Categoria: Postura do Professor

O registro das crianças pequenas é o desenho

Para Madalena Freire o registro ajuda a sistematizar o pensamento. Mas isso também se aplica às crianças pequenas?
Sim!
Então, como ajudá-las a registrar e elaborar aquilo que estão experimentando?

Bebês a partir de 6 meses podem aprender a segurar riscadores e experimentar fazer as primeiras marcas no suporte. Riscando, rabiscando e brincando, os pequenos vão desenvolvendo o desenho e percebendo que o modo como movimentam os dedos, a mão, o punho, o cotovelo o ombro e o corpo todo, determina a forma das marcas.

Nesse ponto os desafios de brincar de desenhar vão ficando mais complexos e interessantes. Buscar controlar os traços, repeti-los e modificá-los, instiga as crianças a buscarem soluções.

O desenho assim, conquista mais detalhamento.

Os resultados desse desenvolvimento não ficam marcados somente no papel. Aspectos cognitivos são trabalhados e o cérebro aprende a controlar o corpo e usar o desenho como expressão dos pensamentos, emoções e memórias.

É justamente aí que reside o recurso do registro infantil. Como o registro feito por nós, adultos, conquista qualidade à medida em que é praticado.

Registro em desenho Projeto Amiguinha Santa MarinaNo CEI Santa Marina, em São Paulo, as crianças de 3 a 4 anos desenham todos os dias. Nas ocasiões em que as professoras percebem que experiências significativas precisam ser elaboradas e repensadas, toca desenhar!

Experimentaram algo novo?
Entusiasmaram-se com uma história?
Estão trabalhando num projeto?
Precisam pensar sobre um acontecimento?

Mãos no riscador!

É incrível notar a qualidade do desenho dos pequenos do Santa Marina! Crianças que facilmente expressam suas ideias no papel e também oralmente.

Numa das pré-escolas que visitei na Suécia, crianças na faixa de 2 a 3 anos tinham pequenos cadernos de campo para registrar as observações que faziam ao pesquisar os girassóis que haviam plantado no jardim da escola.

Registros das crianças Suécia

Na Escola do Bairro, SP, as crianças registram por meio de desenhos o que pesquisam na natureza e também o que encontram nos livros sobre o assunto. O processo de levantar elementos, selecionar o que deve ser desenhado e elaborar o desenho, convoca o cérebro a pensar sobre as experiências, organizar informações, relacioná-las àquilo que já é conhecido e criar novas conexões. Isso é desenvolver conhecimentos!

Registro de pesquisa Escola do Bairro

Na EMEI Nelson Mandela, SP, os desenho andam de mãos dadas com o letramento. Uma intimidade que conecta a escrita aos símbolos desenhados pelas crianças a partir de 4 anos.

Registros das crianças Nelson Mandela

É fácil notar os caminhos expressivos dos pequenos quando vemos os registros realizados pela criança escolhida para ser o “diretor por um dia”.

Nesse projeto interessante, que merece uma postagem exclusiva, no final de um dia de visitas e levantamentos, a criança-diretora registra na sua prancheta as necessidades e problemas da EMEI e faz sugestões. Alguns registros possuem mais desenhos. Em outros, observa-se a escrita espontânea. Em alguns podemos ver uma mistura de letras, palavras e símbolos. Depois de elaborá-los, a criança se reúne com a diretora Cibele Racy, para ler os registros, discutir sobre os achados e encaminhar providências.

Registros Diretor por um Dia Nelson Mandela

Crianças podem registrar sistematicamente suas experiências, emoções e aprendizados. É só ajudá-las oportunizando o exercício frequente do desenho e desenvolvendo o trabalho a partir dessa documentação.

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre o desenho na infância nas postagens:

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Crianças pequenas, tecnologia e formigas

Uma reportagem publicada no último domingo no jornal Estado de São Paulo aborda o tema da relação entre tecnologias e Educação. Referindo-se a crianças um pouco mais velhas, o artigo traduzido da importante revista americana The Economist, aborda os desvios do uso das tecnologias digitais nas escolas, assinalando os problemas do exagero e da falta de propósito, bem como as consequências da falta do seu uso no dia a dia escolar.
Como ficam os pequenos nessa história?

Acredito que na mesma situação!

imagens crianças tecnologia e formigas

Dizem que as crianças de hoje são nativas digitais. Isto que dizer que sabem se conduzir no universo digital da mesma maneira que falam português – a língua mãe. Quando botam a mão num aparelho digital, parece que elas nascem sabendo!

