Categoria: Postura do Professor

Beatles e um projeto que vai muito além das cores

A origem da pesquisa

Após visitarem a exposição Beatlemania Experience, em cartaz num shopping center de São Paulo, duas crianças trouxeram o interesse sobre os Beatles para a sala.

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A exposição apresentava a biografia de John, Paul, George e Ringo em uma viagem no tempo valendo-se de vídeos, fotos, textos e totens interativos.

Para ampliar a pesquisa e provocar as crianças, as professoras Marina e Andressa, que trabalhavam as cores com o grupo, apresentaram para as crianças músicas e vídeos da banda em preto e branco. Marina nos contou que selecionaram esse material para tentar inquietar. As crianças “piraram na ideia” e elaboraram a hipótese de que na época dos Beatles não existiam cores.  Uma das crianças explicou que uma vovó tinha filmado os músicos e, por isso, não tinha cor no vídeo. Outra emendou que as cores só apareceram depois que os Beatles morreram. Continue lendo..

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A questão de gênero começa na equipe pedagógica!

O que você acha de ter um professor do sexo masculino na equipe pedagógica da Educação Infantil? Como você vê um professor assumindo uma turma de bebês ou fazendo dupla com uma professora? Professores homens impactam na educação das crianças? E na relação da escola com as famílias? A questão de gênero na educação infantil começa na composição da equipe pedagógica. Vamos conhecer a experiência da Associação Nossa Turma, SP, que há dois anos conta com um professor em sua equipe.

Chegamos numa das sala de Mini Grupo 2 (3 a 4 anos) da Nossa Turma por volta do meio dia. Nos deparamos com uma cena deliciosa de ficar olhando de longe. Sabe quando procuramos observar sem interferir? Encontramos o professor Wellington sozinho na sala com suas crianças, deitado no colchonete, embalando dois pequenos para dormir. Tudo estava tranquilo e uma sensação de aconchego pairava no ar… quanta ternura! Isso nos trouxe as memórias de uma experiência importante de ser compartilhada.

Professor homem e a CrecheNo final de 2014 prestamos consultoria formativa para a Nossa Turma, que passava por grandes transformações para concretizar um convenio com a prefeitura de São Paulo. Além de planejar as alterações estruturais e o aprofundar os conteúdos da Educação Infantil, a equipe de profissionais também precisou se reformular.

Realizamos uma série de dinâmicas para selecionar novos professores e auxiliares. Numa delas aconteceu uma surpresa: surgiu um candidato masculino para concorrer a uma das vagas para professor… de bebês de 1 a 3 anos!!! Continue lendo..

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Curiosidade: o combustível da aprendizagem

criancas-com-brinquedo-na-areiaQuando pensamos na importância da pesquisa e na alegria pela descoberta como o motor da aprendizagem, esquecemos que precisamos alimentar uma característica primitiva e essencial, que é anterior a esse processo: a curiosidade.
Como identificá-la?
Perseguindo os olhares questionadores e as perguntas das crianças. Também colocando as perguntas certas na hora certa. Estas são as pistas do professor.

Dia desses saí muito angustiada de uma aula com a Madalena Freire! E coloquei para ela a minha aflição: Madalena, entro aqui com 1000 perguntas e saio com 2000! Quando vamos resolver tudo isso? Madalena prontamente respondeu: nunca! Enquanto você estiver aprendendo suas dúvidas não pararão de crescer. Enquanto eu estiver lhe ensinando, você terá mais e mais perguntas para me fazer. É isso que um professor deve querer. Isso dói e traz angústia, mas é o movimento natural da aprendizagem.

Saí da aula com desconforto. Madalena me puxou a cadeira várias vezes num período de 2 horas. Me fez ajustar o corpo e a mente sobre novas descobertas e questionamentos inéditos. Cansa! Mas enriquece.

Dormindo sobre os novos conhecimentos – recomendação da Madalena – logo surgiram conexões.

Lembrei-me dos estudos da psicóloga americana e especialista em Educação, Susan Engel. O objeto de sua pesquisa é a curiosidade e o quanto ela é representativa no contexto da aprendizagem. Continue lendo..

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Uma proposta para refletir sobre o ano que se encerra

Chegamos ao final de mais um ano e podemos dizer que muitas teorias, estudos e práticas nos perseguiram e provocaram pensamentos. Muita coisa se falou, muito se conheceu e estudou, direções foram apontadas, mas, em essência, ficou um sabor de setas apontadas para várias direções.
Por isso, é preciso organizar o que aprendemos sobre a jornada do ano que passou. Como pensar no final do ano sem olhar para o que foi vivido? Como refletir sobre o ano que passou?

