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Uma creche com muito a ensinar: NEIM Albert Sabin

Ao conhecer outras instituições podemos pensar sobre novas ideias, comparar modos de ser e agir e somar saberes. Observamos que existem situações e problemas comuns e descobrimos soluções. Percebemos também que existem contextos e problemas diferentes dos nossos que, ainda assim, alargam o nosso olhar.

Visitamos uma creche que tem muito a contar.

Fomos convidadas para fazer o lançamento do livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertasno NEIM* Albert Sabin, localizado no Guarujá, cidade do litoral de São Paulo, coordenado por Vanessa Menezes dos Santos e Alexandra Nunes Oliveira e dirigido pela Ivoneide Francisca de Araújo.

Já na chegada fomos surpreendidas. Junto conosco, chegou um pai representante da associação de pais, que, numa conversa rápida com a Vanessa, combinou os próximos passos para cuidar “daquele probleminha no telhado”.

Quando o simpático pai foi embora, Vanessa comentou que a comunidade escolar da creche era composta por famílias interessadas e envolvidas nos projetos da instituição. Para entender esse contexto, nos levou para conhecer um espaço recém reformado pelas comunidade e pela equipe da creche. Uma área em desuso abrigou um projeto coletivo: a construção de um pedacinho de natureza e brincadeiras.

Projeto VENSER Albert Sabin Guarujá

Vanessa relatou que depois de discutir o projeto nas reuniões de pais, ouvir as sugestões, dar tempo para cada família interessada amadurecer as possibilidades de contribuição e muito zum zum zum nos momentos de entrada e saída, foi marcado um final de semana para o trabalho coletivo: famílias, equipe pedagógica e comunidade do entorno.

Familiares e equipe preparam os materiais planejados e chegaram à escola com energia. Assentaram o chão de terra batida e pedriscos; plantaram mudas e plantas; instalaram cercas, uma casinha e obstáculos; reuniram cestos com tocos de madeira, cascas de coco e cabaças; amarraram cordas nas árvores e pintaram uma pista cheia de curvas no chão.

Projeto VENSER construção

O resultado positivo da ação não se restringiu à frequência das crianças, que adoram brincar no novo pátio. O projeto reuniu um time de ouro em torno da comunidade escolar, que continua levando plantas e materiais para enriquecer o canto de natureza. Apesar do verde ainda não ser uma marca, ele está lá, se desenvolvendo e gerando os frutos de um trabalho coletivo que pensa no futuro.

Projeto VENSER uso pelas crianças

Ao retornar para a entrada principal da creche, pudemos entender como a parceria escola-famílias-comunidade se constitui. A creche dedica uma área da entrada aos pais e responsáveis que, enquanto aguardam a hora de entrar nas salas para entregar ou buscar as crianças (sim, nas salas!), podem apreciar uma vasta e bem montada documentação pedagógica, reveladora das atividades e projetos das turmas. São totens, cartazes e painéis colocados nas paredes, no chão e pendurados por toda a parte.

espaço de acolhimento das familias albert sabin

Além das produções das crianças, são preparados cantinhos para as famílias desfrutarem e compreenderem como se pensa brincadeira e educação na Albert Sabin. Tem canto de praia, de natureza, de desenho, de literatura infantil e também de literatura adulta. Tem cadeiras, bancos, um aparelho de TV e bandeja com café e água. Tem diretora que passa e cumprimenta todo mundo. Tem coordenadora que sabe o nome dos familiares e dos ex-alunos que vêm buscar os irmãozinhos. Tem carinho. Tem respeito. Tem acolhida. Tem diálogo. Tem construção de parceria e envolvimento…

cantinhos para familias Albert Sabin Guarujá

 

Documentação Pedagógica Albert Sabin GuarujáEssa atitude não para aí!

Os corredores e pátios internos também revelam que essa creche não está aprisionada pelas paredes. Cantinhos nos corredores e passagens são considerados espaços educativos. É um deleite passear e descobrir! Tem canto de livro, de casinha, de brincadeira de médico, de música, de fantasia, dos indígenas, de pesquisa de arte brasileira. Tem até bebês passeando em um trenzinho feito com contêineres pela comunidade: duas professoras dão conta de sair com 7 bebês que ainda não andam!

cantinhos para crianças Albert Sabin Guarujá

trenzinho de contêineres creche albert sabin

Conhecer e refletir sobre outras experiências é um modo de se desenvolver profissionalmente e avançar na conquista de saberes da docência. É conhecendo o outro que a gente se conhece e vira “gente grande”. O especialista português em Ciências da Educação, António Nóvoa, afirma que é por meio da partilha de saberes que podemos disparar reflexões e, com isso, a experiência de cada um se transforma em conhecimento ao analisar as próprias práticas.

