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O registro das crianças pequenas é o desenho

Para Madalena Freire o registro ajuda a sistematizar o pensamento. Mas isso também se aplica às crianças pequenas?
Sim!
Então, como ajudá-las a registrar e elaborar aquilo que estão experimentando?

Bebês a partir de 6 meses podem aprender a segurar riscadores e experimentar fazer as primeiras marcas no suporte. Riscando, rabiscando e brincando, os pequenos vão desenvolvendo o desenho e percebendo que o modo como movimentam os dedos, a mão, o punho, o cotovelo o ombro e o corpo todo, determina a forma das marcas.

Nesse ponto os desafios de brincar de desenhar vão ficando mais complexos e interessantes. Buscar controlar os traços, repeti-los e modificá-los, instiga as crianças a buscarem soluções.

O desenho assim, conquista mais detalhamento.

Os resultados desse desenvolvimento não ficam marcados somente no papel. Aspectos cognitivos são trabalhados e o cérebro aprende a controlar o corpo e usar o desenho como expressão dos pensamentos, emoções e memórias.

É justamente aí que reside o recurso do registro infantil. Como o registro feito por nós, adultos, conquista qualidade à medida em que é praticado.

Registro em desenho Projeto Amiguinha Santa MarinaNo CEI Santa Marina, em São Paulo, as crianças de 3 a 4 anos desenham todos os dias. Nas ocasiões em que as professoras percebem que experiências significativas precisam ser elaboradas e repensadas, toca desenhar!

Experimentaram algo novo?
Entusiasmaram-se com uma história?
Estão trabalhando num projeto?
Precisam pensar sobre um acontecimento?

Mãos no riscador!

É incrível notar a qualidade do desenho dos pequenos do Santa Marina! Crianças que facilmente expressam suas ideias no papel e também oralmente.

Numa das pré-escolas que visitei na Suécia, crianças na faixa de 2 a 3 anos tinham pequenos cadernos de campo para registrar as observações que faziam ao pesquisar os girassóis que haviam plantado no jardim da escola.

Registros das crianças Suécia

Na Escola do Bairro, SP, as crianças registram por meio de desenhos o que pesquisam na natureza e também o que encontram nos livros sobre o assunto. O processo de levantar elementos, selecionar o que deve ser desenhado e elaborar o desenho, convoca o cérebro a pensar sobre as experiências, organizar informações, relacioná-las àquilo que já é conhecido e criar novas conexões. Isso é desenvolver conhecimentos!

Registro de pesquisa Escola do Bairro

Na EMEI Nelson Mandela, SP, os desenho andam de mãos dadas com o letramento. Uma intimidade que conecta a escrita aos símbolos desenhados pelas crianças a partir de 4 anos.

Registros das crianças Nelson Mandela

É fácil notar os caminhos expressivos dos pequenos quando vemos os registros realizados pela criança escolhida para ser o “diretor por um dia”.

Nesse projeto interessante, que merece uma postagem exclusiva, no final de um dia de visitas e levantamentos, a criança-diretora registra na sua prancheta as necessidades e problemas da EMEI e faz sugestões. Alguns registros possuem mais desenhos. Em outros, observa-se a escrita espontânea. Em alguns podemos ver uma mistura de letras, palavras e símbolos. Depois de elaborá-los, a criança se reúne com a diretora Cibele Racy, para ler os registros, discutir sobre os achados e encaminhar providências.

Registros Diretor por um Dia Nelson Mandela

Crianças podem registrar sistematicamente suas experiências, emoções e aprendizados. É só ajudá-las oportunizando o exercício frequente do desenho e desenvolvendo o trabalho a partir dessa documentação.

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre o desenho na infância nas postagens:

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Um guia para a jornada do relatório individual

janela vitralA hora do relatório individual! Nessa época, escolas, professores e coordenadores se encontram numa temporada de muito trabalho. É o momento de colocar em teste os registros do professor e a seleção de materiais produzidos pelas crianças. Mais do que isso, é a hora de pensar sobre todas as reflexões realizadas no período. É o momento de compor uma narrativa que expresse a trajetória de cada criança, com suas singularidades e conquistas. É também a hora de dar a devolutiva para as famílias, estreitar as relações e chegar ao próximo semestre com uma parceria solidificada e comprometida.
Se você já fez e entregou seus relatórios, pode utilizar os roteiros que propomos nesta postagem para acompanhar suas observações e registros e facilitar o trabalho do final do próximo semestre.

brincando no canteiro• Quais registros foram feitos?
• Quais reflexões apontaram as jornadas de aprendizagem das crianças?
• Quais questões quero responder por meio dos relatórios?
• Quais foram os meus principais desafios no semestre e quais os desafios encarados pelas crianças?
• Quais narrativas importantes tornam visíveis as aprendizagens?
• Como traduzir as experiências em palavras? Dá para traduzir as emoções?

