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Mandalas para inspirar as férias

O universo é composto por formas.
As crianças são sensíveis a essas formas e ficam intrigadas com a regularidade das margaridas, com as nervuras das folhas e com a imprevisibilidade das pedras encontradas pelo caminho. Algumas são harmoniosas e pertencem à cultura de diversos povos. As mandalas são um exemplo da manifestação de um universo estético que atravessa a história da humanidade. Mandalas são composições quase instintivas, construídas com naturalidade pelas crianças.

mandala elementos naturais

Que tal aproveitar as férias, experimentar trazer as mandalas para as crianças e acompanhar os percursos do grupo ao se inspirar nessa estética milenar?

imagens mandalasFolhas, pedras, pequenos gravetos, sementes, pinhas, flores e pétalas podem inspirar as construções circulares concêntricas. Uma campanha que envolva as famílias pode acumular os materiais para experimentar a construção de mandalas com elementos da natureza e de reciclagem.

Pequenos objetos coloridos e sucatas também promovem experiências interessantes para elaborar as mandalas. Coletar tampas variadas de garrafas, palitos de sorvete, peças de jogos de montar, formas recortadas de papeis e cartões diversos, CDs descartados, sempre em quantidade suficiente para favorecer a repetição dos elementos nas mandalas. Dependendo da faixa etária, botões coloridos ampliam as experiências.

Inspire a turma! Leve imagens de mandalas para a sala, saia no jardim para buscar as formas redondas das flores, teias de aranha e até da íris dos olhos, ou pesquise imagens na internet junto com as crianças. Se a instituição contar com retroprojetor ou Datashow, projete imagens imensas na parede!

construção de mandalas

A partir dessa provocação, passe para a prática. Organize um ambiente propositor com os elementos selecionados para a construção das mandalas. Com as crianças menores essa proposta deve iniciar individualmente. Com os maiores, pode-se propor a elaboração de mandalas coletivas, depois que também experimentarem um individual.

Observe as crianças que se interessaram pela proposta e comece a focar nelas para que esse movimento contamine as outras crianças da turma. Se perceber que as crianças não organizam os elementos em formatos circulares, é possível estimular essa pesquisa oferecendo suportes redondos, como cartolinas recortadas, bambolês e até fazendo um risco na terra ou na areia do pátio. Outra estratégia pode ser entregar folhas de papel com um ou mais círculos concêntricos e dar espaço para a criatividade.mandalas em pratos de areia

Os elementos das mandalas podem ser colados ou, conforme as culturas orientais, podem ser efêmeras, isto é, durar até serem desmanchadas. Um movimento artístico chamado Land Art propõe intervenções na natureza que utilizam  elementos naturais e compões obras que são eternizadas somente pelo registro fotográfico ou em vídeo.

imagens Andrew Goldsworthy

As crianças podem passar mais de um dia na pesquisa e elaboração das construções. Assim reserve um espaço que possa manter as mandalas em construção sem interferir na movimentação da turma. Acompanhe os desejos das crianças e percorra com elas essa cultura ancestral.

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PARA SABER MAIS…

 Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Pinceis da natureza: experimentando um mundo de texturas, formas e cores
A descoberta do vento – parte 1
A descoberta do vento – parte 2
Uma conversa com Anna Marie Holm: arte, natureza e a poesia da infância

→ O artista Andy Goldsworthy geralmente utiliza materiais naturais, incluindo flores de cores vivas, caramujos, folhas, lamas, pinhas, neve, pedras, galhos e espinhos. É escultor, fotógrafo e ambientalista britânico.

→ Bibliografia: Mandalas: formas que representam a harmonia do cosmos e a energia divina, de Rüdiger Dahlke. Editora Pensamento.

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Campos de Experiência: Linguagens da Arte em Educação Infantil

Qual a importância das linguagens da Arte em Educação Infantil?
É inegável que as linguagens da Arte ajudam a ver e compreender a realidade, a conhecer o mundo e a conhecer-se. Decorre, daí, a sua importância na educação e no cotidiano de todas as pessoas, de qualquer faixa etária e qualquer ambiente.

A linguagem da Arte exercita e amplia a aprendizagem das formas de expressão com o desvelar de uma riqueza de sentimentos e percepções, relações e possibilidades.