Parabéns à comunidade da NEIM Albert Sabin, empenhada em promover a educação das crianças. Parabéns à equipe da creche pelo trabalho inspirador. E parabéns a todos por compartilharem seus saberes com os leitores do Tempo de Creche.

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Resumo das dicas da NEIM* Albert Sabin:

  • Na entrada e na saída, a recepção dos familiares é valorizada pela presença da diretora e/ou da coordenadora.
  • O espaço reservado para os familiares é pensado e elaborado com intenção pedagógica: tem documentação pedagógica dos trabalhos desenvolvidos com as crianças, tem cantos preparados com estética e conteúdos para sensibilizar e provocar o olhar, tem literatura para levar para casa e acolhimento com cadeiras, água, café e televisão.
  • Os familiares e responsáveis entregam e buscam as crianças na sala.
  • Existe uma associação de pais (APM) atuante, que frequenta a creche, conversa com a gestão, discute projetos e convoca a comunidade para participar de eventos culturais, celebrações e também de mutirões.
  • Corredores podem ser espaços pedagógicos com cantinhos organizados para brincadeiras e faz de conta: casinha, música, médico, mercado, leitura, fantasia, entre outros.
  • Um trenzinho feito com contêineres e almofadas pode ajudar no deslocamento dos bebês que ainda não andam
  • Áreas em desuso podem se transformar em parques com elementos da natureza: chão de terra batida; plantas; cordas, tábuas e pedaços de tronco viram brinquedos.

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PARA SABER MAIS…

*NEIM = Núcleo de Educação Infantil Municipal

Citação de António Nóvoa: Professores: Imagens do futuro presentes. Lisboa, 2009

Leia mais sobre outras escolas que tem muito a ensinar nas postagens:

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Repensando o velho caixote de brinquedos…

Crianças aprendem brincando, mas não nascem fazendo isso sozinhas.
É pelas primeiras brincadeiras com a mãe que os bebês aprendem uma linguagem que dominarão com maestria: o brincar.
Aí você olha para a prateleira da sala, avista o caixote de brinquedos… e pensa: minhas crianças brincam todos os dias!
Será? Quais brincadeiras o caixote de brinquedos pode proporcionar? Vamos refletir sobre isto!

O lúdico é um estado de graça para a criança. Nós, adultos, perdemos a conexão com a brincadeira porque a sociedade dos “crescidos” rotulou o brincar como perda de tempo para quem tem responsabilidades e atribuições!

Mas hoje a brincadeira das crianças é garantida por lei, ao menos na primeira infância.
Por que será?

Por que as crianças ficam felizes quando brincam?
Por que gostam?
Por que inventam?
Por que descobrem?
Por que aprendem?

Sim!

canto de atividadesPor tudo isso. E porque o lúdico é uma linguagem que permite interagir com os adultos, as outras crianças, a cultura, a natureza, os espaços e os materiais. É por meio do diálogo brincante com o mundo que a criança vive experiências intensas e pode ser transformada por elas.

 

Para o pesquisador francês, Gilles Brougère, “o que justifica a brincadeira, além de todo o mito, é que ela oferece a possibilidade de a criança fazer experiências variadas e, mais que produzi-las, escolhê-las e controla-las”.

Bom, até aí parece que não tem muita novidade. Os profissionais da Educação Infantil percebem quando as crianças mergulham numa brincadeira e o quanto esses momentos deixam marcas significativas. Então porque estamos retomando este assunto?

Por que, infelizmente, ainda existe a crença de que é só dar um brinquedo que brincadeiras e aprendizagens acontecem.

É fato que o brinquedo nasceu para a brincadeira. Mas nem sempre a brincadeira nasce dos brinquedos! Especialmente aqueles que estão no velho caixote da sala, amontoados, meio quebrados, meio misturados e incompletos. Aquele monte de plástico que é visitado todos os dias, sem nenhuma intervenção do adulto a não ser dá-los aos pequenos.

Ué? Mas as crianças não brincam com eles?

Sim. Até brincam.

Mas escola é espaço formal de ensino e aprendizagem. Como dissemos logo acima, a brincadeira é um ato social e, por isso, é cultural e aprendida.

Sem a intervenção do adulto, o velho caixotão pré-dispõe os pequenos às velhas brincadeiras, exercitadas um milhão de vezes!

Nestes momentos, o que os professores estão fazendo para provocar novas brincadeiras e experiências?

