Categoria: Planejamentos e Atividades

Planejamentos ampliados com atividades que se transformam

Será que as crianças precisam experimentar coisas novas todos os dias?
Por que muitos professores entendem que atividades só são interessantes quando os materiais e as técnicas são inéditas? Planejamentos ampliados que partem de um mesmo tema podem interessar os pequenos?

Cruzamos com professores esforçados e dedicados, que às vezes passam noites e finais de semana preparando planejamentos, construindo brinquedos e até ensaiando teatrinhos para surpreender, entreter e divertir as crianças.

Educar crianças pequenas é isso?
Para provocar curiosidade, favorecer experiências e promover aprendizagens é necessário inovar a cada proposta?

A resposta é NÃO para todas as perguntas!
Crianças estendem e ampliam suas aprendizagens quando experimentam desdobramentos daquilo que já conhecem.

Não é diferente de nós, adultos.
Imagine uma situação em que vamos aprender a fazer tricô. Começamos com um ponto básico. Praticamos com uma linha simples para pegar o jeito. Melhoramos a habilidade e aprendemos sobre o processo básico.
O primeiro trabalho fica pronto! Admiramos a nossa produção, avaliamos e partimos para outro projeto.
Trocamos as cores e o tipo de lã. Produzimos um novo trabalho.
Aí continuamos na brincadeira mas arriscamos experimentar outros tipos de pontos e de agulhas.
O que aconteceria se logo depois do primeiro trabalho partíssemos para o crochê? Qual seria a profundidade da pesquisa do tricô e do crochê?

Voltando para a Educação Infantil…

Os professores Leticia, Wellington e a auxiliar Bruna, de um grupo multietário (2 a 4 anos), do CEI Nossa Turma, SP, têm uma queda pela música. Wellington toca violão e anda com o instrumento sempre à mão. Letícia, jovem e dinâmica, adora música. A formação com a educadora Andréa Franco Schkolnick, especialista na linguagem, enriqueceu ainda mais os horizontes.

Roda Música Nossa Turma

A dupla nos mostrou uma série de fotografias das propostas de pesquisa sonora e musical realizadas com as crianças no Projeto Brincando com a Música. Percebemos a concentração e a organização do grupo diante da exploração.

Música Nossa Turma 2Como isso aconteceu? Como chegaram a essa profundidade?

Com um misto de repetição e variação!

As crianças têm oportunidades e tempo para expressar-se pela música. Os professores não acreditam que trabalhar esse e outros campos de experiências é coisa para uma ou outra vez! Planejam e replanejam as propostas, ora fabricando objetos sonoros, ora explorando seus sons, ora sentando em roda para conhecer um repertório musical e ora acompanhando as canções com os objetos fabricados. Como dizem no universo das Artes, fazendo variações sobre um mesmo tema é que as crianças conquistaram foco e aprofundaram as aprendizagens.

1 tocando junto

O processo de construção dos chocalhos envolveu pintura e montagem dos objetos com exploração plástica de cores e suportes tridimensionais. A música utilizada nas propostas, que se tornou parte do repertório da turma, foi Meu Querido Paiol do Helio Ziskind (Cocoricó). Leticia e Wellington trabalharam o andamento rápido e lento, a intensidade (volume alto e baixo) e brincaram com a participação das crianças tocando os chocalhos.

pintando objeto sonoro 01

Em algumas instituições os professores são orientados a realizar a cada semana, um número definido de propostas de artes visuais, de música, de corpo ou de natureza… Com frequência pré-estabelecida, o professor nem precisa ler os interesses e necessidades do seu grupo, cumprindo uma programação engessada de atividades.

A identificação de oportunidades significativas está na observação do dia a dia, na reflexão a partir dos registros e nos planejamentos que andam de braços dados com a realidade singular de cada grupo. É a filosofia do tricô que possibilita aprofundamento de aprendizagens e construção de conhecimentos.

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PARA SABER MAIS...

Wellington Santos Paes Landin, Leticia Saldanha Cruz e Bruna I. Russo são professores do CEI Nossa Turma, creche conveniada com a Prefeitura de São Paulo, administrada pela Associação Nossa Turma.

→ A música Meu Querido Paiol está disponível no Youtube.

→ Para saber mais sobre propostas com a linguagem da música leia as postagens:

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Um cardápio variado de cantos de atividades

Que tal aproveitar as férias com menor número de crianças de diversas idades para testar novos cantos de atividades que permanecem na sala?

