Categoria: Tempo, Espaço e Materiais

Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças?

São inúmeras as possibilidades expressivas oportunizadas para os pequenos no dia a dia da educação infantil, e as diferentes técnicas e linguagens artísticas não precisam ter limites entre uma e outra. Para a pesquisadora Rhoda Kellogg, a linha, por exemplo, está presente tanto no desenho das crianças quanto na modelagem. Nesse contexto, o repertório de atividades expressivas oferecidas nas escolas me inquieta: por que ficamos presos às propostas bidimensionais, como desenho e pintura? Trabalhamos suficientemente as representações tridimensionais com nossos pequenos? É importante que a criança modele? Quais benefícios a experiência com a modelagem provoca nos pequenos? Qual o lugar da modelagem na Educação Infantil?

Segundo estudos promovidos pela UNESCO, as habilidades espaciais estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento das habilidades de matemática e de ciências. Apoiada sobre estes resultados, a UNESCO afirma que o desenvolvimento da espacialidade na primeira infância é determinante para que a criança realize operações numéricas por volta dos 8 anos.

Ao desenho e à pintura, atividades frequentes da educação infantil,  associamos a ideia de instrumentos: riscadores e suportes. O ato de desenhar nos remete à memória sensorial do som do rabisco, à força empregada na mão, ao controle dos gestos, à visão das marcas: linhas e cores que surgem no plano “achatado” (bidimensional) dos suportes.

Já a modelagem é uma atividade que provoca e mobiliza o pensamento espacial.
Quando pensamos em modelar, pensamos em massas: massinha de modelar, massas caseiras, argila e até a terra e a areia molhadinha. Mas, diferentemente das lembranças do desenho, a modelagem provavelmente não nos deixou muitas memórias de infância. Talvez ainda lembremos das duras e coloridas massinhas de modelar da escola e aquele cheiro marcante que ficava na mão por dias!

A artista plástica Geórgia Kyriakakis diz que seus desenhos passam do plano virtual e bidimensional do papel dos projetos, para a realidade muldimensional do espaço, quando transforma a natureza dos objetos projetados em obras reais. Exemplificando o pensamento da artista, quando desenhamos uma bola no papel, a nossa relação com essa bola é virtual, porque ela parece ser um objeto só na nossa cabeça. Na verdade, o rabisco que representa a bola só tem duas dimensões, a altura e o comprimento das linhas desenhadas no papel. Contudo, ao modelar uma bolinha de massa, nossa ideia ganha realidade! Como a Geórgia ressalta, cria-se um “espaço intermediário” entre o que “parece ser”, dos desenhos, e o que é “de verdade”, produzido na modelagem.

Imagine o que se passa na cabeça dos pequenos ao lidar com essa possibilidade intermediária entre imaginação e realização. Modelar provoca componentes cognitivos, sensitivos e expressivos diferentes dos mobilizados pelo desenho.

Sabemos que as crianças precisam desenhar todos os dias (defendemos isso no Tempo de Creche) porque o desenho favorece muitas aprendizagens, e temos uma dúzia de postagens sobre essa questão. Mas modelar materiais como o barro e a argila, conduz os pequenos por outros caminhos tão interessantes, complexos e sensíveis que não podem ser esquecidos ou simplificados pelo uso das massinhas plásticas e das massas caseiras, que não favorecem grandes construções e não sustentam formas tridimensionais robustas e definidas. As arte-educadoras Denise Lemos e Maristani Zamperetti afirmam que, “diferente do desenho e da pintura, a modelagem nos proporciona a visão de todos os ângulos e lados da estrutura e ainda podemos perceber a sua textura”. Kellog, por sua vez, destaca que a arte desempenha um papel importante no desenvolvimento mental das crianças e, nesse sentido, as experiências artísticas vivenciadas com a modelagem fazem parte do conteúdo artístico que deve ser trabalhado com os pequenos.

O ato de modelar o barro existe desde os primórdios da humanidade. Civilizações muito antigas moldavam o barro e o transformavam em peças utilitárias, decorativas e rituais. Assim, a modelagem pode ser definida como o ato de moldar, ajustar a forma manualmente de materiais como o barro e a argila, e transforma-los em objetos tridimensionais. Até hoje essa prática ainda é bastante artesanal.