Estão inspirando a criatividade? Desafiando os pequenos a pensar em novos usos e possibilidades para os velhos brinquedos?

Gilles Brougère nos fala que “a importância da brincadeira, ao lado de outras atividades humanas, permite a produção de novas experiências”. Não há imaginação que chegue à criança com velhos brinquedos frequentemente utilizados, se eles não receberem um empurrão do professor com planejamento e intencionalidade pedagógica.

Que tal então repensar o velho caixote? Existem muitas possibilidades para trabalhar com os brinquedos que chegam no meio do semestre intensamente explorados, desconjuntados e quebrados. Propomos pensar em novas combinações.

1- Reunir parte dos brinquedos com intenção de provocar brincadeiras diferentes:

  • materiais-organizadosPeças pequenas de montar com panelinhas, potinhos e colherinhas (será que se transformarão em uma comidinha diferente?);
  • Carrinhos com bonequinhos (será que os bonecos vão se tornar passageiros? Quais narrativas vão surgir?);
  • Apresentar só os brinquedos grandões;
  • Apresentar só os brinquedos pequeninos;
  • Unir dois tipos de brinquedos de montar que podem se complementar;
  • Colocar os carrinhos e/ou bonequinhos próximos a um brinquedo de montar que propicie a construção de “túneis”, “garagens” etc..

2- Reunir alguns brinquedos com outros materiais:

  • Bonecos e retalhos de tecido de diferentes cores e texturas (será que vira roupa? Cobertor?);
  • Carrinhos com caixas e tiras de cartolina ou papelão (podem se transformar em túneis, garagens, pontes e ruas?);
  • Tratores, caminhões e trens com pedras de diferentes tamanhos;
  • Panelinhas com plantinhas, gravetos e sementes (vira comidinha?);
  • Brinquedos de montar e lãs e barbantes coloridos (vão tentar amarrar? Enrolar? O que vai dar?).

canto de carrinhos

É só colocar a criatividade em ação e fazer uma escuta atenta das brincadeiras que as próprias crianças estão criando, para pensar em possibilidades de ampliação.

Mas é importante não esquecer que, ao utilizar as brincadeiras somente como um meio didático, deixamos de lado as principais contribuições do brincar para o desenvolvimento infantil. Como lembra a professora Gisela Wajskop: “situações que evidenciam apenas objetivos instrucionais” não se constituem em brincadeira, “pois o tema, os papéis e as ações das crianças foram definidas a priori em função de objetivos prévios” do adulto.

Outro ponto fundamental para despertar o desejo de brincar diferente é organizar um espaço de brincadeira diferente. Em outras postagens já abordamos a importância do “espaço propositor” para inspirar as crianças e garantir experiências interessantes.

Canto 1

Quando brinca, a criança vai além da realidade: imagina, inventa, experimenta novas situações, testa modos de se relacionar e vivencia o mundo adulto que ainda não lhe pertence a não ser na brincadeira. Por isso ela aprende e cresce enquanto brinca. Por isso brincadeira também é coisa de escola!

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre a brincadeira para as crianças pequenas no livro: O Brincar – 0 aos 6 anos, da Gisela Wajskop. As citações desta postagem estão neste livro.

O livro do Tempo de Creche dedica muita atenção à questão da brincadeira na infância, apresentando fundamentação, tabelas com conteúdos organizadores e muitas sugestões de atividades. Adquira um exemplar acessando a loja da Editora Edelbra.

Leia mais sobre espaço propositor e brincadeira na Educação Infantil nas postagens:

 

 

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Atividades para criança criativa: o que significa isto?

Um grande número de atividades de creches e pré-escolas apresentadas nas redes sociais nos fazem pensar sobre a qualidade da educação praticada com as crianças pequenas. Ainda é possível observar que muitos educadores valorizam as “atividades” e esquecem do personagem principal de todo e qualquer planejamento pedagógico: a criança criativa, seus interesses, necessidades e percursos de aprendizagem e desenvolvimento.

Muitos dos conteúdos pedagógicos da Educação Infantil postados nas redes sociais pertencem a um universo ultrapassado da Educação Infantil.

paredes com imagens de qualidade fb

Um número significativo de experiências pedagógicas compartilhadas mostra crianças “enquadradas”, com pouco espaço para o exercício da criatividade, a resolução de problemas e o desenvolvimento da autonomia.

O que quero dizer com isso?

