Categoria: Palavra de… especialista

GEP – grupo de estudos sobre projetos: uma trilha de aprendizagens do professor

A educadora, fundadora e coordenadora do Grupo de Estudos sobre Projetos/GEP, Alice Proença, promove o aprendizado de professores e coordenadores, por meio de grupos de estudos. No final de cada semestre, organiza uma exposição que revela as descobertas singulares dos participantes. Estruturado para desafiar o olhar dos educadores, refletir em grupo sobre práticas pedagógicas e promover estudos e discussões, os grupos são compostos por pessoas com diversas experiências profissionais: gestores, coordenadores, professores e estagiários. Neste final de semestre, os caminhos e os conhecimentos produzidos foram expressados no conceito COM-PAR-TRILHAR.

Este ano, o estudo capítulo a capítulo do livro Arte e Criatividade em Reggio Emilia, de Vea Vecchi, está sendo o guia dos trabalhos. É um percurso coletivo de conquista de saberes do grupo, de aprendizados individuais e de crescimento profissional, apresentados numa documentação voltada para a equipe pedagógica. Um processo de formação e crescimento dos alunos-professores pode ocorrer também na escola. Acompanhe a entrevista realizada com Alice e seus alunos, que têm um modelo enriquecedor de formação continuada para compartilhar.

Tempo de Creche – Por que finalizar o semestre com uma exposição de documentação pedagógica voltada para os próprios educadores?

Alice – O foco do trabalho está na construção do olhar. A Madalena Freire fala uma frase que me move: “quem tudo olha, nada vê”. Trabalhei com o grupo a percepção de onde estávamos colocando o olhar, para ir aprendendo a lapidar uma questão. Assim, com foco e intenção, construímos uma pauta a partir de um ponto de observação. Sem pauta, o olhar fica como um barco à deriva.

Tempo de Creche – É possível estabelecer um paralelo com o olhar para as obras de uma exposição de arte?

Alice – Numa exposição de arte não existe uma “resposta” para o olhar que foca as obras, mas existe o aprender a observar. E é fundamental que o educador aprenda a observar o corpo que fala das crianças e o corpo dos próprios educadores. Nesse sentido, a grande questão é estabelecer relações com aquilo que se vê.

Escuta e observação trazem fortemente a questão do registro. Para que as informações levantadas se transformem em material de trabalho é necessário registrar. A exposição da documentação é uma forma de registro a partir daquilo que trabalhamos nos encontros dos grupos de estudos. Então, o que os 15 participantes observam num mesmo encontro, é  lido diferentemente por cada um.

Conversamos também com as alunas do GEP! Professoras que se colocaram na posição de alunas, integrantes de um grupo cujo interesse comum foi conquistar aprimoramento.

Tempo de Creche – Depois de percorrer esse processo com a Alice e o grupo, como vocês veem a documentação pedagógica voltada para a equipe pedagógica?

Ana Claudia – Para este grupo, documentação pedagógica é reflexão. É olhar de novo e de várias formas. Observar, enxergar e perceber aquilo que foi lido no capítulo de um livro, o que foi vivenciado, enfim, as nossas experiências.

Beatriz – É um processo de muita reflexão. Saímos de cada encontro com tudo que nos impactou na cabeça. Eu passo a semana com aquelas ideias borbulhando, pensando em como documentar o que estou sentido, o que me impactou, encantou, maravilhou. Esse estado me leva a caminhar pela rua, observar o caminho, catar folhas, pensar no que aconteceu, e, assim, eu vou percebendo o que me traz significados. Comparando com a prática, o trabalho com as crianças nos leva à refletir a todo o momento, e a maneira como documentamos [as experiências] nos marca.

Cristiane – Quando a gente olha essa exposição observa a pluralidade. Cada um pensou de uma forma, mas todos se sentem pertencentes ao que foi produzido.

Paulinha – A documentação [produzida a partir dos encontros] é um território de reflexão simbiótica porque o pensar do outro fica na gente.

Jocimara – Os professores precisam assumir o papel de alunos porque precisam aprender sempre, todos os dias. Os trabalhos reunidos ganham uma nova dimensão: “eu não tinha pensado sobre isto”; “não tinha pensado sobre este percurso”; “isso também é possível”. Quando o professor está aberto a aprender, reflete sobre o espaço da sua sala de aula. Quando se coloca no papel de aluno, percebe como ele próprio aprende e, assim, olha como a criança aprende. Na medida em que eu sei como aprendo, respeito o jeito do outro aprender.

