Categoria: Coordenação e Gestão

Este espaço do TEMPO DE CRECHE se dedica à coordenação pedagógica como encaminhadora da gestão e qualificação da equipe de professores, facilitadora do processo de elaboração de planejamentos anuais e projetos políticos pedagógicos e articuladora das relações de parceria com famílias e comunidade. </span

A excelência tem que ser um objetivo!

Cibele Racy é diretora da EMEI Nelson Mandela, pré-escola da cidade de São Paulo. Ela faz um trabalho revolucionário, transformando a instituição em exemplo de educação inclusiva e competente. Cibele deu um depoimento sensível e contundente para o programa Conversa com Bial que precisa ser compartilhado com outros educadores e ficar registrado no Tempo de Creche.

Apesar das diversas postagens publicadas sobre a diretora, abordar mais um pouco da sua história traz inspiração.

EMEI Nelson Mandela Cultura

 

Cibele conta que assumiu o cargo há mais de 12 anos na Nelson Mandela, quando a escola era vista como instituição de educação para quem não tinha outra opção. Desde o início de sua gestão, Cibele ouviu… ouviu as crianças, ouviu os professores, ouviu as famílias e ouviu a comunidade!

A escuta atenta não ficou no “acolhimento de lamúrias”! A diretora refletiu sobre as críticas e os desejos, priorizou as solicitações, planejou os encaminhamentos e começou pelos banheiros!

Sim, é isso mesmo: pelos banheiros!

Ao ouvir as crianças e suas famílias, descobriu que a escola era feia, mal conservada e que os banheiros poderiam ser iguais aos dos “shoppings centers”!

Banheiros

A nova diretora buscou recursos e reformou os banheiros que ficam no refeitório, próximos à entrada da escola. Colocou tampo de mármore nas pias, torneiras automáticas, degrau para as crianças lavarem as mãos confortavelmente, ladrilhos decorados e portas de alumínio.

O local virou a sensação da comunidade escolar! Nunca se fez tanto xixi!

As crianças visitavam o banheiro com frequência e os familiares, que traziam e buscavam os pequenos, estavam sempre “apertados”!

A comunidade escolar começou a frequentar a escola e a dialogar com a Cibele que pode fazer mais descobertas: quais realidades precisavam ser transformadas? Quais mitos precisavam ser quebrados? O que era preciso fazer para estabelecer uma imagem de polo de educação e cultura aberta à comunidade?

Pesquisa EMEI Nelson Manela

Ao longo dos anos, questões de preconceito racial foram enfrentadas e trabalhadas, a cultura do entorno foi estudada e integrada aos projetos, e o time de professores ganhou voz, formação e espírito de comprometimento com o projeto da diretora.

Hoje a EMEI Nelson Mandela é frequentada pelos moradores da comunidade, pelas famílias das crianças e é buscada pelos professores da rede que se consideram privilegiados por integrar sua equipe pedagógica. Mas o trabalho é árduo e incessante! Os tempos e as crianças mudam, e o trabalho pedagógico acompanha. Ninguém descansa, mas o clima de realização está no ar!

Transcrevemos o depoimento da Cibele Racy e aconselhamos assistir ao vídeo do programa – Conversa com Bial – clique aqui.

Por uma infância sem preconceito e racismo

“Em 2004 quando eu cheguei a EMEI Nelson Mandela, ela não era reconhecida pela comunidade como um território de aprendizagem e de troca. Exatamente por este motivo construímos novos espaços e projetos. Quando resolvemos fazer a primeira festa afro-brasileira no lugar da festa junina, que é a celebração mais comum do mês de junho, finalmente sentimos vínculos afetivos sendo criados com os pais e as crianças. Todos se sentiram representados e reconhecidos aqui dentro.

Família Abayomi

Aí mudou a relação com a escola. E ao mudar essa relação, a participação das famílias começou a acontecer.

O trabalho com a diversidade vais além das festas. Trabalhar com a diversidade significa também compartilhar poderes. Poderes pequenos, mas ainda assim, poderes!

