Categoria: Tempo, Espaço e Materiais

Sala de aula: espaço ou ambiente?

Qual sala é importante para as crianças? Em que sala queremos trabalhar? Vai chegando o novo ano e os professores voltam suas atenções e ansiedades à organização da sala: quais materiais do ano que termina devem permanecer? Quais estratégias utilizadas na arrumação do ambiente promoveram boas interações entre as crianças? Qual será o meu novo espaço de trabalho? Em qual ambiente vou receber a nova turma e espalhar uma atmosfera afetuosa?

Espaço é a dimensão física, uma extensão com ou sem limite. Já o ambiente é muito mais, porque ele abrange tudo o que está dentro do espaço e provoca sensações.

O professor tem razão em depositar ansiedades e sonhos na expectativa da sala do próximo ano. A sala é uma referência fundamental para crianças e professores, influencia o estado de espírito e a aprendizagem.
Então que tal aquecer as reflexões sobre este ambiente pedagógico?
Vamos lá…

1- A sala como espaço formal de educação

A sala na escola não é um espaço de recreação. É parte imprescindível de um contexto de aprendizagem e tem que servir a este propósito. A arquitetura, as cores, a mobília e os materiais que compõem os recursos educativos estão distantes da ideia de “bufê infantil”. Continue lendo..

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Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças?

São inúmeras as possibilidades expressivas oportunizadas para os pequenos no dia a dia da educação infantil, e as diferentes técnicas e linguagens artísticas não precisam ter limites entre uma e outra. Para a pesquisadora Rhoda Kellogg, a linha, por exemplo, está presente tanto no desenho das crianças quanto na modelagem. Nesse contexto, o repertório de atividades expressivas oferecidas nas escolas me inquieta: por que ficamos presos às propostas bidimensionais, como desenho e pintura? Trabalhamos suficientemente as representações tridimensionais com nossos pequenos? É importante que a criança modele? Quais benefícios a experiência com a modelagem provoca nos pequenos? Qual o lugar da modelagem na Educação Infantil?

Segundo estudos promovidos pela UNESCO, as habilidades espaciais estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento das habilidades de matemática e de ciências. Apoiada sobre estes resultados, a UNESCO afirma que o desenvolvimento da espacialidade na primeira infância é determinante para que a criança realize operações numéricas por volta dos 8 anos. Continue lendo..

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Repensando o velho caixote de brinquedos…

Crianças aprendem brincando, mas não nascem fazendo isso sozinhas.
É pelas primeiras brincadeiras com a mãe que os bebês aprendem uma linguagem que dominarão com maestria: o brincar.
Aí você olha para a prateleira da sala, avista o caixote de brinquedos… e pensa: minhas crianças brincam todos os dias!
Será? Quais brincadeiras o caixote de brinquedos pode proporcionar? Vamos refletir sobre isto!

O lúdico é um estado de graça para a criança. Nós, adultos, perdemos a conexão com a brincadeira porque a sociedade dos “crescidos” rotulou o brincar como perda de tempo para quem tem responsabilidades e atribuições!

Mas hoje a brincadeira das crianças é garantida por lei, ao menos na primeira infância.
Por que será?

Por que as crianças ficam felizes quando brincam?
Por que gostam?
Por que inventam?
Por que descobrem?
Por que aprendem?

Sim!

canto de atividadesPor tudo isso. E porque o lúdico é uma linguagem que permite interagir com os adultos, as outras crianças, a cultura, a natureza, os espaços e os materiais. É por meio do diálogo brincante com o mundo que a criança vive experiências intensas e pode ser transformada por elas.

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Hora do parque é hora de quê?

O que a hora do parque representa para as crianças?
E para os professores?

Vamos começar pelos pequenos

O parque é um dos diversos espaços da escola que devem ser ocupados pelas crianças. Mas o parque é especial… talvez mais importante do que a própria sala!