Tempo de Creche – O que muda a partir das experiências de participar do grupo de estudos?

Patrícia, Alan e  Aline – Nós vamos juntas para os encontros discutindo e opinando sobre os textos lidos [tarefa]. Na volta também não paramos de falar!  A nossa cabeça está em um turbilhão de ideias e relacionamos as discussões do grupo com a nossa prática. Nesse com-par-trilhar conseguimos mudar a nossa maneira de documentar. Antes, a documentação era muito fechada, muito padronizada, tudo muito igual: computador, fotos … Hoje abrimos nossa visão e evoluímos para esta síntese imagética, o que conseguimos entender, transformamos em imagens.

A Caminhada continua neste segundo semestre. Tempo de Creche deseja boas pesquisas e descobertas!

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PARA SABER MAIS…

Grupo de estudos é um recurso valioso para promover a formação continuada de professores. Dentro do espaço da escola ou em grupos mistos e independentes, é fundamental que o educador mobilize seu pensar solitário e o compartilhe com o outro. É só neste movimento de troca, de estranhamentos e descobertas que a prática do dia a dia pode amadurecer e progredir.

Participaram desta entrevista: Isabel Maschio, Ana Claudia Cavalcanti, Patricia Diodato, Allan Zugolo, Aline Andrade, Jocimara Leite, Joyce Leite, Christiane Zerino e Alice Proença.

Leia mais sobre grupo de estudos e documentação pedagógica voltada para o professor nas postagens:
Documentação Pedagógica como aprendizagem para crianças e professores

Coordenador pedagógico e formação de professores: tudo a ver!

 

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Palavra de Marcela Chanan: os bebês e as interações na escola

Agosto está chegando e a escola volta a trabalhar no ritmo do acolhimento e de um processo de “mini-adaptação”. Geralmente nos meses de julho, os pequenos voltam a passar um tempo prolongado com as famílias e, no final das férias, deixar o colo da mamãe não é tarefa fácil para ninguém! Conversamos com a pedagoga e especialista em Educação de 0 a 3 anos, Marcela Chanan, também autora do blog Cultura Infantil, para fazer uma série de postagens, inspiradas em Winnicott, que retoma as questões que cercam o momento delicado da adaptação, tão constituinte das relações da criança no ambiente escolar. Esta é a primeira parte.

Bebês 4 palavra de marcela chananTempo de Creche – Como você vê a escola na constituição da identidade do bebê?

Marcela – O bebê existe a partir da relação com o outro, a mãe ou quem exercer essa função. Donald Winnicott (1896-1971), pediatra e psicanalista inglês, fez várias contribuições para a psicanálise, dentre elas, a concepção teórica que enfatiza a importância das relações do bebê e da criança pequena com o ambiente.

O adulto cuidador é o ambiente facilitador que forma a constituição do eu na criança, seu desenvolvimento emocional e amadurecimento. Pensando no espaço escolar, é preciso considerar que bebês começam a frequentar a creche ainda muito pequenos e, geralmente, em período integral. Então na escola, o educador é o ambiente facilitador que tem papel central no desenvolvimento infantil.

Tempo de Creche – Na escola os professores podem assumir um papel fundamental na construção da identidade dos bebês?

Marcela – Sim. Como disse anteriormente, na escola, o educador é o ambiente suficientemente bom (leia sobre esse conceito no final da postagem). Ou seja, ele é um adulto sensível, que está atento às necessidades da criança e se dedica aos seus gestos e ações. Mas tudo na medida certa! É comum e esperado que pequenas falhas (não negligências!) aconteçam para que o bebê se desenvolva normalmente, num percurso que parte da dependência e ruma à independência.

Assim como em casa, na escola essas falhas acontecem naturalmente, pois o educador trabalha com um grupo de crianças e se adapta à sua diversidade. A falha saudável é aquela em que, por exemplo, o bebê precisa esperar um pouco para receber o que deseja, mas não deixa de receber. Essa falha faz parte do processo de desenvolvimento emocional.

Bebês 3 palavra de marcela chananTempo de Creche – Como os professores devem construir relações com os grupos de bebês?