Na Nelson Mandela temos o projeto “Diretor por um dia”, em que uma criança por turma assume o papel de diretora por um dia. Elas têm a liberdade de circular por toda a escola para observar, anotar/desenhar os problemas e as coisas legais que observam. Depois, fazemos uma reunião, conversamos e pensamos em como solucionar os problemas. Elas aprendem a elaborar suas questões, coloca-las no grupo, ser ouvidas e ouvir o outro.

Um dia, se eu pudesse realizar um grande desejo profissional, seria acabar com a crença de que criança pequena não tem competências e habilidades. O desempenho delas nesta função [de “diretor”] prova o contrário.

diretor por um dia

A experiência se dá em quatro passos: primeiro, as crianças não sabem o que fazer. No segundo momento, elas começam a se organizar e a tomar decisões. No terceiro passo, elas participam da vida da escola além da sala de aula. Finalmente, esta experiência é comentada em casa e contagia a família!

A tendência dos adultos de subestimar a competência das crianças tem influência na autoestima e, consequentemente, nos resultados que ela atingirá no futuro. Por isso, não há como o currículo para uma criança de escola pública ser diferente do currículo para uma criança de escola particular. O que está em jogo não é se ela vai aprender ou não, é como a escola vê a criança: capaz ou não capaz. Nossa luta é que a escola pública tem o dever de ser igual ou melhor do que qualquer outra escola do país.

Por que melhor?

Manifestação cultural

Talvez porque estas crianças vivam em ambientes não tão provocativos quanto os demais. A excelência aqui tem que ser um objetivo. A excelência na escola pública tem que ser um objetivo!”

Para saber mais sobre a EMEI Nelson Mandela,  leia no Blog Tempo de Creche:

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Coordenador pedagógico e formação de professores: tudo a ver!

O papel do coordenador pedagógico ainda é nebuloso para muitos educadores e instituições. Seja por falta de clareza das atribuições deste profissional, seja pelas condições de trabalho pouco favoráveis, frequentemente  a função de formador atribuída ao coordenador é atropelada pelo “bombeirismo pedagógico” (Madalena Freire). Cobrir a falta do professor, atender o familiar que chegou de repente, sair correndo para comprar material e atender o telefone, são alguns dos incêndios que o coordenador se sente obrigado a apagar no seu dia a dia que, infelizmente, rouba suas atenções e o afasta da formação continuada da equipe.

A realidade das creches públicas brasileiras está caminhando cada vez mais para o modelo conveniado. As prefeituras tem estabelecido convênios com instituições particulares (Associações, ONGs e OSCIPs) para compor uma parceria em torno da educação das crianças de 0 a 3 anos e 11 meses.

O problema dessa iniciativa é que os valores repassados pelas prefeituras aos parceiros não sustentam o pagamento de horários rotineiros e exclusivos de formação, estudo, pesquisa e planejamento dos profissionais. Assim, a formação da equipe e o acompanhamento individual do trabalho docente é raramente implementado.

Ah, mas existem as paradas pedagógicas mensais!
O encontro mensal que reúne toda a equipe é utilizado para discutir assuntos administrativos, implementar a avaliação anual (indicadores de qualidade), organizar os espaços e materiais planejados para as atividades e preparar eventos e celebrações. Sobra pouco tempo para trabalhar questões formativas que, quando abordadas, acabam por se perder no longo intervalo entre uma parada e outra.

Na nossa trajetória como formadoras de educadores de creches, identificamos algumas estratégias que cavam brechas na rotina para que os coordenadores possam organizar encontros com os professores. As situações abaixo têm apresentado bons resultados:

  1. Mini reuniões de 40 minutos

É possível organizar um calendário de pequenos encontros com o(s) professor(es) de cada turma, rodiziando a atuação em sala dos volantes, auxiliares ou berçaristas. Estabelecer alguns dias por mês para este fim, permite que professores e coordenadores se reúnam exclusivamente para refletir sobre as práticas, pensar sobre as conquistas, interesses e necessidades das crianças, e identificar pistas para os futuros planejamentos.

  1. Ocupação Creche

Algumas instituições promovem momentos de atividades coletivas, que reúnem todas as crianças e parte dos professores. Em situações como essas, o coordenador pode se reunir com pequenos grupos de professores para trabalhar o acompanhamento da prática docente e desenvolver a formação.

