Categoria: Brincar e Aprender

Cantos de atividades para revelar projetos

Temas identificados a partir dos interesses das crianças desafiam e envolvem o grupo. Em quais situações o professor pode observar as crianças e pesquisar o que as instiga? Cantos de atividades diversificadas ajudam, porém é preciso renovar as provocações.

Os momentos de brincadeira favorecem a observação mais distanciada e orientam o professor a identificar o que encanta as crianças, as conquistas e as dificuldades. Ao ampliar as possibilidades de inventar e imaginar, amplia-se também as oportunidades de observar novas brincadeiras e pesquisas. Cantos de atividades diversificadas favorecem as brincadeiras mais autônomas e a busca do professor por novos interesses e caminhos para planejar propostas. Mas os velhos cantinhos já brincados e rebrincados devem ser transformados para renovar o repertório de brincadeiras. Simples detalhes proporcionam mudanças:

Canto de casinha

  • Acrescentar novos elementos como sementes, pedrinhas e folhas para enriquecer as “comidinhas”;
  • Preparar uma cesta com alguns retalhos de tecidos para que as crianças construam vestimentas para elas próprias e para as bonecas;
  • Providenciar caixas de sapato ou de papelão para colecionar os objetos, organiza-los e até servir como camas e bercinhos.

Cestos de pedras e plantas

Canto dos carrinhos

  • Desenhar pistas e ruas em grandes folhas de papel kraft ou jornal;
  • Cortar tiras de papelão e disponibilizar caixas para instigar construções: rampas, pontes, garagens e outros;
  • Se a instituição contar com motocas, triciclos e cavalinhos de pau, construir pistas e percursos no chão com fita crepe.

canto de carrinhos

Canto de desenho

  • Aqui vale um destaque: crianças precisam desenhar todos os dias! Portanto, cantos de desenho atendem os desejos dos pequenos e liberam o professor da obrigação de organizar atividades diárias para desenhar.
  • A arte-educadora Anne Marie Holm ensinava uma forma para trazer novos encantos aos gizes de cera quebrados. Ela colava peninhas coloridas nas pontas dos toquinhos com fita adesiva e os reunia numa cesta. Ficava lindo!
  • Fazer uma parede com diferentes formatos, tamanhos e cores de papeis para desenhar provoca a vontade de desenhar.
  • Aumentar o tamanho dos lápis de cor fixando-os em gravetos promove outros desafios ao ato de riscar e desenhar.

giz de cera encantado Anna M Holm

inovação para o canto do desenho

Canto com objetos, brinquedos pequeninos e grandões

Que tal reunir os brinquedos de acordo com o tamanho? Organizar um espaço propositor diferente com os mesmos brinquedos provoca novas brincadeiras e experiências. Separe os brinquedos por tamanho, colocando os pequeninos num lado da sala e os grandões em outro lado. Pode-se agrupar os brinquedos por cor e também reunir objetos que não são brincados em conjunto: peças de montar com carrinhos e bichinhos (será que vira cenário de histórias?), acrescentar uma sucata, entre outras ideias que surgem quando nos desafiamos a pensar para enriquecer os contextos.

Uma vez ouvi uma história de uma mãe que nos disse que seu filho não queria mais brincar com os “mesmos” brinquedos que tinha no quarto.
O que ela fez?
Preparou um cenário arrumando alguns dos brinquedos como se estivessem numa exposição: colocou um tecido no chão, dispôs os objetos com cuidado e convidou o filhote para ver. A criança passou horas na brincadeira, redescobriu brinquedos “velhos”e criou novas possibilidades de associar e brincar.

Prepare uma pauta de olhar para observar os pequenos nesses momentos intensos de brincadeiras, questionamentos, criações e relações. Aqueça as crianças ampliando os recursos ofertados para brincar. Aqueça sua observação para perceber o que as intriga, o que elas perguntam e, assim, busque suas fontes de inspiração para elaborar propostas. Acompanhe, acolha, encaminhe e bom segundo semestre!

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre projetos e brincadeiras nas postagens:

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Cantos de atividades para revelar projetos

Temas identificados a partir dos interesses das crianças desafiam e envolvem o grupo. Em quais situações o professor pode observar as crianças e pesquisar o que as instiga? Cantos de atividades diversificadas ajudam, porém é preciso renovar as provocações.

