Categoria: Postura do Professor

Adaptação: um tempo de acolhimento

Por que novos ambientes são tão desafiadores? Por que é difícil voltar para a escola se os espaços, os professores e as crianças são, na sua maioria, as mesmas? O que acontece na relação escola – crianças – professores – famílias na volta das férias? Os primeiros dias do início de cada período letivo são considerados período de adaptação. Alguns especialistas preferem o termo acolhimento. Para nós, ambas as referências são adequadas e o uso depende do lado que se considera nessa relação.

Do ponto de vista da escola, temos, sem dúvida, um período dedicado ao acolhimento, que requer da equipe pedagógica intenção, empenho e planejamento.
Já a criança e a sua família vão passar por um período adaptativo.

Mas de onde vem o conceito de adaptação no âmbito da educação?

O cientista suíço Jean Piaget (1896 – 1980) demonstrou que o conhecimento é construído à medida que o meio provoca um desequilíbrio no ser humano. Isto quer dizer que a cada problema, desafio, aspecto curioso, o ser humano, desde que é bebê, sente um incômodo e tem necessidade de rever suas ideias. A busca por soluções para enfrentar novas situações leva a uma adaptação ou um “conforto” momentâneo, sentido ao esclarecer os pensamentos desequilibrados (equilibração).

As crianças da educação infantil têm no máximo cinco anos, no início do período letivo. Cinco anos são 60 meses de desenvolvimento e amadurecimento. Na velocidade em que esse crescimento se processa, um mês – ou 30 dias – são quase uma era!

Por isso, quando recebemos nossas “velhas crianças” na escola temos muitas facetas novas a descobrir e um período de reconhecimento para despertar. O que já foi vivido deixou marcas e é preciso um tempo para que as crianças relembrem o que viveram.

Assim, o retorno para a escola deve ser processual, construindo uma retomada da familiaridade com os ambientes, a rotina, o encontro com os colegas e os adultos que foram referência no passado, para estabelecer um ambiente aconchegante, construir novos vínculos e novas aprendizagens. Nesse sentido, o termo acolhimento cabe como uma luva à escola.

Por onde começar? O que planejar para acolher?

Um bom começo é levantar com os professores dos anos anteriores as preferências das crianças que serão recebidas e considerá-las no planejamento da primeira semana de adaptação. Atendendo aos gostos e desejos, fica mais fácil criar um ambiente acolhedor e seguro.

Por isso, um cuidado estratégico é planejar a chegada das crianças de forma gradual. Garantir alguns dias exclusivos para as “crianças antigas” favorece sua ambientação e adaptação. Assim, quando os novos chegarem, encontrarão uma atmosfera mais tranquila e segura para se espelharem. Por exemplo, uma turma de crianças de dois anos, que já frequentou a instituição no ano anterior, deverá retornar para a escola três ou quatro dias antes da entrada dos novos colegas. No caso de turmas numerosas, que tal dividir esse retorno em duas ou três etapas para garantir a disponibilidade de acolhida e atenção dos professores?

Os atores da delicada relação

Parceria: família e instituição

Planejar ações para construir uma boa relação com as famílias é o primeiro passo da adaptação das crianças e da cumplicidade no processo educativo.

O espaço e a equipe da instituição podem ser desconhecidos para as família, gerando inseguranças. Criar momentos de conversa, apresentação da metodologia, da rotina, dos ambientes e do processo de acolhimento das crianças, estreita os laços e compartilha o cuidado e a educação.

O educador e curador de Arte, Luis Guilherme Vergara, defende o olhar sensível para esse primeiro momento de tudo, na medida em que a volta das férias será repetida várias vezes na vida das crianças.

Anelise Csapo, que supervisionou o núcleo educativo do espaço cultural Casa das Rosas, SP, relembra a apresentação da casa que fez para seus filhos a cada chegada da maternidade. A acolhida da mãe apresenta a casa, um ambiente ainda desconhecido para o bebê. Expandindo esta ideia, pode ser muito interessante apresentar a escola para os pais de modo a prepará-los para que eles próprios a apresentem para suas crianças. Quando esse processo se inicia com alguém conhecido, a criança sente o elo positivo e a cumplicidade da família com o espaço e com as pessoas ainda estranhas.

