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Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças?

São inúmeras as possibilidades expressivas oportunizadas para os pequenos no dia a dia da educação infantil, e as diferentes técnicas e linguagens artísticas não precisam ter limites entre uma e outra. Para a pesquisadora Rhoda Kellogg, a linha, por exemplo, está presente tanto no desenho das crianças quanto na modelagem. Nesse contexto, o repertório de atividades expressivas oferecidas nas escolas me inquieta: por que ficamos presos às propostas bidimensionais, como desenho e pintura? Trabalhamos suficientemente as representações tridimensionais com nossos pequenos? É importante que a criança modele? Quais benefícios a experiência com a modelagem provoca nos pequenos? Qual o lugar da modelagem na Educação Infantil?

Segundo estudos promovidos pela UNESCO, as habilidades espaciais estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento das habilidades de matemática e de ciências. Apoiada sobre estes resultados, a UNESCO afirma que o desenvolvimento da espacialidade na primeira infância é determinante para que a criança realize operações numéricas por volta dos 8 anos.

Ao desenho e à pintura, atividades frequentes da educação infantil,  associamos a ideia de instrumentos: riscadores e suportes. O ato de desenhar nos remete à memória sensorial do som do rabisco, à força empregada na mão, ao controle dos gestos, à visão das marcas: linhas e cores que surgem no plano “achatado” (bidimensional) dos suportes.

Já a modelagem é uma atividade que provoca e mobiliza o pensamento espacial.
Quando pensamos em modelar, pensamos em massas: massinha de modelar, massas caseiras, argila e até a terra e a areia molhadinha. Mas, diferentemente das lembranças do desenho, a modelagem provavelmente não nos deixou muitas memórias de infância. Talvez ainda lembremos das duras e coloridas massinhas de modelar da escola e aquele cheiro marcante que ficava na mão por dias!

A artista plástica Geórgia Kyriakakis diz que seus desenhos passam do plano virtual e bidimensional do papel dos projetos, para a realidade muldimensional do espaço, quando transforma a natureza dos objetos projetados em obras reais. Exemplificando o pensamento da artista, quando desenhamos uma bola no papel, a nossa relação com essa bola é virtual, porque ela parece ser um objeto só na nossa cabeça. Na verdade, o rabisco que representa a bola só tem duas dimensões, a altura e o comprimento das linhas desenhadas no papel. Contudo, ao modelar uma bolinha de massa, nossa ideia ganha realidade! Como a Geórgia ressalta, cria-se um “espaço intermediário” entre o que “parece ser”, dos desenhos, e o que é “de verdade”, produzido na modelagem.

Imagine o que se passa na cabeça dos pequenos ao lidar com essa possibilidade intermediária entre imaginação e realização. Modelar provoca componentes cognitivos, sensitivos e expressivos diferentes dos mobilizados pelo desenho.

Sabemos que as crianças precisam desenhar todos os dias (defendemos isso no Tempo de Creche) porque o desenho favorece muitas aprendizagens, e temos uma dúzia de postagens sobre essa questão. Mas modelar materiais como o barro e a argila, conduz os pequenos por outros caminhos tão interessantes, complexos e sensíveis que não podem ser esquecidos ou simplificados pelo uso das massinhas plásticas e das massas caseiras, que não favorecem grandes construções e não sustentam formas tridimensionais robustas e definidas. As arte-educadoras Denise Lemos e Maristani Zamperetti afirmam que, “diferente do desenho e da pintura, a modelagem nos proporciona a visão de todos os ângulos e lados da estrutura e ainda podemos perceber a sua textura”. Kellog, por sua vez, destaca que a arte desempenha um papel importante no desenvolvimento mental das crianças e, nesse sentido, as experiências artísticas vivenciadas com a modelagem fazem parte do conteúdo artístico que deve ser trabalhado com os pequenos.

O ato de modelar o barro existe desde os primórdios da humanidade. Civilizações muito antigas moldavam o barro e o transformavam em peças utilitárias, decorativas e rituais. Assim, a modelagem pode ser definida como o ato de moldar, ajustar a forma manualmente de materiais como o barro e a argila, e transforma-los em objetos tridimensionais. Até hoje essa prática ainda é bastante artesanal.