Como isso é feito?
No CEI Shangri-lá, SP, diariamente, crianças e famílias chegam à creche e encontram um espaço coletivo de brincadeiras organizado na quadra. Uma dupla de professores por semana planeja cantos de atividades diversificadas, organiza o espaço e, juntamente com o resto da equipe, recebe os pequenos e os familiares com brincadeiras.
Nesse momento, o coordenador pedagógico pode se encontrar com grupos de professores.

Atividade coletiva CEI Shangri-lá

No CEI Santa Marina, SP, acontece a “ocupação creche” com a organização de salas ambiente, em algumas tardes da semana. Cada sala se transforma numa proposta de atividade voltada a todas as crianças, independente da turma à qual pertençam. As crianças podem escolher onde brincar e o tempo que dedicarão a cada brincadeira. Cada sala tem um professor responsável por observar, cuidar e intervir nas brincadeiras e pesquisas. Além de oportunizar às crianças que se relacionem e brinquem com outras crianças e adultos, a coordenadora pode se reunir com um grupo de professoras, em dias alternados.

atividade coletiva CEI Santa Marina

Nas sugestões acima, um planejamento bem elaborado e o esforço coletivo favorecem o trabalho formativo do coordenador com a equipe e os avanços na prática pedagógica da instituição. Mas é primordial que o coordenador priorize essa ação e sustente o seu papel de líder do processo. Intercorrências e “bombeirismos pedagógicos” não podem desviar a presença e o foco do profissional.

Organização dos encontros de formação

Imbuído de compromisso e dedicação, o coordenador pedagógico deve preparar os encontros com os professores levando em conta os seguintes aspectos:

  • A frequência das reuniões – não existe vínculo e nem formação que se resista à inconstância e à distância entre os encontros.
  • O planejamento do encontro – com a definição do tema a ser discutido, dos textos teóricos e a preparação de leituras e registros das práticas (pelos professores).
  • A elaboração de uma pauta – importante para definir o tempo dedicado a cada assunto, garantir que o planejamento não seja “guloso” (maior que o tempo disponível) e colocar o grupo a par dos acontecimentos: sem surpresas e sem ansiedades!
  • A preparação de um espaço acolhedor e carregado de marcas – uma toalha diferente na mesa, uma vela perfumada acesa, uma vasinho de flores, uma bandeja com água, café, chá, suco, frutas ou bolachinhas. Um ambiente caracterizado para colocar os professores numa atmosfera de estudo.
  • A avaliação – no final é preciso avaliar a reunião com perguntas que favoreçam o levantamento dos sentimentos aflorados no encontro, do que ficou mais claro, das dúvidas e dos assuntos que ainda precisam ser aprofundados. Com base na avaliação, podem ser estabelecidos com os professores, alguns dos itens da pauta do próximo encontro. Uma avaliação sintética (condensada) ajuda os professores a se perceberem no percurso da própria formação, e também o coordenador, que se posiciona para planejar o próximo encontro. Sugerimos algumas perguntas para inspirar o coordenador a criar o seu próprio modo de avaliar:
    • Que palavra você leva desse encontro?
    • Que sabor esse encontrou deixou?
    • Qual conteúdo trouxe luz? Qual conteúdo escureceu?
    • Qual conteúdo trouxe desejo de experimentar?
    • Qual conteúdo trouxe desejo de saber mais?

Reunião de formação creche

Assim, além de atender as famílias, alinhar a prática ao Projeto Político Pedagógico da escola e implementar uma cultura de formação continuada, cabe ao coordenador pedagógico:

  • construir vínculo e espírito de grupo entre os docentes e se colocar ao lado do professor como apoiador do trabalho pedagógico;
  • estudar a teoria para promover a formação dos professores;
  • assumir o papel de autoridade diante da equipe, sem exercer o autoritarismo;
  • provocar reflexões a respeito da prática pedagógica e co-responsabilizar-se pelo trabalho desenvolvido com as crianças;
  • articular o coletivo da escola em torno de uma educação de qualidade.