Se não educamos as crianças para um uso apropriado da língua, provavelmente apresentarão dificuldades na sua utilização. Não se expressarão de forma adequada e provavelmente terão problemas para compreender o que é dito e lido.
Tal e qual o universo digital!

Qual recado passamos para os pequenos quando utilizamos a internet somente para o laser descompromissado e recreativo?
Quais lições deixamos se no YouTube pesquisamos animações de galinhas e porquinhas com suas musiquinhas empobrecidas e imagens simplificadas?
Qual uso dos celulares e computadores essas crianças farão no futuro?

Conheci uma turminha* de 18 meses que descobriu o mundo das formigas na creche. Ao cavar a terra do pátio gramado encontraram as formigas operárias. Acompanharam seus caminhos e observaram os insetos carregando pedacinhos de folhas verdinhas nas costas.

criança na naturezaEncantados, quiseram entender mais sobre sua moradia.

Onde as formigas moram? Como é a casa delas?

E agora?, pensaram as professoras! Se desenterrarmos as formigas destruiremos parte do formigueiro e as crianças não poderão identificar a casa delas.

Conversando com essa equipe antenada, que acompanha e valoriza a pesquisa de crianças tão pequenas, sugeri dois caminhos:

  • o mais complicado seria arrumar um vidro estreito e transparente para colocar areia e terra, um substrato adequado para alimentação, formigas, tampa apropriada, salpicar água e folhinhas de vez em quando e esperar o formigueiro tomar forma. Mas esse processo pode ser lento e talvez nem funcione.

formigueiro

  • o segundo caminho indicado foi pesquisar vídeos de formigas e formigueiros – DE VERDADE! – no YouTube. Selecionar bons vídeos e exibi-los para as crianças pode satisfazer a curiosidade e até alimentar o aprofundamento das aprendizagens.

Nesse caso as professoras fizeram as pesquisas. Mas, e se fizessem a pesquisa junto com os pequenos?

O processo de entrar nos sites de busca, digitar um texto para ativar a pesquisa, aguardar os resultados, abrir os arquivos, verificar se são ou não pertinentes e encontrar conteúdos interessantes, também se constituem em formação.

As crianças percebem essa dinâmica, a intenção do uso das ferramentas digitais, o ritmo do procedimento e os resultados positivos do trabalho.

Para compartilhar ainda mais o processo, é possível projetar e ampliar a tela do computador com um aparelho de Datashow que facilita o acompanhamento da navegação por parte das crianças.

Outro uso digital importante é a fotografia. Crianças pequenas podem colocar seu olhar nas cenas fotografadas. No Ateliê Carambola – escola de educação infantil, SP, as crianças de um grupo fizeram um passeio à Pinacoteca munidas de câmeras fotográficas emprestadas pelas famílias. O uso desse recurso foi preparado com antecedência. As famílias foram convidadas a participar do projeto e se asseguraram de que as crianças seriam educadas para manusear as câmeras e cuidar delas. A turma experimentou a fotografia na escola, viu os resultados dos cliques e só depois desse preparo foi ao museu para fotografar.

visita Pinacoteca Ateliê Carambola

Não é possível conceber um mundo sem tecnologia. É uma realidade que não nos deixará mais. Portanto seu uso deve fazer parte do cotidiano escolar para enriquece-lo e despertar para o bom uso dos recursos. Isso tudo é para hoje, com esses pequenos que estão nas nossas mãos agora, porque daqui a pouco eles serão os jovens e adultos que construirão sociedades tecnológicas democráticas, progressistas e inclusivas.

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PARA SABER MAIS…

→ * A turma interessada em formigas pertence ao CEI Santo Aníbal, SP e as professoras antenadas são Catia Camargo do Nascimento e Camila da Silva Assumpção.

→ Leia sobre Josiane Pareja Del Corso, fundadora e diretora do Ateliê Carambola, nas postagens:

→ Leia mais sobre o uso de tecnologia na Educação Infantil na postagem Brincar com tablets e celulares é aprendizado para crianças pequenas?

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Se é brincadeira, é livre!

Existe “brincadeira dirigida”?
É comum ouvirmos professores comentado sobre os momentos da rotina em que promovem “brincadeiras dirigidas” ou “brincadeiras livres”. Ambas colocações levam a interpretações não adequadas a respeito da brincadeira na escola.

provocação brincadeira livrea

Afinal, como são pensados essas tais momentos de “brincadeira”?

