Categoria: Coordenação e Gestão

Este espaço do TEMPO DE CRECHE se dedica à coordenação pedagógica como encaminhadora da gestão e qualificação da equipe de professores, facilitadora do processo de elaboração de planejamentos anuais e projetos políticos pedagógicos e articuladora das relações de parceria com famílias e comunidade. </span

A excelência tem que ser um objetivo!

Cibele Racy é diretora da EMEI Nelson Mandela, pré-escola da cidade de São Paulo. Ela faz um trabalho revolucionário, transformando a instituição em exemplo de educação inclusiva e competente. Cibele deu um depoimento sensível e contundente para o programa Conversa com Bial que precisa ser compartilhado com outros educadores e ficar registrado no Tempo de Creche.

Apesar das diversas postagens publicadas sobre a diretora, abordar mais um pouco da sua história traz inspiração.

EMEI Nelson Mandela Cultura

 

Cibele conta que assumiu o cargo há mais de 12 anos na Nelson Mandela, quando a escola era vista como instituição de educação para quem não tinha outra opção. Desde o início de sua gestão, Cibele ouviu… ouviu as crianças, ouviu os professores, ouviu as famílias e ouviu a comunidade!

A escuta atenta não ficou no “acolhimento de lamúrias”! A diretora refletiu sobre as críticas e os desejos, priorizou as solicitações, planejou os encaminhamentos e começou pelos banheiros! Continue lendo..

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Coordenador pedagógico e formação de professores: tudo a ver!

O papel do coordenador pedagógico ainda é nebuloso para muitos educadores e instituições. Seja por falta de clareza das atribuições deste profissional, seja pelas condições de trabalho pouco favoráveis, frequentemente  a função de formador atribuída ao coordenador é atropelada pelo “bombeirismo pedagógico” (Madalena Freire). Cobrir a falta do professor, atender o familiar que chegou de repente, sair correndo para comprar material e atender o telefone, são alguns dos incêndios que o coordenador se sente obrigado a apagar no seu dia a dia que, infelizmente, rouba suas atenções e o afasta da formação continuada da equipe.

A realidade das creches públicas brasileiras está caminhando cada vez mais para o modelo conveniado. As prefeituras tem estabelecido convênios com instituições particulares (Associações, ONGs e OSCIPs) para compor uma parceria em torno da educação das crianças de 0 a 3 anos e 11 meses.

O problema dessa iniciativa é que os valores repassados pelas prefeituras aos parceiros não sustentam o pagamento de horários rotineiros e exclusivos de formação, estudo, pesquisa e planejamento dos profissionais. Assim, a formação da equipe e o acompanhamento individual do trabalho docente é raramente implementado.

Ah, mas existem as paradas pedagógicas mensais!
O encontro mensal que reúne toda a equipe é utilizado para discutir assuntos administrativos, implementar a avaliação anual (indicadores de qualidade), organizar os espaços e materiais planejados para as atividades e preparar eventos e celebrações. Sobra pouco tempo para trabalhar questões formativas que, quando abordadas, acabam por se perder no longo intervalo entre uma parada e outra. Continue lendo..

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Uma creche com muito a ensinar: NEIM Albert Sabin

Ao conhecer outras instituições podemos pensar sobre novas ideias, comparar modos de ser e agir e somar saberes. Observamos que existem situações e problemas comuns e descobrimos soluções. Percebemos também que existem contextos e problemas diferentes dos nossos que, ainda assim, alargam o nosso olhar.

Visitamos uma creche que tem muito a contar.

Fomos convidadas para fazer o lançamento do livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertasno NEIM* Albert Sabin, localizado no Guarujá, cidade do litoral de São Paulo, coordenado por Vanessa Menezes dos Santos e Alexandra Nunes Oliveira e dirigido pela Ivoneide Francisca de Araújo.

Já na chegada fomos surpreendidas. Junto conosco, chegou um pai representante da associação de pais, que, numa conversa rápida com a Vanessa, combinou os próximos passos para cuidar “daquele probleminha no telhado”.

Quando o simpático pai foi embora, Vanessa comentou que a comunidade escolar da creche era composta por famílias interessadas e envolvidas nos projetos da instituição. Para entender esse contexto, nos levou para conhecer um espaço recém reformado pelas comunidade e pela equipe da creche. Uma área em desuso abrigou um projeto coletivo: a construção de um pedacinho de natureza e brincadeiras.

Projeto VENSER Albert Sabin Guarujá Continue lendo..

