Atividades para criança criativa: o que significa isto?

Um grande número de atividades de creches e pré-escolas apresentadas nas redes sociais nos fazem pensar sobre a qualidade da educação praticada com as crianças pequenas. Ainda é possível observar que muitos educadores valorizam as “atividades” e esquecem do personagem principal de todo e qualquer planejamento pedagógico: a criança criativa, seus interesses, necessidades e percursos de aprendizagem e desenvolvimento.

Muitos dos conteúdos pedagógicos da Educação Infantil postados nas redes sociais pertencem a um universo ultrapassado da Educação Infantil.

paredes com imagens de qualidade fb

Um número significativo de experiências pedagógicas compartilhadas mostra crianças “enquadradas”, com pouco espaço para o exercício da criatividade, a resolução de problemas e o desenvolvimento da autonomia.

O que quero dizer com isso?

São diversas indicações de atividades centradas em professores que assumem postura diretiva e retratam propostas baseadas em folhinhas impressas para colorir, pobreza estética e a valorização da mão do professor na elaboração de materiais com imagens estereotipadas de EVA. Pouco se nota da escuta, das descobertas e das contribuições das crianças nos processos de aprendizagem. Em resumo, divulgam-se atividades que não valorizam a identidade, a singularidade e a aprendizagem por meio de experiências e construção de conhecimentos.

brinquedinho ou desafio

A criança pequena, cuja curiosidade e iniciativa é valorizada, pode se colocar nas situações que vivencia. Ela tem espaço para “se interessar/não se interessar”; “perguntar/ouvir”; “saber/ainda não saber”; “entender/não entender”; “pensar igual/pensar diferente”; “querer repetir/querer inventar/ querer descobrir”… enfim, são crianças que têm posicionamento e certamente participam do próprio processo de aprender e se desenvolver.

artesanato do professor

Para o teólogo, filósofo e pesquisador da Educação, Cipriano Carlos Luckesi, as aprendizagens complexas dão base para aprofundamentos e criatividade: “só cria quem entende”. O ser humano é ativo. É um ser de movimentos, mesmo que esteja aparentemente quieto. Na sua quietude, certamente os neurônios estão em movimento. O ensino mecânico não considera os movimentos internos e externos das crianças e, com isso, não constrói uma aprendizagem baseada no “querer saber os porquês”, para entender, aplicar e recriar (LUCKESI, 2011). Só nesse estágio é que a criança se transforma, conquista autonomia e pode transformar o mundo.

documentação pedagógica da criança

Já crianças que foram formatadas em comportamentos condicionados, perdem a curiosidade, o desejo de pesquisa, a criatividade, o encantamento pela descoberta e a certeza de que podem aprender, inventar e participar do que acontece ao seu redor. Essas são as bases para formar crianças pensantes, inteligentes, críticas e que conhecem os próprios jeitos de se organizar para aprender.

Muitas das propostas divulgadas na internet atropelam o potencial das crianças e, como diz Madalena Freire, no lugar de oferecer “FÓRMAS”, as colocam em “FÔRMAS”.

atividade formatada

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PARA SABER MAIS…

→ Cipriano Carlos Luckesi é teólogo, filósofo, doutor em Educação: Filosofia e História da Educação e especialista em Avaliação. Hoje é professor aposentado, orientador de pós-graduandos e integrante do Grupo de Pesquisa em Educação e Ludicidade da Universidade Federal da Bahia. O livro consultado nesse artigo é Avaliação da aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2011.

→ Madalena Freire é uma das inspirações do Tempo de Creche. É pedagoga e arte- educadora. Dedica-se desde 1981 à formação de educadores com grupos de reflexão e estudo. Foi fundadora do Espaço Pedagógico em São Paulo e presta assessoria a instituições públicas e particulares em todo o território nacional.

Leia mais sobre Madalena Freire e o tema desta postagem em:

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3 Comentários para Atividades para criança criativa: o que significa isto?

  1. Amauri Bartoszeck diz:

    Se entendi, as práticas que se propõem nas creches e pré-escolas são voltadas no final para o que o professor acha que seja adequado, ou o que seja tradicional e correntemente praticado. Por outro lado, há muito pouco publicado como pensa a criança. Acho que a neurociência educacional possa contribuir com respostas, mas está ainda na sua infância!.
    O artigo oferece denúncias do que não fazer, mas não achei/entendi o que fazer. Algo mais claro e cristalino de Madalena Freire seria desejável? Esclareço que trabalho com alunos de Pedagogia e professores em exercício.

    • Amauri,
      Obrigada pelo retorno pertinente!
      De fato, essa postagem se pautou mais na “denúncia”, ainda que trouxesse a fundamentação do Luckesi e imagens de propostas interessantes para que despertassem comparações. Outras postagens detalham especificamente as questões criticadas: planejamento de propostas desafiadoras, importância da curiosidade, documentação pedagógica, experiência e aprendizagem, entre outras. Quanto à citação da Madalena, quem sabe conseguimos uma fala da mestra para que ela própria esclareça?
      Abraços!

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