Segundo o professor de Pedagogia da Universidade de Barcelona, Francisco Imbernón, “a formação em serviço requer um clima de real colaboração entre os pares” porque não acontece formação num clima de isolamento ou de solidão pedagógica. Para o espanhol, “quem não se dispõe a mudar não transforma a prática. E quem acha que já faz tudo certo, não questiona as próprias ações” e, consequentemente não avança.

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PARA SABER MAIS…

  Recomendamos a leitura de dois autores essenciais para a formação do coordenador pedagógico:

Madalena Freire – Educador, educa a dor. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

Vera Maria Nigro de Souza Placco – diversas publicações:
O coordenador pedagógico e a legitimidade de sua ação, 2017
O coordenador pedagógico e a formação centrada na escola, 2013
O coordenador pedagógico e questões da contemporaneidade, 2012
O coordenador pedagógico e o espaço de mudança, 2010
Todas da Editora Loyola.

  Artigo no site Gestão Escolar: Francisco Imbernón fala sobre caminhos para melhorar a formação continuada de professores

  Algumas postagens também abordam esse tema:

 

 

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Uma creche com muito a ensinar: NEIM Albert Sabin

Ao conhecer outras instituições podemos pensar sobre novas ideias, comparar modos de ser e agir e somar saberes. Observamos que existem situações e problemas comuns e descobrimos soluções. Percebemos também que existem contextos e problemas diferentes dos nossos que, ainda assim, alargam o nosso olhar.

Visitamos uma creche que tem muito a contar.

Fomos convidadas para fazer o lançamento do livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertasno NEIM* Albert Sabin, localizado no Guarujá, cidade do litoral de São Paulo, coordenado por Vanessa Menezes dos Santos e Alexandra Nunes Oliveira e dirigido pela Ivoneide Francisca de Araújo.

Já na chegada fomos surpreendidas. Junto conosco, chegou um pai representante da associação de pais, que, numa conversa rápida com a Vanessa, combinou os próximos passos para cuidar “daquele probleminha no telhado”.

Quando o simpático pai foi embora, Vanessa comentou que a comunidade escolar da creche era composta por famílias interessadas e envolvidas nos projetos da instituição. Para entender esse contexto, nos levou para conhecer um espaço recém reformado pelas comunidade e pela equipe da creche. Uma área em desuso abrigou um projeto coletivo: a construção de um pedacinho de natureza e brincadeiras.

Projeto VENSER Albert Sabin Guarujá

Vanessa relatou que depois de discutir o projeto nas reuniões de pais, ouvir as sugestões, dar tempo para cada família interessada amadurecer as possibilidades de contribuição e muito zum zum zum nos momentos de entrada e saída, foi marcado um final de semana para o trabalho coletivo: famílias, equipe pedagógica e comunidade do entorno.

Familiares e equipe preparam os materiais planejados e chegaram à escola com energia. Assentaram o chão de terra batida e pedriscos; plantaram mudas e plantas; instalaram cercas, uma casinha e obstáculos; reuniram cestos com tocos de madeira, cascas de coco e cabaças; amarraram cordas nas árvores e pintaram uma pista cheia de curvas no chão.

Projeto VENSER construção

O resultado positivo da ação não se restringiu à frequência das crianças, que adoram brincar no novo pátio. O projeto reuniu um time de ouro em torno da comunidade escolar, que continua levando plantas e materiais para enriquecer o canto de natureza. Apesar do verde ainda não ser uma marca, ele está lá, se desenvolvendo e gerando os frutos de um trabalho coletivo que pensa no futuro.