Como pensar no tempo que está por vir sem descobrir o que queremos mudar e o que queremos que continue na mesma direção? É provável que a jornada de 2016 também trouxe alguns sabores de inovação.

Assim, é importante pensar o que é de fato inovar. É jogar o que já existe fora e começar do zero? É ignorar o que já experimentamos e assumir uma nova personalidade?

Para nós a resposta é não!

Aquilo que nos atravessa e bate fundo na alma, encontra um certo eco, um barulhinho dentro de nós. Somos sensibilizados por situações às quais já temos um terreno preparado para receber.

É assim que acontece quando vamos a uma exposição e ficamos mobilizados por uma obra em especial. Ela reavivou algumas sensações e emoções gravadas na memória. Ou conversou com o momento pelo qual estamos atravessando. Ou ainda, ela corresponde ao nosso ideal estético. Mas, a obra pode também atingir o que está frágil em nós e precisa ser enfrentado.

É hora de refletir sobre o ano que estamos encerrando! É hora de retomar sensações e emoções da prática de ser professor.

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O que dizer sobre a intenção pedagógica?

Hora da chegada, hora do café, lavar as mãos, fazer xixi, escovar dentes, guardar a mochila, arrumar-se para o pátio, participar das propostas de atividade, lavar as mãos novamente, beber o suco, almoçar…. ufa! Uma sucessão de incansáveis etapas do dia, marcadas pelo tempo do relógio, pelo tempo de cada criança e pelo tempo dos professores e equipes de apoio da escola. E, no final de tudo, a tal da intenção pedagógica por trás de cada atitude e de cada fala.
É possível lidar com tudo isso? É preciso ser um professor herói?

Vamos por partes!
O que é ensinar com intenção?

organizacao-com-intencao-pedagogica-3Educação com intenção parte de professores comprometidos com as crianças. É falar de um profissional ativo e nunca passivo a respeito daquilo que faz. Na prática, é dizer que se o professor deixa a turma “brincar livremente”, ele o faz com a intenção de trabalhar, por exemplo, as relações de grupo entre as crianças, sem a interferência do adulto. É um momento escolhido para brincar livre, que, ao se repetir, proporciona ao grupo elementos que aprofundam as tais relações. Nesse sentido, o professor munido de intenção aumenta ou diminui a quantidade e a diversidade dos materiais oferecidos; procura organizar os espaços de modo a favorecer a formação de grupos maiores ou menores de crianças; propõe regras para compartilhar brinquedos etc., etc., etc.!

Trabalhar com intencionalidade significa tomar decisões deliberadas, com objetivo e propósito. Sejam as decisões tomadas durante os momentos da rotina, sejam as propostas de experiências nas atividades. A intenção está em tudo, e o professor precisa se dar conta disso:

  • quando planeja e organiza materiais e ambientes,
  • nas experiências que propicia às crianças,
  • nas maneiras de planejar a rotina,
  • na escolha das palavras, frases e perguntas,
  • na forma como favorece o agrupamento dos pequenos (grandes grupos, pequenos grupos, em pares, separando as panelinhas, em relação individual com o professor, com ou sem a interferência do educador…),
  • quando direciona as experiências ou quando segue os interesses e propostas dos pequenos.

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Moradias do saber: uma reflexão sobre aprendizagem

Madalena Freire, filha do educador e filósofo Paulo Freire, é uma de nossas gurus. Para nós, Madalena traz conceitos sofisticados, essenciais e, na mesma medida, simples e práticos. Ao ler e ouvir Madalena, você enxerga o contexto da sala de aula, os alunos e se percebe como professor.

angela-rizzi-madalena-freire-joyce-rossetAproveitando uma rara oportunidade, estamos participando de um curso ministrado por ela em São Paulo – Grupo de Estudo: o papel do registro na formação do educador. Como toda aula da Madalena, precisamos registrar, refletir e produzir uma síntese – um resumo comentado – sobre os conteúdos abordados e a aprendizagem que ficou.

julyanne-n-curso-madalena-freireJulyanne Nakagawa, uma das nossas colegas do curso, fez uma síntese sensível, que traduz as sensações de aprender e, consequentemente, de compreender aquilo que causamos ao ensinar. Processos de aprendizagem começam com o que nos tira do conforto, o que nos provoca e incomoda.

