez constrói saberes?

Vamos pensar um pouco: imagine que você chegou numa ilha onde as plantas, os animais, a comida, a língua, a música, a arquitetura e os costumes são muito diferentes dos seus.

Um passeio de 24 horas é suficiente para conhecer um mundo tão diferente? Um dia basta para ter ideia do que acontece por lá?

crianças modelando argila

A primeira etapa da vida do ser humano é como uma viagem a um mundo desconhecido. Nos primeiros anos os pequenos poderiam dizer “muito prazer em conhece-lo” a toda hora, porque tudo é novo e está sendo observado, explorado e conhecido.

Retomemos a pergunta inicial: basta uma espiadinha, uma rápida brincadeirinha para se apropriar do mundo desconhecido que nos cerca, construir olhar e significados?

Certamente, não!

Riina LundellA professora sueca Riina Lundell, da pré-escola Trångsund, na Suécia, disse ao Tempo de Creche que com crianças, fazer uma vez é o mesmo que não fazer.

Nos primeiros contatos, as crianças pesquisam os materiais, os movimentos ou as situações. Testam qualidades e possibilidades. Depois de estabelecerem relações, começam a experimentar e criar com mais complexidade, foco e, dependendo da faixa etária, interagindo com os colegas.

crianças com bloco de argilaJá observou uma criança experimentando a argila pela primeira vez? Ela amassa o material, espreme entre os dedos, bate, atira, passa na pele e até coloca na boca. Algumas apresentam certa resistência para entrar em contato e precisam de tempo e atenção diferenciados.

Só depois de algumas oportunidades é que as crianças começam a descobrir como modelar a massa, controlar a força, compreender as resistências e as delicadezas do material, lidar com diferentes volumes e, finalmente controlar a modelagem para transformar a argila de acordo com seus desejos. Como tudo o que nos cerca, as características do que existe são sempre diversas e permitem interações e explorações particulares.

menina modelando de argila

Projetos também podem demandar a repetição de propostas e percursos mais longos. Ao identificar temas que interessam às crianças, o professor busca caminhos para favorecer experiências e aprofundar as pesquisas e descobertas. Essa trajetória precisa de tempo e repetição. Ao descobrir e aprender sobre os diversos assuntos, as crianças – e todos nós! – precisam retomar os saberes construídos ao longo do caminho para correlacionar, somar e continuar aprofundando o interesse e a busca por novos conhecimentos. É como estar numa espiral que a cada volta retoma o percurso vivido porém de maneira mais ampliada.

Segundo Riina, tempo e repetição são fundamentais para que as crianças aprofundem pesquisas e, nesse percurso, ampliem habilidades e se desenvolvam.

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PARA SABER MAIS…

A postagem Repetir propostas para crianças. Será? também aborda essa questão propondo algumas reflexões. Vele a pena ler!

→ A Pré-escola Trångsund está localizada na região de Trångsund, nos arredores da cidade de Estocolmo, na Suécia. Essa é uma das escolas em que a pesquisadora e professora Liselott Mariett Olsson fez diversas pesquisas e me levou para conhecer de perto. A equipe do Tempo de Creche acredita e se fundamenta, entre outros pensadores, na produção acadêmica de Liselott, que, por sua vez, pensa a educação das crianças pequenas a partir da filosofia de Gilles Deleuze e Felix Guattari, magos e inspiradores do Blog.

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É difícil se desprender da cultura de comemorar o Dia das Mães, Pais…

Um artigo publicado na Folha de São Paulo no domingo (14/05/2017) nos fez retomar esse aspecto da cultura que entra no automatismo e não passa pelos canais da reflexão: e se a criança não tiver mãe para comemorar o Dia das Mães?

Por que a dificuldade de refletir sobre o apelo emocional e comercial de comemorar o Dia das Mães, Pais… ?

desenho mãe e filha

desenho da mãeNa reportagem, a jornalista Sabine Righetti visitou escolas no início do mês de maio, próximo ao famoso e comercialmente cultivado Dia das Mães. Numa das visitas ela percebeu que uma criança que não tinha mãe, ao escrever sua cartinha de Dia das Mães, registrou: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.”

Mãe com criança e laranjas - PicassoAo passear nas redes sociais no último domingo encontramos uma amostra dos vários tipos de manifestações dedicadas a mães presentes e falecidas. Fotos, poemas, piadas, vídeos, imagens, inundaram Facebook, WhatsApp e Instagram, bem como os famosos comerciais e programas de TV. Praças, hospitais, centros culturais e governamentais também se expressaram a respeito. Acreditamos que a maioria das pessoas participou postando ou curtindo o que foi publicado. Esse clima de emoções nos leva a pensar que atropelamos discussões e importantes reflexões sobre a pertinência dessa celebração e quais os formatos de maternidade podem ser encontrados nas famílias que compõem a comunidade da escola.