A oficina de artes permite às crianças expressarem suas emoções e realidades e, no percurso, conhecerem o mundo e a si mesmas.

Proposta pintura com os pés

Eu não estou buscando, eu estou descobrindo.
Picasso.

As crianças dizem o mesmo, descobrem possibilidades nas propostas de artes, porque fazer arte é engajamento de todos os sentidos, é um convite irrecusável à experimentação.

A questão que se coloca diante do professor é o desafio de selecionar, dentre tantas alternativas, quais conteúdos priorizar, quais materiais apresentar, quais espaços explorar. Apesar desse leque de possibilidades, o professor tem caminhos para não fazer escolhas aleatórias:
pintura ou movimento

√ – conhecer o grupo com o qual atua, como se relacionam e os saberes que as crianças já têm;
√ – levantar os desejos orientadores que partem das crianças;
√ – refletir sobre algumas metas (demandas, necessidades, temas e interesses);
√ – prever tempo e espaço disponíveis e suficientes;
√ – verificar a disponibilidade de materiais.

Os conteúdos das diferentes linguagens expressivas demandam habilidades distintas e, em muitas situações, complementares:


Artes plásticas:
o que esperar da pesquisa das crianças com tintas? Elas já experimentaram bastante o material? As marcas são intencionais? Reconhecem suas produções? Observam os movimentos dos colegas e aprendem com o outro? Que tal alterar a textura da tinta? Ou a sua densidade? Ou propor pintar com os pés?

Expressão Corporal: quais ritmos e estilos musicais têm ouvido? Tem se movimentado ao ritmo da música? Como são os movimentos? É possível apresentar adereços como fitas, saias, chapéus para desafiar novos movimentos?

Expressando o ritmo 3
Música:
as crianças exploram os sons dos objetos? Buscam fontes sonoras dos barulhos? Fazem objetos sonoros e se expressam por meio deles e de instrumentos musicais? Quais músicas sabem cantar? Que músicas e estilos musicais diferentes podem ser propostos?

Faz de conta e jogo simbólico – quais histórias ou enredos as crianças conhecem e costumam brincar? Já assumem papeis? Quais objetos e roupas podem enriquecer as brincadeiras?

corpo em movimentoTudo junto e misturado: faz de conta, expressão corporal, num cenário elaborado a partir de propostas de artes visuais, sonorização com objetos e musicalização com canções e instrumentos musicais.

Na verdade, distinguir as linguagens das artes é um pensamento dos adultos. Do mesmo modo que pensamos nos diferentes campos de experiências, ao desenvolver repertórios, as crianças utilizam todas as linguagens e até criam linguagens próprias para comunicar o que sentem, desejam e pensam.

Possibilitar a pesquisa expressiva e a criação individual e coletiva, amplia horizontes de professores e crianças em todas as linguagens… e por que não, nos diversos campos de experiências.

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Balão Para Saber Mais

Leia! Estas postagens aprofundam o tema.

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Repertório cultural simplificado: ah, mas elas gostam!….

A arte e suas linguagens permeiam e estruturam as experiências das crianças na Educação Infantil. Presentes no cotidiano das creches e pré-escolas, o repertório de música, artes visuais, dança e jogos dramáticos é oferecido por meio de propostas e disparam pesquisas e aprendizagens que ultrapassam a expressão artística. Cultura, Arte e Natureza representam o território temático da educação das crianças pequenas.

O menino e o Mundo

Mito número 1: crianças não compreendem um repertório mais complexo
Não é verdade!
Crianças tem mais células saudáveis receptoras dos estímulos auditivos, visuais e táteis, do que nós adultos. Sabemos que ao longo do tempo as células sensoriais do ouvido e as estruturas que compõem o olho vão se desgastando e não se regeneram. Assim, quanto mais velhos ficamos, percebemos menos as imagens e as particularidades dos sons em comparação às crianças.

Arthur PizaMito número 2: crianças sempre gostam das mesmas coisas
Outro fator que contradiz a crença a respeito de repertórios sofisticados versus os mais infantilizados e empobrecidos é que as crianças aprendem coisas novas todos os dias. Essa disposição curiosa e abertura para o que é novo os faz querer conhecer, pesquisar e experimentar… sem preconceitos ou autocensura. Por isso, é importante acreditar que no mínimo elas vão apreciar o que é oferecido, sentir e depois decidir se gostam ou não!