Antes de pensar em outras possibilidades é importante dizer que a escola existe na vida dos pequenos para ampliar seus desafios e construir saberes. Por isso, canto permanente não quer dizer imutável! Cantos permanentes de atividades tem uma temática que se mantém, mas a partir da observação e do acompanhamento das brincadeiras, o professor pode introduzir novos materiais, alterar a arrumação e até dar um descanso no tema se perceber que os interesses estão diferentes.

canto de carrinhos

É comum encontrarmos nas salas da Educação Infantil cantos de leitura, de casinha, de cozinha e até de carrinhos e fantasias. Com essas organizações de espaços e materiais, provocamos brincadeiras, o letramento e o faz de conta. Outras atividades lúdicas, tão importantes quanto essas, ficam de fora do cardápio de propostas disponíveis para escolha autônoma das crianças.

  • Canto do Desenho

Uma folha de papel colada no chão ou na parede e alguns lápis podem ter um espaço permanente na sala ou até no pátio. Uma mesa pode compor o ambiente. Com o tempo, os formatos, tamanhos, texturas e cores dos suportes devem variar e também a qualidade dos riscadores (lápis de cor, giz de cera, giz de lousa, carvão, pedaços de tijolos e outros). Crianças precisam desenhar todos os dias! Desenho é uma forma de elaborar e expressar pensamentos que ainda não cabem no vocabulário dos pequenos. O desenho convoca a participação de todo o cérebro, ativando as estruturas responsáveis pelo pensamento lógico, a imaginação e o controle motor. Além de tudo isso, o desenho solicita concentração e foco, auxiliando no desenvolvimento dessas habilidades. Finalmente, desenhar provoca as relações. Crianças gostam de desenhar sozinhas e também em conjunto. Apreciam os gestos e traços realizados pelos colegas e aprendem com eles.

Possibilidades do desenho

  • Canto de elementos da natureza

canto para plantarOrganizar um canto permanente com folhas, galhos, gravetos, sementes, pedras e conchas coletadas na sala ou no pátio . Em ambientes externos, como solários, é possível deixar material para que as crianças façam sozinhas suas plantações: potes, pás, terra, adubo, sementes e mudinhas. Há dois anos, uma turma de crianças da Suécia está pesquisando e plantando sementes e brotos de hortaliças que conseguem na cozinha, a partir das frutas e legumes que consomem.

canto com elementos da natureza

 

  • Cantos de construção

Em geral, brincadeiras com construções tridimensionais ficam relegadas a alguns joguinhos de montar cujas peças vão se perdendo e se misturando ao longo do ano. Trabalhar a tridimensionalidade é fundamental para desenvolver inúmeras habilidades, tantas quantas as adquiridas com o desenho, as brincadeiras de faz de contas e outras. Fazendo construções com materiais pequenos e também com grandes blocos como caixas, caixotes e tábuas, as crianças desenvolvem a consciência do equilíbrio, as habilidades viso-espaciais, levantar hipóteses, planejar e resolver problemas; criar; trabalhar o foco e a cooperação. Todas essas habilidades estão implicadas no desenvolvimento global da criança e em especial da escrita e do pensamento matemático.

Disponibilizar, desde jogos de construção até potes plásticos, copos, palitos de sorvete, canudinhos, tubos e caixas de papelão ou cartão firmes, de tamanhos variados, atrai e desafia as crianças para inventar torres, casas, carros, cenários e uma infinidade de objetos e histórias.

canto de construção

Cantos de atividades diversificadas são propostas que levam tempo até que se tornem parte da rotina das crianças. É só com a frequência e constância que os pequenos percebem que os cantos vão permanecer por tempo suficiente para que eles brinquem tranquilamente. Assim, acaba o primeiro ímpeto de esgotar os desejos porque aquela oportunidade pode ser única! Então, é provável que ao encontrar o novo canto organizado, as crianças dediquem mais tempo e energia a ele, testando, desorganizando e reorganizando. Depois,  percebem que os materiais e a proposta vão permanecer por tempo suficiente para esgotar as brincadeiras.

É importante pensar que os cantos despertam para situações de aprendizagens intensas que, em geral, não terminam com uma ‘brincadinha’. A professora Ana Helena Rizzi Cintra ressalta que as crianças devem poder transitar com todos os materiais da sala e reconstruir os ambientes de acordo com suas necessidades, e que dentro do possível os cantos que elas criam devem permanecer até serem transformados, dando identidade para o espaço e continuidade para a elaboração das brincadeiras. Desse modo as brincadeiras podem continuar por dias e, com isso, a organização do espaço feito pelas crianças precisa ser respeitada e conservada. A forma como organizam as próprias brincadeiras pode ser importante para que ela continue e se amplie. A sala precisa ser limpa e os cantos desmontados? Caso seja necessário, a sugestão da professora Ana Helena é negociar e anotar com as crianças como o espaço está arrumado ou mesmo fotografa-lo.