Na postagem publicada em agosto de 2016 (DIA DOS PAIS, das mães, dos avôs, dos padrinhos…), uma leitora comentou que não podemos esquecer que o comércio, a mídia e as redes sociais também pressionam a criança e levantam o tema do dia dedicado a celebrar a mãe. Nesse caldeirão de forças e influências, o quanto estamos preparados para nos posicionar? A escola dedica momentos a discutir com sua equipe a pertinência dessa e de outras comemorações?

desenho família

A quantidade de manifestações e propostas de atividades, modelos de lembrancinhas e publicações na mídia (como o artigo da Folha) sinaliza que este assunto ainda está mobilizando energias e convocando para a reflexão. Também revela que por estar entranhada na cultura de massas, as comemorações de dia dos pais, mães, avós e família ainda estão longe de encontrar respostas fáceis.

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Balão-Para-Saber-MaisPARA SABER MAIS…

Artigo do Jornal Folha de S. Paulo:  E se a criança não tiver mãe para fazer um desenho na escola? de Sabine Righetti, publicado em 13/05/2017 23:27

Mãe com crianças - Vic MunizHá alguns dias, visitei umas escolas em São Paulo para uma atividade acadêmica com alunos da FGV-SP e inevitavelmente nos deparamos com um exercício pelo qual eu passei quando estava na escola (e você também deve ter passado): a elaboração de uma cartinha para as mães. No chamado “mês das mães”, a tarefa do desenho ou do textinho costuma passar pelas aulas de português a artes, de alunos de diferentes séries, em escolas públicas e privadas.
Mas e se o aluno não tiver mãe?
Estiquei os olhos para a cartinha de um aluninho de uma das escolas por onde passei. O texto, no lugar de “mãe”, dizia em garranchos algo do tipo: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.”
A cada cinco crianças nascidas no Brasil, uma é filha de mãe adolescente. Em uma das escolas públicas que nós também visitamos, cerca de 10% das alunas do ensino fundamental estavam grávidas. Elas tinham algo entre 13 e 14 anos. Filhos de mães adolescentes têm grandes chances de ser criados pelas avós.
Alguém já pensou que uma criança que está na escola pode ter na avó a sua figura maternal? Ou pode ser órfã? Pode estar morando em um abrigo provisoriamente? Pode viver com o pai e a nova esposa dele? Pode ser um filho de um casal gay de dois homens e, portanto, não ter a ideia da “mãe”? LEIA MAIS 

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

 

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Campos de Experiência: Linguagens da Arte em Educação Infantil

Qual a importância das linguagens da Arte em Educação Infantil?
É inegável que as linguagens da Arte ajudam a ver e compreender a realidade, a conhecer o mundo e a conhecer-se. Decorre, daí, a sua importância na educação e no cotidiano de todas as pessoas, de qualquer faixa etária e qualquer ambiente.

A linguagem da Arte exercita e amplia a aprendizagem das formas de expressão com o desvelar de uma riqueza de sentimentos e percepções, relações e possibilidades.

A oficina de artes permite às crianças expressarem suas emoções e realidades e, no percurso, conhecerem o mundo e a si mesmas.

Proposta pintura com os pés

Eu não estou buscando, eu estou descobrindo.
Picasso.

As crianças dizem o mesmo, descobrem possibilidades nas propostas de artes, porque fazer arte é engajamento de todos os sentidos, é um convite irrecusável à experimentação.

A questão que se coloca diante do professor é o desafio de selecionar, dentre tantas alternativas, quais conteúdos priorizar, quais materiais apresentar, quais espaços explorar. Apesar desse leque de possibilidades, o professor tem caminhos para não fazer escolhas aleatórias:
pintura ou movimento

√ – conhecer o grupo com o qual atua, como se relacionam e os saberes que as crianças já têm;
√ – levantar os desejos orientadores que partem das crianças;
√ – refletir sobre algumas metas (demandas, necessidades, temas e interesses);
√ – prever tempo e espaço disponíveis e suficientes;
√ – verificar a disponibilidade de materiais.

Os conteúdos das diferentes linguagens expressivas demandam habilidades distintas e, em muitas situações, complementares:


Artes plásticas:
o que esperar da pesquisa das crianças com tintas? Elas já experimentaram bastante o material? As marcas são intencionais? Reconhecem suas produções? Observam os movimentos dos colegas e aprendem com o outro? Que tal alterar a textura da tinta? Ou a sua densidade? Ou propor pintar com os pés?