  • As tais “brincadeiras dirigidas” podem até ser lúdicas mas estão na esfera das atividades propostas e desenvolvidas pelo professor.
  • Por outro lado, as “brincadeiras livres” geralmente são momentos de pátio em que o professor se afasta, “permite” as propostas das crianças e assume uma postura de cuidador e mediador de conflitos.

Essas duas situações merecem reflexão.

As brincadeiras brincadas pelas crianças envolvem a liberdade de desenvolvimento e criação de narrativas por parte de quem brinca.

Do contrário não é brincadeira!

O espírito brincante não tem regras, mesmo que a brincadeira esteja estruturada em forma de jogo. No momento em que as crianças assumem a brincadeira para si, a inventividade entra em jogo e pode determinar outros percursos diferentes daqueles planejados por quem propõe. Assim, se o professor “dirige” uma atividade, mesmo que lúdica, ela deixa de ser uma brincadeira para as crianças.

Já as brincadeiras genuínas que acontecem nas instituições de educação são fundamentais para o professor observar e aprender sobre suas crianças: a forma como estão pensando, seus interesses e os relacionamentos. Por isso, o professor está sempre ativo, interagindo, entrado na brincadeira e até provocando as crianças para propor ampliações que podem ou não ser aceitas por elas.

imagem post brincadeira livre

Maria Amélia Pinho Pereira, a Péo da Casa Redonda, SP, define o brincar com poesia e sabedoria:

O Brincar como a própria palavra descreve em sua etimologia – nasce da palavra Brincos – o que significa VÍNCULO, presente nas primeiras canções de embalo de uma mãe com seu filho. A ação vinculadora do Brincar é quem determina sua qualidade essencialmente humana necessitando hoje ser compreendida em sua inteireza para que possamos afirmar sua importância no processo de desenvolvimento e porque não dizer da sobrevivência de nossa espécie. Milton Santos nosso grande geógrafo diz que habitamos na verdade em dois lugares: “na Terra e no Infinito”. As crianças brincando conversam fluentemente entre estes dois lugares e expressam através das suas infinitas brincadeiras o modo singular de como elas se apropriam do mundo que está à sua volta através da espontaneidade, da imaginação e da Alegria. Urge no nosso tempo a compreensão da Infância como portadora de uma Cultura própria cuja linguagem de conhecimento é o BRINCAR. Esta Cultura pertence a um misterioso universo simbólico que exige daqueles que dela querem se aproximar para conhecê-la uma atitude de profundo respeito e atenção por se tratar de uma linguagem que sagra a VIDA.
(Palestra ministrada no Fórum Internacional Criança e Consumo, do Instituto Alana, realizada em março de 2010 em São Paulo, SP).

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PARA SABER MAIS…

Maria Amélia Pinho Pereira é uma inspiração para o Tempo de Creche. ela é pedagoga com formação em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae; Fundadora e Orientadora do Centro de Estudos Casa Redonda, em Carapicuíba (SP); Vice-Presidente do Instituto Brincante e Fundadora da OCA – Associação Aldeia de Carapicuíba (SP).

→ Veja a Maria Amélia falando sobre o brincar num pequeno vídeo das Memórias do Futuro, da Fundação Telefônica Vivo.

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Organização de propostas: garantia de brincadeira e aprendizado

Como ser educador em meio à cena pulsante de crianças vivas e curiosas que seguem seus desejos para apreender o mundo? Como elaborar e organizar planos e propostas na educação Infantil?

texto Planos e propostas

Segundo Madalena Freire, ensinamos e aprendemos a partir do que sabemos, do que tem significado para nós. Os conteúdos que despertam e estimulam, tem que ter sentido para nós e para as crianças nesse jogo de ensino-aprendizagem. Nessa jornada, o educador da Educação Infantil, faz a mediação:

  • Afasta-se para permitir a livre pesquisa e a criação
  • Observa para perceber as descobertas que devem ser valorizadas, as dificuldades e as demandas que as crianças fazem
  • Valoriza as descobertas e as conquistas do desenvolvimento
  • Encaminha, intervindo a partir as demandas das crianças, com propostas de novos materiais, locais e situações de forma a enriquecer ainda mais as aprendizagens obtidas no processo de pesquisa
  • Mantém o ambiente seguro para cuidar do bem-estar

Assim, nessa intermediação, o educador é o mediador no processo de leitura e pesquisa do mundo realizado pelas crianças.

Que tal experimentar esse modo de olhar?

Crianças e educador: uma parceria para desbravar um mundo!

Como conhecer a criança, o grupo e escolher como agir? Continue lendo..

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Como trabalhar a agressividade?