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Experiências artísticas das crianças

Pocesso criativo da criançaConversamos com a arte-educadora Angelica Arechavala e a pedagoga Sandra Cordeiro Marino, em 2014, sobre as experiências artísticas das crianças.

Se você não leu, leia.

Se você já leu, vale a pena ler de novo.

Angélica e Sandra falam sobre o fazer arte com a criança

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Mostra na Escola Primeira: trabalho a partir de projetos

Muitos educadores têm experimentado e reconhecido o valor de trabalhar a partir de projetos na educação infantil. São temas e pesquisas que nascem dos interesses dos pequenos, das situações do cotidiano e do olhar apurado dos professores que pegam “ganchos” nas oportunidades significativas.

No entanto, apesar da crença, muitos profissionais tem dúvidas sobre as situações que representam oportunidades frutíferas e como provocar os pequenos para construir investigação e experimentação.

Casos práticos do trabalho com projetos

Na VI Mostra Cultural 2016 – Mãos, a equipe da Escola Primeira contou muitas histórias de crianças, professores e atelieristas que mergulharam em aventuras de experimentar, descobrir, expressar e aprender.

Mostra 2016 Escola Primeira

Visitamos mostras de todos os grupos, com os percursos e produções organizados pelas professoras e atelieristas. São processos intensos, construídos e vividos por meses, narrados por meio de registros de texto, imagens e produções. A exposição revelou os temas e pesquisas mais aprofundados. Porém, é importante lembrar que estes temas não são suficientes para abrigar todo o potencial de interesse, exploração e aprendizagem das crianças. O olhar do professor para transformar os pequenos acontecimentos significativos do dia a dia em provocações complementa as possibilidades de desenvolvimento da turma. Nesta postagem apresentamos com detalhes o trabalho desenvolvido pela professora Talita Freitas e pela auxiliar Aline Oliveira, num relato que se inicia com a identificação da oportunidade. Continue lendo..

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Percurso investigativo: o desenho e a zona proximal de desenvolvimento

Encontramos um relato interessante sobre o desenho infantil na faixa dos 3 a 4 anos, lendo a dissertação de mestrado da professora Vanessa Marques Galvani. Ao refletir sobre registros e produções de duas crianças em particular, a professora buscou apoio no conceito de zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky,  planejou intervenções e colheu resultados significativos.

Vanessa estava pesquisando a fotografia como suporte para a elaboração de documentação pedagógica, quando percebeu nos registros fotográficos de sua turma algumas particularidades no desenho de dois de seus alunos. Ela notou que o Artur (nome fictício), apesar de reconhecer algumas partes do rosto humano na sua própria fotografia, ainda não conseguia desenha-las sozinho. Já Clara (nome fictício), tranquilamente demonstrava através de seus desenhos uma figuração mais estruturada.

Exercicio de autoretrato Arthur

 

A partir da leitura das produções das crianças e dos registros realizados durante os momentos do desenho, Vanessa identificou que Artur conseguia desenhar algumas partes do seu rosto. Mas, em comparação com os desenhos de Clara, ainda faltavam algumas estruturas. Isso indicava que o menino estava numa zona de desenvolvimento proximal no desenho da figura humana. Partindo desse olhar, planejou estratégias pedagógicas para provocar Arthur e promover o desenvolvimento do seu desenho.

Como Vygotsky nos ajuda a entender esse processo?

Para o psicólogo bielorrusso Vygotsky, existem dois níveis de desenvolvimento infantil.

Exercicio de autoretrato ClaraQuando a criança é capaz de realizar uma determinada ação de forma autônoma, sem nenhum auxílio, ela se encontra zona de desenvolvimento real. Este nível é o resultado de processos de aprendizagens já adquiridas e conquistadas pela criança. Continue lendo..

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Experiência: rola, enrola e pinta!

pintura com rolos e plástico bolhaCom as crianças voltando das férias, o gás para aventuras e novas pesquisas está renovado. E dá-lhe buscar inspiração para acompanhar a turma. Pesquisamos uma técnica interessante para pintar, provocar e trabalhar a criatividade e a motricidade.

