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Atividades que “dão certo” e que “não dão certo”: o que pensar desta classificação?

Ultimamente tenho ouvido a expressão deu certo para qualificar atividades, projetos e propostas oferecidas às crianças da educação infantil.
O que isto quer dizer?
O que esta expressão esconde?
Quais pensamentos pedagógicos estão por trás desta classificação?

Nos nossos momentos de formação, ouvimos muitos professores avaliarem suas propostas com as expressões deu certo, deu tão certo, não deu muito certo… Fiquei intrigada com as colocações e fui investigar.

Conversando com os docentes, percebi que quando uma atividade dá certo, ela implica em situações de envolvimento das crianças no que é proposto, adesão da maioria, produção de um produto final que atenda às expectativas do professor, pouca agitação e momentos de diversão. Será que dar certo é isso? Uma atividade precisa dar certo? As atividades devem divertir? O que pensar quando dá errado?

Convido você a refletir sobre estes questionamentos!

1. Quando um planejamento dá certo, ele provavelmente atingiu os objetivos estabelecidos. O que me leva a perguntar: quais objetivos foram pensados para as propostas? Objetivos pedagógicos envolvem expectativas de APRENDIZAGEM. Especialmente depois da BNCC, temos mais clareza sobre as aprendizagens que são esperadas para as crianças de 0 a 6 anos. Desse modo, ao avaliar a atividade, o professor precisa partir das aprendizagens das crianças e dos objetivos imaginados por ele no planejamento.

2. Para verificar se a atividade deu certo, o olhar do professor durante a proposta fornece indícios do resultado. Porém, só a reflexão sobre os registros pode revelar se as situações de aprendizagem ocorreram, quais crianças apresentaram avanços e fragilidades e como tudo aconteceu.

3. Atividades planejadas a partir da escuta das crianças, isto é, que atendam aos seus interesses e necessidades, sempre dão certo. Porque as propostas que partem destes princípios são experiências pedagógicas responsáveis, a serem avaliadas e encaminhadas. Por outro lado, as propostas planejadas a partir de objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que não deram certo, podem indicar que interesses, habilidades e demandas das crianças não foram totalmente compreendidos e considerados pelo professor.

4. Atividades que contemplam as crianças com propostas lúdicas, desafiadoras, instigantes e adequadas às suas habilidades, sempre dão certo. A questão é que o professor precisa estar aberto às contribuições dos pequenos e valorizar e permitir seus questionamentos, criações e percursos… isso é sinal de potência, desenvolvimento e aprendizagens.

5. Quando a proposta assume rumos inesperados, ela continua na esfera do deu certo se o professor souber se posicionar frente aos objetivos planejados. O que quer dizer? Significa que o professor que pauta a intenção pedagógica nos objetivos de aprendizagem, se planeja com estratégias que provocam as crianças e as convidam para viver experiências que favoreçam o desenvolvimento das habilidades previstas no planejamento. Mas, se o inesperado acontecer, o professor vai encarar a atividade como um aprendizado para sua própria prática e para repensar suas estratégias. O que dá errado é o que nos movimenta e nos faz pensar. É bom lembrar do que diz Madalena Freire: o professor não aprende com o aluno, ele aprende com as práticas que desenvolve com seus alunos. Professor é professor e aluno é aluno.

Por isso, dar ou não dar certo é uma generalização que pode esconder conceitos equivocados da prática pedagógica. No lugar de dar certo e não dar certo, gosto mais de pensar em “objetivos planejados que foram contemplados” e “surgimento de outros caminhos e aprendizagens não previstas”. Planejamentos, registros cuidadosos e reflexões transformam “dar certo” e “dar errado” em pesquisa da intencionalidade pedagógica e da prática aberta aos conteúdos das crianças.

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PARA SABER MAIS…

Diversas postagens do Tempo de Creche sugerem instrumentos para planejar, registrar e refletir sobre propostas. Também falamos sobre aprendizagens nas postagens sobre os campos de experiências apontados na BNCC. Elaboramos inúmeras tabelas que organizam o desenvolvimento infantil a partir da neurociência e de Wallon. Na área destinada aos assinantes do blog Tempo de Creche é possível ler esse material e fazer o download para salvar e imprimir. Se você ainda não é assinante, é só clicar no ícone “cadastrar”, na home,  e preencher os campos indicados com nome e e-mail. É GRATIS!

 

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Para ser professor, basta o diploma?