Organizamos dois quadros facilitadores com perguntas que podem orientar e encaminhar um roteiro para a elaboração do relatório individual reflexivo. Ao percorrer essa jornada, acreditamos que não somente os pais vão se beneficiar, mas você poderá encontrar inspirações para transformar em prática rotineira o encaminhamento dos interesses e aprendizagens das crianças.

canto de leitura 2Vamos partir dos Campos de Experiências, que incluem os diversos aspectos da vida das crianças na escola (BNCC – 2a versão). Porém, é preciso ressaltar que o roteiro proposto não tem a intenção de avaliar as crianças e atribuir julgamentos. Propomos uma pesquisa sobre as aprendizagens e o desenvolvimento singular. Cada criança escolhe um caminho e um ritmo para crescer. Algumas brincaram mais no campo das relações, outras investiram na linguagem, outras experimentaram os fenômenos da natureza. Cada uma no seu caminho certamente aprendeu e floresceu. Apresentar esse percurso individual é a finalidade dos Quadros Facilitadores que elaboramos. Nem todos os campos de experiências terão o mesmo peso e, consequentemente observações, registros e reflexões por parte dos professores.

Quadro facilitador 1 roteiro Relatório

Quadro facilitador 2 roteiro Relatório

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Os Campos de Experiências e o Desenho foram assuntos explorados em diversas postagens do Tempo de Creche. É interessante passear pelos conteúdos de cada aspecto do desenvolvimento das crianças para ajudar a fundamentar os relatórios:

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FELIZ DIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL!

Nós temos um dia especial para celebrar!
Crianças, educadores e famílias reunidos em torno de uma educação mais do que especial. Um currículo que garante a singularidade, a liberdade de conteúdos para pesquisar e descobrir, as experiências de viver brincando, se expressando e amando. Pode ser melhor?
Desejamos que toda a Educação se inspire na Educação Infantil!

 

dia da EI

Professores de crianças pequenas …
…são adultos que lembram da própria infância todos os dias.
…convivem com aventuras que ultrapassam as barreiras do possível
…são criativos, sonhadores e cheios de imaginação
…são fluentes em brincadez!

Crianças pequenas que frequentam escolas de Educação Infantil…
…vivem intensamente a própria infância,
…inventam aventuras que levam a mundos diferentes todos os dias
…são criativas, sonhadoras e cheias de imaginação
…são fluentes em brincadez!

Todos os dias os profissionais que trabalham com crianças pequenas têm a oportunidade de viver a alegria da criança.
Desejamos a todos os colegas e leitores do Tempo de Creche um dia repleto de alegrias… como sempre!

 

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Cantos de atividades para revelar projetos

Temas identificados a partir dos interesses das crianças desafiam e envolvem o grupo. Em quais situações o professor pode observar as crianças e pesquisar o que as instiga? Cantos de atividades diversificadas ajudam, porém é preciso renovar as provocações.

Os momentos de brincadeira favorecem a observação mais distanciada e orientam o professor a identificar o que encanta as crianças, as conquistas e as dificuldades. Ao ampliar as possibilidades de inventar e imaginar, amplia-se também as oportunidades de observar novas brincadeiras e pesquisas. Cantos de atividades diversificadas favorecem as brincadeiras mais autônomas e a busca do professor por novos interesses e caminhos para planejar propostas. Mas os velhos cantinhos já brincados e rebrincados devem ser transformados para renovar o repertório de brincadeiras. Simples detalhes proporcionam mudanças:

Canto de casinha

  • Acrescentar novos elementos como sementes, pedrinhas e folhas para enriquecer as “comidinhas”;
  • Preparar uma cesta com alguns retalhos de tecidos para que as crianças construam vestimentas para elas próprias e para as bonecas;
  • Providenciar caixas de sapato ou de papelão para colecionar os objetos, organiza-los e até servir como camas e bercinhos.