Tapas, empurrões, chutes e puxões de cabelo – como reagir nessas situações? O que fazer? Como entender a agressividade na primeira infância? Veja as reflexões, as dicas e brincadeiras para trabalhar essa questão.

agressividade

No olhar da psicologia, a agressividade que se manifesta nos primeiros anos de vida é um comportamento normal. É uma espécie de reação que ocorre quando a criança está à frente de algum acontecimento que a faz se sentir frágil e insegura.

Assim, na primeira infância é comum as crianças expressarem desejos e frustrações por meio de comportamentos na polidos e pouco aceitos, causando incômodo em todo o grupo.

Alguns estudos*[1] entendem que a agressividade na Educação Infantil está cada vez mais presente:

  • pela falta de estrutura familiar
  • pela falta da atenção dos pais,
  • pela reprodução de atitudes presenciadas,
  • e nas tentativas de atrair atenção para si.

No ambiente da educação também cabem algumas reflexões:

  • Como a instituição analisa as ações de sua própria equipe com as crianças?
  • Temos consciência de quais atitudes são favoráveis ao aparecimento de frustrações nas crianças?
  • Os educadores trabalham a autonomia das crianças e a construção do respeito pelo outro? Ocorre interação entre crianças de idades diferentes? Como ela é?
  • Quanto a estrutura da rotina e a organização das atividades permitem a expressão e a manifestação dos desejos e estados de espírito das crianças?
  • A turma fica muito restrita às salas? O corpo tem espaço para se movimentar, para experimentar e para interagir?

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Percurso investigativo: o desenho e a zona proximal de desenvolvimento

Encontramos um relato interessante sobre o desenho infantil na faixa dos 3 a 4 anos, lendo a dissertação de mestrado da professora Vanessa Marques Galvani. Ao refletir sobre registros e produções de duas crianças em particular, a professora buscou apoio no conceito de zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky,  planejou intervenções e colheu resultados significativos.

Vanessa estava pesquisando a fotografia como suporte para a elaboração de documentação pedagógica, quando percebeu nos registros fotográficos de sua turma algumas particularidades no desenho de dois de seus alunos. Ela notou que o Artur (nome fictício), apesar de reconhecer algumas partes do rosto humano na sua própria fotografia, ainda não conseguia desenha-las sozinho. Já Clara (nome fictício), tranquilamente demonstrava através de seus desenhos uma figuração mais estruturada.

Exercicio de autoretrato Arthur

 

A partir da leitura das produções das crianças e dos registros realizados durante os momentos do desenho, Vanessa identificou que Artur conseguia desenhar algumas partes do seu rosto. Mas, em comparação com os desenhos de Clara, ainda faltavam algumas estruturas. Isso indicava que o menino estava numa zona de desenvolvimento proximal no desenho da figura humana. Partindo desse olhar, planejou estratégias pedagógicas para provocar Arthur e promover o desenvolvimento do seu desenho.

Como Vygotsky nos ajuda a entender esse processo?

Para o psicólogo bielorrusso Vygotsky, existem dois níveis de desenvolvimento infantil.

Exercicio de autoretrato ClaraQuando a criança é capaz de realizar uma determinada ação de forma autônoma, sem nenhum auxílio, ela se encontra zona de desenvolvimento real. Este nível é o resultado de processos de aprendizagens já adquiridas e conquistadas pela criança. Continue lendo..

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Ciclo da Curiosidade e da Aprendizagem… na prática!

Nas postagens Curiosidade e pedagogia da investigação: caminhos para 2017 e Curiosidade: o combustível da aprendizagem, falamos sobre a importância da curiosidade como estado provocador para aprendizagens. Quando ficamos curiosos a respeito de algo buscamos acalmar o desejo de saber sobre alguma coisa que não sabemos, mas que nos interessa. Essa inquietação é uma potente força disparadora para a formulação de hipóteses, a pesquisa, a relação com o outro e com os fatos, a elaboração da comunicação e da linguagem.

Muitos processos complexos estão envolvidos e o resultado é a construção de aprendizagens, novas conexões, conhecimentos, a facilitação para buscar as curiosidades da vida e embarcar em novas pesquisas.

É um ciclo que não para nunca e que, a cada volta, desenha caminhos cada vez mais claros.

Nós (e as crianças!) aprendemos com o processo de investigar o que desperta nossa curiosidade, nosso interesse e, consequentemente, o que é significativo para nós.