São diversas indicações de atividades centradas em professores que assumem postura diretiva e retratam propostas baseadas em folhinhas impressas para colorir, pobreza estética e a valorização da mão do professor na elaboração de materiais com imagens estereotipadas de EVA. Pouco se nota da escuta, das descobertas e das contribuições das crianças nos processos de aprendizagem. Em resumo, divulgam-se atividades que não valorizam a identidade, a singularidade e a aprendizagem por meio de experiências e construção de conhecimentos.

brinquedinho ou desafio

A criança pequena, cuja curiosidade e iniciativa é valorizada, pode se colocar nas situações que vivencia. Ela tem espaço para “se interessar/não se interessar”; “perguntar/ouvir”; “saber/ainda não saber”; “entender/não entender”; “pensar igual/pensar diferente”; “querer repetir/querer inventar/ querer descobrir”… enfim, são crianças que têm posicionamento e certamente participam do próprio processo de aprender e se desenvolver.

artesanato do professor

Para o teólogo, filósofo e pesquisador da Educação, Cipriano Carlos Luckesi, as aprendizagens complexas dão base para aprofundamentos e criatividade: “só cria quem entende”. O ser humano é ativo. É um ser de movimentos, mesmo que esteja aparentemente quieto. Na sua quietude, certamente os neurônios estão em movimento. O ensino mecânico não considera os movimentos internos e externos das crianças e, com isso, não constrói uma aprendizagem baseada no “querer saber os porquês”, para entender, aplicar e recriar (LUCKESI, 2011). Só nesse estágio é que a criança se transforma, conquista autonomia e pode transformar o mundo.

documentação pedagógica da criança

Já crianças que foram formatadas em comportamentos condicionados, perdem a curiosidade, o desejo de pesquisa, a criatividade, o encantamento pela descoberta e a certeza de que podem aprender, inventar e participar do que acontece ao seu redor. Essas são as bases para formar crianças pensantes, inteligentes, críticas e que conhecem os próprios jeitos de se organizar para aprender.

Muitas das propostas divulgadas na internet atropelam o potencial das crianças e, como diz Madalena Freire, no lugar de oferecer “FÓRMAS”, as colocam em “FÔRMAS”.

atividade formatada

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PARA SABER MAIS…

→ Cipriano Carlos Luckesi é teólogo, filósofo, doutor em Educação: Filosofia e História da Educação e especialista em Avaliação. Hoje é professor aposentado, orientador de pós-graduandos e integrante do Grupo de Pesquisa em Educação e Ludicidade da Universidade Federal da Bahia. O livro consultado nesse artigo é Avaliação da aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2011.

→ Madalena Freire é uma das inspirações do Tempo de Creche. É pedagoga e arte- educadora. Dedica-se desde 1981 à formação de educadores com grupos de reflexão e estudo. Foi fundadora do Espaço Pedagógico em São Paulo e presta assessoria a instituições públicas e particulares em todo o território nacional.

Leia mais sobre Madalena Freire e o tema desta postagem em:

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Tabelas, percursos reflexivos e instrumentos: conheça a organização dos conteúdos do livro do Tempo de Creche

O livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertas foi escrito a partir das interações dos leitores do Tempo de Creche com o site e o Facebook. A estrutura do livro, as fotos, a fundamentação, os depoimentos dos parceiros e as situações práticas foram pensadas para contemplar dúvidas, necessidades e reflexões expressadas pela comunidade de leitores.

Assim, o “jeitão” do blog está no livro! Sem caminhos facilitados por receitas e fórmulas prontas de atuação, mas com pensamentos, dicas, repertório, provocações… e as nossas tabelas com conteúdos organizadores, sugestões de instrumentos para planejar, observar e refletir e muitas perguntas para trazer a prática do leitor para a “conversa”.

preview Educação Infantil um mundo de janelas abertas 1

Educação Infantil: um mundo de janelas abertas é um instrumento vivo para o professor ler, reler, argumentar consigo e com os colegas, copiar, recriar e usar.

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ACESSSE A LOJA VIRTUAL DA EDITORA PARA ADQUIRIR O LIVRO COM O DESCONTO DE PRÉ-LANÇAMENTO: de R$ 99,00 por R$ 59,40.

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Tabelas, percursos reflexivos e instrumentos organizadores: conheça a organização dos conteúdos do livro do Tempo de Creche

O livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertas foi escrito a partir das interações dos leitores do Tempo de Creche com o site e o Facebook. A estrutura do livro, as fotos, a fundamentação, os depoimentos dos parceiros e as situações práticas foram pensadas para contemplar dúvidas, necessidades e reflexões expressadas pela comunidade de leitores.