No estudo interessante e esclarecedor, Lemos e Zamperetti concluem que amassar e dar forma à terra são gestos primitivos que influem consideravelmente na coordenação de todos os movimentos. Quando trabalhamos o barro, criamos pequenos projetos que buscamos realizar. Nesse percurso, ocorrem desequilíbrios (a argila não para em pé, se quebra etc) que demandam ações de reorganização da massa, o que mobiliza nossa persistência em busca de soluções,  a confiança e o domínio corporal para concluir o projeto.  Sendo uma forma de expressão simbólica e lúdica , o ato de manipular o barro torna-se além de educativo, uma forma prazerosa de expressão, e a tridimensionalidade passa a representar um novo conhecimento adquirido pela criança.

Então, estamos falando aqui dos desafios da tridimensionalidade. Do domínio do material, do controle da força do corpo e das mãos, da coordenação motora fina, da visão do objeto a partir de diversos ângulos e da resolução de problemas complexos de engenharia e arquitetura. Falamos de perseverança, de não desistir na primeira dificuldade, de tentar, tentar de novo e aprender.

O que isso quer dizer?

Isso significa que , por exemplo, ao fazer um carrinho de argila, a criança precisa mobilizar o corpo e a cabeça, combinando o conhecimento do material com o planejamento de processos, a criação de estratégias, a sensibilidade estética e, como no desenho, as narrativas sobre o que está sendo produzido. Além de todos estes benefícios, a argila é robusta e aceita o trabalho conjunto de várias mãos. Conforme a criança se desenvolve, a cooperação em torno das brincadeiras com o barro é facilmente observável quando oportunizamos estas experiências.

A arte-educadora e professora Rosa Iavelberg acredita que a argila traz satisfação e tranquilidade para as crianças, porque a plasticidade do material permite que a obra seja destruída e reconstruída com facilidade. Por outro lado, apesar de ser um dos materiais plásticos preferidos das crianças, ele é também o menos utilizado nas escolas de educação infantil.

Assim como as crianças precisam aprender com a argila, os professores também necessitam colocar a mão na massa e se informar sobre o material para criar oportunidades de aprendizagem para os pequenos. Convidamos a arte-educadora, atelierista e professora de artes para crianças, Beatriz Nogueira, para compartilhar suas experiências da prática da modelagem com crianças pequenas. Não perca essa postagem!

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PARA SABER MAIS…

UNESCO – OVERVIEW Measuring Early Learning Quality and Outcomes.

ARTIGO – Denise Castanha de Avila de Lemos e Maristani Polidori Zamperetti – Modelagem com argila para crianças: um estudo de caso

Geórgia Kyriakakis – artista, Mestre e Doutora em Artes. A artista inicia sua trajetória artística, no final da década de 80, com o desenho e a partir dele passa também a desenvolver esculturas, instalações, objetos, vídeos e fotografias. Sua produção é marcada pelo uso de diversos meios e pela experimentação dos limites de resistência, fragilidade, instabilidade e permanência das coisas.

Leia mais sobre desenho e modelagem nas postagens
Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!
Desenho: espelho do desenvolvimento infantil
Modelagem e desenho: conversas entre a bi e a tridimensionalidade 
O que o desenho nos conta
O registro das crianças pequenas é o desenho 
Palavra de… Edith Derdyk: o desenho do gesto e dos traços sensível

 

 

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Repensando o velho caixote de brinquedos…

Crianças aprendem brincando, mas não nascem fazendo isso sozinhas.
É pelas primeiras brincadeiras com a mãe que os bebês aprendem uma linguagem que dominarão com maestria: o brincar.
Aí você olha para a prateleira da sala, avista o caixote de brinquedos… e pensa: minhas crianças brincam todos os dias!
Será? Quais brincadeiras o caixote de brinquedos pode proporcionar? Vamos refletir sobre isto!

O lúdico é um estado de graça para a criança. Nós, adultos, perdemos a conexão com a brincadeira porque a sociedade dos “crescidos” rotulou o brincar como perda de tempo para quem tem responsabilidades e atribuições!

Mas hoje a brincadeira das crianças é garantida por lei, ao menos na primeira infância.
Por que será?

Por que as crianças ficam felizes quando brincam?
Por que gostam?
Por que inventam?
Por que descobrem?
Por que aprendem?