Na área externa, de preferência grande, ensolarada e “decorada” pela natureza, as crianças desfrutam um ambiente arejado; amplo o suficiente para experimentar os grandes gestos do corpo; pesquisam e coletam galhos, pedras, plantas, bichinhos e outros tesouros; se juntam aos colegas e também encontram cantinhos secretos; colocam em ação incríveis enredos de faz de conta… enfim, vivem a infância no melhor cenário!
a hora do parque 1

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Rotinas não tão rotineiras

Uma situação tão instituída e corriqueira como a hora da soneca pode ser diferente? A dormida da tarde e outros momentos da rotina podem ganhar outros contornos?
Podem sim!

organização do espaço propositorNo CEI Nossa Turma, SP, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) organizaram uma proposta que envolvia tecidos coloridos de variados tipos. A expectativa era que os pequenos experimentassem modos de se vestir e usar os tecidos. Para garantir as criações, providenciaram fitas de elástico, para amarrar e manter os modelitos no corpo, e cabides para compor um espaço propositor.

Será que as crianças pensariam em se vestir com os tecidos?
Quais experimentações poderiam surgir?

Sala arrumada, instrumentos de registro e câmeras em mãos, era hora de chamar a turma que estava com a Cida no parque.

As crianças foram entrando e se maravilhando com o espaço transformado. Puxaram alguns dos tecidos pendurados e descobriram caixas com mais variedades. Como os tamanhos favoreciam o manuseio (1,0 x 0,70m e 1,0 x 1,40m), as crianças experimentaram usar o material como capa, colocar na cabeça como turbante e… aos poucos, saias, vestidos e pareôs foram surgindo a pedido dos pequenos e ajeitados com ajuda das professoras.

pesquisa das crianças

intervenção do professor
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Projetos: um quadro organizador para planejar e construir

Observar, escutar e acolher os interesses das crianças são os passos iniciais para construir projetos. Parece um processo corriqueiro e fácil. Mas está longe disso! Professores precisam ativar antenas de percepção e sensibilidade para intuir, refletir, criar e planejar práticas que provoquem as crianças, promovam brincadeiras e as despertem para questionamentos. Essa é a matéria prima para identificar temas e construir projetos com elas.

Como fazer isso acontecer?
Uma prática realizada no CEI Nossa Turma, SP pode ajudar a pensar.

As cores estão chamando a atenção de um grupo de crianças de 2 anos e de suas professoras também. A turma quer conhecer, aprender os nomes e pesquisa-las nos objetos do cotidiano, nos desenhos que fazem diariamente e nas pinturas.

Acolhendo e encaminhando esse interesse, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) têm planejado e desenvolvido diversas propostas envolvendo o tema. Cida utilizou um jogo de dominó comum para desafiar os pequenos a encontrar pecinhas com bolinhas amarelas, verdes, azuis etc. Os coloridos objetos do dia a dia também são estímulos para que as professoras brinquem com os pequenos fazendo perguntas sobre as cores.

atividade com pincel de espuma e pregadorRecentemente um pedaço de espuma de estofado caiu nas mãos da Sandra e inspirou uma interessante proposta de arte. Ela cortou o material em pequenos cubos, arranjou pregadores de roupas e criou pinceis originais.

Forrando com papel kraft uma grande mesa que fica na quadra, as professoras organizaram um espaço confortável e convidativo para a pintura. Continue lendo..

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O dia a dia da creche e a Rotina: o que pensar e por onde começar?

Uma professora nos escreve para auxiliá-la na orientação da rotina, pois trabalha com crianças de 3 a 4 anos e fica em dúvida de como e que conteúdos, eixos contemplar na mesma.
Quando o tema é Rotina, o que estamos pensando? Como a definimos?

Rotina

Existe um modelo pronto aplicável a todas as creches e escolas de Educação Infantil?

Não!