Os momentos de brincadeira favorecem a observação mais distanciada e orientam o professor a identificar o que encanta as crianças, as conquistas e as dificuldades. Ao ampliar as possibilidades de inventar e imaginar, amplia-se também as oportunidades de observar novas brincadeiras e pesquisas. Cantos de atividades diversificadas favorecem as brincadeiras mais autônomas e a busca do professor por novos interesses e caminhos para planejar propostas. Mas os velhos cantinhos já brincados e rebrincados devem ser transformados para renovar o repertório de brincadeiras. Simples detalhes proporcionam mudanças:

Canto de casinha

  • Acrescentar novos elementos como sementes, pedrinhas e folhas para enriquecer as “comidinhas”;
  • Preparar uma cesta com alguns retalhos de tecidos para que as crianças construam vestimentas para elas próprias e para as bonecas;
  • Providenciar caixas de sapato ou de papelão para colecionar os objetos, organiza-los e até servir como camas e bercinhos.

Canto dos carrinhos

  • Desenhar pistas e ruas em grandes folhas de papel kraft ou jornal;
  • Cortar tiras de papelão e disponibilizar caixas para instigar construções: rampas, pontes, garagens e outros;
  • Se a instituição contar com motocas, triciclos e cavalinhos de pau, construir pistas e percursos no chão com fita crepe.

Canto de desenho

  • Aqui vale um destaque: crianças precisam desenhar todos os dias! Portanto, cantos de desenho atendem os desejos dos pequenos e liberam o professor da obrigação de organizar atividades diárias para desenhar.
  • A arte-educadora Anne Marie Holm ensinava uma forma para trazer novos encantos aos gizes de cera quebrados. Ela colava peninhas coloridas nas pontas dos toquinhos com fita adesiva e os reunia numa cesta. Ficava lindo!
  • Fazer uma parede com diferentes formatos, tamanhos e cores de papeis para desenhar provoca a vontade de desenhar.
  • Aumentar o tamanho dos lápis de cor fixando-os em gravetos promove outros desafios ao ato de riscar e desenhar.

giz de cera encantado Anna M Holm

Canto com objetos/brinquedos pequeninos ou grandões

Que tal reunir os brinquedos de acordo com o tamanho? Organizar um espaço propositor diferente com os mesmos brinquedos provoca novas brincadeiras e experiências. Separe os brinquedos por tamanho, colocando os pequeninos num lado da sala e os grandões em outro lado. Pode-se agrupar os brinquedos por cor e também reunir objetos que não são brincados em conjunto: peças de montar com carrinhos e bichinhos (será que vira cenário de histórias?), acrescentar uma sucata, entre outras ideias que surgem quando nos desafiamos a pensar para enriquecer os contextos.

Uma vez ouvi uma história de uma mãe que nos disse que seu filho não queria mais brincar com os “mesmos” brinquedos que tinha no quarto.
O que ela fez?
Preparou um cenário arrumando alguns dos brinquedos como se estivessem numa exposição: colocou um tecido no chão, dispôs os objetos com cuidado e convidou o filhote para ver. A criança passou horas na brincadeira, redescobriu brinquedos “velhos”e criou novas possibilidades de associar e brincar.

Prepare uma pauta de olhar para observar os pequenos nesses momentos intensos de brincadeiras, questionamentos, criações e relações. Aqueça as crianças ampliando os recursos ofertados para brincar. Aqueça sua observação para perceber o que as intriga, o que elas perguntam e, assim, busque suas fontes de inspiração para elaborar propostas. Acompanhe, acolha, encaminhe e bom segundo semestre!

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PARA SABER MAIS…

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Lugar de Pedagogia é na escola!

Esta postagem é um desabafo com nossos colegas profissionais da Educação: estamos sendo invadidos por decoradores, fabricantes de brinquedos, editoras, empresas promotoras de brincadeiras, sites e pais e mães obcecados pelo pedagogismo.

A gota d’água foi conversar com uma amiga decoradora que disse estar trabalhando num projeto de “quarto montessoriano” para a chegada de um bebê!