Sim!

canto de atividadesPor tudo isso. E porque o lúdico é uma linguagem que permite interagir com os adultos, as outras crianças, a cultura, a natureza, os espaços e os materiais. É por meio do diálogo brincante com o mundo que a criança vive experiências intensas e pode ser transformada por elas.

 

Para o pesquisador francês, Gilles Brougère, “o que justifica a brincadeira, além de todo o mito, é que ela oferece a possibilidade de a criança fazer experiências variadas e, mais que produzi-las, escolhê-las e controla-las”.

Bom, até aí parece que não tem muita novidade. Os profissionais da Educação Infantil percebem quando as crianças mergulham numa brincadeira e o quanto esses momentos deixam marcas significativas. Então porque estamos retomando este assunto?

Por que, infelizmente, ainda existe a crença de que é só dar um brinquedo que brincadeiras e aprendizagens acontecem.

É fato que o brinquedo nasceu para a brincadeira. Mas nem sempre a brincadeira nasce dos brinquedos! Especialmente aqueles que estão no velho caixote da sala, amontoados, meio quebrados, meio misturados e incompletos. Aquele monte de plástico que é visitado todos os dias, sem nenhuma intervenção do adulto a não ser dá-los aos pequenos.

Ué? Mas as crianças não brincam com eles?

Sim. Até brincam.

Mas escola é espaço formal de ensino e aprendizagem. Como dissemos logo acima, a brincadeira é um ato social e, por isso, é cultural e aprendida.

Sem a intervenção do adulto, o velho caixotão pré-dispõe os pequenos às velhas brincadeiras, exercitadas um milhão de vezes!

Nestes momentos, o que os professores estão fazendo para provocar novas brincadeiras e experiências?

Estão inspirando a criatividade? Desafiando os pequenos a pensar em novos usos e possibilidades para os velhos brinquedos?

Gilles Brougère nos fala que “a importância da brincadeira, ao lado de outras atividades humanas, permite a produção de novas experiências”. Não há imaginação que chegue à criança com velhos brinquedos frequentemente utilizados, se eles não receberem um empurrão do professor com planejamento e intencionalidade pedagógica.

Que tal então repensar o velho caixote? Existem muitas possibilidades para trabalhar com os brinquedos que chegam no meio do semestre intensamente explorados, desconjuntados e quebrados. Propomos pensar em novas combinações.

1- Reunir parte dos brinquedos com intenção de provocar brincadeiras diferentes:

  • materiais-organizadosPeças pequenas de montar com panelinhas, potinhos e colherinhas (será que se transformarão em uma comidinha diferente?);
  • Carrinhos com bonequinhos (será que os bonecos vão se tornar passageiros? Quais narrativas vão surgir?);
  • Apresentar só os brinquedos grandões;
  • Apresentar só os brinquedos pequeninos;
  • Unir dois tipos de brinquedos de montar que podem se complementar;
  • Colocar os carrinhos e/ou bonequinhos próximos a um brinquedo de montar que propicie a construção de “túneis”, “garagens” etc..

2- Reunir alguns brinquedos com outros materiais:

  • Bonecos e retalhos de tecido de diferentes cores e texturas (será que vira roupa? Cobertor?);
  • Carrinhos com caixas e tiras de cartolina ou papelão (podem se transformar em túneis, garagens, pontes e ruas?);
  • Tratores, caminhões e trens com pedras de diferentes tamanhos;
  • Panelinhas com plantinhas, gravetos e sementes (vira comidinha?);
  • Brinquedos de montar e lãs e barbantes coloridos (vão tentar amarrar? Enrolar? O que vai dar?).

canto de carrinhos

É só colocar a criatividade em ação e fazer uma escuta atenta das brincadeiras que as próprias crianças estão criando, para pensar em possibilidades de ampliação.

Mas é importante não esquecer que, ao utilizar as brincadeiras somente como um meio didático, deixamos de lado as principais contribuições do brincar para o desenvolvimento infantil. Como lembra a professora Gisela Wajskop: “situações que evidenciam apenas objetivos instrucionais” não se constituem em brincadeira, “pois o tema, os papéis e as ações das crianças foram definidas a priori em função de objetivos prévios” do adulto.

Outro ponto fundamental para despertar o desejo de brincar diferente é organizar um espaço de brincadeira diferente. Em outras postagens já abordamos a importância do “espaço propositor” para inspirar as crianças e garantir experiências interessantes.