Marcela – O bebê precisa de um adulto referência para estabelecer um vínculo de confiança. Um ou dois adultos, que podem ser o professor e o auxiliar, devem desenvolver uma rotina que promova constância e previsibilidade ao bebê e à criança pequena.

Um bom educador-ambiente investe numa relação com o bebê em que se mantém presente por inteiro. Abre mão das suas vontades, pré-conceitos e idealizações, se identifica com as crianças, procurando observá-las, escutá-las, sem imposição e rigidez. É um adulto que tem empatia pelas crianças e desenvolve um vínculo afetivo decisivo para o desenvolvimento saudável dos pequenos.

Tempo de Creche – Pode falar um pouco sobre os cuidados com bebês no ambiente da escola?

Marcela – Crianças pequenas são vulneráveis e deve-se zelar por sua tranquilidade, bem-estar e segurança, esta última num sentindo mais amplo, sem superproteção. As experiências sensoriais dos bebês acontecem no corpo todo e vão formando o seu psiquismo. Tudo é novidade e a consciência corporal está em construção. Nesse sentido, a forma de segurar o bebê é um exemplo muito importante de cuidado.

Para Winnicott, todo o acolhimento, proteção e sustento físico e psíquico se chama Holding (leia sobre esse conceito no final da postagem). A rotina dos cuidados corporais, como a troca de fraldas, banho, alimentação, chama-se Handling (leia sobre esse conceito no final da postagem).  Como já dissemos, a criança vai aprendendo e se percebendo a partir do outro e o diálogo, por exemplo, enriquece essa  interação.

Bebês 2 palavra de marcela chanan

Tempo de Creche – Pensando especificamente na chegada à escola, quais questões estão implicadas nesse processo? Os ambientes da família e da escola se complementam?

Marcela – A partir das experiências com a mãe, o bebê se sente seguro para outras relações, para poder receber o cuidado de um outro adulto e desenvolver confiança no novo ambiente. Por isso, quando a criança chega à escola pela primeira vez, é importante que o educador pergunte à mãe sobre as especificidades dos cuidados corporais, os hábitos e costumes.

Um ambiente com condição favorável considera o âmbito físico e psicológico. É como se ele fosse um outro cuidador. É um ambiente saudável, que atende e respeita as necessidades do bebê e da criança pequena, onde possam viver e ser acolhidos nas suas alegrias e nos seus momentos de agressividade, raiva. Que possam desfrutar de momentos de cuidados privilegiados, do brincar livre, de ser chamados pelo próprio nome e reconhecidos por suas preferências, sentindo-se únicos.

Bebês 1 palavra de marcela chanan

Tempo de Creche – Pode explicar alguns dos conceitos de Winnicott – mãe (cuidador) suficientemente boa; falhas; holding e handling?

Marcela – Uma mãe suficientemente boa, na visão do psicanalista, não é uma mãe perfeita, mas suficiente, devota aos cuidados do filho. A mãe-ambiente se adapta ativamente às necessidades do bebê, reagindo aos seus gestos e expressões.

A falha da mãe suficientemente boa permite que o bebê constitua o seu “eu” (self), impulsionando o desenvolvimento emocional. Por exemplo, a mãe atrasa uma mamada aos poucos, o bebê chora e acaba por receber seu alimento. De modo inverso, quando o cuidador-ambiente, seja em casa ou na escola, oferece o alimento antes mesmo do bebê comunicar a fome, não dá espaço para o bebê ser ele mesmo e requisitar suas necessidades. Quando os gestos do bebê não são considerados, é como se ele precisasse se defender criando um falso “eu” (falso self), que se submete ao que vem do externo.

A vida de um indivíduo saudável é caracterizada por medos, sentimentos, conflitos, dúvidas, frustrações, tanto quanto por características positivas. O principal é que o homem ou a mulher sintam que estão vivendo sua própria vida, assumindo responsabilidade pela ação ou pela inatividade, e sejam capazes de assumir os aplausos pelo sucesso ou as censuras pelas falas.
(Donald Woods Winnicott. Tudo começa em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1999)

O Holding  é a sustentação do bebê que satisfaz a sua dependência absoluta. É a forma como se segura e toca o bebê, acalenta e acolhe, levando em conta sua fragilidade e proporcionando apoio e firmeza, a fim de transmitir segurança e confiança. Com a continuidade desse cuidado o bebê vai se formando e amadurecendo.