Projeto VENSER uso pelas crianças

Ao retornar para a entrada principal da creche, pudemos entender como a parceria escola-famílias-comunidade se constitui. A creche dedica uma área da entrada aos pais e responsáveis que, enquanto aguardam a hora de entrar nas salas para entregar ou buscar as crianças (sim, nas salas!), podem apreciar uma vasta e bem montada documentação pedagógica, reveladora das atividades e projetos das turmas. São totens, cartazes e painéis colocados nas paredes, no chão e pendurados por toda a parte.

espaço de acolhimento das familias albert sabin

Além das produções das crianças, são preparados cantinhos para as famílias desfrutarem e compreenderem como se pensa brincadeira e educação na Albert Sabin. Tem canto de praia, de natureza, de desenho, de literatura infantil e também de literatura adulta. Tem cadeiras, bancos, um aparelho de TV e bandeja com café e água. Tem diretora que passa e cumprimenta todo mundo. Tem coordenadora que sabe o nome dos familiares e dos ex-alunos que vêm buscar os irmãozinhos. Tem carinho. Tem respeito. Tem acolhida. Tem diálogo. Tem construção de parceria e envolvimento…

cantinhos para familias Albert Sabin Guarujá

 

Documentação Pedagógica Albert Sabin GuarujáEssa atitude não para aí!

Os corredores e pátios internos também revelam que essa creche não está aprisionada pelas paredes. Cantinhos nos corredores e passagens são considerados espaços educativos. É um deleite passear e descobrir! Tem canto de livro, de casinha, de brincadeira de médico, de música, de fantasia, dos indígenas, de pesquisa de arte brasileira. Tem até bebês passeando em um trenzinho feito com contêineres pela comunidade: duas professoras dão conta de sair com 7 bebês que ainda não andam!

cantinhos para crianças Albert Sabin Guarujá

trenzinho de contêineres creche albert sabin

Conhecer e refletir sobre outras experiências é um modo de se desenvolver profissionalmente e avançar na conquista de saberes da docência. É conhecendo o outro que a gente se conhece e vira “gente grande”. O especialista português em Ciências da Educação, António Nóvoa, afirma que é por meio da partilha de saberes que podemos disparar reflexões e, com isso, a experiência de cada um se transforma em conhecimento ao analisar as próprias práticas.

Parabéns à comunidade da NEIM Albert Sabin, empenhada em promover a educação das crianças. Parabéns à equipe da creche pelo trabalho inspirador. E parabéns a todos por compartilharem seus saberes com os leitores do Tempo de Creche.

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Resumo das dicas da NEIM* Albert Sabin:

  • Na entrada e na saída, a recepção dos familiares é valorizada pela presença da diretora e/ou da coordenadora.
  • O espaço reservado para os familiares é pensado e elaborado com intenção pedagógica: tem documentação pedagógica dos trabalhos desenvolvidos com as crianças, tem cantos preparados com estética e conteúdos para sensibilizar e provocar o olhar, tem literatura para levar para casa e acolhimento com cadeiras, água, café e televisão.
  • Os familiares e responsáveis entregam e buscam as crianças na sala.
  • Existe uma associação de pais (APM) atuante, que frequenta a creche, conversa com a gestão, discute projetos e convoca a comunidade para participar de eventos culturais, celebrações e também de mutirões.
  • Corredores podem ser espaços pedagógicos com cantinhos organizados para brincadeiras e faz de conta: casinha, música, médico, mercado, leitura, fantasia, entre outros.
  • Um trenzinho feito com contêineres e almofadas pode ajudar no deslocamento dos bebês que ainda não andam
  • Áreas em desuso podem se transformar em parques com elementos da natureza: chão de terra batida; plantas; cordas, tábuas e pedaços de tronco viram brinquedos.

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PARA SABER MAIS…

*NEIM = Núcleo de Educação Infantil Municipal

Citação de António Nóvoa: Professores: Imagens do futuro presentes. Lisboa, 2009

Leia mais sobre outras escolas que tem muito a ensinar nas postagens:

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Para ser professor, basta o diploma?

Percorremos uma jornada de formação na faculdade. Atualizamos nossos conhecimentos por meio de cursos e palestras. Compramos alguns livros e lemos artigos em revistas especializadas e na internet… ainda assim parece que falta algo! Parece que nada disso dialoga com a prática! O que acontece?

Atualmente, a formação do professor é considerada uma disciplina de estudo especializado e uma área de pesquisa estratégica. Diversos países investem nesse tema porque julgam ser prioritário pensar sobre a qualidade do ensino praticado pelos professores ao longo de suas carreiras.

O que isso quer dizer exatamente?
Para qualquer profissional cuja carreira dependa das habilidades intelectuais, é fundamental que a formação se estenda por toda a vida.
Até aí, nada de novo.