Canto 1

Quando brinca, a criança vai além da realidade: imagina, inventa, experimenta novas situações, testa modos de se relacionar e vivencia o mundo adulto que ainda não lhe pertence a não ser na brincadeira. Por isso ela aprende e cresce enquanto brinca. Por isso brincadeira também é coisa de escola!

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre a brincadeira para as crianças pequenas no livro: O Brincar – 0 aos 6 anos, da Gisela Wajskop. As citações desta postagem estão neste livro.

O livro do Tempo de Creche dedica muita atenção à questão da brincadeira na infância, apresentando fundamentação, tabelas com conteúdos organizadores e muitas sugestões de atividades. Adquira um exemplar acessando a loja da Editora Edelbra.

Leia mais sobre espaço propositor e brincadeira na Educação Infantil nas postagens:

 

 

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Hora do parque é hora de quê?

O que a hora do parque representa para as crianças?
E para os professores?

Vamos começar pelos pequenos

O parque é um dos diversos espaços da escola que devem ser ocupados pelas crianças. Mas o parque é especial… talvez mais importante do que a própria sala!

Na área externa, de preferência grande, ensolarada e “decorada” pela natureza, as crianças desfrutam um ambiente arejado; amplo o suficiente para experimentar os grandes gestos do corpo; pesquisam e coletam galhos, pedras, plantas, bichinhos e outros tesouros; se juntam aos colegas e também encontram cantinhos secretos; colocam em ação incríveis enredos de faz de conta… enfim, vivem a infância no melhor cenário!
a hora do parque 1

Se perguntássemos agora, qual cena da sua infância vem primeiro à mente, para grande parte dos leitores o espaço que abriga a lembrança é o externo. Somos marcados por quintais, jardins, parques, sítios, praias e matas. Nesse sentido, os educadores percebem a importância desses espaços para suas crianças, mas nem sempre priorizam e se preparam para dedicar diariamente longos períodos às áreas externas.

a hora do parque 4Por que isso ocorre?
Porque fomos formados em escolas de paredes! Apesar de perceber os ganhos para as crianças, nossa memória corporal nos projeta para as salas de aula e acabamos reproduzindo nossa história com as crianças.

Recebemos inúmeras mensagens de professores pedindo orientação à respeito de turminhas de 1, 2, 3, 4 ou 5 anos “muito agressivas”. Pergunto-me se estas crianças são alimentadas pela vitamina “sol-espaço-movimento”!

Até aqui pensamos sobre o valor destas áreas na rotina dos pequenos (e na nossa também!). Agora vamos pensar no professor

Pergunto: sair para o parque todos os dias e garantir a segurança dos pequenos é suficiente?
É importante mas não é suficiente.

a hora do parque 3O parque da escola faz parte de um espaço FORMAL de educação. Ele não é a pracinha perto de casa que a criança frequenta com a família!

A hora do parque é um território fundamental para o desenvolvimento de diversas habilidades e aprendizagens e, por isso, não há lugar para espontaneísmo pedagógico. É impensável ocupar esse tempo precioso das crianças batendo-papo com o colega e colocando o Facebook, o WhatsApp e os e-mails em dia.

A hora do parque na escola é educativa… necessita planejamento, observação, intervenção, registro e reflexão:

  • Do que as crianças estão brincando no momento do parque?
  • O que posso levar para que as brincadeiras se ampliem e se aprofundem? (materiais)
  • Como posso organizar o espaços do parque para provocar a curiosidade e as explorações? (espaço propositor)
  • O que posso fazer para instigar, levantar problemas e desafiar as crianças a pensarem nas resoluções? (intervenções)
  • Quem e o que devo observar no momento de parque? Quais questões são importantes para registrar? (pauta do olhar e registro)
  • Com base nas observações e registros, quais materiais e intervenções posso organizar para a próxima saída ao parque? Quando devo me afastar e observar (dar espaço) e quando devo intervir?

a hora do parque 2

Então, o professor deve estar sempre encabeçando as propostas do grupo, se colocando, intervindo, mediando etc. etc. etc.?