Segundo a professora Ana Helena, outro ponto importante é que o adulto não decida aleatoriamente que elementos retirar do canto. No meio do material pode ter uma tampinha insignificante para o adulto mas que uma das crianças acha especial e brinca todos os dias. Desse modo, o que era pesquisa para a criança vai parar no lixo!

Com a escola mais tranquila e turmas misturadas, professores podem pesquisar, juntar materiais e preparar cantos interessantes para serem testados e perpetuados quando as outras crianças voltarem das férias. Aproveite a oportunidade!

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PARA SABER MAIS…

Foto Ana Helena Rizzi Cintra Ana Helena Rizzi Cintra  é filósofa, pedagoga e professora da Creche da USP. Especialista em Dança e Consciência Corporal.

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Dicas para planejar e preparar Cantos de Atividades Diversificadas

Cantos de atividades diversificadas e Jogos heurísticos: muitas brincadeiras!

Palavra de… Denise Nalini: cantos de atividades e as tomadas de decisão das crianças

Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!

Desenho: espelho do desenvolvimento infantil

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Jogo de brincar ou jogo de competir?

jogo das cadeiras criança tristeDuas situações de competição X participação envolvendo a Dança das Cadeiras chamaram a nossa atenção recentemente. A brincadeira tradicional foi proposta para crianças na faixa de 3 a 4 anos, em diferentes instituições, e causou tristeza, choro e frustração nos grupos e também nos professores.
Por que as crianças que saíam do jogo ficavam tão chateadas a ponto de chorar e impedir a continuidade da brincadeira?

Pois é! A Dança ou Jogo das Cadeiras é um jogo tradicional que, dependendo da forma como é brincado, leva à questão de ganhar ou perder, inadequada até 4 anos.
Por que será? Qual a diferença entre competição e participação? 

jogo das cadeiras de sentar no colo Santa Marina

Piaget e sua discípula, a educadora Constance Kamii, estudaram as situações de jogo com regras ao longo da infância e também as implicações da competição entre os participantes. Para ambos, as crianças até 5 ou 6 anos estão no estágio do brincar egocêntrico, em que brincando juntas ou separadas não se preocupam com a questão de “vencer”. Crianças pequenas gostam do desafio de jogar e se divertem cumprindo tarefas, regras ou combinados propostas pelos jogos. E só!

jogo das cadeiras do SnoopyOutro aspecto dessa questão diz respeito às disputas. Nessa fase elas podem brigar por um brinquedo ou até para serem escolhidas como ajudantes para servir a fruta na hora do lanche. Isso porque o brinquedo e servir a fruta têm um valor intrínseco e imediato para elas. Nos jogos, por outro lado, objetos interessantes ou privilégios não estão diretamente envolvidos. O que os pequenos ganham concretamente chegando em primeiro lugar numa corrida? O que eles ganham em superar os amigos? O que compreendem desta situação?

Até 5 ou 6 anos as crianças são muito egocêntricas para se importar com a performance dos colegas.

A partir dessa idade, no entanto, elas começam a prestar mais atenção nas próprias conquistas e nas dos colegas. Começam a comparar e caminham para a competição.

Mas o que é competir?

Competir é comparar os desempenhos e superar os outros. E aí a intervenção do professor é fundamental.

Ao ganhar, algumas crianças expressam orgulho e sentimentos de superioridade. Quando professores enaltecem e valorizam as conquistas com muitos “muito bem!” e premiações, acabam por reforçar a superioridade do vencedor e também o sentimento de fracasso dos perdedores. Frente às primeiras experiências com jogos de competição, o professor deve valorizar a brincadeira, a participação do grupo e até adequar as regras dos jogos conforme a leitura que faz sobre o desenvolvimento das crianças.

Voltando para a Dança das Cadeiras, algumas variantes são indicadas para adaptar a brincadeira para os menores.

jogo das cadeiras de livro1- Para os bem pequenos, as cadeiras podem ser retiradas mas não os participantes! A proposta é sentar no colo do amigo que quiser acolher quem sobrou. É muito bacana observar como o grupo vai se organizando para ter os amigos sentados no colo. Além de adequada, a brincadeira tradicional modificada desafia o espírito de colaboração coletiva.

2- Para a faixa dos 4 a 6 anos, quem sai do jogo pode controlar a música. Desse modo, ao ficar sem cadeira, a criança ainda tem uma oportunidade de participar.

