Categoria: Tempo, Espaço e Materiais

Sala de aula: espaço ou ambiente?

Qual sala é importante para as crianças? Em que sala queremos trabalhar? Vai chegando o novo ano e os professores voltam suas atenções e ansiedades à organização da sala: quais materiais do ano que termina devem permanecer? Quais estratégias utilizadas na arrumação do ambiente promoveram boas interações entre as crianças? Qual será o meu novo espaço de trabalho? Em qual ambiente vou receber a nova turma e espalhar uma atmosfera afetuosa?

Espaço é a dimensão física, uma extensão com ou sem limite. Já o ambiente é muito mais, porque ele abrange tudo o que está dentro do espaço e provoca sensações.

O professor tem razão em depositar ansiedades e sonhos na expectativa da sala do próximo ano. A sala é uma referência fundamental para crianças e professores, influencia o estado de espírito e a aprendizagem.
Então que tal aquecer as reflexões sobre este ambiente pedagógico?
Vamos lá…

1- A sala como espaço formal de educação

A sala na escola não é um espaço de recreação. É parte imprescindível de um contexto de aprendizagem e tem que servir a este propósito. A arquitetura, as cores, a mobília e os materiais que compõem os recursos educativos estão distantes da ideia de “bufê infantil”.

A sala da educação infantil deve:

  • ser espaçosa para favorecer os movimentos das crianças (os mais delicados e também os amplos);
  • permitir as inúmeras brincadeiras que já conhecemos e aquelas outras centenas que ainda vamos descobrir;
  • provocar a imaginação e as interações;
  • permitir que as crianças, suas invenções e produções sejam os astros principais da rotina escolar. A criança é o centro e a sala precisa incentivar e acolher suas marcas.
  • ter uma organização explícita e fácil de entender para que as crianças aprendam sobre os espaços, suas possibilidades e as escolhas que podem fazer.

 

2- A Sala: um espaço para chamar de nosso

Típico das salas da educação infantil, os tapetes plásticos coloridos, vendidos por diversos fabricantes, são cobiçados por muitos educadores. Eu digo: fuja deste produto!!! Que me desculpem os fabricantes!

Se a criança é o centro da educação, porque não deixamos que suas marcas vão aos poucos caracterizando o espaço, dando-lhe história e pertencimento? Precisamos romper com esse ideal preconcebido de excesso de cores e formas! Faça um exercício: pense na sua casa. Imagine você voltando para o aconchego do lar e tendo que conviver com uma poluição visual, multicolorida e cansativa TODOS OS DIAS!

Não sei como e onde surgiu essa crença de que o melhor para o ambiente das escolas de infância é investir em uma decoração com exagero de cores e materiais plásticos. Não dá para esquecer que estes locais são frequentados por crianças e educadores por períodos de até 8 horas por dia, 5 dias por semana, 200 dias por ano. Em geral, é mais tempo do que passamos na nossa própria casa!

Infelizmente grande parte das escolas ainda não conta com recursos para construir seus ambientes com materiais naturais (madeiras, tecidos, pedras, entre outros) como ocorre em diversos países do mundo, mas podemos tentar evitar ou minimizar o que é artificial no mobiliário e na coloração dos ambientes.  Os tapetes plásticos e os móveis de fórmica podem ser soluções práticas porque são mais facilmente higienizados, mas podem ser encomendados com cores e estampas neutras. Já a pintura das paredes… não tem desculpa para os exageros! O que é mais significativo para os pequenos, aquelas cores e desenhos extravagantes que cansam a visão e, ao longo do ano nem são mais notados, ou a neutralidade de paredes que são ocupadas com as produções dos pequenos e documentações pedagógicas significativas e enriquecedoras?

Um ambiente acessível gera sentimento de pertencimento nas crianças. Elas precisam saber o que existe por trás de cada porta, gaveta e prateleira, o que está disponível para ser acessado com autonomia e o local onde cada material deve ser buscado e guardado. Uma boa dica para trabalhar a arrumação é fotografar os ambientes organizados da sala e colar na parede para que, aos poucos, se tornem referência de organização.