Os pequenos podem experimentar uma maior autonomia na hora do parque. O professor pode assumir uma postura acolhedora e menos diretiva, que favoreça a organização autônoma dos grupos em torno de interesses próprios. É só fazer uma escuta para os desejos e necessidades das crianças e balancear os usos desse espaço privilegiado… assim como estamos habituados a pensar no espaço da sala!

a hora do parque 5

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre esse tema nas postagens:

 

 

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Rotinas não tão rotineiras

Uma situação tão instituída e corriqueira como a hora da soneca pode ser diferente? A dormida da tarde e outros momentos da rotina podem ganhar outros contornos?
Podem sim!

organização do espaço propositorNo CEI Nossa Turma, SP, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) organizaram uma proposta que envolvia tecidos coloridos de variados tipos. A expectativa era que os pequenos experimentassem modos de se vestir e usar os tecidos. Para garantir as criações, providenciaram fitas de elástico, para amarrar e manter os modelitos no corpo, e cabides para compor um espaço propositor.

Será que as crianças pensariam em se vestir com os tecidos?
Quais experimentações poderiam surgir?

Sala arrumada, instrumentos de registro e câmeras em mãos, era hora de chamar a turma que estava com a Cida no parque.

As crianças foram entrando e se maravilhando com o espaço transformado. Puxaram alguns dos tecidos pendurados e descobriram caixas com mais variedades. Como os tamanhos favoreciam o manuseio (1,0 x 0,70m e 1,0 x 1,40m), as crianças experimentaram usar o material como capa, colocar na cabeça como turbante e… aos poucos, saias, vestidos e pareôs foram surgindo a pedido dos pequenos e ajeitados com ajuda das professoras.

pesquisa das crianças

intervenção do professor
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Projetos: um quadro organizador para planejar e construir

Observar, escutar e acolher os interesses das crianças são os passos iniciais para construir projetos. Parece um processo corriqueiro e fácil. Mas está longe disso! Professores precisam ativar antenas de percepção e sensibilidade para intuir, refletir, criar e planejar práticas que provoquem as crianças, promovam brincadeiras e as despertem para questionamentos. Essa é a matéria prima para identificar temas e construir projetos com elas.

Como fazer isso acontecer?
Uma prática realizada no CEI Nossa Turma, SP pode ajudar a pensar.

As cores estão chamando a atenção de um grupo de crianças de 2 anos e de suas professoras também. A turma quer conhecer, aprender os nomes e pesquisa-las nos objetos do cotidiano, nos desenhos que fazem diariamente e nas pinturas.

Acolhendo e encaminhando esse interesse, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) têm planejado e desenvolvido diversas propostas envolvendo o tema. Cida utilizou um jogo de dominó comum para desafiar os pequenos a encontrar pecinhas com bolinhas amarelas, verdes, azuis etc. Os coloridos objetos do dia a dia também são estímulos para que as professoras brinquem com os pequenos fazendo perguntas sobre as cores.

atividade com pincel de espuma e pregadorRecentemente um pedaço de espuma de estofado caiu nas mãos da Sandra e inspirou uma interessante proposta de arte. Ela cortou o material em pequenos cubos, arranjou pregadores de roupas e criou pinceis originais.

Forrando com papel kraft uma grande mesa que fica na quadra, as professoras organizaram um espaço confortável e convidativo para a pintura. Continue lendo..

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O dia a dia da creche e a Rotina: o que pensar e por onde começar?

Uma professora nos escreve para auxiliá-la na orientação da rotina, pois trabalha com crianças de 3 a 4 anos e fica em dúvida de como e que conteúdos, eixos contemplar na mesma.
Quando o tema é Rotina, o que estamos pensando? Como a definimos?

Rotina

Existe um modelo pronto aplicável a todas as creches e escolas de Educação Infantil?

Não!

Se definirmos rotina como a organização do desenvolvimento que abrange o trabalho diário de professores e crianças, estamos falando em como levar em conta as concepções pedagógicas, a percepção de tempos, espaços e sua relação com as organizações da ação do professor e das crianças. Continue lendo..