Quando algo nos instiga, perece que provoca um burburinho na nossa cabeça: isso parece fazer sentido, mas ainda não compreendo! Como explicar isso? Esse é o desconforto que nos move e nos faz querer aprender. Essa é a sensação que precisamos provocar ao ensinar os alunos … de 0 a 100 anos! Continue lendo..

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Alimentação de corpo e alma, um desafio para as creches e famílias – parte 2

Na segunda parte da postagem sobre o momento da alimentação das crianças pequenas, a educadora, especialista em Educação Lúdica e parceira, Tania Fukelmann Landau, percorre a visão da abordagem Pikler para destacar dicas práticas.

Os estudos, pesquisas e trabalhos da Pediatra húngara Emmi Pikler, realizados nos meados dos anos 50, podem nos ajudar a compreender e agir melhor nesta direção, principalmente quando falamos do desenvolvimento e do processo de alimentação de crianças e bebês em creches e abrigos. Embora ela tenha nascido e vivido em uma realidade tão distante e diferente da nossa, existem referências, princípios e práticas nas quais podemos nos inspirar para aperfeiçoar o atendimento na primeira infância.

bebe-comendo-papinhaEmmi Pikler nos ensina que a hora de comer faz parte da rotina de cuidados, assim como o sono, a troca e o banho. É um momento especial para formação de vínculos e construção da autonomia, requer atenção especial e personalizada.

Antes de adentrar na sistemática do funcionamento destes momentos de refeição, faz-se importante salientar alguns pressupostos das rotinas de cuidados personalizados: Continue lendo..

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Alimentação de corpo e alma, um desafio para as creches e famílias – parte 1

A educadora, especialista em Educação Lúdica e parceira, Tania Fukelmann Landau, escreveu duas postagens sobre o importante, polêmico e delicado momento da alimentação. Como qualquer ação que realizamos com as crianças, a hora das refeições precisa se transformar em momento de prazer para saciar os desejos da barriga vazia, da mente pesquisadora e do coração amoroso. É uma questão de olhar e de intenção. É cuidado e também educação.

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Sou do tempo em que bebê gordinho era sinônimo de bebê saudável. E, dá-lhe mamadeiras engrossadas com maisena (nome popularizado para amido de milho), farinha de arroz, farinha láctea, Neston, etc. O leite do peito era rapidamente substituído pelo leite em pó e o desmame precoce naturalizado. Continue lendo..

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Lições de Reggio Emilia do Colegio Aletheia

O que Reggio Emilia tem para nos inspirar?
O que pode ser adequado à nossa cultura e contexto?
Ouvimos duas educadoras argentinas, especialistas na abordagem, falarem sobre suas experiências no Colégio Aletheia e os olhares para a abordagem.

Sócio-construtivismo, Reggio, Pikler, metodologias, abordagens, crenças… não importa! Vale a pena conhecer e acompanhar pesquisas e estudiosos no assunto para refletir sobre a nossa educação, ampliar o repertório e experimentar novos caminhos.

Por isso compartilhamos alguns dos pontos abordados por Diana Vendrov, da RedSolare, e Judith Birnbaum, do Colégio Aletheia, na Palestra Horizontes com sentido: a documentação pedagógica, ministrada no Instituto Vera Cruz, SP.

Colégio Aletheia desenho Continue lendo..

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Escola: educativa para crianças e professores

Uma situação desperta atenção em diversas instituições de educação: a solidão do trabalho do professor. Entrar na sala no começo do dia, olhar para o espaço, antecipar os afazeres com as crianças, as questões burocráticas, a arrumação do ambiente e o encaminhamento das ações pedagógicas. Quase todos os dias! Esse voo solitário é parte do trabalho do educador. Mas é só parte! Porque o espaço da escola é educativo: para crianças e professores! É preciso crescer profissionalmente.

Defendemos que a aprendizagem acontece na relação. É a construção dos vínculos que estabelece os canais para observar, agir e promover aprendizagens. E procuramos fazer tudo isso todos os dias… com o outro! Com as crianças, com as famílias e com a comunidade. E quanto a nós mesmos? Quais são os canais que nos fazem crescer profissionalmente? Quais são as oportunidades que nos expõe à aprendizagem? E não vale responder que aprendemos todos os dias com as crianças, com a nossa prática, blá! blá! blá! Essa é uma das formas, mas não deve ser a única.

corredor escolar portas abertasAssim como planejamos tempo, espaço e materiais para que as crianças aprendam autonomamente, com os adultos e umas com as outras, estamos preparados e abertos para aprender com os educadores da nossa equipe? Estamos abertos para aquele profissional que está na sala ao lado e que não necessariamente temos afinidade pessoal?

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