Já ouvi mães preocupadas em pesquisar sobre “brincadeiras dirigidas” para aproveitar melhor o tempo com seus filhos.
Onde estamos?
O vínculo das famílias com suas crianças não é profissional!
O que essa sociedade está projetando para o tempo das crianças com as famílias?
Qual o papel da família e qual o papel da escola ao acompanhar as infâncias?
Mais importante de tudo… quais os desejos das nossas crianças?

Centenas de sites de mães de todo o mundo, dedicadas e cheias de boas intenções, procuram nutrir outras milhares de famílias com inspirações de propostas de atividades fundamentadas em teorias e metodologias educativas.

Menos!
Crianças querem menos e precisam de menos para elaborar mais!
Elas querem tempos diferentes daqueles que estamos oferecendo.

mãe e filho brincando

Querem tempo em casa, com suas famílias para não fazer nada e fazer muito: acompanhar as famílias com o olhar e a escuta atenta, aprender sobre hábitos, costumes, culturas, posturas e valores, buscar brechas nas tarefas diárias para ajudar e inventar a partir daquilo que já está presente.

Lembro-me de quando tinha 5 ou 6 anos, eu adorava carregar alguns brinquedos para brincar em baixo da mesa de jantar. Não queria que ninguém preparasse um cenário especial, provocativo e pedagógico para mim! Eu queria (e podia!) testar os meus limites e experimentar as minhas próprias ideias.

Crianças brincando em baixo da mesa

tenda de guarda-chuvaOutro objeto que me instigava e fascinava eram os guarda-chuvas. Na falta das casinhas de bonecas perfeitas anunciadas na TV, eu sorrateiramente pegava o guarda-chuva disponível, abria no terraço e colocava bonecas, paninhos e panelinhas em baixo dele. De vez em quando eu ouvia: menina, fecha esse guarda-chuva! Guarda-chuva aberto dentro de casa dá azar! E eu pensava: o que é azar? Deve ser coisa ruim! Mas como pode ser ruim ter as minhas bonecas quentinhas, tomando chazinho dentro de uma “casinha” tão bacana?

bebe brincando com guarda-chuva

Crianças brincando com guarda-chuva

 

 

 

 

Por isso, colegas profissionais, acalmem as mães desesperadas por instruções, planejamentos e abordagens! Recomendem partilhar as brincadeiras. Ouvir os desejos e criar JUNTO!

Espaço pedagógico é na escola. Família é lugar de instinto e paixão!

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre brincadeiras e brincar nas postagens:

Se é brincadeira, é livre!
Brincadeira livre ou conduzida?
Brincar, uma linguagem que desenvolve

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Se é brincadeira, é livre!

Existe “brincadeira dirigida”?
É comum ouvirmos professores comentado sobre os momentos da rotina em que promovem “brincadeiras dirigidas” ou “brincadeiras livres”. Ambas colocações levam a interpretações não adequadas a respeito da brincadeira na escola.

provocação brincadeira livrea

Afinal, como são pensados essas tais momentos de “brincadeira”?

  • As tais “brincadeiras dirigidas” podem até ser lúdicas mas estão na esfera das atividades propostas e desenvolvidas pelo professor.
  • Por outro lado, as “brincadeiras livres” geralmente são momentos de pátio em que o professor se afasta, “permite” as propostas das crianças e assume uma postura de cuidador e mediador de conflitos.

Essas duas situações merecem reflexão.

As brincadeiras brincadas pelas crianças envolvem a liberdade de desenvolvimento e criação de narrativas por parte de quem brinca.

Do contrário não é brincadeira!

O espírito brincante não tem regras, mesmo que a brincadeira esteja estruturada em forma de jogo. No momento em que as crianças assumem a brincadeira para si, a inventividade entra em jogo e pode determinar outros percursos diferentes daqueles planejados por quem propõe. Assim, se o professor “dirige” uma atividade, mesmo que lúdica, ela deixa de ser uma brincadeira para as crianças.

