Base Nacional Comum Curricular: uma referência prática? Você decide!

BNCVocê conhece e utiliza os documentos referenciais e orientações curriculares na sua prática? Já ouviu falar da Base Nacional Comum Curricular?

O PNE – Plano Nacional de Educação prevê a elaboração de (mais!) um documento orientador para as práticas da escola: a Base Nacional Comum Curricular, em processo de tramitação no congresso.

Nesse documento, profissionais especialistas e interferências da sociedade pretendem construir coletivamente os “direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos”.

O material foi elaborado com uma dinâmica fácil de ser percebida: 6 direitos de aprendizagem na Educação Infantil são reconhecidos como objetivos de aprendizagem a serem implementados em 5 campos de experiência. Nessa abordagem o professor tem 30 dimensões a serem trabalhadas com as crianças de 0 a 6 anos. Veja a tabela abaixo.

planilha BNC 1
BNC2
BNC3
BNC4

Ficou interessante  e até simples de se entender o documento. Mas sobram questionamentos: o educador tem referências para comparações e relações entre as orientações do documento e sua prática? Quais são as pistas para traduzir as orientações para a realidade de cada instituição? Como trabalhar a partir da singularidade e do protagonismo da criança pequena dentro dos objetivos de aprendizagem e campos de experiências?

Fica a sensação de mais um documento bem redigido e inteligente mas que não dialoga com as demandas e necessidades dos educadores. Traz muitas referências sobre o aprender, mas nada sobre o ensinar!

Para Madalena Freire, aprendemos a partir de modelos ou parâmetros que possibilitam a identificação com os conteúdos.  O aluno e, nesse momento, nós, educadores, precisamos nos apropriar de um modelo como base para recriar a ação e desenvolvê-la com crianças únicas e culturas singulares. Assim, um documento que não traz estes parâmetros pode acabar não sensibilizando.

BNC 1

Para estudarmos as bases e princípios que norteiam a filosofia de Reggio Emilia, Emmi Pikler, da Therezita Pagani, da Te-Arte, da Maria Amelia Pinho Pereira (Peo), da Casa Redonda, entre outros, somos inundados por exemplos práticos que não pretendem se traduzir em fórmulas prontas, mas, ao contrário, na visão de possibilidades de um fazer para inspirar atuações fundamentadas e personalizadas a partir de contextos específicos.

Tudo isso para dizer: o que é importante ensinar? Como fazer essa aprendizagem acontecer aqui, na minha escola, e com as minhas crianças?

Então, as orientações e diretrizes disponíveis são suficientes?

Como professores que refletem a prática, somos fazedores de história na atuação com as crianças. É o processo reflexivo que possibilita a compreensão da diferença entre construir conhecimento ou simplesmente reproduzi-lo – repetir história e construir história (Madalena Freire). Mas precisamos de concretude! Então, quês? e comos? necessitam vir à tona, deixando de ser interpretados como caminhos obrigatórios e assumindo a posição de história para fundamentar.

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Ao longo das próximas semanas proporemos perguntas com respostas objetivas para levantarmos a posição da comunidade de leitores do Blog Tempo de Creche em relação ao documento. Fique atento à aba lateral, na direita da página.
Esse levantamento, juntamente com tantos outros pelo país, será encaminhado ao MEC para contribuir com a reelaboração dos conteúdos.

PARTICIPE RESPONDENDO ÀS ENQUETES!

♦♦♦♦♦

⇒ Bibliografia:

  • Educador educa a dor, Madalena Freire, 2008
  • Tornando visível a aprendizagem: crianças que aprendem individualmente e em grupo, Coleção Reggio Emilia, Project Zero, 2014
  • De volta ao quintal Mágico: a educação infantil na Te-Arte, Dulcilia Schroeder Buitoni, 2006
  • Casa Redonda: uma experiência em educação, Maria Amelia Pinto Pereira, 2013
    Oca Escola Cultural 
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6 Comentários para Base Nacional Comum Curricular: uma referência prática? Você decide!

  1. Eu penso que “o como fazer” nós só aprendemos fazendo mesmo.
    Não será uma disciplina de metodologia e prática que vai dar conta de construir esse saber nos professores em formação. É importante que a formação inicial contemple os fundamentos dialogando com a prática. Porém, sobrecarregar os profissionais que estão na lida diária das escolas com documentos oficiais realmente não supre a demanda que temos. Ao meu ver, precisamos de uma reorganização estrutural da jornada, de modo que consigamos conciliar nossa atuação atrelada à programas de formação continuada acessíveis para todas/os.

    • Maria,
      Obriga pelo seu retorno.
      Você levantou questões muito importantes para pensarmos a Educação e a formação dos seus profissionais.
      Você trouxe a expressão “dar conta”. Isso é o temor do professor que finaliza a formação e ingressa na escola pela primeira vez. Com ou sem prática suficiente, acreditamos que uma boa fundamentação garante os pilares para a construção prática que o professor desenvolverá em TODA A SUA VIDA PROFISSIONAL. É sabido que aprendemos sempre!
      Quanto aos documentos e diretrizes, eles são orientadores e expressam as crenças da sociedade. Assim, precisamos acompanhar sua elaboração participando criticamente.
      Finalmente, estamos junto com você na necessidade de salários, carga horária e condições de trabalho que valorizem os profissionais, qualificando suas práticas e a educação que nossas crianças recebem.
      Abraço!

  2. Hoje temos muita teoria, muita didática e está faltando metodologia.
    Os professores em sala de aula precisam do COMO fazer.
    Tenho saudades da Metodologia e Prática de Ensino, dos cursos que formavam as “Normalistas”.
    É para se pensar !

    • soraia correia de melo oliveira diz:

      Penso que seja importante este novo olhar também para quem Cuida e Educa.Não basta ler e ler, tem que saber fazer.

    • Camila diz:

      Eu penso que “o como fazer” nós só aprendemos fazendo mesmo.
      Não será uma disciplina de metodologia e prática que vai dar conta de construir esse saber nos professores em formação. É importante que a formação inicial contemple os fundamentos dialogando com a prática. Porém, sobrecarregar os profissionais que estão na lida diária das escolas com documentos oficiais realmente não supre a demanda que temos. Ao meu ver, precisamos de uma reorganização estrutural da jornada, de modo que consigamos conciliar nossa atuação atrelada à programas de formação continuada acessíveis para todas/os.

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