É bom lembrar que os pais também se sentem inseguros quanto ao ambiente que acolherá e cuidará dos seus tesouros. O “mistério” do que acontece atrás dos muros da escola intensifica esses sentimentos. Estar inteirado sobre o cotidiano das crianças facilita a inclusão das famílias e favorece a sua participação. Lembramos de uma mãe de um menino de dois anos que chorou ao perceber que seu garotinho podia aprender coisas novas com outras pessoas: não sou mais eu a única pessoa a ensinar meu pequeno!

Uma forma de transmitir os conteúdos do cotidiano para os pais e construir um ambiente tranquilo é cuidar da documentação pedagógica desde o início do período, colocando cartazes e painéis com conteúdos elaborados a partir dos registros fotográficos, relatos e produções das crianças, nas paredes da escola. Outra possibilidade mais dinâmica são as publicações digitais em blog, site e página do Facebook. Para que a comunicação seja efetiva, fotos de carinhas felizes não bastam! É importante divulgar os momentos que revelam a convivência, as experiências e as conquistas das crianças. Para que as famílias compreendam o contexto, também é necessário colocar uma breve narrativa com os objetivos da atividade e uma descrição sucinta do ocorrido. A adaptação é o momento em que as crianças agregam um novo ambiente às suas vidas. Mas é preciso lembrar que esse ambiente também é novo para as famílias.

Crianças e professores: ansiedades e inseguranças

Os primeiros momentos na escola provocam curiosidade, surpresas e angustias. São estes sentimentos que mais sensibilizam a equipe pedagógica que se solidariza com as manifestações emocionadas dos pequenos. Adaptar-se à escola é um processo individual, em que cada criança precisa de um período de tempo diferente, sendo importante respeitar seu ritmo e não impor um período predeterminado. É preciso cuidar também da equipe pedagógica, promovendo momentos de acolhida e reflexão sobre as inseguranças e ocasiões para trocas e conversas. Tendo clareza sobre as emoções envolvidas, fica mais fácil trabalhar esse período com as crianças:

  • Antes de chegar à escola– Até 2 anos de idade é fundamental preservar a rotina doméstica da criança. Nesse sentido, uma conversa com as famílias pode esclarecer a equipe pedagógica quanto aos hábitos e horários seguidos em casa. Por outro lado, pode-se combinar um período de adaptação da rotina escolar na própria casa. Por exemplo, se as famílias utilizam o bebê conforto e a escola não faz uso deste objeto, será importante que os pais evitem seu uso para habituar a criança a uma nova postura (colocá-la sobre o colchonete, o tapete etc.).
    A partir de 30 meses a criança pode ser incluída na preparação da sua ida à escola. Comprar e arrumar a mochila, separar as roupas ou preparar o uniforme, são ações que criam familiaridade e segurança com a nova situação que está por vir.
    Esse começo prepara o ambiente para boas relações: pais-criança-professores; escola-família; coordenação-professores-outros profissionais.
  • O suporte da família nos primeiros dias– Bebês são muito sensíveis ao modo como são trocados, alimentados e colocados para dormir. Estas ações podem fazer diferença na construção de uma adaptação segura e afetiva. Os professores tem a possibilidade de conhecer sobre os hábitos cotidianos dos bebês se contarem com a presença dos pais na escola nos primeiros dias. Esta presença é importante também para as crianças mais velhas, que, apesar de se envolverem com novos colegas, brincadeiras e desafios, precisam construir um sentimento de segurança em relação ao ambiente.
  • Medo de ficar para sempre na escola– Apesar do acolhimento da professora, é bom que os pais esclareçam à criança o que irá acontecer na escola e que irão buscá-la no final do período. A despedida é fundamental para a adaptação e ela deve ser pautada na honestidade e na confiança. Assim, é fundamental falar sempre a verdade para a criança. A equipe deve conversar com os pais para que não prometam aquilo que não farão ou não cumprirão. Quando o responsável for embora, deve sair sem fugir da criança, despedindo-se, mesmo que ela chore. No final da despedida não esquecer de dizer que irá voltar. Nesse sentido, solicitar que os responsáveis retornem no horário combinado. Por outro lado, é essencial não prolongar as emoções da despedida! Assim que ocorrer a despedida, instruir os pais a deixarem o recinto.
  • Desejo de ficar com a mamãe– Claro que a criança deseja ficar com quem conhece, seja a mãe, a avó, o pai ou o cuidador. O vínculo com os professores e demais funcionários está apenas começando. Os professores devem fazer uma forte parceria com os pais e não concorrer com eles. Um exemplo comum dessa situação é tirar a criança do colo do responsável. Uma boa dica é pedir para o familiar colocar a criança no chão primeiro. No caso de bebês, o adulto responsável deve entregar a criança para o professor.
  • Desejo da presença de um pedacinho de casa (objeto transicional, Winnicott)– Caso a criança queira, permitir que traga objetos de casa. Essa é uma maneira de se sentir reconfortada por um elo familiar. É como se a criança estivesse levando “uma parte de sua casa” para a escola. Aos poucos, ela vai trocando tais objetos por brinquedos e brincadeiras da rotina escolar. Ao longo do ano, outras situações podem trazer de volta o desejo de estar com o objeto transicional.
  • Evitar perguntar à criança se ela quer ir à escola– Essa é uma decisão que deve ser tomada pelos pais e responsáveis e não pela criança. Em casa a criança é geralmente o centro das atenções. Na escola, o pequeno vai começar a vivenciar as experiências de pertencer a um grupo, uma vida vivida no coletivo. Assim, é importante que os pais expressem o entusiasmo pelas oportunidades de brincar, conhecer, criar e se relacionar.

