Rotinas não tão rotineiras

Uma situação tão instituída e corriqueira como a hora da soneca pode ser diferente? A dormida da tarde e outros momentos da rotina podem ganhar outros contornos?
Podem sim!

organização do espaço propositorNo CEI Nossa Turma, SP, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) organizaram uma proposta que envolvia tecidos coloridos de variados tipos. A expectativa era que os pequenos experimentassem modos de se vestir e usar os tecidos. Para garantir as criações, providenciaram fitas de elástico, para amarrar e manter os modelitos no corpo, e cabides para compor um espaço propositor.

Será que as crianças pensariam em se vestir com os tecidos?
Quais experimentações poderiam surgir?

Sala arrumada, instrumentos de registro e câmeras em mãos, era hora de chamar a turma que estava com a Cida no parque.

As crianças foram entrando e se maravilhando com o espaço transformado. Puxaram alguns dos tecidos pendurados e descobriram caixas com mais variedades. Como os tamanhos favoreciam o manuseio (1,0 x 0,70m e 1,0 x 1,40m), as crianças experimentaram usar o material como capa, colocar na cabeça como turbante e… aos poucos, saias, vestidos e pareôs foram surgindo a pedido dos pequenos e ajeitados com ajuda das professoras.

pesquisa das crianças

intervenção do professor

lanche sem interromper a atividadeO lanche chegou mas não interrompeu. O suco de fruta foi oferecido nos locais onde as brincadeiras aconteciam.

Depois de uma hora de atividades intensas, os tecidos deixados de lado pelas crianças foram sendo recolocados nos cabides pelas professoras. Essa arrumação criou espaços menores e labirintos que provocaram novas explorações. Em pouco tempo surgiu a expressão “minha casa” entre as crianças. Foi a dica para a Sandra prender os panos e fazer tendas. As crianças entraram na brincadeira e uma grande tenda foi crescendo e ocupando toda a sala.

Escuta e intervençãoAs crianças não davam sinais de parar de brincar, mesmo sentido o cheirinho do almoço. Sandra e Cida convidaram a turma para lavar as mãos e deixar a sala livre para a arrumação dos colchonetes. Sandra garantiu para alguns grupos que os materiais ficariam disponíveis para que a brincadeira continuasse depois. As crianças se dirigiram ao refeitório com o corpo realizado e a garantia de que a brincadeira poderia continuar.

No meio daquela instalação viva e colorida, Sandra refletiu:
Não vou desmanchar nada disso! As crianças ainda estão com a brincadeira na cabeça!

A professora decidiu que os colchonetes seriam preparados sob as tendas. Com isso, os pequenos:

  • continuariam no faz de conta no momento da soneca;
  • pegariam no sono observando os tecidos, suas cores, transparências e o arranjo estético da composição;
  • acordariam num ambiente diferente e, se quisessem, poderiam continuar brincando.

Foi o que aconteceu.

Depois do almoço, as crianças deitaram nos colchonetes. Quase dava para ver os passeios da imaginação no breve momento entre deitar e pegar no sono.

hora do sono diferenteQuando acordaram, os pequenos retomaram o faz de conta proposto pelo cenário e aproveitaram os materiais mais uma vez.

Fica uma reflexão: a rotina deixa de ser rotina se incorporarmos elementos diferentes a ela?

Sim e não!
Sim, porque a rotina fica enriquecida e as crianças aprendem que podem ter voz sobre ela.
Não, porque os momentos estruturais continuam a ser respeitados, organizando e orientando o tempo e as necessidades das crianças.

Como favorecer novas intervenções e contornos para a rotina? Com escuta, criatividade e espírito brincante.

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PARA SABER MAIS…

O CEI Nossa Turma pertence à Associação Nossa Turma – São Paulo, SP. A instituição também mantém um projeto de contraturno escolar para crianças e adolescentes e projetos de profissionalização para jovens e adultos das comunidades do entorno do CEAGESP.

→ Leia sobre rotina e planejamento de propostas nas postagens:

 

 

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