No estudo interessante e esclarecedor, Lemos e Zamperetti concluem que amassar e dar forma à terra são gestos primitivos que influem consideravelmente na coordenação de todos os movimentos. Quando trabalhamos o barro, criamos pequenos projetos que buscamos realizar. Nesse percurso, ocorrem desequilíbrios (a argila não para em pé, se quebra etc) que demandam ações de reorganização da massa, o que mobiliza nossa persistência em busca de soluções,  a confiança e o domínio corporal para concluir o projeto.  Sendo uma forma de expressão simbólica e lúdica , o ato de manipular o barro torna-se além de educativo, uma forma prazerosa de expressão, e a tridimensionalidade passa a representar um novo conhecimento adquirido pela criança.

Então, estamos falando aqui dos desafios da tridimensionalidade. Do domínio do material, do controle da força do corpo e das mãos, da coordenação motora fina, da visão do objeto a partir de diversos ângulos e da resolução de problemas complexos de engenharia e arquitetura. Falamos de perseverança, de não desistir na primeira dificuldade, de tentar, tentar de novo e aprender.

O que isso quer dizer?

Isso significa que , por exemplo, ao fazer um carrinho de argila, a criança precisa mobilizar o corpo e a cabeça, combinando o conhecimento do material com o planejamento de processos, a criação de estratégias, a sensibilidade estética e, como no desenho, as narrativas sobre o que está sendo produzido. Além de todos estes benefícios, a argila é robusta e aceita o trabalho conjunto de várias mãos. Conforme a criança se desenvolve, a cooperação em torno das brincadeiras com o barro é facilmente observável quando oportunizamos estas experiências.

A arte-educadora e professora Rosa Iavelberg acredita que a argila traz satisfação e tranquilidade para as crianças, porque a plasticidade do material permite que a obra seja destruída e reconstruída com facilidade. Por outro lado, apesar de ser um dos materiais plásticos preferidos das crianças, ele é também o menos utilizado nas escolas de educação infantil.

Assim como as crianças precisam aprender com a argila, os professores também necessitam colocar a mão na massa e se informar sobre o material para criar oportunidades de aprendizagem para os pequenos. Convidamos a arte-educadora, atelierista e professora de artes para crianças, Beatriz Nogueira, para compartilhar suas experiências da prática da modelagem com crianças pequenas. Não perca essa postagem!

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PARA SABER MAIS…

UNESCO – OVERVIEW Measuring Early Learning Quality and Outcomes.

ARTIGO – Denise Castanha de Avila de Lemos e Maristani Polidori Zamperetti – Modelagem com argila para crianças: um estudo de caso

Geórgia Kyriakakis – artista, Mestre e Doutora em Artes. A artista inicia sua trajetória artística, no final da década de 80, com o desenho e a partir dele passa também a desenvolver esculturas, instalações, objetos, vídeos e fotografias. Sua produção é marcada pelo uso de diversos meios e pela experimentação dos limites de resistência, fragilidade, instabilidade e permanência das coisas.

Leia mais sobre desenho e modelagem nas postagens
Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!
Desenho: espelho do desenvolvimento infantil
Modelagem e desenho: conversas entre a bi e a tridimensionalidade 
O que o desenho nos conta
O registro das crianças pequenas é o desenho 
Palavra de… Edith Derdyk: o desenho do gesto e dos traços sensível

 

 

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Mandalas para inspirar as férias

O universo é composto por formas.
As crianças são sensíveis a essas formas e ficam intrigadas com a regularidade das margaridas, com as nervuras das folhas e com a imprevisibilidade das pedras encontradas pelo caminho. Algumas são harmoniosas e pertencem à cultura de diversos povos. As mandalas são um exemplo da manifestação de um universo estético que atravessa a história da humanidade. Mandalas são composições quase instintivas, construídas com naturalidade pelas crianças.

mandala elementos naturais

Que tal aproveitar as férias, experimentar trazer as mandalas para as crianças e acompanhar os percursos do grupo ao se inspirar nessa estética milenar?

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Campos de Experiência: Linguagens da Arte em Educação Infantil

Qual a importância das linguagens da Arte em Educação Infantil?
É inegável que as linguagens da Arte ajudam a ver e compreender a realidade, a conhecer o mundo e a conhecer-se. Decorre, daí, a sua importância na educação e no cotidiano de todas as pessoas, de qualquer faixa etária e qualquer ambiente.

A linguagem da Arte exercita e amplia a aprendizagem das formas de expressão com o desvelar de uma riqueza de sentimentos e percepções, relações e possibilidades.