Cestos de pedras e plantas

Canto dos carrinhos

  • Desenhar pistas e ruas em grandes folhas de papel kraft ou jornal;
  • Cortar tiras de papelão e disponibilizar caixas para instigar construções: rampas, pontes, garagens e outros;
  • Se a instituição contar com motocas, triciclos e cavalinhos de pau, construir pistas e percursos no chão com fita crepe.

canto de carrinhos

Canto de desenho

  • Aqui vale um destaque: crianças precisam desenhar todos os dias! Portanto, cantos de desenho atendem os desejos dos pequenos e liberam o professor da obrigação de organizar atividades diárias para desenhar.
  • A arte-educadora Anne Marie Holm ensinava uma forma para trazer novos encantos aos gizes de cera quebrados. Ela colava peninhas coloridas nas pontas dos toquinhos com fita adesiva e os reunia numa cesta. Ficava lindo!
  • Fazer uma parede com diferentes formatos, tamanhos e cores de papeis para desenhar provoca a vontade de desenhar.
  • Aumentar o tamanho dos lápis de cor fixando-os em gravetos promove outros desafios ao ato de riscar e desenhar.

giz de cera encantado Anna M Holm

inovação para o canto do desenho

Canto com objetos, brinquedos pequeninos e grandões

Que tal reunir os brinquedos de acordo com o tamanho? Organizar um espaço propositor diferente com os mesmos brinquedos provoca novas brincadeiras e experiências. Separe os brinquedos por tamanho, colocando os pequeninos num lado da sala e os grandões em outro lado. Pode-se agrupar os brinquedos por cor e também reunir objetos que não são brincados em conjunto: peças de montar com carrinhos e bichinhos (será que vira cenário de histórias?), acrescentar uma sucata, entre outras ideias que surgem quando nos desafiamos a pensar para enriquecer os contextos.

Uma vez ouvi uma história de uma mãe que nos disse que seu filho não queria mais brincar com os “mesmos” brinquedos que tinha no quarto.
O que ela fez?
Preparou um cenário arrumando alguns dos brinquedos como se estivessem numa exposição: colocou um tecido no chão, dispôs os objetos com cuidado e convidou o filhote para ver. A criança passou horas na brincadeira, redescobriu brinquedos “velhos”e criou novas possibilidades de associar e brincar.

Prepare uma pauta de olhar para observar os pequenos nesses momentos intensos de brincadeiras, questionamentos, criações e relações. Aqueça as crianças ampliando os recursos ofertados para brincar. Aqueça sua observação para perceber o que as intriga, o que elas perguntam e, assim, busque suas fontes de inspiração para elaborar propostas. Acompanhe, acolha, encaminhe e bom segundo semestre!

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre projetos e brincadeiras nas postagens:

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Cantos de atividades para revelar projetos

Temas identificados a partir dos interesses das crianças desafiam e envolvem o grupo. Em quais situações o professor pode observar as crianças e pesquisar o que as instiga? Cantos de atividades diversificadas ajudam, porém é preciso renovar as provocações.

Os momentos de brincadeira favorecem a observação mais distanciada e orientam o professor a identificar o que encanta as crianças, as conquistas e as dificuldades. Ao ampliar as possibilidades de inventar e imaginar, amplia-se também as oportunidades de observar novas brincadeiras e pesquisas. Cantos de atividades diversificadas favorecem as brincadeiras mais autônomas e a busca do professor por novos interesses e caminhos para planejar propostas. Mas os velhos cantinhos já brincados e rebrincados devem ser transformados para renovar o repertório de brincadeiras. Simples detalhes proporcionam mudanças:

Canto de casinha

  • Acrescentar novos elementos como sementes, pedrinhas e folhas para enriquecer as “comidinhas”;
  • Preparar uma cesta com alguns retalhos de tecidos para que as crianças construam vestimentas para elas próprias e para as bonecas;
  • Providenciar caixas de sapato ou de papelão para colecionar os objetos, organiza-los e até servir como camas e bercinhos.

Canto dos carrinhos

  • Desenhar pistas e ruas em grandes folhas de papel kraft ou jornal;
  • Cortar tiras de papelão e disponibilizar caixas para instigar construções: rampas, pontes, garagens e outros;
  • Se a instituição contar com motocas, triciclos e cavalinhos de pau, construir pistas e percursos no chão com fita crepe.