A convivência de crianças cria situações de competição e participação. Competir faz parte da natureza humana, mas os sentimentos de superioridade e de inferioridade não são condições para a competição acontecer. Com olhar afiado e intencionalidade nas ações, os professores podem construir situações positivas de aprendizagem com jogos e brincadeiras tradicionais e suas adequações às faixas etárias da Educação Infantil.

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Balão-Para-Saber-Mais Jean Piaget não era um educador, era um investigador da aprendizagem ou da epistemologia genética. Constance Kamii, sua discípula, tendo trabalhado com Piaget em vários períodos, foi uma das pensadoras que promoveu e adaptou seu pensamento à educação, especialmente na faixa etária da Educação Infantil.

→ Bibliografia – Group Games in Early Education: implications of Piaget Theory, Constance Kamii e Rheta DeVries. National Association for the Education of Young Children, Washington, 1988

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Baralho Corporal para desafiar o corpo

Brincadeiras que desafiam a percepção sobre o próprio corpo, equilíbrio, orientação e ocupação do espaço são momentos apreciados pelas crianças e favorecem amplas aprendizagens.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 1

Se a questão é desafiar o corpo, que tal esta sugestão?

A professora Leny, da Turma da Onça, da EMEI Nelson Mandela, SP, propôs a brincadeira do Baralho Corporal para o seu grupo.

A proposta é simples mas rica, e as crianças adoraram.

A professora organizou uma série de cartelas com bonequinhos que representam esquemas de posições do corpo – esse tipo de ilustração usada para orientar quem faz ginástica e outros esportes. Cada imagem é uma provocação para desafiar o corpo e a mente.

baralho corporal

O professor escolhe aleatoriamente uma cartela do baralho e o grupo reproduz a posição do desenho com o próprio corpo.

A brincadeira do Baralho Humano pode começar mais direta até as crianças pegarem o jeito. Depois, pode ser a vez de cada criança sortear uma posição.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 2

Brincar em pequenos grupo com crianças acima de 4 anos amplia ainda mais as possibilidades. O desafio poderia ser estendido para as equipes que teriam que “montar” a posição do baralho num amigo “boneco”.

29_MVG_cult_soleilImitar posições e sentir o próprio corpo assumindo posturas diferentes é uma experiência importante para crianças pequenas que a cada dia descobrem sobre o mundo e sobre si mesmas. Ana Helena Rizzi Cintra, quando professora de bebês na Creche Oeste da USP, percebeu que os pequenos de 18 meses gostavam de se espichar e se curvar sobre os colchonetes. A partir desse olhar, ela selecionou um trecho de vídeo com a atuação de uma contorcionista com bambolê do Cirque du Soleil. Separou bambolês e colchonetes na sala com a TV, colocou o filme e plantou a provocação. Os pequenos assistiram a exibição da artista e procuraram imitar alguns gestos usando até o bambolê.

Sutil, encantador e desafiador. Brincar com o corpo pode ampliar o já famoso “Siga Mestre” e seguir por outros caminhos.

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Balão-Para-Saber-Mais

Leia sobre o campo de experiências Corpo e Movimento na postagem:
Aprendizagem dos movimentos

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Arroz para brincar

Proposta com arroz 2O tanque de areia está lá molhado, abandonado e as crianças estão com cara de tristeza? Sua escola não tem tanque de areia? Substitua por bandejas com arroz! A riqueza das experiências com a areia na área externa não é suprida, mas o arroz cru favorece outros desafios. Para as crianças muito pequenas é uma forma de introduzir as brincadeiras de encher, esvaziar e transferir sem se preocupar com o desejo de levar tudo à boca.

Como organizar esta proposta?

  • Selecionar potes, copos, canecas, pratos e bacias de tamanhos variados. Garrafas pet e de leite podem ser cortadas e se transformar em potes, pás e funis.
  • Separar colheres e conchas de metal, plástico e madeira, com diversos tamanhos e formatos.
  • Proposta com arroz GrupoBandejas plásticas rasas, aquelas utilizadas para alimentos, são ótimas para fazer as vezes do tanque de arroz. Se não estiverem disponíveis, utilizar bacias. O número de bandejas depende do tamanho e da quantidade de crianças. É bom imaginar que provavelmente os pequenos se acomodarão em torno das bandejas com o arroz para brincar.
  • Para turmas de até 15 crianças entre 12 e 24 meses, 2 kg de arroz são suficientes. Para grupos maiores ou crianças acima dessa idade, é recomendável aumentar a quantidade.
  • Uma lona plástica ajuda na hora de arrumar a sala e dar sequência à rotina. Se utilizar, não esquecer de colar o plástico no chão com fita crepe para evitar tropeços e tombos. Depois de limpas as lonas podem ser reaproveitadas em outras propostas.