Eu quero voar! Diz um menino numa turma de pré-escola.
Quem sabe voar? Pergunta a professora.
Eu! Responde o menino com uma capa de papel amarrada no pescoço.
E quem mais? João e eu queremos saber quem sabe voar!, diz a professora, organizando o pensamento e convocando outras crianças a participarem.
A borboleta!, reponde o pequeno com a capa.
O avião!, responde uma menina.
O passarinho!, responde outro menino.
Como será que eles voam?, intervém a professora.
Com o cérebro acessando os arquivos, as crianças respondem: com a asa!, correndo!, pulando de cima, ó!– um pequeno sube no banco e pula.

brincadeira de voar
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Primeiro Encontro no Bairro: curiosidade, investigação, natureza e cultura

Nos dias 20 e 21 de janeiro de 2017 aconteceu o primeiro Encontro no Bairro, uma parceria da Escola do Bairro e do Blog Tempo de Creche com foco na criança. Com o lema o mundo na escola e a escola no mundo, o encontro Curiosidade e Investigação reuniu 35 pessoas que, mesmo sob chuva, participaram com interesse e muito diálogo.

Encontro no Bairro janeiro 2017 aulas

Para o filósofo e pedagogo Martin Buber (1878-1965), o homem é um ser de relação, aberto para o diálogo com o “Tu”. Para ele, o indivíduo existe somente quando se coloca em relação viva com outros indivíduos. Quando o indivíduo reconhece o outro em sua alteridade (com suas diferenças), conseguirá romper com a solidão e viver encontros transformadores.

Encontro no Bairro janeiro 2017 provocaçãoQuando Gisela construiu a Escola do Bairro, com tijolos de barro, cultura e pesquisa, surgiu também uma sintonia de crenças entre o Blog e a Escola. Gisela foi uma das primeiras a participar da seção Palavra de… e, com as conversas sobre curiosidade e investigação, compor um tempo e um espaço para dialogar sobre Educação foi um processo natural. Surgiu a proposta de fazer Encontros no Bairro, convidar educadores e pessoas interessadas na infância para ouvir, falar, questionar e refletir. Continue lendo..

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Curiosidade e pedagogia da investigação: caminhos para 2017

crianca-investigativaPropomos um desafio: planejar 2017 levando em conta a importância da curiosidade e da investigação da criança como um dos motores da aprendizagem.
Já pesquisamos e abordamos a escuta de Paulo Freire, o registro e a reflexão de Madalena Freire e a documentação a partir da visão de Reggio Emilia. Exploramos Pikler com o seu olhar sobre a autonomia do bebê e a relação olho no olho com o educador. Pensamos nas diretrizes e bases curriculares para apoiar nosso trabalho. Mas o que acontece no mundo da educação além disso?

Estudiosos e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento estão pesquisando a conexão entre curiosidade e desenvolvimento humano. Por que tantos cientistas estão tão curiosos a respeito da curiosidade?

Para o psicólogo, educador e economista americano, George Loewenstein, a curiosidade tem sido compreendida como uma força que impulsiona o desenvolvimento infantil e um dos mais importantes estímulos condutores da Educação e das descobertas ccuriosidade-e-investigacao-bebeientíficas.

Um dos pilares da teoria de Piaget sobre o desenvolvimento intelectual da criança é o anseio natural que ela tem para investigar e compreender o seu ambiente. Piaget definiu curiosidade como a necessidade de explicar o inesperado. Para ele, as crianças são pequenos cientistas.

Nesse sentido, a curiosidade reflete o desejo de preencher informações que nos faltam para explicar coisas e situações sobre as quais temos interesse. Continue lendo..

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Beatles e um projeto que vai muito além das cores

A origem da pesquisa

Após visitarem a exposição Beatlemania Experience, em cartaz num shopping center de São Paulo, duas crianças trouxeram o interesse sobre os Beatles para a sala.

visita-a-exposicao

A exposição apresentava a biografia de John, Paul, George e Ringo em uma viagem no tempo valendo-se de vídeos, fotos, textos e totens interativos.

Para ampliar a pesquisa e provocar as crianças, as professoras Marina e Andressa, que trabalhavam as cores com o grupo, apresentaram para as crianças músicas e vídeos da banda em preto e branco. Marina nos contou que selecionaram esse material para tentar inquietar. As crianças “piraram na ideia” e elaboraram a hipótese de que na época dos Beatles não existiam cores.  Uma das crianças explicou que uma vovó tinha filmado os músicos e, por isso, não tinha cor no vídeo. Outra emendou que as cores só apareceram depois que os Beatles morreram. Continue lendo..

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