Canto de desenho

  • Aqui vale um destaque: crianças precisam desenhar todos os dias! Portanto, cantos de desenho atendem os desejos dos pequenos e liberam o professor da obrigação de organizar atividades diárias para desenhar.
  • A arte-educadora Anne Marie Holm ensinava uma forma para trazer novos encantos aos gizes de cera quebrados. Ela colava peninhas coloridas nas pontas dos toquinhos com fita adesiva e os reunia numa cesta. Ficava lindo!
  • Fazer uma parede com diferentes formatos, tamanhos e cores de papeis para desenhar provoca a vontade de desenhar.
  • Aumentar o tamanho dos lápis de cor fixando-os em gravetos promove outros desafios ao ato de riscar e desenhar.

giz de cera encantado Anna M Holm

Canto com objetos/brinquedos pequeninos ou grandões

Que tal reunir os brinquedos de acordo com o tamanho? Organizar um espaço propositor diferente com os mesmos brinquedos provoca novas brincadeiras e experiências. Separe os brinquedos por tamanho, colocando os pequeninos num lado da sala e os grandões em outro lado. Pode-se agrupar os brinquedos por cor e também reunir objetos que não são brincados em conjunto: peças de montar com carrinhos e bichinhos (será que vira cenário de histórias?), acrescentar uma sucata, entre outras ideias que surgem quando nos desafiamos a pensar para enriquecer os contextos.

Uma vez ouvi uma história de uma mãe que nos disse que seu filho não queria mais brincar com os “mesmos” brinquedos que tinha no quarto.
O que ela fez?
Preparou um cenário arrumando alguns dos brinquedos como se estivessem numa exposição: colocou um tecido no chão, dispôs os objetos com cuidado e convidou o filhote para ver. A criança passou horas na brincadeira, redescobriu brinquedos “velhos”e criou novas possibilidades de associar e brincar.

Prepare uma pauta de olhar para observar os pequenos nesses momentos intensos de brincadeiras, questionamentos, criações e relações. Aqueça as crianças ampliando os recursos ofertados para brincar. Aqueça sua observação para perceber o que as intriga, o que elas perguntam e, assim, busque suas fontes de inspiração para elaborar propostas. Acompanhe, acolha, encaminhe e bom segundo semestre!

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PARA SABER MAIS…

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Projetos: um quadro organizador para planejar e construir

Observar, escutar e acolher os interesses das crianças são os passos iniciais para construir projetos. Parece um processo corriqueiro e fácil. Mas está longe disso! Professores precisam ativar antenas de percepção e sensibilidade para intuir, refletir, criar e planejar práticas que provoquem as crianças, promovam brincadeiras e as despertem para questionamentos. Essa é a matéria prima para identificar temas e construir projetos com elas.

Como fazer isso acontecer?
Uma prática realizada no CEI Nossa Turma, SP pode ajudar a pensar.

As cores estão chamando a atenção de um grupo de crianças de 2 anos e de suas professoras também. A turma quer conhecer, aprender os nomes e pesquisa-las nos objetos do cotidiano, nos desenhos que fazem diariamente e nas pinturas.

Acolhendo e encaminhando esse interesse, as professoras Sandra Aparecida Ferrari Lima e Maria Aparecida Soares Santos (a Cida) têm planejado e desenvolvido diversas propostas envolvendo o tema. Cida utilizou um jogo de dominó comum para desafiar os pequenos a encontrar pecinhas com bolinhas amarelas, verdes, azuis etc. Os coloridos objetos do dia a dia também são estímulos para que as professoras brinquem com os pequenos fazendo perguntas sobre as cores.

atividade com pincel de espuma e pregadorRecentemente um pedaço de espuma de estofado caiu nas mãos da Sandra e inspirou uma interessante proposta de arte. Ela cortou o material em pequenos cubos, arranjou pregadores de roupas e criou pinceis originais.