Já as brincadeiras genuínas que acontecem nas instituições de educação são fundamentais para o professor observar e aprender sobre suas crianças: a forma como estão pensando, seus interesses e os relacionamentos. Por isso, o professor está sempre ativo, interagindo, entrado na brincadeira e até provocando as crianças para propor ampliações que podem ou não ser aceitas por elas.

imagem post brincadeira livre

Maria Amélia Pinho Pereira, a Péo da Casa Redonda, SP, define o brincar com poesia e sabedoria:

O Brincar como a própria palavra descreve em sua etimologia – nasce da palavra Brincos – o que significa VÍNCULO, presente nas primeiras canções de embalo de uma mãe com seu filho. A ação vinculadora do Brincar é quem determina sua qualidade essencialmente humana necessitando hoje ser compreendida em sua inteireza para que possamos afirmar sua importância no processo de desenvolvimento e porque não dizer da sobrevivência de nossa espécie. Milton Santos nosso grande geógrafo diz que habitamos na verdade em dois lugares: “na Terra e no Infinito”. As crianças brincando conversam fluentemente entre estes dois lugares e expressam através das suas infinitas brincadeiras o modo singular de como elas se apropriam do mundo que está à sua volta através da espontaneidade, da imaginação e da Alegria. Urge no nosso tempo a compreensão da Infância como portadora de uma Cultura própria cuja linguagem de conhecimento é o BRINCAR. Esta Cultura pertence a um misterioso universo simbólico que exige daqueles que dela querem se aproximar para conhecê-la uma atitude de profundo respeito e atenção por se tratar de uma linguagem que sagra a VIDA.
(Palestra ministrada no Fórum Internacional Criança e Consumo, do Instituto Alana, realizada em março de 2010 em São Paulo, SP).

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PARA SABER MAIS…

Maria Amélia Pinho Pereira é uma inspiração para o Tempo de Creche. ela é pedagoga com formação em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae; Fundadora e Orientadora do Centro de Estudos Casa Redonda, em Carapicuíba (SP); Vice-Presidente do Instituto Brincante e Fundadora da OCA – Associação Aldeia de Carapicuíba (SP).

→ Veja a Maria Amélia falando sobre o brincar num pequeno vídeo das Memórias do Futuro, da Fundação Telefônica Vivo.

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Mandalas para inspirar as férias

O universo é composto por formas.
As crianças são sensíveis a essas formas e ficam intrigadas com a regularidade das margaridas, com as nervuras das folhas e com a imprevisibilidade das pedras encontradas pelo caminho. Algumas são harmoniosas e pertencem à cultura de diversos povos. As mandalas são um exemplo da manifestação de um universo estético que atravessa a história da humanidade. Mandalas são composições quase instintivas, construídas com naturalidade pelas crianças.

mandala elementos naturais

Que tal aproveitar as férias, experimentar trazer as mandalas para as crianças e acompanhar os percursos do grupo ao se inspirar nessa estética milenar?

imagens mandalasFolhas, pedras, pequenos gravetos, sementes, pinhas, flores e pétalas podem inspirar as construções circulares concêntricas. Uma campanha que envolva as famílias pode acumular os materiais para experimentar a construção de mandalas com elementos da natureza e de reciclagem.

Pequenos objetos coloridos e sucatas também promovem experiências interessantes para elaborar as mandalas. Coletar tampas variadas de garrafas, palitos de sorvete, peças de jogos de montar, formas recortadas de papeis e cartões diversos, CDs descartados, sempre em quantidade suficiente para favorecer a repetição dos elementos nas mandalas. Dependendo da faixa etária, botões coloridos ampliam as experiências.

Inspire a turma! Leve imagens de mandalas para a sala, saia no jardim para buscar as formas redondas das flores, teias de aranha e até da íris dos olhos, ou pesquise imagens na internet junto com as crianças. Se a instituição contar com retroprojetor ou Datashow, projete imagens imensas na parede!

construção de mandalas

A partir dessa provocação, passe para a prática. Organize um ambiente propositor com os elementos selecionados para a construção das mandalas. Com as crianças menores essa proposta deve iniciar individualmente. Com os maiores, pode-se propor a elaboração de mandalas coletivas, depois que também experimentarem um individual.