Rolinhos de Plástico Bolha

Rolar, enrolar, girar e torcer: uma categoria de movimentos divertidos que as crianças pequenas gostam de fazer. Uma pista para o professor mediar e ampliar.

I – A dica é começar a trabalhar o corpo todo e depois passar para as mãos. Pesquise e selecione uma música provocante – se tiver na letra uma referência aos movimentos de enrolar e girar, melhor! Apresente para os pequenos e mergulhe na dança. Gire o corpo, deite no chão e role, use os braços para fazer movimentos circulares e, sem falar, convide os pequenos a se inspirarem nos seus movimentos. Crianças começam a aprender imitando. Continue lendo..

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Oficinas para crianças com artistas de verdade?

 

Terceira oficina de desenho de "Histórias da infância" nos dias 14 e 15 de maio

Terceira oficina de desenho de “Histórias da infância” nos dias 14 e 15 de maio

Contato com a arte e os artistas Informação Experimentação e aprendizagem andando juntos! Esta é a proposta do MASP – Museu de Arte de São Paulo

Aos sábados e domingos, o museu oferece uma grande oportunidade de se relacionar com as ideias e a produção de artistas contemporâneos, em oficinas gratuitas para crianças de 5 a 8 anos. Entre os artistas visuais que receberam o convite para conduzirem as oficinas com as crianças estão Rivane Neuenschwander, Paulo Nazaterh, Beatriz Milhazes, e outros. A “relação entre o MASP, as crianças e suas formas de expressão é pioneira no Brasil e remonta aos anos iniciais do museu, fundado em 2 de outubro de 1947, destaca o curador Fernando Oliva. Continue lendo..

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Um acervo de ideias para reinventar o Desenho

Para as crianças, o desenho é brincadeira, desafio e prazer com os próprios movimentos. Mais tarde, as marcas também são valorizadas.
Para que essa brincadeira continue e seja ampliada é preciso desenhar sempre e, em especial, pensar em alargar os desafios.

 O que interfere no desenho e o que pode variar os desafios?

desenho 3Para a neurocientista mineira Leonor Bezerra, o cérebro das crianças está no início do seu desenvolvimento. Nesse momento é ideal provocar diversas áreas cerebrais com estímulos multissensoriais, isso é, que obriguem a criança a sentir e usar vários órgãos dos sentidos ao mesmo tempo. Assim, o ato de desenhar, que já se mostrou importantíssimo para favorecer a expressividade e as narrativas, também ganha pontos com os estímulos motores e proprioceptivos* associados às emoções e sensações. Quando propomos desafios mais amplos para os pequenos, bombardeamos [no bom sentido] diferentes áreas cerebrais ao mesmo tempo. Com isso, o cérebro desenvolve  conexões nervosas mais abrangentes e complexas. Aprender é assumir novos comportamentos e atitudes. Continue lendo..

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Palavra de … Josca Baroukh: a criança e o acesso à Arte

Em entrevista ao Tempo de Creche a professora Josca Ailine Baroukh fala sobre a  importância do acesso das crianças e dos professores à Arte como alimento para as múltiplas formas de expressão

Tempo de Creche – Como você vê a arte no currículo da Educação Infantil? E a Arte na formação dos professores?

Josca Se nós considerarmos que a arte se apresenta em várias linguagens e que as crianças pequenas se expressam pelas 100 linguagens, como diz Lóris Malaguzzi, o acesso a essas linguagens é fundamental para sua formação. As crianças têm direito de conhecer as várias linguagens da arte, pois elas se expressam por meio delas.

Josca 9

Se nós não ensinarmos uma criança a falar, inserindo-a em contextos de fala, ela não vai usar a linguagem verbal. Da mesma forma, se nós não ensinarmos as linguagens artísticas, ela também não vai utilizá-las para se manifestar. As crianças se expressam de muitas formas diferentes, quanto mais se oferecer a elas acesso às diversas linguagens, mais poderão se manifestar à sua maneira. É um dever do educador oferecer e promover a elas o acesso às múltiplas linguagens. Continue lendo..

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