Proposta com arroz materiaisAs crianças compreendem a brincadeira e dispensam instruções quando encontram o ambiente esteticamente organizado e convidativo. Algumas avançam ávidas por explorar, outras observam de longe pensando sobre os modos de interagir e outras esperam os amigos agirem para se inspirarem. Seja qual for o modo de se aproximar e brincar, as crianças vão inventar jeitos de acordo com suas experiências e habilidades:

  • mergulham as mãos e percebem as texturas,
  • tentam agarrar os pequenos grãos,
  • Procuram pegar com as colheres,
  • transferem de um lugar para o outro,
  • batem, sacodem e atiram,
  • brincam de fazer comidinha,
  • levam à boca e às vezes comem.

Proposta com arroz

Reserve uma hora ou mais para a proposta porque os pequenos adoram!

Na hora de encerrar, pequenas vassourinhas e pás convidam o grupo a mudar de brincadeira e a ajudar a arrumar. Sem chororô ou frustração porque a brincadeira só mudou!

Proposta com arroz Limpeza

Proposta com arroz 1Prepare-se para registrar momentos por meio de fotos e anotações. Muitas dicas poderão surgir a respeito das habilidades conquistadas, demandas e necessidades, interesses e possibilidades para variar e ampliar a proposta:

  • Como as crianças entraram na brincadeira?
  • Quais foram as ações mais observadas?
  • Quais habilidades estão apresentando?
  • Quais habilidades precisam ser mais trabalhadas?
  • Que perguntas surgiram? (no caso de crianças maiores)
  • Como se relacionaram com o professor e com as outras crianças? Brincam juntas, lado a lado ou sozinhas?

Possibilidades de ampliação

Proposta com areiaUtilizar outros grãos e sementes como cores, formatos e tamanhos diferentes (não tóxicos), colorir o arroz com corante alimentício (sacudindo num saco fechado e depois deixando secar), preparar areia da lua para brincar com os mesmos utensílios e recursos (areia da lua é uma mistura de areia peneirada, amido de milho e óleo que molda e é mais fácil de limpar porque não gruda. Para mais informações leia a postagem Três dicas de materiais inusitados e uma para ajudar na bagunça

No final, é só recolher a lona plástica com o arroz espalhado e varrer o que ficou no chão. Se o arroz não estiver muito sujo, é só peneirar para tirar as sujidades e guardar para usar novamente. Pronto! Tudo organizado… e muita brincadeira brincada.

 

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Fazer uma vez é o mesmo que não fazer!

Planejar propostas de atividades repetidas para crianças é cair na mesmice? É bom ou ruim para elas? Fazer atividades uma só vez constrói saberes?

Vamos pensar um pouco: imagine que você chegou numa ilha onde as plantas, os animais, a comida, a língua, a música, a arquitetura e os costumes são muito diferentes dos seus.

Um passeio de 24 horas é suficiente para conhecer um mundo tão diferente? Um dia basta para ter ideia do que acontece por lá?

crianças modelando argila

A primeira etapa da vida do ser humano é como uma viagem a um mundo desconhecido. Nos primeiros anos os pequenos poderiam dizer “muito prazer em conhece-lo” a toda hora, porque tudo é novo e está sendo observado, explorado e conhecido.

Retomemos a pergunta inicial: basta uma espiadinha, uma rápida brincadeirinha para se apropriar do mundo desconhecido que nos cerca, construir olhar e significados?

Certamente, não!

Riina LundellA professora sueca Riina Lundell, da pré-escola Trångsund, na Suécia, disse ao Tempo de Creche que com crianças, fazer uma vez é o mesmo que não fazer.

Nos primeiros contatos, as crianças pesquisam os materiais, os movimentos ou as situações. Testam qualidades e possibilidades. Depois de estabelecerem relações, começam a experimentar e criar com mais complexidade, foco e, dependendo da faixa etária, interagindo com os colegas.

crianças com bloco de argilaJá observou uma criança experimentando a argila pela primeira vez? Ela amassa o material, espreme entre os dedos, bate, atira, passa na pele e até coloca na boca. Algumas apresentam certa resistência para entrar em contato e precisam de tempo e atenção diferenciados.