O primeiro vínculo na escola: uma relação pessoal

Em casa a criança passou a sua existência ou as férias em ambientes conhecidos sendo o foco de atenção dos adultos. Às vezes esquecemos que lidar com a vida em grupo é um grande desafio e esperamos que ela sinta prazer de imediato!

A delicadeza desse período se traduz no conhecimento do professor sobre cada criança, demonstrando que se interessa por ela e reconhece suas características. Ao estudar a relação de cuidadores com crianças pequenas, a pediatra húngara Emi Pikler, defendia o conceito do “adulto referência”, um profissional empenhado em conhecer e se relacionar diretamente com um grupo de crianças.

Muitas das turmas da educação infantil têm dois ou mais professores por sala, que se alternam em receber, trocar, brincar e alimentar as crianças. Essa alternância no início da relação não favorece a formação de vínculos iniciais e não constrói a ideia do adulto referência. Na primeira etapa, é importante o professor se conectar com um grupo de crianças e mantê-lo sob sua responsabilidade nos momentos de chegada, saída, acolhimento e cuidado, mas isso não exclui a construção de relações com os outros adultos da escola.

A ideia de adulto referência é importante também para as crianças mais velhas que se sentirão mais seguras ao contar com uma pessoa mais próxima e conhecida.

Perceber para conhecer

Diferentes situações de brincadeira favorecem a expressão das características individuais das crianças. As informações colhidas pelos professores nesses momentos são valiosas para o início de um trabalho pedagógico que respeita a singularidade. Planejar as primeiras semanas do ano com essa intenção é fundamental para construir uma relação de afeto cuidadoso e definir propostas pedagógicas compatíveis com os interesses e necessidades das turmas.

Para conhecer os pequenos podemos organizar espaços e materiais provocativos, de maneira a permitir liberdade de escolha e interação. A dinâmica de dar autonomia para que as crianças possam escolher com o quê e como brincar, favorece a brincadeira, o olhar observador do professor e revela direcionamentos para os futuros planejamentos.

Algumas inspirações:

  • Planejar um momento coletivo de brincadeiras para as crianças, as famílias e os educadores na chegada à escola.
  • Planejar e organizar as salas com propostas de cantos e materiais diversos. Receber os pequenos dessa forma vai surpreendê-los, provocá-los e interessá-los. Pode-se rodiziar as propostas e repetir esse processo por duas ou mais semanas, conforme o interesse das turmas:
  • Um dia para brinquedos separados em cantos: blocos e jogos de montar; carrinhos e caixas para garagens; bonecas e caixas/bacias para bercinhos e banheiras; brinquedos sonoros; livrinhos etc.
  • Outro dia, cantos com caixas, caixotes e sucatas diversas: tubos, caixas plásticas transparentes, pedrinhas, folhas, sementes, galhos, jornais e revistas. Sabemos que os materiais de largo alcance (não estruturados) despertam criatividade e narrativas. Brincar com materiais que não trazem uma “mensagem pronta” promove nas crianças um trabalho interno de elaboração de novas brincadeiras.
  • No terceiro dia, objetos pendurados: montar cabanas com tecidos; pendurar móbiles e alguns brinquedos em molas, barbantes e elásticos; pendurar cortinas plásticas, papel celofane colorido e outros materiais transparentes; objetos sonoros; pequenas garrafas pet com água e elementos coloridos.
  • Outro dia para livros, revistas, almofadas e colchonetes. Tendas separando diversos ambientes acolhedores para a leitura também compõem a proposta. Nesse caso é bom pensar em materiais alternativos para as crianças que ainda não se interessam pelos livros.
  • Finalmente, no último dia desta sequência, organizar papeis e riscadores para desenhar em diversos planos. Colocar grandes folhas de papel nas paredes e no chão, criar cantos para desenhar em folhas de papel sulfite, cartolinas e outros suportes. Se houver lousa, disponibilizar giz.

As escolas de educação infantil de Reggio Emilia (Itália) trabalham com a mediação de pequenos grupos de crianças, reunidos pelo interesse comum do tema da pesquisa. Essa é uma oportunidade para o professor experimentar o funcionamento dessa dinâmica e planejar as intervenções para ampliar as descobertas e criar novos desafios para os diferentes grupos.

É importante lembrar que cada criança é um individuo singular e pode não se interessar pela proposta do dia.  Baseado na observação e avaliação do interesse das crianças nas propostas anteriores, o professor pode manter os cantos com os objetos que mais provocaram brincadeiras e adequar a organização dos cantos que ainda não interessaram os pequenos.

Essas ações podem ser planejadas em conjunto com toda a equipe pedagógica e rodiziadas entre os professores e suas turmas, facilitando os planejamentos iniciais e a organização dos materiais.

São muitas questões, dicas e ansiedades. O fato é que as crianças gostam de ir a uma escola desafiadora e acolhedora. Não tem erro! Os pequenos vão superar as delicadezas da adaptação e os vínculos com os professores vão se estabelecer. Winnicott dizia que é justamente a partir da experiência fundante de “estar com” que se desenvolve a capacidade igualmente fundamental de “estar só”.

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

PARA SABER MAIS…

Leia as postagens completas com as falas de Luis Guilherme Vergara e Anelise Csapo:

  Leia sobre Emmi Pikler nas postagens:

  Leia mais sobre o período de adaptação e acolhimento nas postagens:

 

Postado em Desenvolvimento Infantil, Postura do Professor | Tags , , , , , , | 5 Comentários

Final de ano: oportunidade para as arrumações na sala e faxina nos brinquedos!

Ao aproximar-se o final de ano, o movimento é grande e são muitas as obrigações, arrumações e afazeres, tudo à beira de um período de festas e comemorações. Mas ainda temos um grupo de crianças que continua frequentando a escola. O que fazer de diferente com essa turminha?

Sentimos no ar uma mudança no espírito, esses meses de final e início do ano têm uma atmosfera diferente…
Nessa altura as crianças estão mais amadurecidas e integradas. Os maiores e os menores se conhecem e brincam juntos. Os espaços da escola são familiares e os materiais também. A autonomia está em pleno exercício. Porém, o papel do professor não entrou de férias. Ainda é preciso aproveitar o tempo com as crianças e criar ambientes de aprendizagem.

Que tal propor uma nova organização do espaço e a redistribuição dos materiais!

Para unir o útil ao agradável, pense em transformar a organização dos materiais em brincadeira! E quanto aos brinquedos velhos, incompletos e quebrados, será que eles podem ser reaproveitados?

Aqui vai uma sugestão que pode ajudar o professor a encontrar um caminho interessante para os poucos dias que restam no ano…

Levantamento, separação e organização

Junte todos aqueles brinquedos e partes de brinquedos que não vão ocupar as prateleiras de destaque no próximo ano. Você pode solicitar os descartes de outras turmas e até mesmo os da cozinha (cuidando para não incluir vidros, facas e outros itens perigosos).