3- Paredes: qualidade X estética padronizada

No mesmo sentido do colorido das paredes e da mobília, quero provocar uma reflexão sobre a “decoração” das salas.

Creches

A BNCC já orientou as escolas a respeito dos campos de experiências referentes ao letramento e à matemática: crianças pequenas experimentam a linguagem textual e os algarismos nos contextos do dia a dia! Assim, não há necessidade de encher paredes com o abecedário e os algarismos coloridos e, às vezes, decorados (que na verdade confundem os pequenos!).

Então, o que deve ocupar as paredes da sala? Respondo: o que partir da escuta das crianças!

  • Imagens interessantes com conteúdos relacionados aos projetos e pesquisas das crianças.
  • Reproduções de boas obras de arte (vamos buscar alternativas para o Romero Britto e o Ivan Cruz? Temos um vasto acervo de excelentes artistas plásticos no Brasil!),.
  • Fotografias disparadoras de apreciação e conversas.
  • Fotos das crianças em situações de aprendizagem.
  • Fotos das famílias.
  • Fotos dos momentos da rotina.
  • Cartazes e cartões com o nome dos objetos, das crianças, dos cantos, avisos, combinados, momentos da rotina e tudo o mais que traga a linguagem escrita para o contexto da turma.
  • … enfim,recursos pedagogicamente pensados e muuuito distantes do que é padronizado e estereotipado (como as casinhas, castelinhos, bichinhos e personagens confeccionados de EVA).

Pré-escola

Apesar das habilidades estarem mais desenvolvidas nestes campos, o letramento e a matemática ainda têm como norte a contextualização para a construção de significados. As crianças se interessam por letras? Construa um abecedário com elas! Pesquise manchetes de jornais e revistas para contextualizar, construa cartazes… são inúmeras as possibilidades para desenvolver a linguagem escrita e, no mesmo sentido, a matemática.

Exposição das produções

As produções das crianças merecem uma conversa à parte. Muitos educadores acreditam que aquele varal com saquinhos e pastas é suficiente para expor o que os pequenos fazem. Não é verdade! Esta forma de organização não destaca o que foi produzido pela turma. Quando visitamos exposições que apresentaram as obras desse jeito? É preciso um olhar de curador* para organizar bons espaços de exposição:

  • analisar as produções com cuidado,
  • pensar se será necessário coloca-las sobre um suporte para valorizar o que foi feito (uma grande folha de papel kraft, molduras de cartolina, móbiles, cubos etc.),
  • agrupar as produções de modo estético e propositivo.

Enfim, é importante pensar sobre os registros da atividade, as produções e o local de exposição para construir uma documentação pedagógica que deixe visível o processo de elaboração das crianças, as pesquisas, as descobertas e as aprendizagens. No nosso livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertasdedicamos uma boa conversa sobre essa questão!

Outro ponto importante, que não pode ser esquecido, é a altura em que os trabalhos são afixados na parede. Certamente diferentes públicos podem se beneficiar com a exposição da produção das crianças: famílias, gestores, colegas da equipe pedagógica e crianças. Mas para que os pequenos apreciem a documentação, é preciso que ela esteja visível e acessível para eles. Isso significa colocar desenhos, pinturas, modelagens, fotografias e outros registros na altura das crianças.

4- Salas aconchegantes, com jeito de casa

Em vários países, as salas das escolas de educação infantil têm uma atmosfera caseira, diferente das salas vazias e daquelas entulhadas com mesinhas, cadeiras e até carteiras escolares. A ideia é construir ambientes aconchegantes, fundamentais nessa faixa etária, e favorecer a possibilidade das crianças ocuparem e explorarem cantos diferenciados:

  • Faz de conta – estante (na altura das crianças) com alguns brinquedos (jogos de montar, bonecas, carrinhos, entre outros), mini cozinha.

  • ambiente com mesinha e cadeiras para as crianças que preferirem utiliza-las nos momentos de brincadeira e rotina.
  • sofá, almofadas e material para leitura com variedade de suportes (livros, revistas, jornais, catálogos) para ler, descansar, conversar.
  • Espaço com tapete e almofadas para reunir a turma sentada em roda.