Só depois de algumas oportunidades é que as crianças começam a descobrir como modelar a massa, controlar a força, compreender as resistências e as delicadezas do material, lidar com diferentes volumes e, finalmente controlar a modelagem para transformar a argila de acordo com seus desejos. Como tudo o que nos cerca, as características do que existe são sempre diversas e permitem interações e explorações particulares.

menina modelando de argila

Projetos também podem demandar a repetição de propostas e percursos mais longos. Ao identificar temas que interessam às crianças, o professor busca caminhos para favorecer experiências e aprofundar as pesquisas e descobertas. Essa trajetória precisa de tempo e repetição. Ao descobrir e aprender sobre os diversos assuntos, as crianças – e todos nós! – precisam retomar os saberes construídos ao longo do caminho para correlacionar, somar e continuar aprofundando o interesse e a busca por novos conhecimentos. É como estar numa espiral que a cada volta retoma o percurso vivido porém de maneira mais ampliada.

Segundo Riina, tempo e repetição são fundamentais para que as crianças aprofundem pesquisas e, nesse percurso, ampliem habilidades e se desenvolvam.

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PARA SABER MAIS…

A postagem Repetir propostas para crianças. Será? também aborda essa questão propondo algumas reflexões. Vele a pena ler!

→ A Pré-escola Trångsund está localizada na região de Trångsund, nos arredores da cidade de Estocolmo, na Suécia. Essa é uma das escolas em que a pesquisadora e professora Liselott Mariett Olsson fez diversas pesquisas e me levou para conhecer de perto. A equipe do Tempo de Creche acredita e se fundamenta, entre outros pensadores, na produção acadêmica de Liselott, que, por sua vez, pensa a educação das crianças pequenas a partir da filosofia de Gilles Deleuze e Felix Guattari, magos e inspiradores do Blog.

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É difícil se desprender da cultura de comemorar o Dia das Mães, Pais…

Um artigo publicado na Folha de São Paulo no domingo (14/05/2017) nos fez retomar esse aspecto da cultura que entra no automatismo e não passa pelos canais da reflexão: e se a criança não tiver mãe para comemorar o Dia das Mães?

Por que a dificuldade de refletir sobre o apelo emocional e comercial de comemorar o Dia das Mães, Pais… ?

desenho mãe e filha

desenho da mãeNa reportagem, a jornalista Sabine Righetti visitou escolas no início do mês de maio, próximo ao famoso e comercialmente cultivado Dia das Mães. Numa das visitas ela percebeu que uma criança que não tinha mãe, ao escrever sua cartinha de Dia das Mães, registrou: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.”

Mãe com criança e laranjas - PicassoAo passear nas redes sociais no último domingo encontramos uma amostra dos vários tipos de manifestações dedicadas a mães presentes e falecidas. Fotos, poemas, piadas, vídeos, imagens, inundaram Facebook, WhatsApp e Instagram, bem como os famosos comerciais e programas de TV. Praças, hospitais, centros culturais e governamentais também se expressaram a respeito. Acreditamos que a maioria das pessoas participou postando ou curtindo o que foi publicado. Esse clima de emoções nos leva a pensar que atropelamos discussões e importantes reflexões sobre a pertinência dessa celebração e quais os formatos de maternidade podem ser encontrados nas famílias que compõem a comunidade da escola.

Na postagem publicada em agosto de 2016 (DIA DOS PAIS, das mães, dos avôs, dos padrinhos…), uma leitora comentou que não podemos esquecer que o comércio, a mídia e as redes sociais também pressionam a criança e levantam o tema do dia dedicado a celebrar a mãe. Nesse caldeirão de forças e influências, o quanto estamos preparados para nos posicionar? A escola dedica momentos a discutir com sua equipe a pertinência dessa e de outras comemorações?

desenho família

A quantidade de manifestações e propostas de atividades, modelos de lembrancinhas e publicações na mídia (como o artigo da Folha) sinaliza que este assunto ainda está mobilizando energias e convocando para a reflexão. Também revela que por estar entranhada na cultura de massas, as comemorações de dia dos pais, mães, avós e família ainda estão longe de encontrar respostas fáceis.