Prepare caixas de papelão de diferentes tamanhos, arrumando-as nos cantos da sala.

A dica é colocar todo o material que será rejeitado sobre um tapete, tecido, lona plástica ou folha grande de papel e convidar a turma para separar e guardar nas caixas.

Para os pequeninos, entre 18 e 24 meses, tudo vale. Ainda é complicado fazer seleção e classificação. Porém, se o grupo já começar a nomear cores, compreender as relações entre objetos como carrinhos, bonecas, copinhos e pratinhos, é possível lançar o desafio de guardar os materiais de acordo com algumas classificações.

A partir dos 24/36 meses, já é possível levantar com o próprio grupo os critérios para organizar o material nas caixas. Você pode começar a proposta sentando em roda, em volta da pilha de objetos, e aquecer a turma: olhem o que temos no meio da roda!

Depois prossiga com perguntas que desafiam a memória e as narrativas:

O que vocês veem ai?
Alguém já brincou com esses objetos?
O que fizeram?
Qual gostam mais?

Faça a mediação da conversa, procurando dar voz a todos que queiram se manifestar e ajudando a organizar as frases e os pensamentos.

Se a conversa se esgotar (ou se não surgir outra proposta de brincadeira, contação de história a partir dos objetos etc., etc., etc.), pergunte como seria possível arrumar todos os objetos nas caixas vazias que estão na sala. Dê tempo para que pensem. Refazer a pergunta de outra maneira ou usando outras palavras pode ajudar. Se ainda não houver contribuição, sugira:

E se usarmos uma caixa para guardar coisas de bonecas, quais objetos podemos colocar nessa caixa? (e coisas de carrinho? E peças de quebra-cabeça? E coisas de cozinha? E bichos?…)

Defina com os pequenos e comecem a organizar. Você pode colar com fita adesiva um exemplo de cada critério combinado na lateral das caixas para facilitar a identificação.

Em cada caixa, um novo universo de brincadeiras

Cada conjunto de restos de brinquedos e outros objetos certamente se transformará em novas brincadeiras. Novas combinações entre os materiais inspiram outros desafios. Ao unir isso com aquilo, é possível provocar novas criações e faz de conta. Sugerimos aprofundar a pesquisa em cada uma das caixas organizadas separadamente, acrescentando novos materiais para ampliar as investigações.

Animais

Por exemplo, se houver uma caixa com bichos de brinquedo, uma boa sugestão é fornecer materiais para que as crianças construam pequenos ambientes naturais em suas brincadeiras.

Para os bichos terrestres, faça cantos com bandejas plásticas ou de isopor, caixas baixas ou pedaços de cartolina. Passeie com a turma para coletar terra, areia, gravetos, folhas e pedras. Organize o ambiente separando as bandejas, as plantas, gravetos, pedras, areia, terra e os animais de brinquedo.

Então, não se esqueça de pegar o gancho nos interesses para fazer perguntas desafiadoras:

O que você quer fazer? Como pensa em fazer? Quem pode ajudar? Vamos descobrir juntos?

Para os bichos aquáticos, aproveite o calor e o pátio. Organize bandejas plásticas e bacias, pedras, areia, baldes de água e recipientes para as crianças transportarem a água para os seus pequenos ambientes.

Barquinhos podem inspirar novas brincadeiras. Os de papel também servem!

Temos pinguins, baleias e ursos? Que tal acrescentar pedras de gelo ao faz de conta? Você pode fazer gelo de diversos formatos, tamanhos e cores, congelando a água em potes de iogurte, margarina etc.

→ Carrinhos, caminhões e outros meios de transporte

Para explorar esses brinquedos, os circuitos são uma boa opção. Tiras de papel, papelão e cartolina podem fazer as vezes de ruas. Caixinhas podem se transformar em construções da cidade e até em montanhas. Pequenos pedaços de taboa ou papelão rígido podem ser pontes e viadutos. Deixe que as crianças pesquisem e descubram. Faça perguntas ajudando-as a criar e solucionar os problemas que encontram no seu fazer.