Expressão Corporal: quais ritmos e estilos musicais têm ouvido? Tem se movimentado ao ritmo da música? Como são os movimentos? É possível apresentar adereços como fitas, saias, chapéus para desafiar novos movimentos?

Expressando o ritmo 3
Música:
as crianças exploram os sons dos objetos? Buscam fontes sonoras dos barulhos? Fazem objetos sonoros e se expressam por meio deles e de instrumentos musicais? Quais músicas sabem cantar? Que músicas e estilos musicais diferentes podem ser propostos?

Faz de conta e jogo simbólico – quais histórias ou enredos as crianças conhecem e costumam brincar? Já assumem papeis? Quais objetos e roupas podem enriquecer as brincadeiras?

corpo em movimentoTudo junto e misturado: faz de conta, expressão corporal, num cenário elaborado a partir de propostas de artes visuais, sonorização com objetos e musicalização com canções e instrumentos musicais.

Na verdade, distinguir as linguagens das artes é um pensamento dos adultos. Do mesmo modo que pensamos nos diferentes campos de experiências, ao desenvolver repertórios, as crianças utilizam todas as linguagens e até criam linguagens próprias para comunicar o que sentem, desejam e pensam.

Possibilitar a pesquisa expressiva e a criação individual e coletiva, amplia horizontes de professores e crianças em todas as linguagens… e por que não, nos diversos campos de experiências.

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Balão Para Saber Mais

Leia! Estas postagens aprofundam o tema.

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20o Seminário de Educação Infantil: a natureza das infâncias

O Prisma, Centro de Estudos do Colégio Santa Maria, prorrogou o prazo de inscrição para comunicação oral no 20o Seminário de Educação Infantil: a natureza das infâncias.

Aproveite e faça seu relato!

Seminário de Edcação Infantil - Prisma

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Uma documentação pedagógica para provocar

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Qual a importância de organizar os registros para elaborar uma documentação pedagógica para crianças e professores? O que acontece quando a documentação pedagógica é parte da rotina de ensino e aprendizagem?

Acabo de visitar um museu de arte moderna e contemporânea na Alemanha, Pinakothek der Moderne, com inúmeras salas, coleções e curadores*. Chamou a atenção a forma como as obras desse museu foram reunidas em cada uma das salas. Poucas paredes apresentaram obras de um único artista ou de uma mesma época. O que estava provocando os visitantes-observadores era a conversa que as diferentes pinturas, esculturas e instalações faziam entre si. Muito além da autoria, os curadores organizaram pinturas e outros trabalhos pela temática, pelo estilo, por causa de uma cor marcante, de uma luz, o uso do espaço ou mesmo um material.

Visita a Museu Cotemporâneo

Ao passear  o olhar pelas obras reunidas, o visitante é convidado a pensar na mensagem implícita na arrumação proposta pelo curador:
 O que está por trás da narrativa?
 Como esse conjunto de obras me provoca?

A pesquisadora sueca Liselott Olsson defende que a documentação pedagógica deve ser usada por professores e crianças para visualizar problemas, identificar caminhos para pesquisar e criar coletivamente possibilidades para ampliar as brincadeiras e explorações.

Nesse sentido, cabe pensar:

1- Estamos usando a documentação pedagógica (registros do professor e das crianças) para refletir sobre processos e aprendizagens?

2- Como estamos fazendo uso desses recursos? Estamos preparando espaços e organizando os materiais para convidarem as crianças a reviver as experiências? Fotos dos processos e das descobertas, produções, materiais estão provocando diálogo entre professores e crianças?

3- O professor faz uma provocação ao apresentar os desenhos organizados de acordo com uma “mensagem”? Por exemplo, ao constatar o desenho do sol e de animais nas produções das crianças, o professor reune os desenhos que revelam essas descobertas. Ou, ao fotografar uma brincadeira de casinha, o professor identifica que um objeto foi usado de forma  diferente; registra as cenas e organiza um painel com essas fotografias para provocar conversas.

Liselott diz que é a partir da documentação refletida e organizada que novas ideias e ações podem surgir, tanto para as crianças aprofundarem aprendizagens, quanto para os professores levantarem pistas para novas propostas articuladas com os interesses e descobertas. Como no museu alemão, constrói-se um campo de relações em torno do encantamento, do respeito pelas ideias, pelos desejos e pela investigação.

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* Curador é o profissional capacitado responsável pela concepção das obras de arte, montagem e supervisão de uma exposição de arte. A palavra “curador” vem do latim tutor (“aquele que tem uma administração a seu cuidado”)

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O dia a dia da creche e a Rotina: o que pensar e por onde começar?