  • Canto permanente de desenho.

  • Espaço para alojar os pertences: escaninhos, ganchos e até mesmo um pedaço do chão que pode ser delimitado com fita crepe.
  • Os cantos não devem permanecer os mesmos ao longo do período letivo. Quando as crianças não brincarem mais, ou o professor notar que a micro ambientação (cada canto é um micro ambiente) não oferecer mais desafios, é hora de mudar ou transformar.

Sabemos que nem todas as salas podem ser espaçosas o suficiente para abrigar uma variedade de cantos. Mas é possível começar a pensar em organizar novos ambientes:

  • Dois almofadões, um caixote com livros e revistas e até um tecido pendurado como uma tenda pode compor o canto de descanso e leitura.
  • Uma ou duas folhas de cartolina e um baldinho com lápis de cor e/ou giz de cera já fazem as vezes de um canto de desenho. Uma das creches em que fazemos formação improvisou um suporte para rolo de papel kraft que as crianças puxam para desenhar.
  • Sofás, mesas, banquinhos e mini cozinhas feitos com garrafas pet, caixas de leite, pneus, caixas de papelão e palets (existem milhares de modelos na internet!) são apreciados pelos pequenos e muito acessíveis.

Em geral nos acostumamos aos ambiente e deixamos de vê-los com olhar renovado. Uma boa dica para refletir sobre a sala é fotografa-la para vê-la com certo distanciamento e poder repensar, adequar e criar novas possibilidades.

É importante lembrar que num primeiro momento as crianças vão experimentar tudo com intensidade: os livros, os lápis, os papeis, os brinquedos disponibilizados, a mini cozinha, a mobília, o espaço livre e até os trabalhos, cartazes e imagens expostas na sala. É possível que rasguem e quebrem, mas é tudo parte do processo de explorar, conhecer e aprender a fazer o melhor uso. Permita esse tempo e até o “gasto” de material para que as crianças aprendam como usar e cuidar da sala que, aos poucos passará a ser deles de fato!

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

PARA SABER MAIS…

*Curador é a pessoa responsável pela concepção das obras de arte, montagem e supervisão de uma exposição.

Leia mais sobre cantos de atividades e exposição das produções das crianças nas postagens:
Cantos de atividades para revelar projetos 
Um cardápio variado de cantos de atividades
Uma documentação pedagógica para provocar 

 

 

Postado em Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , | Clique para deixar um comentário!

Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças?

São inúmeras as possibilidades expressivas oportunizadas para os pequenos no dia a dia da educação infantil, e as diferentes técnicas e linguagens artísticas não precisam ter limites entre uma e outra. Para a pesquisadora Rhoda Kellogg, a linha, por exemplo, está presente tanto no desenho das crianças quanto na modelagem. Nesse contexto, o repertório de atividades expressivas oferecidas nas escolas me inquieta: por que ficamos presos às propostas bidimensionais, como desenho e pintura? Trabalhamos suficientemente as representações tridimensionais com nossos pequenos? É importante que a criança modele? Quais benefícios a experiência com a modelagem provoca nos pequenos? Qual o lugar da modelagem na Educação Infantil?

Segundo estudos promovidos pela UNESCO, as habilidades espaciais estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento das habilidades de matemática e de ciências. Apoiada sobre estes resultados, a UNESCO afirma que o desenvolvimento da espacialidade na primeira infância é determinante para que a criança realize operações numéricas por volta dos 8 anos.

Ao desenho e à pintura, atividades frequentes da educação infantil,  associamos a ideia de instrumentos: riscadores e suportes. O ato de desenhar nos remete à memória sensorial do som do rabisco, à força empregada na mão, ao controle dos gestos, à visão das marcas: linhas e cores que surgem no plano “achatado” (bidimensional) dos suportes.