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Balão-Para-Saber-MaisPARA SABER MAIS…

Artigo do Jornal Folha de S. Paulo:  E se a criança não tiver mãe para fazer um desenho na escola? de Sabine Righetti, publicado em 13/05/2017 23:27

Mãe com crianças - Vic MunizHá alguns dias, visitei umas escolas em São Paulo para uma atividade acadêmica com alunos da FGV-SP e inevitavelmente nos deparamos com um exercício pelo qual eu passei quando estava na escola (e você também deve ter passado): a elaboração de uma cartinha para as mães. No chamado “mês das mães”, a tarefa do desenho ou do textinho costuma passar pelas aulas de português a artes, de alunos de diferentes séries, em escolas públicas e privadas.
Mas e se o aluno não tiver mãe?
Estiquei os olhos para a cartinha de um aluninho de uma das escolas por onde passei. O texto, no lugar de “mãe”, dizia em garranchos algo do tipo: “Vó, se você morrer eu estou ferrado.”
A cada cinco crianças nascidas no Brasil, uma é filha de mãe adolescente. Em uma das escolas públicas que nós também visitamos, cerca de 10% das alunas do ensino fundamental estavam grávidas. Elas tinham algo entre 13 e 14 anos. Filhos de mães adolescentes têm grandes chances de ser criados pelas avós.
Alguém já pensou que uma criança que está na escola pode ter na avó a sua figura maternal? Ou pode ser órfã? Pode estar morando em um abrigo provisoriamente? Pode viver com o pai e a nova esposa dele? Pode ser um filho de um casal gay de dois homens e, portanto, não ter a ideia da “mãe”? LEIA MAIS 

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

 

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Campos de Experiência: Linguagens da Arte em Educação Infantil

Qual a importância das linguagens da Arte em Educação Infantil?
É inegável que as linguagens da Arte ajudam a ver e compreender a realidade, a conhecer o mundo e a conhecer-se. Decorre, daí, a sua importância na educação e no cotidiano de todas as pessoas, de qualquer faixa etária e qualquer ambiente.

A linguagem da Arte exercita e amplia a aprendizagem das formas de expressão com o desvelar de uma riqueza de sentimentos e percepções, relações e possibilidades.

A oficina de artes permite às crianças expressarem suas emoções e realidades e, no percurso, conhecerem o mundo e a si mesmas.

Proposta pintura com os pés

Eu não estou buscando, eu estou descobrindo.
Picasso.

As crianças dizem o mesmo, descobrem possibilidades nas propostas de artes, porque fazer arte é engajamento de todos os sentidos, é um convite irrecusável à experimentação.

A questão que se coloca diante do professor é o desafio de selecionar, dentre tantas alternativas, quais conteúdos priorizar, quais materiais apresentar, quais espaços explorar. Apesar desse leque de possibilidades, o professor tem caminhos para não fazer escolhas aleatórias:
pintura ou movimento

√ – conhecer o grupo com o qual atua, como se relacionam e os saberes que as crianças já têm;
√ – levantar os desejos orientadores que partem das crianças;
√ – refletir sobre algumas metas (demandas, necessidades, temas e interesses);
√ – prever tempo e espaço disponíveis e suficientes;
√ – verificar a disponibilidade de materiais.

Os conteúdos das diferentes linguagens expressivas demandam habilidades distintas e, em muitas situações, complementares:


Artes plásticas:
o que esperar da pesquisa das crianças com tintas? Elas já experimentaram bastante o material? As marcas são intencionais? Reconhecem suas produções? Observam os movimentos dos colegas e aprendem com o outro? Que tal alterar a textura da tinta? Ou a sua densidade? Ou propor pintar com os pés?

Expressão Corporal: quais ritmos e estilos musicais têm ouvido? Tem se movimentado ao ritmo da música? Como são os movimentos? É possível apresentar adereços como fitas, saias, chapéus para desafiar novos movimentos?

Expressando o ritmo 3
Música:
as crianças exploram os sons dos objetos? Buscam fontes sonoras dos barulhos? Fazem objetos sonoros e se expressam por meio deles e de instrumentos musicais? Quais músicas sabem cantar? Que músicas e estilos musicais diferentes podem ser propostos?

Faz de conta e jogo simbólico – quais histórias ou enredos as crianças conhecem e costumam brincar? Já assumem papeis? Quais objetos e roupas podem enriquecer as brincadeiras?

corpo em movimentoTudo junto e misturado: faz de conta, expressão corporal, num cenário elaborado a partir de propostas de artes visuais, sonorização com objetos e musicalização com canções e instrumentos musicais.

Na verdade, distinguir as linguagens das artes é um pensamento dos adultos. Do mesmo modo que pensamos nos diferentes campos de experiências, ao desenvolver repertórios, as crianças utilizam todas as linguagens e até criam linguagens próprias para comunicar o que sentem, desejam e pensam.

Possibilitar a pesquisa expressiva e a criação individual e coletiva, amplia horizontes de professores e crianças em todas as linguagens… e por que não, nos diversos campos de experiências.

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Balão Para Saber Mais

Leia! Estas postagens aprofundam o tema.