Assim, o “jeitão” do blog está no livro! Sem caminhos facilitados por receitas e fórmulas prontas de atuação, mas com pensamentos, dicas, repertório, provocações… e as nossas tabelas com conteúdos organizadores, sugestões de instrumentos para planejar, observar e refletir e muitas perguntas para trazer a prática do leitor para a “conversa”.

preview Educação Infantil um mundo de janelas abertas 2

 

Educação Infantil: um mundo de janelas abertas é um instrumento vivo para o professor ler, reler, argumentar consigo e com os colegas, copiar, recriar e usar.

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Objetos potentes e elementos da natureza para brincar e aprender

Que as crianças precisam de natureza, ninguém duvida! Levar um pouco de natureza para a sala enriquece a pesquisa e a brincadeira com elementos potentes.
Acompanhe o trabalho da professora Neuza e da coordenadora Silvana do CEI Santa Marina, SP, com a turma de pequenos investigadores de três anos.

Atividade objetos potentes 3

As professoras de três creches de São Paulo estão pesquisando o envolvimento das crianças pequenas com “objetos potentes”, tema da formação que estamos desenvolvendo com o apoio do Impaes* neste semestre.

Objetos potentes são materiais que não vêm com “instrução de uso”. Eles desafiam a criança a mobilizar a criatividade e a imaginação para construir significados.

As sucatas são um bom exemplo dessa potência. Também as caixas que se prestam a uma infinidade de brincadeiras, os utensílios de cozinha, os tecidos e as folhas, flores e gravetos que se transformam em saborosas comidinhas.

Já os brinquedos prontos “prescrevem” um manuseio, indicam como podem ser usados e  limitam a criatividade.

No percurso da formação das equipes, a Neuza resolveu planejar uma sequência didática a partir do interesse da turma pelos tesouros encontrados no caminho do parque para a sala. Se os pequenos gostam de coletar, vamos trabalhar essa coleta!

Saíram para o parque munidos de sacolinhas e afinaram o olhar para encontrar elementos interessantes: pedras pequenas e grandes, lisas e ásperas, brancas e marrons; “pauzinhos” que foram chamados pelo nome de “gravetos” e galhos”; folhas verdes e amarelas, que sinalizam o outono; vagens; sementes e um “coração de bananeira” – uma raridade caída no chão do parque. Depois do exercício, parece que os olhos das crianças aprenderam a observar o caminho com cuidado e interesse: olha o que eu achei, prô!

As sacolas voltaram repletas para a sala e foram guardadas com cuidado para serem utilizadas em outra proposta.

No dia seguinte, com a ajuda da coordenadora Silvana, Neuza separou as lupas e os elementos coletados, classificando-os para dispor sobre as mesas colocadas no pátio ensolarado. Com a brincadeira arrumada, convidou as crianças que reconheceram o material.

Atividade objetos potentes 1

A organização do espaço propositor pareceu contar para os pequenos que era hora de observar e pesquisar os materiais de perto. Minuciosamente olharam através da lupa, ora mirando os materiais, ora mirando os colegas e as partes do corpo.

Atividade objetos potentes 2Uma menina examinava atentamente as pequenas pedrinhas de brita. Percebendo o esforço da colega, outra menina segurou a lupa sobre as pedrinhas para colaborar com a amiga. Uma formiguinha deu o ar da graça e foi seguida por alguns pequenos. Mas a grande sensação foi o “coração da bananeira”, manuseado e revirado por muitos interessados: cuidado! A prô disse que esse é o coração da árvore!

Até que um menino resolveu retirar as grandes pétalas dessa incrível flor e descobrir que ela abrigava bananas pequeninas. Que descoberta! Professora, coordenadora e crianças ficaram maravilhadas! Foram encontradas bananinhas em miniatura dentro da flor-coração. Posso comer? disse um dos pequenos. Neuza respondeu que banana verde pode ter gosto ruim. Mesmo com o cheiro de fruta verde, a tentação foi grande.

Atividade objetos potentes 4

A professora registrou os acontecimentos, as falas e descobertas das crianças em seu caderno, além das próprias descobertas com a prática. A coordenadora fotografou e filmou a atividade, procurando registrar os detalhes da organização dos espaços e materiais e também os momentos de pesquisa das crianças. Depois, refletiram em conjunto.

A natureza convidou crianças e educadores e mostrou um caminho frutífero para pesquisar… quem falou em “fruta”?
Ahhh! Fruta também faz parte desse universo natural e a equipe aproveitou os avanços das pesquisas das crianças para investigar as frutas do dia a dia.
Essa trilha está só começando… e fica para outra postagem!