Forrando com papel kraft uma grande mesa que fica na quadra, as professoras organizaram um espaço confortável e convidativo para a pintura.

bandejas para atividade de pinturaSobre o kraft, fixaram folhas de cartolina e prepararam palhetas com bandejas de papelão, daquelas que se usa para bolo de festa. As bandejas grandes e baixinhas serviriam muito bem para os pequenos molharem os pinceis de espuma nas tintas e pintarem as cartolinas com as cores contrastantes selecionadas. Foi o que aconteceu!

espaço organizado para pintura

Os pequenos logo se habituaram ao novo pintador e à dinâmica da brincadeira. Pintaram gostosamente as cartolinas, depois estenderam a pesquisa ao papel kraft que forrava a mesa e, finalmente, passaram a espuma suave e molhadinha sobre a pele das mãos e do rosto!

crianças pintando com pincel de espuma

crianças se pintando

Como as professoras vão encaminhar esse processo que pode ter se transformado num projeto? Como continuar a ampliar as pesquisas a partir desse ponto?

Ouvindo os pequenos!

Cida pensou em introduzir o arco-íris contando histórias e pesquisando imagens na internet com as crianças. Se o interesse continuar, vão experimentar pintar as cores do arco-íris. Pensou-se em recortar grandes arcos de papel kraft e organizar uma atividade de pintura com uma cor de cada vez: num dia tintas em tons de azul, no outro, tons de violeta e assim por diante. Desse modo as crianças experimentarão diferentes tonalidades e pintarão os arcos que formam o arco-íris.

O tema das propostas das professoras poderia surgir das boas ideias que elas normalmente têm. Afinal são profissionais dedicadas, criativas e gostam de desafiar a turma. Mas elas escutam as crianças, constroem com elas os caminhos para inspirar suas práticas e trilhar os caminhos de um projeto.

Poderíamos dizer então que um projeto ou ciclo de brincadeiras, experiências e aprendizagens se forma a partir do entrelaçamento das ações dos professores e das respostas e contribuições das crianças. O esquema a seguir ilustra o ciclo, com as ações das crianças em verde e das professoras em laranja:

Ciclo de brincadeiras aprendizagens e ações do professor

Elaboramos um Quadro Organizador para você refletir sobre o seu próprio processo de planejamento e encaminhamento das ações de um projeto. Aproveite o percurso para pensar sobre o que está instigando suas crianças e criar possibilidades para ampliar as brincadeiras e aprendizagens.

QUADRO ORGANIZADOR de PROJETO

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre projetos, temas e valorização dos interesses das crianças nas postagens:

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Lugar de Pedagogia é na escola!

Esta postagem é um desabafo com nossos colegas profissionais da Educação: estamos sendo invadidos por decoradores, fabricantes de brinquedos, editoras, empresas promotoras de brincadeiras, sites e pais e mães obcecados pelo pedagogismo.

A gota d’água foi conversar com uma amiga decoradora que disse estar trabalhando num projeto de “quarto montessoriano” para a chegada de um bebê!

Já ouvi mães preocupadas em pesquisar sobre “brincadeiras dirigidas” para aproveitar melhor o tempo com seus filhos.
Onde estamos?
O vínculo das famílias com suas crianças não é profissional!
O que essa sociedade está projetando para o tempo das crianças com as famílias?
Qual o papel da família e qual o papel da escola ao acompanhar as infâncias?
Mais importante de tudo… quais os desejos das nossas crianças?

Centenas de sites de mães de todo o mundo, dedicadas e cheias de boas intenções, procuram nutrir outras milhares de famílias com inspirações de propostas de atividades fundamentadas em teorias e metodologias educativas.

Menos!
Crianças querem menos e precisam de menos para elaborar mais!
Elas querem tempos diferentes daqueles que estamos oferecendo.

mãe e filho brincando

Querem tempo em casa, com suas famílias para não fazer nada e fazer muito: acompanhar as famílias com o olhar e a escuta atenta, aprender sobre hábitos, costumes, culturas, posturas e valores, buscar brechas nas tarefas diárias para ajudar e inventar a partir daquilo que já está presente.

Lembro-me de quando tinha 5 ou 6 anos, eu adorava carregar alguns brinquedos para brincar em baixo da mesa de jantar. Não queria que ninguém preparasse um cenário especial, provocativo e pedagógico para mim! Eu queria (e podia!) testar os meus limites e experimentar as minhas próprias ideias.

