10 dicas para trabalhar as relações na primeira infância

Quando falamos em trabalhar e desenvolver as RELAÇÕES na Educação Infantil, logo pensamos nas rodas de conversa com os momentos de fala e escuta, e as situações de compartilhamento de materiais. Mas esquecemos que se relacionar é um aprendizado complexo que perdura toda a vida!

Na prática, é nos conflitos e disputas por materiais, espaços e pela atenção dos pais e educadores que as crianças desenvolvem estratégias para se fazerem ouvir e se relacionar.

Assim, ouvir as crianças e mediar os conflitos são matérias primas para promover esse desenvolvimento. Eles são conteúdos do trabalho da Educação Infantil e é preciso tirar proveito quando acontecem.

Criança brigando disputa

Quando muito pequenos, a construção da identidade e da comunicação são disparadores de divergências: até onde vai o meu corpo? O que é meu e o que não pertence aos meus limites? Quais reações esperar para as minhas ações? Essas questões são aprendidas desde que o bebê nasce e vão sendo esclarecidas até os 18 ou 24 meses. Mas aí, a comunicação já está em franca expansão e, porque compreendem muito mais palavras e símbolos do que falam, os pequenos se frustram e usam todo o corpo para expressar seus desejos e sentimentos e fazer prevalecer suas opiniões. Crianças pequenas são determinadas, sabem o que querem e se esforçam para conseguir.

Balão-na-PráticaO que podemos fazer para contribuir com esse intenso desenvolvimento?
Reunimos algumas dicas importantes:

1 – Por que é difícil compartilhar?
Na primeira infância as crianças ainda estão tentando compreender e se colocar no lugar do outro. Se não leio e compreendo o que os meus colegas sentem, então somente os meus sentimentos e desejos têm importância. E é por isso que é difícil compartilhar.

Outro “complicômentro” é o fato de que crianças muito pequenas agem por impulso e não conseguem freá-los, mesmo que sejam corrigidas centenas de vezes. Assim, é somente a partir dos 30 ou 36 meses que as crianças começam a compartilhar… começam!

Crianças organizando os brinquedos2 – Nas brincadeiras de por e tirar, empilhar e guardar, provoque um revezamento de ações. Primeiro você coloca um objeto e deixa outro para o pequeno colocar, alternadamente. Quando as crianças já souberem virar as páginas do livro, faça a mesma brincadeira, sugerindo que cada uma vire a página na sua vez. Esse tipo de brincadeira começa a construir experiências positivas e amorosas em relação a esperar a vez e alternar ações com os outros. Trabalhamos uma compreensão que pode se refletir em outras situações de relação.

3 – Com crianças menores que 3 anos, é complicado desenvolver atividades com poucos materiais, como nos jogos com bola. Por isso, quanto menores as crianças, mais materiais são necessários.

Crianças brincando de imitar4 – Aos poucos, as habilidades de alternar e esperar a vez vão sendo consolidadas. Mas, quando começar a propor jogos e brincadeiras com esse tipo de organização, é importante que “esperar pela vez” não seja por um período muito longo. Na formação em serviço, com a professora de turma de 3 anos, brincamos com o jogo de imitação de animais, usando um baralho criado por ela. A primeira proposta foi pedir para que as crianças, uma a uma, escolhessem a carta com o desenho de um bicho e imitassem os movimentos, a postura e os sons para as outras crianças descobrirem. Quem descobrisse primeiro, seria o próximo a imitar. Não deu certo! Nessa faixa as crianças ainda não sabem refrear o ímpeto de participar das atividades. Então adaptamos as regras da brincadeira. A criança que escolhia a carta, imitava o animal, toda a turma descobria e imitava também! Assim, para participar elas não precisavam ficar esperando longos períodos.

Criança jogando bola5 – Reforce as situações em que os pequenos se relacionam e compartilham: gosto muito de ver você emprestar a boneca para a sua amiga! Estou gostando de ver que cada um segura o brinquedo um pouquinho e passa para o amigo! Muito gostoso ver vocês jogarem esse jogo! E também identifique que eles estão fazendo um esforço para que tudo isso aconteça e que você compreende essa dificuldade.

6 – Nas disputas por objetos, ofereça alternativas. Quem sabe uma das partes se interesse mais por aquilo que você está oferecendo?

7 – Propostas com areia, água, artes visuais e materiais de largo alcance (não estruturados) acalmam porque concentram o foco nos desafios. Também não requerem muitos compartilhamentos. Por outro lado, estimulam a criação de brincadeiras espontâneas que podem envolver trocas espontâneas.

8 – Crianças gostam de revezar brincadeiras quando o revezamento é divertido. Preparar um “circuito” com propostas diferentes, simples e rápidas, contar um tempo (5 a 8 minutos) e tocar um sinal para trocar de brincadeira, prepara os pequenos para esperarem a vez. Na verdade, em grande parte dessas situações, eles até se divertem mais com o sinal e a agitação da troca do que com os materiais propriamente ditos!

Crianças brincando em grupo

9 – À medida que vão amadurecendo, deixe que eles próprios sugiram formas para resolver seus conflitos. Numa disputa, você pode dizer: estou vendo que vocês dois querem o balanço. Como podemos resolver isso? Geralmente as crianças sabem como solucionar e se policiam para cumprir os combinados.

10 – Além da observação e intervenção, o planejamento da estrutura dos espaços também merece destaque. Outra questão que pode provocar conflitos é a relação número de crianças X espaço de movimentação. Muita criança em ambiente apertado, sem opções de brincadeiras e espaço para movimentos amplos (característicos dessa fase da vida), cria tensão e disputa. Por isso é importante ter garantido espaço para ação e expressão de corpo inteiro.

Desenvolver a empatia, se colocar no lugar do outro, expressar sentimentos e desejos e praticar estratégias para convencer são lições aprendidas por toda a vida. Educar para desenvolver as relações é importante e precisa de calma para analisar a situação, perceber se ela se resolve sem interferência e, se necessário intervir considerando todas as partes. É negociar com as crianças, ensinando-as a negociar.

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Balão-Para-Saber-MaisPublicamos diversas postagens que aprofundam vários pontos levantados nesse texto:

Birra ou o aprendizado de lidar com a expressão das emoções? 
Falta de uso do corpo e os problemas de ansiedade
Como dizer NÃO para crianças pequenas?

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Comentários para 10 dicas para trabalhar as relações na primeira infância

  1. MARLENE DE ARAUJO NASCIMENTO diz:

    MUITO PRÁTICO ADOREI A FORMA QUE APRESENTARAM O TEMA

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