O que tem despontado nas pesquisas a respeito da formação continuada do professor, é a importância da REFLEXÃO como estratégia de auto-formação.

É crença de diversos estudiosos e especialistas que a formação do professor se completa com a sua prática. Isso quer dizer que sem colocar a mão na massa não há formação que dê conta de preparar um professor para um trabalho qualificado.

O educador americano Herbert Kohl diz que a não ser que os professores assumam a responsabilidade de testar e elaborar teorias de educação, as teorias serão sempre feitas (e impostas!) pelos outros.

Então não é só frequentar uma faculdade, estudar, obter a graduação e, com a experiência prática, conquistar a satisfação de reconhecer-se como um bom professor?

Mais uma vez, não!

É nesse sentido que os pesquisadores têm apontado e necessidade de uma etapa formativa da carreira que NUNCA TERMINA: o exercício constante da reflexão sobre a própria prática.

Paulo Freire foi um defensor da reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Para ele, (…) é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. (FREIRE, 1996, p.43).

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Rotinas não tão rotineiras

Uma situação tão instituída e corriqueira como a hora da soneca pode ser diferente? A dormida da tarde e outros momentos da rotina podem ganhar outros contornos?
Podem sim!

organização do espaço propositorNo CEI Nossa Turma, SP, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) organizaram uma proposta que envolvia tecidos coloridos de variados tipos. A expectativa era que os pequenos experimentassem modos de se vestir e usar os tecidos. Para garantir as criações, providenciaram fitas de elástico, para amarrar e manter os modelitos no corpo, e cabides para compor um espaço propositor.

Será que as crianças pensariam em se vestir com os tecidos?
Quais experimentações poderiam surgir?

Sala arrumada, instrumentos de registro e câmeras em mãos, era hora de chamar a turma que estava com a Cida no parque.

As crianças foram entrando e se maravilhando com o espaço transformado. Puxaram alguns dos tecidos pendurados e descobriram caixas com mais variedades. Como os tamanhos favoreciam o manuseio (1,0 x 0,70m e 1,0 x 1,40m), as crianças experimentaram usar o material como capa, colocar na cabeça como turbante e… aos poucos, saias, vestidos e pareôs foram surgindo a pedido dos pequenos e ajeitados com ajuda das professoras.

pesquisa das crianças

intervenção do professor
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Um guia para a jornada do relatório individual

janela vitralA hora do relatório individual! Nessa época, escolas, professores e coordenadores se encontram numa temporada de muito trabalho. É o momento de colocar em teste os registros do professor e a seleção de materiais produzidos pelas crianças. Mais do que isso, é a hora de pensar sobre todas as reflexões realizadas no período. É o momento de compor uma narrativa que expresse a trajetória de cada criança, com suas singularidades e conquistas. É também a hora de dar a devolutiva para as famílias, estreitar as relações e chegar ao próximo semestre com uma parceria solidificada e comprometida.
Se você já fez e entregou seus relatórios, pode utilizar os roteiros que propomos nesta postagem para acompanhar suas observações e registros e facilitar o trabalho do final do próximo semestre.

brincando no canteiro• Quais registros foram feitos?
• Quais reflexões apontaram as jornadas de aprendizagem das crianças?
• Quais questões quero responder por meio dos relatórios?
• Quais foram os meus principais desafios no semestre e quais os desafios encarados pelas crianças?
• Quais narrativas importantes tornam visíveis as aprendizagens?
• Como traduzir as experiências em palavras? Dá para traduzir as emoções? Continue lendo..

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Para uma Educação Infantil de qualidade

Segundo pesquisas americanas, diálogos que convocam a participação engajada e criativa das crianças, formação continuada de educadores e articulação da escola com ambientes comunitários e instituições governamentais são alguns dos requisitos para termos uma Educação Infantil de qualidade.

A especialista em primeira infância da universidade de Columbia nos Estados Unidos, Sharon Lynn Kagan, afirmou em entrevista à Revista Veja de 02/07/2017 que ler para crianças pequenas e fazer perguntas prevendo respostas abertas é fundamental para a formação e tem impacto na vida escolar do futuro aluno.