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Para ser professor, basta o diploma?

Percorremos uma jornada de formação na faculdade. Atualizamos nossos conhecimentos por meio de cursos e palestras. Compramos alguns livros e lemos artigos em revistas especializadas e na internet… ainda assim parece que falta algo! Parece que nada disso dialoga com a prática! O que acontece?

Atualmente, a formação do professor é considerada uma disciplina de estudo especializado e uma área de pesquisa estratégica. Diversos países investem nesse tema porque julgam ser prioritário pensar sobre a qualidade do ensino praticado pelos professores ao longo de suas carreiras.

O que isso quer dizer exatamente?
Para qualquer profissional cuja carreira dependa das habilidades intelectuais, é fundamental que a formação se estenda por toda a vida.
Até aí, nada de novo.

O que tem despontado nas pesquisas a respeito da formação continuada do professor, é a importância da REFLEXÃO como estratégia de auto-formação.

É crença de diversos estudiosos e especialistas que a formação do professor se completa com a sua prática. Isso quer dizer que sem colocar a mão na massa não há formação que dê conta de preparar um professor para um trabalho qualificado.

O educador americano Herbert Kohl diz que a não ser que os professores assumam a responsabilidade de testar e elaborar teorias de educação, as teorias serão sempre feitas (e impostas!) pelos outros.

Então não é só frequentar uma faculdade, estudar, obter a graduação e, com a experiência prática, conquistar a satisfação de reconhecer-se como um bom professor?

Mais uma vez, não!

É nesse sentido que os pesquisadores têm apontado e necessidade de uma etapa formativa da carreira que NUNCA TERMINA: o exercício constante da reflexão sobre a própria prática.

Paulo Freire foi um defensor da reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Para ele, (…) é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. (FREIRE, 1996, p.43).

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Rotinas não tão rotineiras

Uma situação tão instituída e corriqueira como a hora da soneca pode ser diferente? A dormida da tarde e outros momentos da rotina podem ganhar outros contornos?
Podem sim!

organização do espaço propositorNo CEI Nossa Turma, SP, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) organizaram uma proposta que envolvia tecidos coloridos de variados tipos. A expectativa era que os pequenos experimentassem modos de se vestir e usar os tecidos. Para garantir as criações, providenciaram fitas de elástico, para amarrar e manter os modelitos no corpo, e cabides para compor um espaço propositor.

Será que as crianças pensariam em se vestir com os tecidos?
Quais experimentações poderiam surgir?

Sala arrumada, instrumentos de registro e câmeras em mãos, era hora de chamar a turma que estava com a Cida no parque.

As crianças foram entrando e se maravilhando com o espaço transformado. Puxaram alguns dos tecidos pendurados e descobriram caixas com mais variedades. Como os tamanhos favoreciam o manuseio (1,0 x 0,70m e 1,0 x 1,40m), as crianças experimentaram usar o material como capa, colocar na cabeça como turbante e… aos poucos, saias, vestidos e pareôs foram surgindo a pedido dos pequenos e ajeitados com ajuda das professoras.

pesquisa das crianças

intervenção do professor
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Um guia para a jornada do relatório individual

janela vitralA hora do relatório individual! Nessa época, escolas, professores e coordenadores se encontram numa temporada de muito trabalho. É o momento de colocar em teste os registros do professor e a seleção de materiais produzidos pelas crianças. Mais do que isso, é a hora de pensar sobre todas as reflexões realizadas no período. É o momento de compor uma narrativa que expresse a trajetória de cada criança, com suas singularidades e conquistas. É também a hora de dar a devolutiva para as famílias, estreitar as relações e chegar ao próximo semestre com uma parceria solidificada e comprometida.
Se você já fez e entregou seus relatórios, pode utilizar os roteiros que propomos nesta postagem para acompanhar suas observações e registros e facilitar o trabalho do final do próximo semestre.

brincando no canteiro• Quais registros foram feitos?
• Quais reflexões apontaram as jornadas de aprendizagem das crianças?
• Quais questões quero responder por meio dos relatórios?
• Quais foram os meus principais desafios no semestre e quais os desafios encarados pelas crianças?
• Quais narrativas importantes tornam visíveis as aprendizagens?
• Como traduzir as experiências em palavras? Dá para traduzir as emoções? Continue lendo..

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Para uma Educação Infantil de qualidade

Segundo pesquisas americanas, diálogos que convocam a participação engajada e criativa das crianças, formação continuada de educadores e articulação da escola com ambientes comunitários e instituições governamentais são alguns dos requisitos para termos uma Educação Infantil de qualidade.