PARA SABER MAIS…

 A prática comentada nesta postagem aconteceu no CEI Santa Marina, do Instituto Rogacionista, São Paulo. A professora é a Neuza Marlene da S. Avelar e a coordenadora é a Silvana Barbosa de Moura.

→ * O Impaes – Instituto Minide Pedroso de Arte e Educação Social propõe um novo e avançado formato de responsabilidade social no Brasil. O Instituto propõe beneficiar iniciativas que tenham como meta a capacitação de educadores na área da arte, visando efeito multiplicador em todas as suas ações sempre voltadas à formação de crianças, jovens e adultos, em comunidades de baixa renda. Por meio do Programa Desafios Impaes 2017, o instituto apoia projetos de formação de dois anos voltados a professores e gestores de creches de São Paulo, num dos quais atuamos como formadoras. O Projeto Afinal, o que é arte na Educação Infantil? trabalha com os CEIs Nossa Turma, Anibal Difrancia e Santa Marina, com monitoramento do CENPEC.

Leia mais sobre esse tema nas postagens:

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Que tal espiar o livro “Educação Infantil: um mundo de janelas abertas”?

Quais dúvidas surgem no dia a dia do trabalho na Educação Infantil?
Como contribuir com a aprendizagem das crianças pequenas, curiosas, inquietas e brincantes?
Qual o território ideal para educar os pequenos? Como integrar cultura e natureza na Educação Infantil?
O que o professor da Educação Infantil tem buscado para alimentar sua formação?

chamada capitulos livro Janela

Estes e muitos outros questionamentos, levantados em práticas formativas com educadores da primeira infância e no diálogo com os milhares de leitores do Blog Tempo de Creche, estão no livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertas

Os assuntos estão desenvolvidos em três grandes capítulos que conversam entre si:

 

  • Criança: que ser é esse?

preview Educação Infantil um mundo de janelas abertas 3
O capítulo leva o leitor a pensar na brincadeira como linguagem da criança, que, provocada pela curiosidade, pensa, levanta hipóteses, se expressa, vive experiências emBNCC.

  • Território: cultura e natureza

preview Educação Infantil um mundo de janelas abertas 4
O capítulo aborda os cenários da infância e da educação. A escola, na busca constante para alimentar, acompanhar e instigar os conhecimentos que podem ser construídos, não pode ser fechada em si, porque o universo é amplo, dialógico, a cultura é viva e os ambientes de natureza são fontes inesgotáveis de inspiração e aprendizagem. Cultura e natureza são pilares da identidade. São berço e nutrição.

  • Professor: estudioso e aprendiz da prática

preview Educação Infantil um mundo de janelas abertas 5
O último capítulo organiza o pensar e o fazer docente para educar crianças pequenas com um olhar voltado à singularidade, ao grupo e à reflexão sobre a prática.

Educação Infantil: um mundo de janelas abertas propõe uma jornada reflexiva rumo à prática autoral.

 

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Hora do parque é hora de quê?

O que a hora do parque representa para as crianças?
E para os professores?

Vamos começar pelos pequenos

O parque é um dos diversos espaços da escola que devem ser ocupados pelas crianças. Mas o parque é especial… talvez mais importante do que a própria sala!

Na área externa, de preferência grande, ensolarada e “decorada” pela natureza, as crianças desfrutam um ambiente arejado; amplo o suficiente para experimentar os grandes gestos do corpo; pesquisam e coletam galhos, pedras, plantas, bichinhos e outros tesouros; se juntam aos colegas e também encontram cantinhos secretos; colocam em ação incríveis enredos de faz de conta… enfim, vivem a infância no melhor cenário!
a hora do parque 1

Se perguntássemos agora, qual cena da sua infância vem primeiro à mente, para grande parte dos leitores o espaço que abriga a lembrança é o externo. Somos marcados por quintais, jardins, parques, sítios, praias e matas. Nesse sentido, os educadores percebem a importância desses espaços para suas crianças, mas nem sempre priorizam e se preparam para dedicar diariamente longos períodos às áreas externas.

a hora do parque 4Por que isso ocorre?
Porque fomos formados em escolas de paredes! Apesar de perceber os ganhos para as crianças, nossa memória corporal nos projeta para as salas de aula e acabamos reproduzindo nossa história com as crianças.

Recebemos inúmeras mensagens de professores pedindo orientação à respeito de turminhas de 1, 2, 3, 4 ou 5 anos “muito agressivas”. Pergunto-me se estas crianças são alimentadas pela vitamina “sol-espaço-movimento”!