Se definirmos rotina como a organização do desenvolvimento que abrange o trabalho diário de professores e crianças, estamos falando em como levar em conta as concepções pedagógicas, a percepção de tempos, espaços e sua relação com as organizações da ação do professor e das crianças. Continue lendo..

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Experiências num Tanque de Lama

Ontem choveu e o jardim virou uma lama só. É tempo de repensar a proposta? Não! É tempo de aprender sobre a natureza e tudo o que ela traz. Então… para hoje a proposta é brincar no tanque de lama!

tanque de lamaO barro, ou a terra argilosa e molhada, é um dos quatro elementos naturais desafiadores e magnéticos para as crianças. A cor, a temperatura e a textura combina com a natureza orgânica das crianças. Por isso, a Escola do Bairro, da educadora Gisela Wajskop, localizada num histórico e tradicional bairro da cidade de São Paulo, reservou um espaço do seu jardim – de brincadeiras e pesquisas – para um tanque de lama. Isso mesmo! Além do clássico e sempre pertinente tanque de areia, a escola oferece uma área com terra argilosa para que, quando molhada, as crianças possam explorar. As experiências são tão intensas que às vezes não se espera a chuva e a terra é molhada com a mangueira. Continue lendo..

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Uma preciosa lista de livros infantis

A equipe do Tempo de Creche foi conversar com a psicóloga Ângela Aranha, idealizadora e fundadora da Casa de Livros, uma tradicional casinha de tijolos, especializada em literatura infanto-juvenil de São Paulo. A missão: descobrir dicas certeiras de bons livros para crianças pequenas. Para Ângela, um dos sabores da vida é ver as descobertas das crianças no contato com a literatura e suas inúmeras linguagens. Em cada idade a criança está em um momento diferente, por isso é importante entendermos o que ela está explorando e descobrindo para oferecermos o livro mais próximo de seus interesses.

Bebês

Os bebês exploraram o que enxergam. Que tal oferecer livros com imagens grandes para ir nomeando os elementos junto com eles? A coleção Meu primeiro livrinho toque e brinque, da editora Usborne, composta por três livros, é muito adequada. A editora Yoyo tem em seu acervo o livro Contrários, da Coleção Ver e Aprender, também excelente para o pequeninos.

 

Crianças de dois a três anos

Para as crianças na faixa de dois a três anos, as imagens ainda são o ponto fundamental, mas já é possível oferecer livros com pequenas histórias.

A Cia das Letrinhas publicou o livro Bem lá no alto, da Suzanne StraberTodos os bichinhos estão loucos por uma torta que está bem lá no alto, mas os bichos estão lá embaixo! O que fazer? Será que podemos contar com a ajuda de amigos? O livro apresenta lindas imagens. Continue lendo..

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Anamnese Cultural das famílias: identidade e afeto

Eu vejo o mundo pelos olhos da minha aldeia.

A frase do escritor russo Leon Tolstoi (1828-1910) provoca uma importante reflexão sobre a construção da identidade das crianças pequenas. O mundo começa a partir do lugar em que vivo. Como trabalhar com contextos significativos que contribuam com a construção da identidade? Como identificar o universo cultural de cada pequeno e compor um repertório para o grupo? Famílias e escolas podem ser parceiras nas experiências culturais dos pequenos?

Muitas escolas se relacionam com as famílias e com a comunidade a partir de demandas administrativas ou de comemorações festivas. A escola nem sempre se integra ou participa da vida da comunidade. Mantém-se à parte, quase que encapsulando suas crianças. Escola não é uma bolha.

passeio-no-bairroPara Dahberg, Moss e Pence, a escola resguarda um espaço para a criança viver a infância. Porém, esquecemos que a própria escola é parte do bairro e da comunidade. Assim, é a própria comunidade que disponibiliza às crianças a oportunidade de brincar e se desenvolver na instituição. Nesse sentido, a infância na escola só pode ser vivida plenamente se estiver inserida na cultura dessa comunidade.

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