→ Panelinhas e coisas de cozinha

Um pouco de arroz, feijão, outras sementes e até pedras de vários tamanhos podem fazer as vezes da comida. Argila, terra, areia e água são quitutes para os pequenos cozinheiros. Prepare o ambiente e deixe a brincadeira correr!

Instigue preparações para ocasiões especiais: aniversários, festas dos brinquedos preferidos, pratos da tradição local como vatapá, pato no tucupi, pizza…

 

→ Construções inusitadas

Peças de jogos de montar e quebra-cabeças, partes de carrinhos e bonecas, pedaços de lápis, potinhos… podem ser ressignificados e se transformarem em materiais para construir. Com cola e fita adesiva desafie a turma a fazer montagens e construções. Você pode organizar pedaços de cartolina, papel cartão ou caixas para servirem como suporte.

 

Separação e organização dos materiais para o próximo ano

E o que fazer com os materiais em bom estado?…
…Sabe o que fazer naquele dia super quente?

Separe todos os brinquedos que podem ser lavados. Organize bacias e escovinhas para que as crianças limpem os materiais antes das férias. Se quiser, pode introduzir detergente, sabão de coco ou sabonete líquido – lembrando que a espuma e as bolhas também dão pano para a manga!

Arrume um lugar para que os objetos lavados sequem. Separe caixas de papelão para separar, classificar e guardar.

Se a brincadeira der certo você pode organizar um outro dia para lavar os materiais de pintura, como pinceis, potinhos e caixas plásticas. Prepare-se para água e espuma colorida!

Experimente o trabalho de limpeza e organização com os pequenos. São muitas possibilidades de brincadeira, pesquisa, cuidado e conquista de autonomia.

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

Leia mais em:

Postado em Coordenação e Gestão, Postura do Professor | Tags , , , , , , , | Clique para deixar um comentário!

Livro didático para professores da educação infantil: por que tanta polêmica com o PNLD?

Estamos intrigadas. Porque os livros didáticos do MEC para a Educação Infantil estão causando tanta polêmica? Por que não estão sendo apresentados para que educadores de creches e pré-escolas emitam suas opiniões e escolham uma das obras selecionadas pelo MEC? O que está acontecendo? Vamos analisar essa questão.

Nas minhas andanças de formação, tenho encontrado posturas preocupantes frente ao PNLD da Educação Infantil. Diversos profissionais e secretarias municipais têm manifestado resistência para conhecer, avaliar, escolher e adotar os livros que foram selecionados por uma comissão de educadoras habilitadas e competentes.

Vamos esclarecer e pensar sobre o PNLD-Educação Infantil :

  • O que é PNLD?

É a sigla utilizada para oPrograma Nacional do Livro e do Material Didático. São livros didáticos, literários e materiais de apoio GRATUITOS, destinados aos professores e alunos de escolas públicas municipais, estaduais e federais e de instituições conveniadas, como grande parte das creches municipais. O programa existe desde 1937 e é a primeira vez que temos um edital exclusivamente voltado para PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL. Como os livros foram atrelados à BNCC, a resistência a ela tem gerado resistência aos livros.

  • Como são os livros do PNLD da Educação Infantil?

São obras escritas por autores respeitados, valorizados e seguidos pela comunidade de educadores da Educação Infantil. São livros conceituais, voltados EXCLUSIVAMENTE para a formação dos professores, coordenadores e diretores de creches e pré-escolas. Nosso livro em particular (Práticas comentadas para inspirar), COMENTA de inúmeras práticas, mas NÃO DITA MODELOS! Quem acompanha o Blog Tempo de Creche, sabe como pensamos a respeitos das práticas docentes voltadas para as crianças pequenas. Nas mais de 400 postagens não há uma prática sequer que deixe de valorizar o contexto das atividades, que não apresente os percursos do planejamento professor e que não exponha os registros reflexivos. Nosso livro para o PNLD não é diferente. As reflexões sobre práticas reais foram relacionadas aos Campos de Experiências, que não são exclusividade da Base brasileira e foram inspirados no currículo italiano, um dos mais adotados pelos países com os melhores padrões de educação do mundo. Continue lendo..

Postado em Coordenação e Gestão, Postura do Professor | Tags , , , , | 13 Comentários

Atividades para criança criativa: o que significa isto?