Observe as crianças que se interessaram pela proposta e comece a focar nelas para que esse movimento contamine as outras crianças da turma. Se perceber que as crianças não organizam os elementos em formatos circulares, é possível estimular essa pesquisa oferecendo suportes redondos, como cartolinas recortadas, bambolês e até fazendo um risco na terra ou na areia do pátio. Outra estratégia pode ser entregar folhas de papel com um ou mais círculos concêntricos e dar espaço para a criatividade.mandalas em pratos de areia

Os elementos das mandalas podem ser colados ou, conforme as culturas orientais, podem ser efêmeras, isto é, durar até serem desmanchadas. Um movimento artístico chamado Land Art propõe intervenções na natureza que utilizam  elementos naturais e compões obras que são eternizadas somente pelo registro fotográfico ou em vídeo.

imagens Andrew Goldsworthy

As crianças podem passar mais de um dia na pesquisa e elaboração das construções. Assim reserve um espaço que possa manter as mandalas em construção sem interferir na movimentação da turma. Acompanhe os desejos das crianças e percorra com elas essa cultura ancestral.

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PARA SABER MAIS…

 Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Pinceis da natureza: experimentando um mundo de texturas, formas e cores
A descoberta do vento – parte 1
A descoberta do vento – parte 2
Uma conversa com Anna Marie Holm: arte, natureza e a poesia da infância

→ O artista Andy Goldsworthy geralmente utiliza materiais naturais, incluindo flores de cores vivas, caramujos, folhas, lamas, pinhas, neve, pedras, galhos e espinhos. É escultor, fotógrafo e ambientalista britânico.

→ Bibliografia: Mandalas: formas que representam a harmonia do cosmos e a energia divina, de Rüdiger Dahlke. Editora Pensamento.

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Um cardápio variado de cantos de atividades

Que tal aproveitar as férias com menor número de crianças de diversas idades para testar novos cantos de atividades que permanecem na sala?

Antes de pensar em outras possibilidades é importante dizer que a escola existe na vida dos pequenos para ampliar seus desafios e construir saberes. Por isso, canto permanente não quer dizer imutável! Cantos permanentes de atividades tem uma temática que se mantém, mas a partir da observação e do acompanhamento das brincadeiras, o professor pode introduzir novos materiais, alterar a arrumação e até dar um descanso no tema se perceber que os interesses estão diferentes.

canto de carrinhos

É comum encontrarmos nas salas da Educação Infantil cantos de leitura, de casinha, de cozinha e até de carrinhos e fantasias. Com essas organizações de espaços e materiais, provocamos brincadeiras, o letramento e o faz de conta. Outras atividades lúdicas, tão importantes quanto essas, ficam de fora do cardápio de propostas disponíveis para escolha autônoma das crianças.

  • Canto do Desenho

Uma folha de papel colada no chão ou na parede e alguns lápis podem ter um espaço permanente na sala ou até no pátio. Uma mesa pode compor o ambiente. Com o tempo, os formatos, tamanhos, texturas e cores dos suportes devem variar e também a qualidade dos riscadores (lápis de cor, giz de cera, giz de lousa, carvão, pedaços de tijolos e outros). Crianças precisam desenhar todos os dias! Desenho é uma forma de elaborar e expressar pensamentos que ainda não cabem no vocabulário dos pequenos. O desenho convoca a participação de todo o cérebro, ativando as estruturas responsáveis pelo pensamento lógico, a imaginação e o controle motor. Além de tudo isso, o desenho solicita concentração e foco, auxiliando no desenvolvimento dessas habilidades. Finalmente, desenhar provoca as relações. Crianças gostam de desenhar sozinhas e também em conjunto. Apreciam os gestos e traços realizados pelos colegas e aprendem com eles.

Possibilidades do desenho

  • Canto de elementos da natureza

canto para plantarOrganizar um canto permanente com folhas, galhos, gravetos, sementes, pedras e conchas coletadas na sala ou no pátio . Em ambientes externos, como solários, é possível deixar material para que as crianças façam sozinhas suas plantações: potes, pás, terra, adubo, sementes e mudinhas. Há dois anos, uma turma de crianças da Suécia está pesquisando e plantando sementes e brotos de hortaliças que conseguem na cozinha, a partir das frutas e legumes que consomem.

canto com elementos da natureza

 

  • Cantos de construção

Em geral, brincadeiras com construções tridimensionais ficam relegadas a alguns joguinhos de montar cujas peças vão se perdendo e se misturando ao longo do ano. Trabalhar a tridimensionalidade é fundamental para desenvolver inúmeras habilidades, tantas quantas as adquiridas com o desenho, as brincadeiras de faz de contas e outras. Fazendo construções com materiais pequenos e também com grandes blocos como caixas, caixotes e tábuas, as crianças desenvolvem a consciência do equilíbrio, as habilidades viso-espaciais, levantar hipóteses, planejar e resolver problemas; criar; trabalhar o foco e a cooperação. Todas essas habilidades estão implicadas no desenvolvimento global da criança e em especial da escrita e do pensamento matemático.