Já a modelagem é uma atividade que provoca e mobiliza o pensamento espacial.
Quando pensamos em modelar, pensamos em massas: massinha de modelar, massas caseiras, argila e até a terra e a areia molhadinha. Mas, diferentemente das lembranças do desenho, a modelagem provavelmente não nos deixou muitas memórias de infância. Talvez ainda lembremos das duras e coloridas massinhas de modelar da escola e aquele cheiro marcante que ficava na mão por dias!

A artista plástica Geórgia Kyriakakis diz que seus desenhos passam do plano virtual e bidimensional do papel dos projetos, para a realidade muldimensional do espaço, quando transforma a natureza dos objetos projetados em obras reais. Exemplificando o pensamento da artista, quando desenhamos uma bola no papel, a nossa relação com essa bola é virtual, porque ela parece ser um objeto só na nossa cabeça. Na verdade, o rabisco que representa a bola só tem duas dimensões, a altura e o comprimento das linhas desenhadas no papel. Contudo, ao modelar uma bolinha de massa, nossa ideia ganha realidade! Como a Geórgia ressalta, cria-se um “espaço intermediário” entre o que “parece ser”, dos desenhos, e o que é “de verdade”, produzido na modelagem.

Imagine o que se passa na cabeça dos pequenos ao lidar com essa possibilidade intermediária entre imaginação e realização. Modelar provoca componentes cognitivos, sensitivos e expressivos diferentes dos mobilizados pelo desenho.

Sabemos que as crianças precisam desenhar todos os dias (defendemos isso no Tempo de Creche) porque o desenho favorece muitas aprendizagens, e temos uma dúzia de postagens sobre essa questão. Mas modelar materiais como o barro e a argila, conduz os pequenos por outros caminhos tão interessantes, complexos e sensíveis que não podem ser esquecidos ou simplificados pelo uso das massinhas plásticas e das massas caseiras, que não favorecem grandes construções e não sustentam formas tridimensionais robustas e definidas. As arte-educadoras Denise Lemos e Maristani Zamperetti afirmam que, “diferente do desenho e da pintura, a modelagem nos proporciona a visão de todos os ângulos e lados da estrutura e ainda podemos perceber a sua textura”. Kellog, por sua vez, destaca que a arte desempenha um papel importante no desenvolvimento mental das crianças e, nesse sentido, as experiências artísticas vivenciadas com a modelagem fazem parte do conteúdo artístico que deve ser trabalhado com os pequenos.

O ato de modelar o barro existe desde os primórdios da humanidade. Civilizações muito antigas moldavam o barro e o transformavam em peças utilitárias, decorativas e rituais. Assim, a modelagem pode ser definida como o ato de moldar, ajustar a forma manualmente de materiais como o barro e a argila, e transforma-los em objetos tridimensionais. Até hoje essa prática ainda é bastante artesanal.

No estudo interessante e esclarecedor, Lemos e Zamperetti concluem que amassar e dar forma à terra são gestos primitivos que influem consideravelmente na coordenação de todos os movimentos. Quando trabalhamos o barro, criamos pequenos projetos que buscamos realizar. Nesse percurso, ocorrem desequilíbrios (a argila não para em pé, se quebra etc) que demandam ações de reorganização da massa, o que mobiliza nossa persistência em busca de soluções,  a confiança e o domínio corporal para concluir o projeto.  Sendo uma forma de expressão simbólica e lúdica , o ato de manipular o barro torna-se além de educativo, uma forma prazerosa de expressão, e a tridimensionalidade passa a representar um novo conhecimento adquirido pela criança.

Então, estamos falando aqui dos desafios da tridimensionalidade. Do domínio do material, do controle da força do corpo e das mãos, da coordenação motora fina, da visão do objeto a partir de diversos ângulos e da resolução de problemas complexos de engenharia e arquitetura. Falamos de perseverança, de não desistir na primeira dificuldade, de tentar, tentar de novo e aprender.

O que isso quer dizer?