A oficina de artes permite às crianças expressarem suas emoções e realidades e, no percurso, conhecerem o mundo e a si mesmas.

Proposta pintura com os pés

Eu não estou buscando, eu estou descobrindo.
Picasso. Continue lendo..

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Repertório cultural simplificado: ah, mas elas gostam!….

A arte e suas linguagens permeiam e estruturam as experiências das crianças na Educação Infantil. Presentes no cotidiano das creches e pré-escolas, o repertório de música, artes visuais, dança e jogos dramáticos é oferecido por meio de propostas e disparam pesquisas e aprendizagens que ultrapassam a expressão artística. Cultura, Arte e Natureza representam o território temático da educação das crianças pequenas.

O menino e o Mundo

Mito número 1: crianças não compreendem um repertório mais complexo
Não é verdade!
Crianças tem mais células saudáveis receptoras dos estímulos auditivos, visuais e táteis, do que nós adultos. Sabemos que ao longo do tempo as células sensoriais do ouvido e as estruturas que compõem o olho vão se desgastando e não se regeneram. Assim, quanto mais velhos ficamos, percebemos menos as imagens e as particularidades dos sons em comparação às crianças.

Arthur PizaMito número 2: crianças sempre gostam das mesmas coisas
Outro fator que contradiz a crença a respeito de repertórios sofisticados versus os mais infantilizados e empobrecidos é que as crianças aprendem coisas novas todos os dias. Essa disposição curiosa e abertura para o que é novo os faz querer conhecer, pesquisar e experimentar… sem preconceitos ou autocensura. Por isso, é importante acreditar que no mínimo elas vão apreciar o que é oferecido, sentir e depois decidir se gostam ou não!

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Experiências artísticas das crianças

Pocesso criativo da criançaConversamos com a arte-educadora Angelica Arechavala e a pedagoga Sandra Cordeiro Marino, em 2014, sobre as experiências artísticas das crianças.

Se você não leu, leia.

Se você já leu, vale a pena ler de novo.

Angélica e Sandra falam sobre o fazer arte com a criança

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Mostra na Escola Primeira: trabalho a partir de projetos

Muitos educadores têm experimentado e reconhecido o valor de trabalhar a partir de projetos na educação infantil. São temas e pesquisas que nascem dos interesses dos pequenos, das situações do cotidiano e do olhar apurado dos professores que pegam “ganchos” nas oportunidades significativas.

No entanto, apesar da crença, muitos profissionais tem dúvidas sobre as situações que representam oportunidades frutíferas e como provocar os pequenos para construir investigação e experimentação.

Casos práticos do trabalho com projetos

Na VI Mostra Cultural 2016 – Mãos, a equipe da Escola Primeira contou muitas histórias de crianças, professores e atelieristas que mergulharam em aventuras de experimentar, descobrir, expressar e aprender.

Mostra 2016 Escola Primeira

Visitamos mostras de todos os grupos, com os percursos e produções organizados pelas professoras e atelieristas. São processos intensos, construídos e vividos por meses, narrados por meio de registros de texto, imagens e produções. A exposição revelou os temas e pesquisas mais aprofundados. Porém, é importante lembrar que estes temas não são suficientes para abrigar todo o potencial de interesse, exploração e aprendizagem das crianças. O olhar do professor para transformar os pequenos acontecimentos significativos do dia a dia em provocações complementa as possibilidades de desenvolvimento da turma. Nesta postagem apresentamos com detalhes o trabalho desenvolvido pela professora Talita Freitas e pela auxiliar Aline Oliveira, num relato que se inicia com a identificação da oportunidade. Continue lendo..

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Percurso investigativo: o desenho e a zona proximal de desenvolvimento

Encontramos um relato interessante sobre o desenho infantil na faixa dos 3 a 4 anos, lendo a dissertação de mestrado da professora Vanessa Marques Galvani. Ao refletir sobre registros e produções de duas crianças em particular, a professora buscou apoio no conceito de zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky,  planejou intervenções e colheu resultados significativos.

Vanessa estava pesquisando a fotografia como suporte para a elaboração de documentação pedagógica, quando percebeu nos registros fotográficos de sua turma algumas particularidades no desenho de dois de seus alunos. Ela notou que o Artur (nome fictício), apesar de reconhecer algumas partes do rosto humano na sua própria fotografia, ainda não conseguia desenha-las sozinho. Já Clara (nome fictício), tranquilamente demonstrava através de seus desenhos uma figuração mais estruturada.