O Handling  é a forma como o bebê é manipulado nos momentos de cuidado corporal, que o faz sentir as diferentes partes do próprio corpo por meio do toque das mãos do cuidador. Esse cuidado propicia, processualmente, a consciência corporal.

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PARA SABER MAIS…

eu (2)Marcela Chanan é pedagoga e especialista em Educação de 0 a 3 anos pelo Instituto Singularidades. Estuda as abordagens de Reggio Emilia e Pikler e a psicanálise com crianças no Instituto Sedes,  Atua com formação de professores e é criadora e autora do blog Cultura Infantil.

Leia mais sobre os cuidados do bebê na abordagem de Emmi Pikler nas postagens:

12 dicas sobre Movimento e Aprendizagem a partir de Emmi Pikler

Educação dos 0 aos 3 anos: contribuições de Emmi Pikler

Palavra de… Sylvia Nabinger: filosofia e práticas Emmi Pikler

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Palavra de… Beatriz Ferraz: a BNCC e a Educação Infantil

O Blog Tempo de Creche conversou com a psicóloga Beatriz Ferraz sobre a nova Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil. Beatriz participou do grupo de especialistas que escreveram textos para apoiar a implementação da primeira versão do documento e foi leitora crítica da 3ª versão.

 

Tempo de Creche O que é a BNCC? Em que ela difere das Diretrizes Nacionais e Referenciais?

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Beatriz – A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que estabelece um conjunto de noções, habilidades e atitudes que todas as crianças que frequentam a educação infantil têm o direito de aprender. Esse conjunto de aprendizagens estão redigidos como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e devem ser considerados por todas as escolas do país, sejam elas públicas ou privadas.

O documento da BNCC estabelece um referencial nacional obrigatório que deve ser contemplado no currículo de todas as redes de ensino e instituições escolares, públicas ou privadas.

A partir dessa referência, o exercício das redes e escolas é realizar adequações em suas propostas curriculares e pedagógicas, garantindo que as mesmas estejam considerando as aprendizagens indicadas na BNCC. Nesse aspecto a BNCC se diferencia dos Referenciais Curriculares Nacionais, pois os mesmos não tinham o caráter de obrigatoriedade.

Tempo de Creche – A BNCC dialoga com as Diretrizes? Continue lendo..

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Educação infantil faz diferença?

Feliz 2018!
Feliz Educação Infantil!
Abrimos as postagens deste ano com uma conversa em torno da reportagem publicada nesta segunda feira (8/01/2018), pelo jornal O Estado de São Paulo: “Só o acesso à educação infantil não é suficiente”.
Participaram do bate-papo a psicóloga e orientadora educacional da Escola Criarte, SP, Joyce Eiko Fukuda; a pedagoga e formadora, Lucila Silva de Almeida, e as três autoras do Tempo de Creche, Angela Rizzi, Maria Helena Webster e eu, Joyce M. Rosset.

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A reportagem do jornal apresenta uma entrevista realizada com a Professora Dana McCoy, da Escola de Educação de Harvard, renomada universidade americana. Na entrevista a professora compartilha as conclusões de uma importante pesquisa que analisou 22 estudos científicos publicados entre 1960 e 2016, para responder à questão: a Educação Infantil faz diferença na qualidade de vida das crianças e dos futuros adultos?

A pesquisadora conclui que sim. E nós, participantes dessa conversa, também!

A resposta pode parecer óbvia para nós que diariamente dedicamos estudo, trabalho árduo e amor nas creches e escolas do país. Mas essa resposta também pode ser entendida como ponto de partida para que perguntas mais importantes sejam formuladas.

Dana McCoy ressalta que a qualidade da educação praticada é o ponto crucial dessa questão. Educação infantil de qualidade tem sim impacto na vida das pessoas e pode proporcionar experiências que ajudam crianças a construir recursos para lidar com contextos difíceis, a exemplo de “famílias com severos problemas de adversidade, como violência e pobreza”, apontado pela pesquisadora. Segundo ela, “nesses casos, uma educação infantil de qualidade pode ter um papel de proteção”.

Então quem é responsável pela educação infantil?