Disponibilizar, desde jogos de construção até potes plásticos, copos, palitos de sorvete, canudinhos, tubos e caixas de papelão ou cartão firmes, de tamanhos variados, atrai e desafia as crianças para inventar torres, casas, carros, cenários e uma infinidade de objetos e histórias.

canto de construção

Cantos de atividades diversificadas são propostas que levam tempo até que se tornem parte da rotina das crianças. É só com a frequência e constância que os pequenos percebem que os cantos vão permanecer por tempo suficiente para que eles brinquem tranquilamente. Assim, acaba o primeiro ímpeto de esgotar os desejos porque aquela oportunidade pode ser única! Então, é provável que ao encontrar o novo canto organizado, as crianças dediquem mais tempo e energia a ele, testando, desorganizando e reorganizando. Depois,  percebem que os materiais e a proposta vão permanecer por tempo suficiente para esgotar as brincadeiras.

É importante pensar que os cantos despertam para situações de aprendizagens intensas que, em geral, não terminam com uma ‘brincadinha’. A professora Ana Helena Rizzi Cintra ressalta que as crianças devem poder transitar com todos os materiais da sala e reconstruir os ambientes de acordo com suas necessidades, e que dentro do possível os cantos que elas criam devem permanecer até serem transformados, dando identidade para o espaço e continuidade para a elaboração das brincadeiras. Desse modo as brincadeiras podem continuar por dias e, com isso, a organização do espaço feito pelas crianças precisa ser respeitada e conservada. A forma como organizam as próprias brincadeiras pode ser importante para que ela continue e se amplie. A sala precisa ser limpa e os cantos desmontados? Caso seja necessário, a sugestão da professora Ana Helena é negociar e anotar com as crianças como o espaço está arrumado ou mesmo fotografa-lo.

Segundo a professora Ana Helena, outro ponto importante é que o adulto não decida aleatoriamente que elementos retirar do canto. No meio do material pode ter uma tampinha insignificante para o adulto mas que uma das crianças acha especial e brinca todos os dias. Desse modo, o que era pesquisa para a criança vai parar no lixo!

Com a escola mais tranquila e turmas misturadas, professores podem pesquisar, juntar materiais e preparar cantos interessantes para serem testados e perpetuados quando as outras crianças voltarem das férias. Aproveite a oportunidade!

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PARA SABER MAIS…

Foto Ana Helena Rizzi Cintra Ana Helena Rizzi Cintra  é filósofa, pedagoga e professora da Creche da USP. Especialista em Dança e Consciência Corporal.

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Dicas para planejar e preparar Cantos de Atividades Diversificadas

Cantos de atividades diversificadas e Jogos heurísticos: muitas brincadeiras!

Palavra de… Denise Nalini: cantos de atividades e as tomadas de decisão das crianças

Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!

Desenho: espelho do desenvolvimento infantil

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Baralho Corporal para desafiar o corpo

Brincadeiras que desafiam a percepção sobre o próprio corpo, equilíbrio, orientação e ocupação do espaço são momentos apreciados pelas crianças e favorecem amplas aprendizagens.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 1

Se a questão é desafiar o corpo, que tal esta sugestão?

A professora Leny, da Turma da Onça, da EMEI Nelson Mandela, SP, propôs a brincadeira do Baralho Corporal para o seu grupo.

A proposta é simples mas rica, e as crianças adoraram.

A professora organizou uma série de cartelas com bonequinhos que representam esquemas de posições do corpo – esse tipo de ilustração usada para orientar quem faz ginástica e outros esportes. Cada imagem é uma provocação para desafiar o corpo e a mente.

baralho corporal

O professor escolhe aleatoriamente uma cartela do baralho e o grupo reproduz a posição do desenho com o próprio corpo.