Crianças brincando em baixo da mesa

tenda de guarda-chuvaOutro objeto que me instigava e fascinava eram os guarda-chuvas. Na falta das casinhas de bonecas perfeitas anunciadas na TV, eu sorrateiramente pegava o guarda-chuva disponível, abria no terraço e colocava bonecas, paninhos e panelinhas em baixo dele. De vez em quando eu ouvia: menina, fecha esse guarda-chuva! Guarda-chuva aberto dentro de casa dá azar! E eu pensava: o que é azar? Deve ser coisa ruim! Mas como pode ser ruim ter as minhas bonecas quentinhas, tomando chazinho dentro de uma “casinha” tão bacana?

bebe brincando com guarda-chuva

Crianças brincando com guarda-chuva

 

 

 

 

Por isso, colegas profissionais, acalmem as mães desesperadas por instruções, planejamentos e abordagens! Recomendem partilhar as brincadeiras. Ouvir os desejos e criar JUNTO!

Espaço pedagógico é na escola. Família é lugar de instinto e paixão!

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre brincadeiras e brincar nas postagens:

Se é brincadeira, é livre!
Brincadeira livre ou conduzida?
Brincar, uma linguagem que desenvolve

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Crianças pequenas, tecnologia e formigas

Uma reportagem publicada no último domingo no jornal Estado de São Paulo aborda o tema da relação entre tecnologias e Educação. Referindo-se a crianças um pouco mais velhas, o artigo traduzido da importante revista americana The Economist, aborda os desvios do uso das tecnologias digitais nas escolas, assinalando os problemas do exagero e da falta de propósito, bem como as consequências da falta do seu uso no dia a dia escolar.
Como ficam os pequenos nessa história?

Acredito que na mesma situação!

imagens crianças tecnologia e formigas

Dizem que as crianças de hoje são nativas digitais. Isto que dizer que sabem se conduzir no universo digital da mesma maneira que falam português – a língua mãe. Quando botam a mão num aparelho digital, parece que elas nascem sabendo!

Se não educamos as crianças para um uso apropriado da língua, provavelmente apresentarão dificuldades na sua utilização. Não se expressarão de forma adequada e provavelmente terão problemas para compreender o que é dito e lido.
Tal e qual o universo digital!

Qual recado passamos para os pequenos quando utilizamos a internet somente para o laser descompromissado e recreativo?
Quais lições deixamos se no YouTube pesquisamos animações de galinhas e porquinhas com suas musiquinhas empobrecidas e imagens simplificadas?
Qual uso dos celulares e computadores essas crianças farão no futuro?

Conheci uma turminha* de 18 meses que descobriu o mundo das formigas na creche. Ao cavar a terra do pátio gramado encontraram as formigas operárias. Acompanharam seus caminhos e observaram os insetos carregando pedacinhos de folhas verdinhas nas costas.

criança na naturezaEncantados, quiseram entender mais sobre sua moradia.

Onde as formigas moram? Como é a casa delas?

E agora?, pensaram as professoras! Se desenterrarmos as formigas destruiremos parte do formigueiro e as crianças não poderão identificar a casa delas.

Conversando com essa equipe antenada, que acompanha e valoriza a pesquisa de crianças tão pequenas, sugeri dois caminhos:

  • o mais complicado seria arrumar um vidro estreito e transparente para colocar areia e terra, um substrato adequado para alimentação, formigas, tampa apropriada, salpicar água e folhinhas de vez em quando e esperar o formigueiro tomar forma. Mas esse processo pode ser lento e talvez nem funcione.

formigueiro

  • o segundo caminho indicado foi pesquisar vídeos de formigas e formigueiros – DE VERDADE! – no YouTube. Selecionar bons vídeos e exibi-los para as crianças pode satisfazer a curiosidade e até alimentar o aprofundamento das aprendizagens.

Nesse caso as professoras fizeram as pesquisas. Mas, e se fizessem a pesquisa junto com os pequenos?

O processo de entrar nos sites de busca, digitar um texto para ativar a pesquisa, aguardar os resultados, abrir os arquivos, verificar se são ou não pertinentes e encontrar conteúdos interessantes, também se constituem em formação.

As crianças percebem essa dinâmica, a intenção do uso das ferramentas digitais, o ritmo do procedimento e os resultados positivos do trabalho.

Para compartilhar ainda mais o processo, é possível projetar e ampliar a tela do computador com um aparelho de Datashow que facilita o acompanhamento da navegação por parte das crianças.