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A arte no cotidiano da educação infantil: palavra de Mirian Celeste Martins

A educadora Mirian Celeste Martins conversou com a equipe do Tempo de Creche sobre a mediação cultural que os professores fazem ao apresentar obras de arte para as crianças e organizar a exposições da escola: a curadoria educativa. Para Mirian, selecionar e oferecer obras provoca oportunidades de discussão. As obras interrogam, promovem significados e as crianças respondem.

Tempo de Creche – Conhecendo o seu trabalho, entendemos que os professores, assim como os curadores dos museus e exposições, também fazem uma curadoria ao selecionar o repertório artístico e cultural que apresentam para seus alunos. Como você vê essa questão?

Arte para crianças

Mirian – Curador é aquele que cuida de uma exposição. Ele tem a ideia que orienta a exposição, pensando na seleção das obras e no modo como vão ocupar o espaço. Todas estas relações têm a preocupação de aproximar o público da exposição. O educador também quer aproximar as crianças da arte e, para isso, deve selecionar criteriosamente o que e como apresentá-la.

Para o educador e curador Luiz Guilherme Vergara, a curadoria impulsiona a educação do outro que está ali como aprendiz, aberto para experiências. Portanto, o responsável pela curadoria educativa é o promotor do encontro do visitante com a obra. Continue lendo..

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Palavra de… Magda Soares: criança e a reinvenção da escrita

Na segunda postagem da conversa com a educadora e estudiosa Magda Soares, pesquisadora de alfabetização e letramento, enfocamos os processos da criança ao desenvolver suas habilidades de comunicação e a construção da parceria com as famílias durante o letramento e o início da alfabetização. Para Magda, a criança imersa na cultura da escrita naturalmente se interessa por ela e repete, de certa forma, a trajetória criativa da humanidade na sua invenção, usos e práticas.

Antes de mergulhar em mais um texto esclarecedor e inspirador, Magda compartilha uma observação que vem fazendo ao longo dos seus anos de trabalho com crianças pequenas: a criança quer compreender o mundo que a circunda, e quer que a esclareçam sobre esse mundo circundante. Quando se pergunta a uma criança prestes a entrar em instituição de Educação Infantil  “por que você quer ir para a escolinha?”, a resposta é quase sempre “para aprender a ler”, raramente a resposta é  “para brincar”.

Parte 1: Letramento ou alfabetização? Os dois!
Parte 2: Crianças e a reinvenção da escrita

Crianças e a reinvenção da escrita

Crianças desenhando com gizTempo de Creche – Alguns estudos ressaltam a importância da criatividade das crianças pequenas quando começam a se apropriar do código linguístico. Outros estudos colocam que a criança pequena começa a se comunicar por meio de imagens e que esse percurso se perde quando elas iniciam a alfabetização e o uso das palavras escritas. Como você vê estas questões?

Magda Inicialmente, proponho substituirmos  “código” por “representação”, pois os sons da língua não são “codificados” em letras, mas “representados”  por letras, e isso resulta em significativa diferença na compreensão dos processos da criança e, em decorrência, em sua orientação.

Também proponho não nos restringirmos à apropriação do sistema de representação alfabético, mas, mais amplamente, à inserção plena da criança na cultura do escrito: inserção no letramento, considerando a alfabetização um dos componentes do letramento (como disse na primeira postagem Palavra de… Magda Soares: a linguagem escrita na infância, alfabetização e letramento são interdependentes e indissociáveis). Continue lendo..

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Palavra de… Magda Soares: a linguagem escrita na infância

O homem começou sua viagem na escrita quando a inventou há mais de 5000 anos. De lá pra cá tudo mudou: nosso pensamento ficou mais complexo, conseguimos registrar as trajetórias e acontecimentos da vida e a comunicação ganhou fronteiras e conquistou o tempo. É com grande prazer que o Tempo de Creche conversou com a educadora e estudiosa Magda Soares, pesquisadora de alfabetização e letramento que, em duas postagens nos conta como a criança percebe o universo da linguagem escrita, o que é alfabetização, o que é letramento e o que precisamos fazer para trabalhar esses processos.

Parte 1: Letramento ou alfabetização? Os dois!
Parte 2: Crianças e a reinvenção da escrita

menino escrevendo

Letramento ou alfabetização? Os dois!

Tempo de Creche – Qual é a diferença entre alfabetização e letramento? Continue lendo..