Um grande número de atividades de creches e pré-escolas apresentadas nas redes sociais nos fazem pensar sobre a qualidade da educação praticada com as crianças pequenas. Ainda é possível observar que muitos educadores valorizam as “atividades” e esquecem do personagem principal de todo e qualquer planejamento pedagógico: a criança criativa, seus interesses, necessidades e percursos de aprendizagem e desenvolvimento.

Muitos dos conteúdos pedagógicos da Educação Infantil postados nas redes sociais pertencem a um universo ultrapassado da Educação Infantil.

paredes com imagens de qualidade fb

Continue lendo..

Postado em Postura do Professor | Tags , , , | 3 Comentários

Hora do parque é hora de quê?

O que a hora do parque representa para as crianças?
E para os professores?

Vamos começar pelos pequenos

O parque é um dos diversos espaços da escola que devem ser ocupados pelas crianças. Mas o parque é especial… talvez mais importante do que a própria sala!

Na área externa, de preferência grande, ensolarada e “decorada” pela natureza, as crianças desfrutam um ambiente arejado; amplo o suficiente para experimentar os grandes gestos do corpo; pesquisam e coletam galhos, pedras, plantas, bichinhos e outros tesouros; se juntam aos colegas e também encontram cantinhos secretos; colocam em ação incríveis enredos de faz de conta… enfim, vivem a infância no melhor cenário!
a hora do parque 1

Continue lendo..

Postado em Planejamentos e Atividades, Postura do Professor, Tempo, Espaço e Materiais | Tags , , , , | 1 Comentário

Para ser professor, basta o diploma?

Percorremos uma jornada de formação na faculdade. Atualizamos nossos conhecimentos por meio de cursos e palestras. Compramos alguns livros e lemos artigos em revistas especializadas e na internet… ainda assim parece que falta algo! Parece que nada disso dialoga com a prática! O que acontece?

Atualmente, a formação do professor é considerada uma disciplina de estudo especializado e uma área de pesquisa estratégica. Diversos países investem nesse tema porque julgam ser prioritário pensar sobre a qualidade do ensino praticado pelos professores ao longo de suas carreiras.

O que isso quer dizer exatamente?
Para qualquer profissional cuja carreira dependa das habilidades intelectuais, é fundamental que a formação se estenda por toda a vida.
Até aí, nada de novo.

O que tem despontado nas pesquisas a respeito da formação continuada do professor, é a importância da REFLEXÃO como estratégia de auto-formação.

É crença de diversos estudiosos e especialistas que a formação do professor se completa com a sua prática. Isso quer dizer que sem colocar a mão na massa não há formação que dê conta de preparar um professor para um trabalho qualificado.

O educador americano Herbert Kohl diz que a não ser que os professores assumam a responsabilidade de testar e elaborar teorias de educação, as teorias serão sempre feitas (e impostas!) pelos outros.

Então não é só frequentar uma faculdade, estudar, obter a graduação e, com a experiência prática, conquistar a satisfação de reconhecer-se como um bom professor?

Mais uma vez, não!

É nesse sentido que os pesquisadores têm apontado e necessidade de uma etapa formativa da carreira que NUNCA TERMINA: o exercício constante da reflexão sobre a própria prática.

Paulo Freire foi um defensor da reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Para ele, (…) é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. (FREIRE, 1996, p.43).

Continue lendo..

Postado em Coordenação e Gestão, Postura do Professor | Tags , , , | 2 Comentários

Como dizer NÃO para crianças pequenas?

Crianças nasceram com o gene da exploração! São pesquisadoras natas do mundo que as cerca e, aos poucos, vão tendo suas fronteiras ampliadas. No fuça, mexe, remexe, segura, transporta, tira e põe, os adultos ficam ansiosos, receosos pela segurança e não sabem como agir para estabelecer limites: não dá para abrir os armários da sala e tirar tudo de dentro, lidando com grupos de 18 crianças! Brincar de abrir e bater portas pode machucar!
O que fazer para interromper algumas dessas “investigações”? Como trabalhar os limites nessas situações?