Exercicio de autoretrato Arthur

 

A partir da leitura das produções das crianças e dos registros realizados durante os momentos do desenho, Vanessa identificou que Artur conseguia desenhar algumas partes do seu rosto. Mas, em comparação com os desenhos de Clara, ainda faltavam algumas estruturas. Isso indicava que o menino estava numa zona de desenvolvimento proximal no desenho da figura humana. Partindo desse olhar, planejou estratégias pedagógicas para provocar Arthur e promover o desenvolvimento do seu desenho.

Como Vygotsky nos ajuda a entender esse processo?

Para o psicólogo bielorrusso Vygotsky, existem dois níveis de desenvolvimento infantil.

Exercicio de autoretrato ClaraQuando a criança é capaz de realizar uma determinada ação de forma autônoma, sem nenhum auxílio, ela se encontra zona de desenvolvimento real. Este nível é o resultado de processos de aprendizagens já adquiridas e conquistadas pela criança. Continue lendo..

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Experiência: rola, enrola e pinta!

pintura com rolos e plástico bolhaCom as crianças voltando das férias, o gás para aventuras e novas pesquisas está renovado. E dá-lhe buscar inspiração para acompanhar a turma. Pesquisamos uma técnica interessante para pintar, provocar e trabalhar a criatividade e a motricidade.

Rolinhos de Plástico Bolha

Rolar, enrolar, girar e torcer: uma categoria de movimentos divertidos que as crianças pequenas gostam de fazer. Uma pista para o professor mediar e ampliar.

I – A dica é começar a trabalhar o corpo todo e depois passar para as mãos. Pesquise e selecione uma música provocante – se tiver na letra uma referência aos movimentos de enrolar e girar, melhor! Apresente para os pequenos e mergulhe na dança. Gire o corpo, deite no chão e role, use os braços para fazer movimentos circulares e, sem falar, convide os pequenos a se inspirarem nos seus movimentos. Crianças começam a aprender imitando. Continue lendo..

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Oficinas para crianças com artistas de verdade?

 

Terceira oficina de desenho de "Histórias da infância" nos dias 14 e 15 de maio

Terceira oficina de desenho de “Histórias da infância” nos dias 14 e 15 de maio

Contato com a arte e os artistas Informação Experimentação e aprendizagem andando juntos! Esta é a proposta do MASP – Museu de Arte de São Paulo

Aos sábados e domingos, o museu oferece uma grande oportunidade de se relacionar com as ideias e a produção de artistas contemporâneos, em oficinas gratuitas para crianças de 5 a 8 anos. Entre os artistas visuais que receberam o convite para conduzirem as oficinas com as crianças estão Rivane Neuenschwander, Paulo Nazaterh, Beatriz Milhazes, e outros. A “relação entre o MASP, as crianças e suas formas de expressão é pioneira no Brasil e remonta aos anos iniciais do museu, fundado em 2 de outubro de 1947, destaca o curador Fernando Oliva. Continue lendo..

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Um acervo de ideias para reinventar o Desenho

Para as crianças, o desenho é brincadeira, desafio e prazer com os próprios movimentos. Mais tarde, as marcas também são valorizadas.
Para que essa brincadeira continue e seja ampliada é preciso desenhar sempre e, em especial, pensar em alargar os desafios.

 O que interfere no desenho e o que pode variar os desafios?

desenho 3Para a neurocientista mineira Leonor Bezerra, o cérebro das crianças está no início do seu desenvolvimento. Nesse momento é ideal provocar diversas áreas cerebrais com estímulos multissensoriais, isso é, que obriguem a criança a sentir e usar vários órgãos dos sentidos ao mesmo tempo. Assim, o ato de desenhar, que já se mostrou importantíssimo para favorecer a expressividade e as narrativas, também ganha pontos com os estímulos motores e proprioceptivos* associados às emoções e sensações. Quando propomos desafios mais amplos para os pequenos, bombardeamos [no bom sentido] diferentes áreas cerebrais ao mesmo tempo. Com isso, o cérebro desenvolve  conexões nervosas mais abrangentes e complexas. Aprender é assumir novos comportamentos e atitudes. Continue lendo..

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