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Palavra de … Josca Baroukh: parlendas para brincar

Tempo de Creche conversou com a professora Josca Ailine Baroukh sobre seu livro Parlendas para brincar da Editora Panda Books. O livro é uma co-autoria com Lucila Silva de Almeida e conta com Camila Sampaio nas ilustrações.

Tempo de Creche Como você iniciou a produção do livro Parlendas para brincar?

Josca – Eu tinha uma coleção de parlendas! Capa Parlendas
Por que eu tinha uma coleção de parlendas?
Quando trabalhamos alfabetização, pensamos em escrever textos que sabemos de cor, significativos para as crianças e que conversem com elas. Que textos são estes? Os textos da literatura oral: parlendas, travalínguas, histórias de boca, adivinhas, provérbios… escritos que o autor Luís da Câmara Cascudo chama de cultura oral do povo brasileiro.

Eu trabalhava com alfabetização e percebia que as crianças gostavam muito das parlendas. Assim, como professora, fui colecionando esse gênero literário. Quando recebi o convite da Editora Panda para escrever um livro de parlendas, me assustei. Já editei muitos livros, mas até aquele momento, não tinha assumido a responsabilidade de escrever um. Propus, então, uma parceria com Lucila Silva de Almeida, também professora, que tem na raiz de sua infância os textos de tradição oral, escreve muito sobre este tema e também tem sua coleção de parlendas. Continue lendo..

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Palavra de… Madalena Freire

No final de 2016 recebemos um presente. Conversamos com Madalena Freire e, para uma pergunta, recebemos pelo menos oito respostas! Palavras verdadeiras e provocadoras que despertam reflexão. Uma essência de Madalena que incomoda porque nos faz pensar e crescer!

Tempo de Creche – Crianças nascem naturalmente aprendizes, com curiosidade para desvendar como o mundo funciona. A curiosidade é o desejo de aprender. Qual o caminho para o professor trabalhar com o espírito curioso das crianças?

Madalena – As crianças nascem aprendizes, mas fora do ambiente humano adequado, não se desenvolverão! Este fato assinala a importância dos adultos (modelo) para seu adequado desenvolvimento.

A curiosidade é um  dos elementos que impulsiona o desejo de aprender… mas, se esta não for alimentada com intervenções, encaminhamentos e devoluções, não florescerá !!

Que proposta vou fazer para os meus alunos viverem essa informação?
Como provocar o aluno a repensar o que ele já pensa?

Portanto o professor tem grandes desafios no seu ensinar!!! Ele terá que: Continue lendo..

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Palavra de… Zilma de Oliveira: a importância da formação continuada do professor

O balanço do ano pode apontar a necessidade de rever nossos aprendizados como educadores. Buscar formação continuada, cursos e grupos de estudos são formas de remexer em conteúdos adormecidos e despertar para novas abordagens. Quais são os pontos frágeis na formação do pedagogo em relação à Educação Infantil? A educadora e doutora em Psicologia, Zilma de Moraes Ramos de Oliveira, coordenadora do curso de pós-graduação lato sensu Gestão Pedagógica e Formação em Educação Infantil do Instituto Vera Cruz, em São Paulo,  conversa com o Tempo de Creche sobre a importância da especialização para o profissional da Educação Infantil.

Tempo de Creche – Você acha que a graduação em Pedagogia contempla de modo satisfatório a Educação Infantil?


Zilma –
O curso de especialização tem sido uma experiência produtiva especialmente porque a graduação em Pedagogia dá pouca atenção para a Educação Infantil. A pessoa que faz o curso de Pedagogia é mais preparada para o ensino fundamental das primeiras séries. Nesse sentido, os novos pedagogos saem com a impressão de que trabalhar com as crianças pequenas é fazer a mesma coisa só que “mais facilzinho”.  Não é desse jeito!

Tempo de Creche – Você pode dar um exemplo?

professora-estudandoZilma – Há muito tempo fiz uma pesquisa para o MEC em que visitamos as redes municipais. Numa delas, o currículo estabelecia que até tal idade a criança aprendia a contar até 18. O que é isso? Por que 18 e não 17? Ou qualquer outro número! Não tem nenhuma lógica. Como os mais velhos podem contar até o infinito, proporcionalmente, os pequenos poderiam contar até 18… Continue lendo..

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