Uma professora nos escreve para auxiliá-la na orientação da rotina, pois trabalha com crianças de 3 a 4 anos e fica em dúvida de como e que conteúdos, eixos contemplar na mesma.
Quando o tema é Rotina, o que estamos pensando? Como a definimos?

Rotina

Existe um modelo pronto aplicável a todas as creches e escolas de Educação Infantil?

Não!

Se definirmos rotina como a organização do desenvolvimento que abrange o trabalho diário de professores e crianças, estamos falando em como levar em conta as concepções pedagógicas, a percepção de tempos, espaços e sua relação com as organizações da ação do professor e das crianças.

→ O que pensar?
→ Por onde começar?

Se a Rotina é o dia a dia da creche.
Muitas das atividades têm que ocorrer todos os dias.

rotina 2

Para a construção do seu trabalho e do grupo, o professor organiza e limita o uso do tempo, do espaço e dos materiais, cria uma constância e delimita as atividades, esclarece seus objetivos, elabora em conjunto os combinados e as regras, constrói vínculo e registra e acompanha os compromissos de cada um para com as tarefas.

atividades sensoriais para bebês

 

Podemos ensinar e aprender com a rotina?
Podemos desenvolvê-la com significados diferentes?

 
Para refletir sobre estas e outras questões, leia as postagens:

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Apoiamos as iniciativas das crianças?

A cada dia nos surpreendemos com as habilidades e as iniciativas das crianças pequenas. Curiosas e investigativas, experimentam o que está ao seu alcance. Ao valorizar esse espírito, contribuímos para formar bons estudantes e profissionais competentes. Será que a nossa prática dá espaço ao entusiasmo da infância?

quem disse que eu não consigo

Quanto menor a criança, maior o entusiasmo e o afinco em pesquisar, construir, encaixar, desmontar, saltar, ultrapassar, transferir, esvaziar, atirar, amassar, criar… Um sem fim de ações ousadas que a leva a experimentar e aprender.

Porém, à medida que as crianças crescem, percebemos que esse ímpeto diminui. Já não se atrevem com frequência a realizar tarefas que não tem familiaridade, não se interessam por desvendar mistérios e vão se conformando com um repertório limitado de brincadeiras.

Por que isso acontece? Por que o entusiasmo diminui?

Claro que à medida que cresce a criança passa a se conhecer melhor e a desenvolver gostos e afinidades que direcionam suas escolhas. Contudo, outros fatores podem explicar a perda do entusiasmo. Entre eles, a falta de autonomia e a indiferença dos adultos em acompanhar e valorizar as pesquisas, as tentativas e as descobertas.

Na verdade, frequentemente preferimos agir pelas crianças! Por exemplo, é mais fácil para o adulto se antecipar e servir o suco na hora do lanche. Dessa forma se evita derramamento de suco na sala, na roupa, no colega, troca de roupa…

Na hora de desenhar, é mais tranquilo para o professor distribuir os lápis de cera nas mesinhas do que entregar pequenos potinhos para que cada criança se sirva das cores que desejar. Negociar trocas com os colegas, encher demais o potinho e derrubar tudo no chão “dá mais trabalho” para todos!

Outro exemplo de situações em que atropelamos os ímpetos das crianças pode ser observada quando elas resolvem puxar os colchonetes da pilha para construir uma cabana ou uma montanha a ser escalada. Os colchonetes não são brinquedos! – retrucamos. Eles são para dormir!
Quem disse isso?
Assinamos um documento com o fabricante jurando que os colchonetes só seriam usados na hora do sono? Na cabeça incrivelmente ativa e criativa das crianças tudo pode!

Esses e outos cenários ilustram ocasiões valiosas para o professor trabalhar as escolhas autônomas, a criatividade e a pesquisa. Nesses momentos as crianças precisam de um outro espírito aventureiro junto delas, que as acompanhe acreditando nas suas capacidades e valorizando o interesse e a inovação.

Quem sabe assim invertemos a tendência de encolher o espírito de descoberta das crianças mais velhas? Dê espaço e arrisque-se com os pequenos! Sua prática também vai crescer.

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Para saber mais…

As imagens dessa postagem são registros de uma série de propostas de experimentações plásticas realizadas pelas professoras Maria, Neuza, Cidélia e Katia do CEI Santa Marina, SP, pertencente ao Instituto Rogacionista. As professoras, participantes do Projeto Afinal o que é arte na Educação Infantil, apoiado pelo Instituto Minide Pedroso (IMPAES) e desenvolvido pela equipe Tempo de Creche, trabalharam com diferentes farinhas e misturas com água.

→ Para se aprofundar nesse tema, leia as postagens:

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