A brincadeira do Baralho Humano pode começar mais direta até as crianças pegarem o jeito. Depois, pode ser a vez de cada criança sortear uma posição.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 2

Brincar em pequenos grupo com crianças acima de 4 anos amplia ainda mais as possibilidades. O desafio poderia ser estendido para as equipes que teriam que “montar” a posição do baralho num amigo “boneco”.

29_MVG_cult_soleilImitar posições e sentir o próprio corpo assumindo posturas diferentes é uma experiência importante para crianças pequenas que a cada dia descobrem sobre o mundo e sobre si mesmas. Ana Helena Rizzi Cintra, quando professora de bebês na Creche Oeste da USP, percebeu que os pequenos de 18 meses gostavam de se espichar e se curvar sobre os colchonetes. A partir desse olhar, ela selecionou um trecho de vídeo com a atuação de uma contorcionista com bambolê do Cirque du Soleil. Separou bambolês e colchonetes na sala com a TV, colocou o filme e plantou a provocação. Os pequenos assistiram a exibição da artista e procuraram imitar alguns gestos usando até o bambolê.

Sutil, encantador e desafiador. Brincar com o corpo pode ampliar o já famoso “Siga Mestre” e seguir por outros caminhos.

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Balão-Para-Saber-Mais

Leia sobre o campo de experiências Corpo e Movimento na postagem:
Aprendizagem dos movimentos

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Final de ano com as crianças: oportunidade para organizar e reutilizar

Chegamos a mais um final de ano movimentado, com obrigações, arrumações e afazeres, tudo à beira de um período de festas e comemorações. Mas ainda temos uma turminha de crianças que continua frequentando a escola. O que fazer com esses pequenos?

materiais-organizadosNessa altura as crianças estão mais amadurecidas e integradas. Os maiores e os menores se conhecem e brincam juntos. Os espaços da escola são familiares e os materiais também. A autonomia está em pleno exercício. Porém, o papel do professor não entrou de férias. Ainda é preciso aproveitar o tempo com as crianças e criar ambientes de aprendizagem.

Para unir o útil ao agradável, já pensou em transformar a organização dos materiais em brincadeira? E quanto aos brinquedos velhos, incompletos e quebrados, será que eles podem ser reaproveitados?

Aqui vai uma sugestão que pode ajudar o professor a encontrar um caminho interessante para os poucos dias que restam no ano.. Continue lendo..

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A cozinha da escola também é lugar de criança!

criancas-preparando-massaComo é a cozinha da escola? As comidas e os seus preparos são experiências culturais intensas às quais frequentemente privamos as crianças. Cozinhar é uma atividade do dia a dia que nos coloca em contato com sensações, emoções, histórias, costumes e até mesmo com a geografia.

Balão-Dúvida-pO que sentimos com os alimentos?
Quais sabores percebemos? Quais cheiros, cores e texturas?
Faz barulho quando mordemos? Tinge a nossa boca?
De onde vem esse alimento? Como ele é preparado? O quão intenso é esse trabalho?
O que ou quem essa comida me lembra? Como me sinto ao comê-la?

Preparar a comida vai muito além de trabalhar com as crianças conceitos da matemática , da química, da física e a autonomia. Cozinhar envolve método, sensibilidade, criatividade, sentimento e trabalho colaborativo. Por isso, é um campo fundamental para a Educação. Continue lendo..

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Férias, peneiras e brincadeiras para aprender!

bebê com peneiraPeneiras são mágicas!
Seguram alguns materiais e deixam outros escapar!
Fazem água virar tempestade e ainda servem para brincar de pescar!
Ver a areia chover pela telinha é um encanto!
Se agitar, tudo passa mais rápido. Se ficar parado, nada acontece!
Mesmo grandes, não conseguem tampar a luz e nem impedem o vento!
Mas… como lidar com elas?
Peneiras são uma boa dica para começar um projeto de férias.

Uma boa variedade de peneiras pode se transformar num brinquedo divertido, curioso e desafiador para crianças de todas as faixas etárias.

Nas férias muitas instituições formam turmas multisseriadas e, às vezes, os professores têm dificuldade de planejar propostas atraentes para toda a turma. Nesse sentido, as peneiras são objetos interessantes e pesquisados por bebês e crianças maiores. Por isso, um conjunto de peneiras pode ser uma mão na roda para promover brincadeiras e aprendizagens nas férias. Continue lendo..

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