Até aqui pensamos sobre o valor destas áreas na rotina dos pequenos (e na nossa também!). Agora vamos pensar no professor

Pergunto: sair para o parque todos os dias e garantir a segurança dos pequenos é suficiente?
É importante mas não é suficiente.

a hora do parque 3O parque da escola faz parte de um espaço FORMAL de educação. Ele não é a pracinha perto de casa que a criança frequenta com a família!

A hora do parque é um território fundamental para o desenvolvimento de diversas habilidades e aprendizagens e, por isso, não há lugar para espontaneísmo pedagógico. É impensável ocupar esse tempo precioso das crianças batendo-papo com o colega e colocando o Facebook, o WhatsApp e os e-mails em dia.

A hora do parque na escola é educativa… necessita planejamento, observação, intervenção, registro e reflexão:

  • Do que as crianças estão brincando no momento do parque?
  • O que posso levar para que as brincadeiras se ampliem e se aprofundem? (materiais)
  • Como posso organizar o espaços do parque para provocar a curiosidade e as explorações? (espaço propositor)
  • O que posso fazer para instigar, levantar problemas e desafiar as crianças a pensarem nas resoluções? (intervenções)
  • Quem e o que devo observar no momento de parque? Quais questões são importantes para registrar? (pauta do olhar e registro)
  • Com base nas observações e registros, quais materiais e intervenções posso organizar para a próxima saída ao parque? Quando devo me afastar e observar (dar espaço) e quando devo intervir?

a hora do parque 2

Então, o professor deve estar sempre encabeçando as propostas do grupo, se colocando, intervindo, mediando etc. etc. etc.?

Os pequenos podem experimentar uma maior autonomia na hora do parque. O professor pode assumir uma postura acolhedora e menos diretiva, que favoreça a organização autônoma dos grupos em torno de interesses próprios. É só fazer uma escuta para os desejos e necessidades das crianças e balancear os usos desse espaço privilegiado… assim como estamos habituados a pensar no espaço da sala!

a hora do parque 5

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre esse tema nas postagens:

 

 

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Conheça o livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertas

Educação Infantil: um mundo de janelas abertas coloca em prática os mesmos pressupostos que reivindica para uma educação infantil de qualidade: valorização do diálogo, da pesquisa, da experiência e também da cultura e do ambiente nos quais a escola está inserida.

1a chamada lançamento livro JanelaO livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertas é resultado das nossas trajetórias como formadoras de educadores infantis e também do conhecimento produzido de forma compartilhada no Tempo de Creche, um espaço de fundamentação e de diálogo, no qual a comunidade educacional interage com as publicações, partilhando opiniões e dúvidas.

capa livro educação infantil um mundo de janelas abertas bx

Conteúdos provocativos para auxiliar o dia a dia dos profissionais da Educação Infantil podem ser encontrados no livro. Textos, imagens sobre a prática, quadros organizadores e percursos reflexivos sugerem caminhos para o professor pensar, planejar, desenvolver a ação pedagógica, refletir, documentar, alicerçar seus avanços e construir um trabalho autoral.

São janelas abertas para dialogar com o que já se sabe, com o que não se sabe e com o que precisa ser repensado. Ilustrado com imagens que mostram o cotidiano de escolas espalhadas pelo Brasil, o livro apresenta uma proposta de Educação Infantil que tem a criança como sujeito e cidadão, a natureza como território e o professor como estudioso e aprendiz.

 

 

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Brincando com as culturas indígenas

Estamos em abril e no dia 19 deste mês comemora-se o Dia do Índio.

Por quê?                   Para que?                       Como?                         Quando?

Podemos pensar um pouco mais no que esta data e a cultura indígena representam.

Yanomami 6

*Curumim: palavra de origem tupi que significa criança. 

  • Que tipo de informação queremos transmitir para as crianças?
  • O que elas entendem?
  • O que sabemos sobre essas pessoas que vivem neste mesmo lugar, que chamamos de Brasil?
  • Como é o indígena brasileiro?
  • Quais são suas crenças? 
  • Como é sua cultura?
  • Como brincam?

Estas são algumas das perguntas que nos fazemos sempre que o Dia do Índio se aproxima. Hoje, o que sabemos deles é o que a televisão nos conta e muitas vezes o foco das matérias não são as crenças e as culturas indígenas. Algumas regiões, pela proximidade com as aldeias, possuem um contato e uma convivência maior.

Mas, pensando nas nossas crianças da Educação Infantil, como selecionar conteúdos que sejam significativos e provoquem o interesse e o conhecimento delas em relação a estas culturas tão ricas e tão próximas e desconhecidas… Como brincar com estas ideias e outros modos de ver o mundo?