Isso significa que , por exemplo, ao fazer um carrinho de argila, a criança precisa mobilizar o corpo e a cabeça, combinando o conhecimento do material com o planejamento de processos, a criação de estratégias, a sensibilidade estética e, como no desenho, as narrativas sobre o que está sendo produzido. Além de todos estes benefícios, a argila é robusta e aceita o trabalho conjunto de várias mãos. Conforme a criança se desenvolve, a cooperação em torno das brincadeiras com o barro é facilmente observável quando oportunizamos estas experiências.

A arte-educadora e professora Rosa Iavelberg acredita que a argila traz satisfação e tranquilidade para as crianças, porque a plasticidade do material permite que a obra seja destruída e reconstruída com facilidade. Por outro lado, apesar de ser um dos materiais plásticos preferidos das crianças, ele é também o menos utilizado nas escolas de educação infantil.

Assim como as crianças precisam aprender com a argila, os professores também necessitam colocar a mão na massa e se informar sobre o material para criar oportunidades de aprendizagem para os pequenos. Convidamos a arte-educadora, atelierista e professora de artes para crianças, Beatriz Nogueira, para compartilhar suas experiências da prática da modelagem com crianças pequenas. Não perca essa postagem!

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

PARA SABER MAIS…

UNESCO – OVERVIEW Measuring Early Learning Quality and Outcomes.

ARTIGO – Denise Castanha de Avila de Lemos e Maristani Polidori Zamperetti – Modelagem com argila para crianças: um estudo de caso

Geórgia Kyriakakis – artista, Mestre e Doutora em Artes. A artista inicia sua trajetória artística, no final da década de 80, com o desenho e a partir dele passa também a desenvolver esculturas, instalações, objetos, vídeos e fotografias. Sua produção é marcada pelo uso de diversos meios e pela experimentação dos limites de resistência, fragilidade, instabilidade e permanência das coisas.

Leia mais sobre desenho e modelagem nas postagens
Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!
Desenho: espelho do desenvolvimento infantil
Modelagem e desenho: conversas entre a bi e a tridimensionalidade 
O que o desenho nos conta
O registro das crianças pequenas é o desenho 
Palavra de… Edith Derdyk: o desenho do gesto e dos traços sensível

 

 

Postado em Desenvolvimento Infantil, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , , | Clique para deixar um comentário!

Repensando o velho caixote de brinquedos…

Crianças aprendem brincando, mas não nascem fazendo isso sozinhas.
É pelas primeiras brincadeiras com a mãe que os bebês aprendem uma linguagem que dominarão com maestria: o brincar.
Aí você olha para a prateleira da sala, avista o caixote de brinquedos… e pensa: minhas crianças brincam todos os dias!
Será? Quais brincadeiras o caixote de brinquedos pode proporcionar? Vamos refletir sobre isto!

O lúdico é um estado de graça para a criança. Nós, adultos, perdemos a conexão com a brincadeira porque a sociedade dos “crescidos” rotulou o brincar como perda de tempo para quem tem responsabilidades e atribuições!

Mas hoje a brincadeira das crianças é garantida por lei, ao menos na primeira infância.
Por que será?

Por que as crianças ficam felizes quando brincam?
Por que gostam?
Por que inventam?
Por que descobrem?
Por que aprendem?

Sim!

canto de atividadesPor tudo isso. E porque o lúdico é uma linguagem que permite interagir com os adultos, as outras crianças, a cultura, a natureza, os espaços e os materiais. É por meio do diálogo brincante com o mundo que a criança vive experiências intensas e pode ser transformada por elas.

Continue lendo..

Postado em Brincar e Aprender, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , , , , , | 1 Comentário

Hora do parque é hora de quê?

O que a hora do parque representa para as crianças?
E para os professores?

Vamos começar pelos pequenos

O parque é um dos diversos espaços da escola que devem ser ocupados pelas crianças. Mas o parque é especial… talvez mais importante do que a própria sala!

Na área externa, de preferência grande, ensolarada e “decorada” pela natureza, as crianças desfrutam um ambiente arejado; amplo o suficiente para experimentar os grandes gestos do corpo; pesquisam e coletam galhos, pedras, plantas, bichinhos e outros tesouros; se juntam aos colegas e também encontram cantinhos secretos; colocam em ação incríveis enredos de faz de conta… enfim, vivem a infância no melhor cenário!
a hora do parque 1

Continue lendo..