Ao lado de outros pesquisadores de infância e educação, a americana considera essencial o desenvolvimento da linguagem e o diálogo que valoriza a interlocução das crianças.

O que isso quer dizer?

Perguntas em que o adulto prevê respostas “certas” ou que buscam confirmação daquilo que já se sabe não estão abertas para favorecer o pensamento criativo e a resolução de problemas. Como exemplo, no lugar de perguntar aos pequenos de que cor é o sapato, é melhor perguntar para que serve o sapato e fazer um escuta aberta para as respostas.

crianças pesquisando a luz Continue lendo..

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É difícil se desprender da cultura de comemorar o Dia das Mães, Pais…

Um artigo publicado na Folha de São Paulo no domingo (14/05/2017) nos fez retomar esse aspecto da cultura que entra no automatismo e não passa pelos canais da reflexão: e se a criança não tiver mãe para comemorar o Dia das Mães?

Por que a dificuldade de refletir sobre o apelo emocional e comercial de comemorar o Dia das Mães, Pais… ?

desenho mãe e filha

desenho da mãeNa reportagem, a jornalista Sabine Righetti visitou escolas no início do mês de maio, próximo ao famoso e comercialmente cultivado Dia das Mães. Numa das visitas ela percebeu que uma criança que não tinha mãe, ao escrever sua cartinha de Dia das Mães, registrou: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.” Continue lendo..

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Ser aluno, ser professor: a construção do conhecimento pelo coordenador

Tempo de Creche traz alguns apontamentos colhidos numa das aulas do curso ConversAção com Madalena Freire. Como trabalhar com os professores coordenando e construindo um grupo que estuda e discute sobre a prática? Essa é uma tarefa difícil para muitos coordenadores.

Reunião Pedagógica pb

O que o coordenador reclama dos professores da sua equipe se volta para ele próprio, porque ele é o professor dos seus professores. O que ele faz pelo seu grupo? Está escutando e encaminhando as demandas e questões de cada membro da equipe individualmente?

É papel do coordenador-professor exigir rigor e comprometimento. Isso não é ser autoritário! Faz parte do ensinar não espontaneísta, que registra o percurso, reflete sobre os registro e se planeja. Madalena diz que ser espontaneísta é ficar focado no “prazer” do aluno e não na construção de seu aprendizado. Continue lendo..

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PALAVRA DE… Vital Didonet: parceria escolas e famílias

A Educação Infantil é o início da vida escolar de uma criança. O primeiro passo fora de casa para viver o coletivo. E a primeira experiência dos pais com a vida escolar dos filhos. Professores, educadores e diretores reconhecem essa responsabilidade? Essa questão preocupa a equipe do Tempo de Creche. Por isso convidamos o professor especialista em Educação Infantil e assessor da Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar – OMEP, Vital Didonet, para conversar sobre este tema.

Tempo de Creche Como o governo está vendo os pais das crianças na primeira infância? Existe preocupação em formar pais de futuros alunos?

Vital – As políticas públicas respeitam muito a privacidade do pai ou da mãe, e dão elementos para que, dentro de suas condições, sejam os melhores com suas crianças. Quando a criança começa a frequentar uma instituição de educação infantil, acrescenta-se algo novo à sua vida. Os pais se tornam pais de uma criança que tem relacionamento com outras crianças, num ambiente mais amplo do que o familiar e comunitário. Seus filhos conhecem outras crianças e fazem novos amiguinhos, tem contato com a literatura, a dramatização, a música e as artes, fazem experiências com novos materiais com os quais desenvolvem a criatividade, adquirem conhecimentos da natureza, correm, pulam e brincam em espaços abertos e mais amplos do que o de sua casa, e realizam outras atividades às quais não têm acesso em casa. Os pais não podem ignorar esta dimensão sócio educativa da vida da criança e têm que compreender que o filho, a partir desse momento, está com a cabeça ligada em muitas outras coisas. Ser pai e mãe de um filho nesta dimensão socioeducativa é bem diferente de sê-lo apenas na dimensão doméstica. Continue lendo..

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