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O dia a dia da creche e a Rotina: o que pensar e por onde começar?

Uma professora nos escreve para auxiliá-la na orientação da rotina, pois trabalha com crianças de 3 a 4 anos e fica em dúvida de como e que conteúdos, eixos contemplar na mesma.
Quando o tema é Rotina, o que estamos pensando? Como a definimos?

Rotina

Existe um modelo pronto aplicável a todas as creches e escolas de Educação Infantil?

Não!

Se definirmos rotina como a organização do desenvolvimento que abrange o trabalho diário de professores e crianças, estamos falando em como levar em conta as concepções pedagógicas, a percepção de tempos, espaços e sua relação com as organizações da ação do professor e das crianças.

→ O que pensar?
→ Por onde começar?

Se a Rotina é o dia a dia da creche.
Muitas das atividades têm que ocorrer todos os dias.

rotina 2

Para a construção do seu trabalho e do grupo, o professor organiza e limita o uso do tempo, do espaço e dos materiais, cria uma constância e delimita as atividades, esclarece seus objetivos, elabora em conjunto os combinados e as regras, constrói vínculo e registra e acompanha os compromissos de cada um para com as tarefas.

atividades sensoriais para bebês

 

Podemos ensinar e aprender com a rotina?
Podemos desenvolvê-la com significados diferentes?

 
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Apoiamos as iniciativas das crianças?

A cada dia nos surpreendemos com as habilidades e as iniciativas das crianças pequenas. Curiosas e investigativas, experimentam o que está ao seu alcance. Ao valorizar esse espírito, contribuímos para formar bons estudantes e profissionais competentes. Será que a nossa prática dá espaço ao entusiasmo da infância?

quem disse que eu não consigo

Quanto menor a criança, maior o entusiasmo e o afinco em pesquisar, construir, encaixar, desmontar, saltar, ultrapassar, transferir, esvaziar, atirar, amassar, criar… Um sem fim de ações ousadas que a leva a experimentar e aprender.

Porém, à medida que as crianças crescem, percebemos que esse ímpeto diminui. Já não se atrevem com frequência a realizar tarefas que não tem familiaridade, não se interessam por desvendar mistérios e vão se conformando com um repertório limitado de brincadeiras.

Por que isso acontece? Por que o entusiasmo diminui?

Claro que à medida que cresce a criança passa a se conhecer melhor e a desenvolver gostos e afinidades que direcionam suas escolhas. Contudo, outros fatores podem explicar a perda do entusiasmo. Entre eles, a falta de autonomia e a indiferença dos adultos em acompanhar e valorizar as pesquisas, as tentativas e as descobertas.

Na verdade, frequentemente preferimos agir pelas crianças! Por exemplo, é mais fácil para o adulto se antecipar e servir o suco na hora do lanche. Dessa forma se evita derramamento de suco na sala, na roupa, no colega, troca de roupa…

Na hora de desenhar, é mais tranquilo para o professor distribuir os lápis de cera nas mesinhas do que entregar pequenos potinhos para que cada criança se sirva das cores que desejar. Negociar trocas com os colegas, encher demais o potinho e derrubar tudo no chão “dá mais trabalho” para todos!

Outro exemplo de situações em que atropelamos os ímpetos das crianças pode ser observada quando elas resolvem puxar os colchonetes da pilha para construir uma cabana ou uma montanha a ser escalada. Os colchonetes não são brinquedos! – retrucamos. Eles são para dormir!
Quem disse isso?
Assinamos um documento com o fabricante jurando que os colchonetes só seriam usados na hora do sono? Na cabeça incrivelmente ativa e criativa das crianças tudo pode!

Esses e outos cenários ilustram ocasiões valiosas para o professor trabalhar as escolhas autônomas, a criatividade e a pesquisa. Nesses momentos as crianças precisam de um outro espírito aventureiro junto delas, que as acompanhe acreditando nas suas capacidades e valorizando o interesse e a inovação.

Quem sabe assim invertemos a tendência de encolher o espírito de descoberta das crianças mais velhas? Dê espaço e arrisque-se com os pequenos! Sua prática também vai crescer.

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Para saber mais…

As imagens dessa postagem são registros de uma série de propostas de experimentações plásticas realizadas pelas professoras Maria, Neuza, Cidélia e Katia do CEI Santa Marina, SP, pertencente ao Instituto Rogacionista. As professoras, participantes do Projeto Afinal o que é arte na Educação Infantil, apoiado pelo Instituto Minide Pedroso (IMPAES) e desenvolvido pela equipe Tempo de Creche, trabalharam com diferentes farinhas e misturas com água.

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