Postado em Planejamentos e Atividades, Postura do Professor, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , | 1 Comentário

Rotinas não tão rotineiras

Uma situação tão instituída e corriqueira como a hora da soneca pode ser diferente? A dormida da tarde e outros momentos da rotina podem ganhar outros contornos?
Podem sim!

organização do espaço propositorNo CEI Nossa Turma, SP, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) organizaram uma proposta que envolvia tecidos coloridos de variados tipos. A expectativa era que os pequenos experimentassem modos de se vestir e usar os tecidos. Para garantir as criações, providenciaram fitas de elástico, para amarrar e manter os modelitos no corpo, e cabides para compor um espaço propositor.

Será que as crianças pensariam em se vestir com os tecidos?
Quais experimentações poderiam surgir?

Sala arrumada, instrumentos de registro e câmeras em mãos, era hora de chamar a turma que estava com a Cida no parque.

As crianças foram entrando e se maravilhando com o espaço transformado. Puxaram alguns dos tecidos pendurados e descobriram caixas com mais variedades. Como os tamanhos favoreciam o manuseio (1,0 x 0,70m e 1,0 x 1,40m), as crianças experimentaram usar o material como capa, colocar na cabeça como turbante e… aos poucos, saias, vestidos e pareôs foram surgindo a pedido dos pequenos e ajeitados com ajuda das professoras.

pesquisa das crianças

intervenção do professor
Continue lendo..

Postado em Coordenação e Gestão, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , | Clique para deixar um comentário!

Projetos: um quadro organizador para planejar e construir

Observar, escutar e acolher os interesses das crianças são os passos iniciais para construir projetos. Parece um processo corriqueiro e fácil. Mas está longe disso! Professores precisam ativar antenas de percepção e sensibilidade para intuir, refletir, criar e planejar práticas que provoquem as crianças, promovam brincadeiras e as despertem para questionamentos. Essa é a matéria prima para identificar temas e construir projetos com elas.

Como fazer isso acontecer?
Uma prática realizada no CEI Nossa Turma, SP pode ajudar a pensar.

As cores estão chamando a atenção de um grupo de crianças de 2 anos e de suas professoras também. A turma quer conhecer, aprender os nomes e pesquisa-las nos objetos do cotidiano, nos desenhos que fazem diariamente e nas pinturas.

Acolhendo e encaminhando esse interesse, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) têm planejado e desenvolvido diversas propostas envolvendo o tema. Cida utilizou um jogo de dominó comum para desafiar os pequenos a encontrar pecinhas com bolinhas amarelas, verdes, azuis etc. Os coloridos objetos do dia a dia também são estímulos para que as professoras brinquem com os pequenos fazendo perguntas sobre as cores.

atividade com pincel de espuma e pregadorRecentemente um pedaço de espuma de estofado caiu nas mãos da Sandra e inspirou uma interessante proposta de arte. Ela cortou o material em pequenos cubos, arranjou pregadores de roupas e criou pinceis originais.

Forrando com papel kraft uma grande mesa que fica na quadra, as professoras organizaram um espaço confortável e convidativo para a pintura. Continue lendo..

Postado em Planejamentos e Atividades, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , , | Clique para deixar um comentário!

O dia a dia da creche e a Rotina: o que pensar e por onde começar?

Uma professora nos escreve para auxiliá-la na orientação da rotina, pois trabalha com crianças de 3 a 4 anos e fica em dúvida de como e que conteúdos, eixos contemplar na mesma.
Quando o tema é Rotina, o que estamos pensando? Como a definimos?

Rotina

Existe um modelo pronto aplicável a todas as creches e escolas de Educação Infantil?

Não!

Se definirmos rotina como a organização do desenvolvimento que abrange o trabalho diário de professores e crianças, estamos falando em como levar em conta as concepções pedagógicas, a percepção de tempos, espaços e sua relação com as organizações da ação do professor e das crianças. Continue lendo..