A especialista em primeira infância da universidade de Columbia nos Estados Unidos, Sharon Lynn Kagan, afirmou em entrevista à Revista Veja de 02/07/2017 que ler para crianças pequenas e fazer perguntas prevendo respostas abertas é fundamental para a formação e tem impacto na vida escolar do futuro aluno.

Ao lado de outros pesquisadores de infância e educação, a americana considera essencial o desenvolvimento da linguagem e o diálogo que valoriza a interlocução das crianças.

O que isso quer dizer?

Perguntas em que o adulto prevê respostas “certas” ou que buscam confirmação daquilo que já se sabe não estão abertas para favorecer o pensamento criativo e a resolução de problemas. Como exemplo, no lugar de perguntar aos pequenos de que cor é o sapato, é melhor perguntar para que serve o sapato e fazer um escuta aberta para as respostas.

crianças pesquisando a luz Continue lendo..

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É difícil se desprender da cultura de comemorar o Dia das Mães, Pais…

Um artigo publicado na Folha de São Paulo no domingo (14/05/2017) nos fez retomar esse aspecto da cultura que entra no automatismo e não passa pelos canais da reflexão: e se a criança não tiver mãe para comemorar o Dia das Mães?

Por que a dificuldade de refletir sobre o apelo emocional e comercial de comemorar o Dia das Mães, Pais… ?

desenho mãe e filha

desenho da mãeNa reportagem, a jornalista Sabine Righetti visitou escolas no início do mês de maio, próximo ao famoso e comercialmente cultivado Dia das Mães. Numa das visitas ela percebeu que uma criança que não tinha mãe, ao escrever sua cartinha de Dia das Mães, registrou: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.” Continue lendo..

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Ser aluno, ser professor: a construção do conhecimento pelo coordenador

Tempo de Creche traz alguns apontamentos colhidos numa das aulas do curso ConversAção com Madalena Freire. Como trabalhar com os professores coordenando e construindo um grupo que estuda e discute sobre a prática? Essa é uma tarefa difícil para muitos coordenadores.

Reunião Pedagógica pb

O que o coordenador reclama dos professores da sua equipe se volta para ele próprio, porque ele é o professor dos seus professores. O que ele faz pelo seu grupo? Está escutando e encaminhando as demandas e questões de cada membro da equipe individualmente?

É papel do coordenador-professor exigir rigor e comprometimento. Isso não é ser autoritário! Faz parte do ensinar não espontaneísta, que registra o percurso, reflete sobre os registro e se planeja. Madalena diz que ser espontaneísta é ficar focado no “prazer” do aluno e não na construção de seu aprendizado. Continue lendo..

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PALAVRA DE… Vital Didonet: parceria escolas e famílias

A Educação Infantil é o início da vida escolar de uma criança. O primeiro passo fora de casa para viver o coletivo. E a primeira experiência dos pais com a vida escolar dos filhos. Professores, educadores e diretores reconhecem essa responsabilidade? Essa questão preocupa a equipe do Tempo de Creche. Por isso convidamos o professor especialista em Educação Infantil e assessor da Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar – OMEP, Vital Didonet, para conversar sobre este tema.

Tempo de Creche Como o governo está vendo os pais das crianças na primeira infância? Existe preocupação em formar pais de futuros alunos?

Vital – As políticas públicas respeitam muito a privacidade do pai ou da mãe, e dão elementos para que, dentro de suas condições, sejam os melhores com suas crianças. Quando a criança começa a frequentar uma instituição de educação infantil, acrescenta-se algo novo à sua vida. Os pais se tornam pais de uma criança que tem relacionamento com outras crianças, num ambiente mais amplo do que o familiar e comunitário. Seus filhos conhecem outras crianças e fazem novos amiguinhos, tem contato com a literatura, a dramatização, a música e as artes, fazem experiências com novos materiais com os quais desenvolvem a criatividade, adquirem conhecimentos da natureza, correm, pulam e brincam em espaços abertos e mais amplos do que o de sua casa, e realizam outras atividades às quais não têm acesso em casa. Os pais não podem ignorar esta dimensão sócio educativa da vida da criança e têm que compreender que o filho, a partir desse momento, está com a cabeça ligada em muitas outras coisas. Ser pai e mãe de um filho nesta dimensão socioeducativa é bem diferente de sê-lo apenas na dimensão doméstica. Continue lendo..

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