Outro uso digital importante é a fotografia. Crianças pequenas podem colocar seu olhar nas cenas fotografadas. No Ateliê Carambola – escola de educação infantil, SP, as crianças de um grupo fizeram um passeio à Pinacoteca munidas de câmeras fotográficas emprestadas pelas famílias. O uso desse recurso foi preparado com antecedência. As famílias foram convidadas a participar do projeto e se asseguraram de que as crianças seriam educadas para manusear as câmeras e cuidar delas. A turma experimentou a fotografia na escola, viu os resultados dos cliques e só depois desse preparo foi ao museu para fotografar.

visita Pinacoteca Ateliê Carambola

Não é possível conceber um mundo sem tecnologia. É uma realidade que não nos deixará mais. Portanto seu uso deve fazer parte do cotidiano escolar para enriquece-lo e despertar para o bom uso dos recursos. Isso tudo é para hoje, com esses pequenos que estão nas nossas mãos agora, porque daqui a pouco eles serão os jovens e adultos que construirão sociedades tecnológicas democráticas, progressistas e inclusivas.

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PARA SABER MAIS…

→ * A turma interessada em formigas pertence ao CEI Santo Aníbal, SP e as professoras antenadas são Catia Camargo do Nascimento e Camila da Silva Assumpção.

→ Leia sobre Josiane Pareja Del Corso, fundadora e diretora do Ateliê Carambola, nas postagens:

→ Leia mais sobre o uso de tecnologia na Educação Infantil na postagem Brincar com tablets e celulares é aprendizado para crianças pequenas?

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Se é brincadeira, é livre!

Existe “brincadeira dirigida”?
É comum ouvirmos professores comentado sobre os momentos da rotina em que promovem “brincadeiras dirigidas” ou “brincadeiras livres”. Ambas colocações levam a interpretações não adequadas a respeito da brincadeira na escola.

provocação brincadeira livrea

Afinal, como são pensados essas tais momentos de “brincadeira”?

  • As tais “brincadeiras dirigidas” podem até ser lúdicas mas estão na esfera das atividades propostas e desenvolvidas pelo professor.
  • Por outro lado, as “brincadeiras livres” geralmente são momentos de pátio em que o professor se afasta, “permite” as propostas das crianças e assume uma postura de cuidador e mediador de conflitos.

Essas duas situações merecem reflexão.

As brincadeiras brincadas pelas crianças envolvem a liberdade de desenvolvimento e criação de narrativas por parte de quem brinca.

Do contrário não é brincadeira!

O espírito brincante não tem regras, mesmo que a brincadeira esteja estruturada em forma de jogo. No momento em que as crianças assumem a brincadeira para si, a inventividade entra em jogo e pode determinar outros percursos diferentes daqueles planejados por quem propõe. Assim, se o professor “dirige” uma atividade, mesmo que lúdica, ela deixa de ser uma brincadeira para as crianças.

Já as brincadeiras genuínas que acontecem nas instituições de educação são fundamentais para o professor observar e aprender sobre suas crianças: a forma como estão pensando, seus interesses e os relacionamentos. Por isso, o professor está sempre ativo, interagindo, entrado na brincadeira e até provocando as crianças para propor ampliações que podem ou não ser aceitas por elas.

imagem post brincadeira livre

Maria Amélia Pinho Pereira, a Péo da Casa Redonda, SP, define o brincar com poesia e sabedoria:

O Brincar como a própria palavra descreve em sua etimologia – nasce da palavra Brincos – o que significa VÍNCULO, presente nas primeiras canções de embalo de uma mãe com seu filho. A ação vinculadora do Brincar é quem determina sua qualidade essencialmente humana necessitando hoje ser compreendida em sua inteireza para que possamos afirmar sua importância no processo de desenvolvimento e porque não dizer da sobrevivência de nossa espécie. Milton Santos nosso grande geógrafo diz que habitamos na verdade em dois lugares: “na Terra e no Infinito”. As crianças brincando conversam fluentemente entre estes dois lugares e expressam através das suas infinitas brincadeiras o modo singular de como elas se apropriam do mundo que está à sua volta através da espontaneidade, da imaginação e da Alegria. Urge no nosso tempo a compreensão da Infância como portadora de uma Cultura própria cuja linguagem de conhecimento é o BRINCAR. Esta Cultura pertence a um misterioso universo simbólico que exige daqueles que dela querem se aproximar para conhecê-la uma atitude de profundo respeito e atenção por se tratar de uma linguagem que sagra a VIDA.
(Palestra ministrada no Fórum Internacional Criança e Consumo, do Instituto Alana, realizada em março de 2010 em São Paulo, SP).

