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Repensando o velho caixote de brinquedos…

Crianças aprendem brincando, mas não nascem fazendo isso sozinhas.
É pelas primeiras brincadeiras com a mãe que os bebês aprendem uma linguagem que dominarão com maestria: o brincar.
Aí você olha para a prateleira da sala, avista o caixote de brinquedos… e pensa: minhas crianças brincam todos os dias!
Será? Quais brincadeiras o caixote de brinquedos pode proporcionar? Vamos refletir sobre isto!

O lúdico é um estado de graça para a criança. Nós, adultos, perdemos a conexão com a brincadeira porque a sociedade dos “crescidos” rotulou o brincar como perda de tempo para quem tem responsabilidades e atribuições!

Mas hoje a brincadeira das crianças é garantida por lei, ao menos na primeira infância.
Por que será?

Por que as crianças ficam felizes quando brincam?
Por que gostam?
Por que inventam?
Por que descobrem?
Por que aprendem?

Sim!

canto de atividadesPor tudo isso. E porque o lúdico é uma linguagem que permite interagir com os adultos, as outras crianças, a cultura, a natureza, os espaços e os materiais. É por meio do diálogo brincante com o mundo que a criança vive experiências intensas e pode ser transformada por elas.

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Campos de experiências e objetivos da atividade: o que pensar sobre isso? – PARTE 2

Como trabalhar com os campos de experiências e objetivos de aprendizagem?
Durante as atividades, como favorecer experiências num campo específico, se as crianças pensam e agem mobilizando habilidades diversas?
Como se planejar para buscar avanços e desenvolvimentos específicos na turma?

Na postagem anterior, pensamos sobre a aprendizagem das crianças pequenas por meio de experiências. Recorremos aos pedagogos Jorge Larrosa e Silvana Augusto para compreender que experiência de aprendizagem é aquilo que deixa marcas. Quando curiosa e encantada, a criança pequena se envolve no desafio e se dedica a ele. Dá para perceber isso claramente no dia a dia:

no pátio, quando desafiam o corpo a saltar cada vez mais longe;
ao fazer de uma caixa, um ônibus que perambula pelas ruas imaginárias;
ao bater uma panela no chão sem parar para ouvir variações e similaridades dos sons;
ao misturar areia numa massa de farinha;
ao virar as páginas de um livro procurando as narrativas já conhecidas;
ao descobrir que 1 é bem pouquinho e 5 é muito mais.

Nesta postagem vamos refletir sobre a atuação provocadora do professor para promover experiências além daquelas espontaneamente vividas pelas crianças. Com isso, favorecer o desenvolvimento das diversas áreas – ou “campos” – de aprendizagem e desenvolvimento.

Que tal recorrer à prática para entender? Continue lendo..

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Percurso investigativo: o desenho e a zona proximal de desenvolvimento

Encontramos um relato interessante sobre o desenho infantil na faixa dos 3 a 4 anos, lendo a dissertação de mestrado da professora Vanessa Marques Galvani. Ao refletir sobre registros e produções de duas crianças em particular, a professora buscou apoio no conceito de zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky,  planejou intervenções e colheu resultados significativos.

Vanessa estava pesquisando a fotografia como suporte para a elaboração de documentação pedagógica, quando percebeu nos registros fotográficos de sua turma algumas particularidades no desenho de dois de seus alunos. Ela notou que o Artur (nome fictício), apesar de reconhecer algumas partes do rosto humano na sua própria fotografia, ainda não conseguia desenha-las sozinho. Já Clara (nome fictício), tranquilamente demonstrava através de seus desenhos uma figuração mais estruturada.

Exercicio de autoretrato Arthur

 

A partir da leitura das produções das crianças e dos registros realizados durante os momentos do desenho, Vanessa identificou que Artur conseguia desenhar algumas partes do seu rosto. Mas, em comparação com os desenhos de Clara, ainda faltavam algumas estruturas. Isso indicava que o menino estava numa zona de desenvolvimento proximal no desenho da figura humana. Partindo desse olhar, planejou estratégias pedagógicas para provocar Arthur e promover o desenvolvimento do seu desenho.