O importante é se preparar para aproveitar as diferentes possibilidades que podem ser desenvolvidas com  o tema: cultura e hábitos, alimentos e moradia, locais em que vivem, brinquedos e brincadeiras etc.

pintura corporal

Vamos, nesta postagem, nos ater aos aspectos da  pintura corporal, uma das características e costume que é mais notada, nas imagens divulgadas.

Você já se pintou como os índios?

Para começar a conversa! 

Selecione várias imagens de crianças indígenas com as pinturas e introduza na Roda de Conversa para saber o que suas crianças pensam e conhecem.

Pergunte o que estão vendo nas imagens e comente o que você também vê. Mostre os enfeites, as cores e o trabalho de pintura.

Para desenvolver uma atividade

Se o grupo demonstrou interesse e curiosidade, com a tinta já própria para pintar o rosto, proponha que experimentem, em frente ao espelho,  e permita que explorem as diversas possibilidades, pintar tudo, fazer ricos, como viram nas imagens (que poderão estar disponíveis para “consulta” em local acessível) … veja as cores e formas geralmente utilizadas pelos indígenas brasileiros nos itens abaixo.

Não esqueça de registrar toda  o desenvolvimento da proposta para ter o material do trabalho realizado!

Conhecendo as pinturas corporais

Por seu convívio com a natureza, muitos povos indígenas usam as formas que eles identificam na flora (plantas) e na fauna (animais) para pintarem seu corpo. O mais usual é a repetição de pequenas formas. Este é um aprendizado que os índios fazem desde pequenos. Cada grupo tem um tipo de desenho a partir de seus rituais e crença.

Yanomami 1Por exemplo: a cobra para os Yanomami, povos que habitam o norte do Amazonas, é uma linha sinuosa e a onça pintada, uma sequência de pintinhas.

Yanomami 2As estrelas para os Yanomami é uma sequência de pequenas cruzes que eles pintam no rosto. O mesmo céu para os índios das tribos Tucano, ao longo do rio Negro, é representado por uma fileira de pontos. Para eles, estas fileiras verticais representam via láctea que é imaginada como um rio celestial.

solSol – Símbolo que representa como o principio fertilizador

Nas escolas as crianças indígenas aprendem cada uma destas representações e quando elas devem ser usadas. Mas as pinturas nas crianças são feitas pelas mulheres e tem um significado de carinho com seus filhos, ao passarem horas nesta atividade.

crianças Yanomamis

As comunidades indígenas vão se diferenciando uma das outras pela forma e pela repetição de como utilizam basicamente dois elementos: o traço (wahirê) e o círculo (doí). (Tradução na cultura dos Xarentes, povos que habitam em torno do rio Tocantins, Estado do Tocantins). Você pode observar na foto acima no rosto dos meninos indígenas ianomâmis.

 Uma curiosidade!

Para os indígenas, as tintas para estas pinturas também vêm da natureza. Por isso a maior parte das tribos brasileiras usa a cor vermelha, que é extraída da semente da fruta chamada urucum. Urucuzeiro é uma árvore de mais de 6 metros de altura com uma florada cor de rosa. Você sabia que usamos também para colorir nossa comida? É o colorau!

Conhecendo o urucum

O azul marinho, quase preto, é retirado do sumo do fruto ainda verde do jenipapo. Para os povos Guaranis, jenipapo significa fruta que serve para pintar. O jenipapo também é uma árvore alta comum no Amazonas e na mata Atlântica. A árvore do jenipapo é da família da árvore do café.

Conhecendo o Jenipapo

Conhecendo o calcário

A cor branca vem do calcário, uma rocha sedimentar.

Darcy Ribeiro, um dos antropólogos brasileiro, estudou muito o mundo indígena, diz que “é no corpo humano que o indígena encontra suporte por excelência de sua pintura, é a tela onde os índios mais pintam, e aquela que pintam com mais primor”.

Ampliando o olhar

Onde mais os índios usam as cores?

Os índios também pintam suas cerâmicas, as palhas para tecer objetos e as madeiras dos utilitários, como bonecos, cestos e remos.

Objetos

Sobre datas comemorativas, leia:

Para aprofundar as pesquisas …

O que sabemos e conhecemos pode ser aprofundado com pesquisa aos seguintes endereços eletrônicos, entre outros:

  • http://www.danielmunduruku.com.br/
  • http://blog-do-netuno.blogspot.com.br/2010/09/pinturas-indigenas-e-seus-significados.html
  • Museu do Índio – um museu de saberes e de rituais
  • http://www.museudoindio.gov.br/
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