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Experiências num Tanque de Lama

Ontem choveu e o jardim virou uma lama só. É tempo de repensar a proposta? Não! É tempo de aprender sobre a natureza e tudo o que ela traz. Então… para hoje a proposta é brincar no tanque de lama!

tanque de lamaO barro, ou a terra argilosa e molhada, é um dos quatro elementos naturais desafiadores e magnéticos para as crianças. A cor, a temperatura e a textura combina com a natureza orgânica das crianças. Por isso, a Escola do Bairro, da educadora Gisela Wajskop, localizada num histórico e tradicional bairro da cidade de São Paulo, reservou um espaço do seu jardim – de brincadeiras e pesquisas – para um tanque de lama. Isso mesmo! Além do clássico e sempre pertinente tanque de areia, a escola oferece uma área com terra argilosa para que, quando molhada, as crianças possam explorar. As experiências são tão intensas que às vezes não se espera a chuva e a terra é molhada com a mangueira. Continue lendo..

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Uma preciosa lista de livros infantis

A equipe do Tempo de Creche foi conversar com a psicóloga Ângela Aranha, idealizadora e fundadora da Casa de Livros, uma tradicional casinha de tijolos, especializada em literatura infanto-juvenil de São Paulo. A missão: descobrir dicas certeiras de bons livros para crianças pequenas. Para Ângela, um dos sabores da vida é ver as descobertas das crianças no contato com a literatura e suas inúmeras linguagens. Em cada idade a criança está em um momento diferente, por isso é importante entendermos o que ela está explorando e descobrindo para oferecermos o livro mais próximo de seus interesses.

Bebês

Os bebês exploraram o que enxergam. Que tal oferecer livros com imagens grandes para ir nomeando os elementos junto com eles? A coleção Meu primeiro livrinho toque e brinque, da editora Usborne, composta por três livros, é muito adequada. A editora Yoyo tem em seu acervo o livro Contrários, da Coleção Ver e Aprender, também excelente para o pequeninos.

 

Crianças de dois a três anos

Para as crianças na faixa de dois a três anos, as imagens ainda são o ponto fundamental, mas já é possível oferecer livros com pequenas histórias.

A Cia das Letrinhas publicou o livro Bem lá no alto, da Suzanne StraberTodos os bichinhos estão loucos por uma torta que está bem lá no alto, mas os bichos estão lá embaixo! O que fazer? Será que podemos contar com a ajuda de amigos? O livro apresenta lindas imagens. Continue lendo..

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Anamnese Cultural das famílias: identidade e afeto

Eu vejo o mundo pelos olhos da minha aldeia.

A frase do escritor russo Leon Tolstoi (1828-1910) provoca uma importante reflexão sobre a construção da identidade das crianças pequenas. O mundo começa a partir do lugar em que vivo. Como trabalhar com contextos significativos que contribuam com a construção da identidade? Como identificar o universo cultural de cada pequeno e compor um repertório para o grupo? Famílias e escolas podem ser parceiras nas experiências culturais dos pequenos?

Muitas escolas se relacionam com as famílias e com a comunidade a partir de demandas administrativas ou de comemorações festivas. A escola nem sempre se integra ou participa da vida da comunidade. Mantém-se à parte, quase que encapsulando suas crianças. Escola não é uma bolha.

passeio-no-bairroPara Dahberg, Moss e Pence, a escola resguarda um espaço para a criança viver a infância. Porém, esquecemos que a própria escola é parte do bairro e da comunidade. Assim, é a própria comunidade que disponibiliza às crianças a oportunidade de brincar e se desenvolver na instituição. Nesse sentido, a infância na escola só pode ser vivida plenamente se estiver inserida na cultura dessa comunidade.

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Atividades para bebês: Caixas Temáticas

Oferecemos uma grande quantidade de informações sobre Neurociência e desenvolvimento de bebês de 2 a 6 meses na postagem Neurociência, aprendizagem e desenvolvimento infantil – 2 a 6 meses . Abordamos:

  • como os bebês conhecem e aprendem sobre o mundo,
  • como interagem e se expressam e
  • como se relacionar com eles para conhecê-los e trabalhar no seu desenvolvimento
    E agora? O que fazer com essas ideias?

O desafio do educador é estar preparado para ir ao encontro dos interesses do bebê na sua singularidade. Nesse sentido, precisamos perceber os pequenos, registrar seus percursos e arranjar tempo para fazer tudo isso com qualidade na correria da rotina

Desse modo, os conteúdos da Neurociência servem como referência para conhecer os bebês do grupo e como orientação para a escolha, organização dos espaços, materiais e elaboração de propostas adequadas.

atividades sensoriais para bebês

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