Como Vygotsky nos ajuda a entender esse processo?

Para o psicólogo bielorrusso Vygotsky, existem dois níveis de desenvolvimento infantil.

Exercicio de autoretrato ClaraQuando a criança é capaz de realizar uma determinada ação de forma autônoma, sem nenhum auxílio, ela se encontra zona de desenvolvimento real. Este nível é o resultado de processos de aprendizagens já adquiridas e conquistadas pela criança. Continue lendo..

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O que dizer sobre a intenção pedagógica?

Hora da chegada, hora do café, lavar as mãos, fazer xixi, escovar dentes, guardar a mochila, arrumar-se para o pátio, participar das propostas de atividade, lavar as mãos novamente, beber o suco, almoçar…. ufa! Uma sucessão de incansáveis etapas do dia, marcadas pelo tempo do relógio, pelo tempo de cada criança e pelo tempo dos professores e equipes de apoio da escola. E, no final de tudo, a tal da intenção pedagógica por trás de cada atitude e de cada fala.
É possível lidar com tudo isso? É preciso ser um professor herói?

Vamos por partes!
O que é ensinar com intenção?

organizacao-com-intencao-pedagogica-3Educação com intenção parte de professores comprometidos com as crianças. É falar de um profissional ativo e nunca passivo a respeito daquilo que faz. Na prática, é dizer que se o professor deixa a turma “brincar livremente”, ele o faz com a intenção de trabalhar, por exemplo, as relações de grupo entre as crianças, sem a interferência do adulto. É um momento escolhido para brincar livre, que, ao se repetir, proporciona ao grupo elementos que aprofundam as tais relações. Nesse sentido, o professor munido de intenção aumenta ou diminui a quantidade e a diversidade dos materiais oferecidos; procura organizar os espaços de modo a favorecer a formação de grupos maiores ou menores de crianças; propõe regras para compartilhar brinquedos etc., etc., etc.!

Trabalhar com intencionalidade significa tomar decisões deliberadas, com objetivo e propósito. Sejam as decisões tomadas durante os momentos da rotina, sejam as propostas de experiências nas atividades. A intenção está em tudo, e o professor precisa se dar conta disso:

  • quando planeja e organiza materiais e ambientes,
  • nas experiências que propicia às crianças,
  • nas maneiras de planejar a rotina,
  • na escolha das palavras, frases e perguntas,
  • na forma como favorece o agrupamento dos pequenos (grandes grupos, pequenos grupos, em pares, separando as panelinhas, em relação individual com o professor, com ou sem a interferência do educador…),
  • quando direciona as experiências ou quando segue os interesses e propostas dos pequenos.

organizacao-com-intencao-pedagogica

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Palavra de… Amanda Teagno Lopes: planejar, registrar e documentar

Tempo de Creche conversou com a doutora em educação Amanda Cristina Teagno Lopes, autora do livro Educação Infantil e Registro de Práticas, sobre o planejar, observar, registrar e documentar na nossa prática.

Tempo de Creche – Como você vê o uso dos instrumentos metodológicos – reflexão/avaliação, planejamento e pauta do olhar nas práticas dos professores da Educação Infantil?

Amanda – Penso serem instrumentos essenciais ao alcance da boa qualidade das práticas pedagógicas, uma vez que ajudam o professor a tornar seu trabalho mais intencional, a observar as crianças e seus percursos de aprendizagem e desenvolvimento, a avaliar sua ação enquanto docente.

É muito importante planejar um dia de trabalho, um projeto, uma sequência de atividades a serem desenvolvidas; isso ajuda o professor a ter clareza sobre os objetivos que quer alcançar, e como fazer para alcançá-los. O planejamento representa uma previsão, uma antecipação do que se pretende alcançar (assim como ter uma lista de compras quando vamos ao supermercado nos ajuda a otimizar o tempo e mesmo o dinheiro gasto…). Isso é planejar. Continue lendo..

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