Percorremos uma jornada de formação na faculdade. Atualizamos nossos conhecimentos por meio de cursos e palestras. Compramos alguns livros e lemos artigos em revistas especializadas e na internet… ainda assim parece que falta algo! Parece que nada disso dialoga com a prática! O que acontece?

Atualmente, a formação do professor é considerada uma disciplina de estudo especializado e uma área de pesquisa estratégica. Diversos países investem nesse tema porque julgam ser prioritário pensar sobre a qualidade do ensino praticado pelos professores ao longo de suas carreiras.

O que isso quer dizer exatamente?
Para qualquer profissional cuja carreira dependa das habilidades intelectuais, é fundamental que a formação se estenda por toda a vida.
Até aí, nada de novo.

O que tem despontado nas pesquisas a respeito da formação continuada do professor, é a importância da REFLEXÃO como estratégia de auto-formação.

É crença de diversos estudiosos e especialistas que a formação do professor se completa com a sua prática. Isso quer dizer que sem colocar a mão na massa não há formação que dê conta de preparar um professor para um trabalho qualificado.

O educador americano Herbert Kohl diz que a não ser que os professores assumam a responsabilidade de testar e elaborar teorias de educação, as teorias serão sempre feitas (e impostas!) pelos outros.

Então não é só frequentar uma faculdade, estudar, obter a graduação e, com a experiência prática, conquistar a satisfação de reconhecer-se como um bom professor?

Mais uma vez, não!

É nesse sentido que os pesquisadores têm apontado e necessidade de uma etapa formativa da carreira que NUNCA TERMINA: o exercício constante da reflexão sobre a própria prática.

Paulo Freire foi um defensor da reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Para ele, (…) é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. (FREIRE, 1996, p.43).

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Segunda versão da Base Curricular (BNCC): pilares para pensar a prática

Saiu a segunda versão preliminar da Base Nacional Comum Curricular. E gostamos do novo formato! Está ótimo para refletir sobre a nossa prática. Baixe o documento: MEC BNCC versao2 abr2016
A linguagem está acessível e direta, em consonância com as crenças formativas do Tempo de Creche! 
Existe um entrelaçamento mais claro e objetivo nesta proposta da Base Curricular com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil.
A prática, mesmo que do ponto de vista conceitual da ação pedagógica, também foi mais contemplada.

imagem segunda versão da Base Nacional Comum

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Uma parada para pensar: 5 reflexões sobre ser professor

Mediação, produto, processo, brincadeira e conhecimento de mundo. Estes são conceitos que recheiam os livros de pedagogia e as formações. Sabemos o que eles significam? Pensamos nesses conceitos na prática diária?
Convidamos você para fazer uma parada! Stop! Vamos refletir? Vamos fazer uma parada para pensar.

Reflexão… uma palavra tão presente! Falamos muito sobre ela mas nem sempre caminhamos pelos seus significados.

  • Na Psicologia, refletir significa pensar sobre um tema.
  • Na Física, refletir é mudar de direção (percebemos isso quando mergulhamos metade de uma varinha numa piscina e vemos sua imagem distorcida).
  • Para a Matemática, a reflexão está relacionada a uma transformação geométrica.
  • Para os Programadores, reflexão é a capacidade de um programa observar ou modificar a sua estrutura

Uma “parada para pensar” que abraça todas essas ações, pode produzir transformações e novos comportamentos. Propomos uma jornada com 5 pontos de parada para se observar, pensar, mudar de direção e transformar estruturas. Continue lendo..

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Coordenador: Roteiro de ações e formação de educadores

A ação do coordenador da Educação Infantil encontra diferentes desafios no cotidiano da formação de educadores

As solicitações emergenciais capturam o profissional que está, na maior parte de seu tempo, “apagando incêndios”, como dizem alguns profissionais, socorrendo uns e outros. Fica, então, difícil de criar uma forma de ação que estruture e garanta a qualificação da equipe e do trabalho.

Estão sozinhos nessa jornada?

Qual a saída?

Como, então, se preparar para organizar os momentos específicos de atuação da coordenação na sua função particular?

balão laranjaO que pensar?

balão laranjaO que escolher?

balão laranjaComo planejar?

balão laranjaComo acompanhar o trabalho desenvolvido?

Roteiro 1

É no grupo, acompanhado por um educador, onde, a partir de socializações de nossas reflexões, de nossos significados, entramos em contato com o pensar do outro, gestando o confronto e o conflito com este pensar. Pois sempre pensamos, refletimos, com e para o outro, a favor ou contra.         Madalena Freire

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