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PARA SABER MAIS…

Maria Amélia Pinho Pereira é uma inspiração para o Tempo de Creche. ela é pedagoga com formação em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae; Fundadora e Orientadora do Centro de Estudos Casa Redonda, em Carapicuíba (SP); Vice-Presidente do Instituto Brincante e Fundadora da OCA – Associação Aldeia de Carapicuíba (SP).

→ Veja a Maria Amélia falando sobre o brincar num pequeno vídeo das Memórias do Futuro, da Fundação Telefônica Vivo.

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Mandalas para inspirar as férias

O universo é composto por formas.
As crianças são sensíveis a essas formas e ficam intrigadas com a regularidade das margaridas, com as nervuras das folhas e com a imprevisibilidade das pedras encontradas pelo caminho. Algumas são harmoniosas e pertencem à cultura de diversos povos. As mandalas são um exemplo da manifestação de um universo estético que atravessa a história da humanidade. Mandalas são composições quase instintivas, construídas com naturalidade pelas crianças.

mandala elementos naturais

Que tal aproveitar as férias, experimentar trazer as mandalas para as crianças e acompanhar os percursos do grupo ao se inspirar nessa estética milenar?

imagens mandalasFolhas, pedras, pequenos gravetos, sementes, pinhas, flores e pétalas podem inspirar as construções circulares concêntricas. Uma campanha que envolva as famílias pode acumular os materiais para experimentar a construção de mandalas com elementos da natureza e de reciclagem.

Pequenos objetos coloridos e sucatas também promovem experiências interessantes para elaborar as mandalas. Coletar tampas variadas de garrafas, palitos de sorvete, peças de jogos de montar, formas recortadas de papeis e cartões diversos, CDs descartados, sempre em quantidade suficiente para favorecer a repetição dos elementos nas mandalas. Dependendo da faixa etária, botões coloridos ampliam as experiências.

Inspire a turma! Leve imagens de mandalas para a sala, saia no jardim para buscar as formas redondas das flores, teias de aranha e até da íris dos olhos, ou pesquise imagens na internet junto com as crianças. Se a instituição contar com retroprojetor ou Datashow, projete imagens imensas na parede!

construção de mandalas

A partir dessa provocação, passe para a prática. Organize um ambiente propositor com os elementos selecionados para a construção das mandalas. Com as crianças menores essa proposta deve iniciar individualmente. Com os maiores, pode-se propor a elaboração de mandalas coletivas, depois que também experimentarem um individual.

Observe as crianças que se interessaram pela proposta e comece a focar nelas para que esse movimento contamine as outras crianças da turma. Se perceber que as crianças não organizam os elementos em formatos circulares, é possível estimular essa pesquisa oferecendo suportes redondos, como cartolinas recortadas, bambolês e até fazendo um risco na terra ou na areia do pátio. Outra estratégia pode ser entregar folhas de papel com um ou mais círculos concêntricos e dar espaço para a criatividade.mandalas em pratos de areia

Os elementos das mandalas podem ser colados ou, conforme as culturas orientais, podem ser efêmeras, isto é, durar até serem desmanchadas. Um movimento artístico chamado Land Art propõe intervenções na natureza que utilizam  elementos naturais e compões obras que são eternizadas somente pelo registro fotográfico ou em vídeo.

imagens Andrew Goldsworthy

As crianças podem passar mais de um dia na pesquisa e elaboração das construções. Assim reserve um espaço que possa manter as mandalas em construção sem interferir na movimentação da turma. Acompanhe os desejos das crianças e percorra com elas essa cultura ancestral.

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PARA SABER MAIS…

 Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Pinceis da natureza: experimentando um mundo de texturas, formas e cores
A descoberta do vento – parte 1
A descoberta do vento – parte 2
Uma conversa com Anna Marie Holm: arte, natureza e a poesia da infância

→ O artista Andy Goldsworthy geralmente utiliza materiais naturais, incluindo flores de cores vivas, caramujos, folhas, lamas, pinhas, neve, pedras, galhos e espinhos. É escultor, fotógrafo e ambientalista britânico.

→ Bibliografia: Mandalas: formas que representam a harmonia do cosmos e a energia divina, de Rüdiger Dahlke. Editora Pensamento.

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