Postado em Planejamentos e Atividades, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , , | 4 Comentários

Experiências num Tanque de Lama

Ontem choveu e o jardim virou uma lama só. É tempo de repensar a proposta? Não! É tempo de aprender sobre a natureza e tudo o que ela traz. Então… para hoje a proposta é brincar no tanque de lama!

tanque de lamaO barro, ou a terra argilosa e molhada, é um dos quatro elementos naturais desafiadores e magnéticos para as crianças. A cor, a temperatura e a textura combina com a natureza orgânica das crianças. Por isso, a Escola do Bairro, da educadora Gisela Wajskop, localizada num histórico e tradicional bairro da cidade de São Paulo, reservou um espaço do seu jardim – de brincadeiras e pesquisas – para um tanque de lama. Isso mesmo! Além do clássico e sempre pertinente tanque de areia, a escola oferece uma área com terra argilosa para que, quando molhada, as crianças possam explorar. As experiências são tão intensas que às vezes não se espera a chuva e a terra é molhada com a mangueira. Continue lendo..

Postado em Criança e Natureza, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , | Clique para deixar um comentário!

Uma preciosa lista de livros infantis

A equipe do Tempo de Creche foi conversar com a psicóloga Ângela Aranha, idealizadora e fundadora da Casa de Livros, uma tradicional casinha de tijolos, especializada em literatura infanto-juvenil de São Paulo. A missão: descobrir dicas certeiras de bons livros para crianças pequenas. Para Ângela, um dos sabores da vida é ver as descobertas das crianças no contato com a literatura e suas inúmeras linguagens. Em cada idade a criança está em um momento diferente, por isso é importante entendermos o que ela está explorando e descobrindo para oferecermos o livro mais próximo de seus interesses.

Bebês

Os bebês exploraram o que enxergam. Que tal oferecer livros com imagens grandes para ir nomeando os elementos junto com eles? A coleção Meu primeiro livrinho toque e brinque, da editora Usborne, composta por três livros, é muito adequada. A editora Yoyo tem em seu acervo o livro Contrários, da Coleção Ver e Aprender, também excelente para o pequeninos.

 

Crianças de dois a três anos

Para as crianças na faixa de dois a três anos, as imagens ainda são o ponto fundamental, mas já é possível oferecer livros com pequenas histórias.

A Cia das Letrinhas publicou o livro Bem lá no alto, da Suzanne StraberTodos os bichinhos estão loucos por uma torta que está bem lá no alto, mas os bichos estão lá embaixo! O que fazer? Será que podemos contar com a ajuda de amigos? O livro apresenta lindas imagens. Continue lendo..

Postado em Ampliação Cultural, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , | 4 Comentários

Anamnese Cultural das famílias: identidade e afeto

Eu vejo o mundo pelos olhos da minha aldeia.

A frase do escritor russo Leon Tolstoi (1828-1910) provoca uma importante reflexão sobre a construção da identidade das crianças pequenas. O mundo começa a partir do lugar em que vivo. Como trabalhar com contextos significativos que contribuam com a construção da identidade? Como identificar o universo cultural de cada pequeno e compor um repertório para o grupo? Famílias e escolas podem ser parceiras nas experiências culturais dos pequenos?

Muitas escolas se relacionam com as famílias e com a comunidade a partir de demandas administrativas ou de comemorações festivas. A escola nem sempre se integra ou participa da vida da comunidade. Mantém-se à parte, quase que encapsulando suas crianças. Escola não é uma bolha.

passeio-no-bairroPara Dahberg, Moss e Pence, a escola resguarda um espaço para a criança viver a infância. Porém, esquecemos que a própria escola é parte do bairro e da comunidade. Assim, é a própria comunidade que disponibiliza às crianças a oportunidade de brincar e se desenvolver na instituição. Nesse sentido, a infância na escola só pode ser vivida plenamente se estiver inserida na cultura dessa comunidade.

Continue lendo..

Postado em Coordenação e Gestão, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , , , , | 4 Comentários