PESQUISAS PERIGOSAS DE CRIANÇA

A casa, os ambientes da creche e, em especial, a sala, são o mundo das crianças. Isso significa que esses universos precisam ser explorados para serem totalmente reconhecidos. Paralelamente, controlar o ímpeto de pesquisa não é fácil e nem natural nessa faixa etária. Os impulsos ainda não conseguem ser freados pelos pequenos e, apesar dos alertas dos adultos capturarem a atenção, em poucos minutos eles estão de volta às portas, gavetas e armários!

O que fazer? Continue lendo..

Postado em Desenvolvimento Infantil, Postura do Professor | Tags , , , | Clique para deixar um comentário!

Adaptação em processo: você já é o brinquedo favorito das suas crianças?

Professor, o choro de algumas crianças ainda “contamina” as outras do grupo e você não sabe mais o que fazer? …

Com todo o esforço da adaptação, muitas turmas ainda têm crianças que choram (porque essa é a forma que utilizam para expressar suas angústias!), outras que encontram maior dificuldade para se integrarem e parece que não chegam à creche com o ânimo e vontade. Essa situação que parece fora de hora e causa ansiedade porque você, como professor, não consegue planejar propostas de atividades com a certeza de que vai contar com a adesão do grupo, pode ser pensada de outra maneira?

Imagem crianças post você é o brinquedo

Mas essa maneira deve ser o X da questão! Então, quais são os objetivos do planejamento das propostas para abordarmos essa situação?

O objetivo principal da adaptação é a construção do seu vínculo com a turma. Você deve ser o centro desse relacionamento focado em cada criança individualmente. Nessa fase, é você com o Pedro e o Pedro com você; você com Maria e a Maria com você; você com o João e o João com você … e o elo que une essas relações baseia-se na seguinte questão:

Você já é o brinquedo favorito das suas crianças?

Porque a língua das crianças é o lúdico e seu universo é brincante!

E como saber a resposta para essa pergunta?

Siga o roteiro de questões abaixo pensando nas situações ocorridas no último mês:
Continue lendo..

Postado em Desenvolvimento Infantil, Postura do Professor | Tags , , , , , , | 1 Comentário

Campos de experiências todos os dias! Como trabalhá-los?

Falamos em planejar, registrar, refletir e replanejar como uma postura contemporânea do educador, que percebe as crianças e acolhe suas contribuições. Mas isso é suficiente no contexto formal da Educação Infantil?
O que dizer de currículos oficias, como a BNCC, com conteúdos a serem ensinados ?

→ Por onde começar?
→ Quem pensa sobre a criança e a infância hoje?

campo do conhecimento espacial e matemáticoPodemos partir de uma discussão baseada na Antropologia da Criança para buscar conclusões. Clarice Cohn (2005) disse que a criança produz cultura, não pelos objetos ou relatos que constrói, mas pela formulação de um sentido que dá ao mundo que a rodeia. Segundo a antropóloga, criança não sabe menos, sabe outra coisa e nós adultos precisamos entrar neste mundo respeitando uma cultura que já existe. Essa postura faz toda a diferença ao pensar em “currículos” e “ensinos”, porque não é possível construir desenvolvimento sobre um território desrespeitado ou até destruído.

Conhecer a cultura da infância das crianças com as quais trabalhamos, é o primeiro ponto de partida para pensar no contexto educativo.

O segundo ponto é refletir sobre a forma como entendemos a infância e o que ela representa para a constituição do futuro adulto.

É a criança um adulto em miniatura?

expressão em artes visuais 2Já vimos que a Antropologia da Criança distancia-se desse pensamento porque considera que a criança tem universo próprio.

O terceiro ponto apoia-se nas pesquisas da arquitetura do cérebro, que é formado pelas experiências, aprendizagens e emoções vividas na infância.

Os estudos de ambas as ciências – antropologia e fisiologia do pensamento – falam que crianças aprendem pela experiência, pela pesquisa e interações que realizam ao brincar, que deixam marcas por toda a vida.
Esse é o nosso guia!
Simples?
Não, complexo! E desafiador!

Fomos treinados para conduzir o ensino e dar aulas. Esse modo de agir não é respeitoso e nem produtivo.
Continue lendo..

Postado em Campos de Experiências, Postura do Professor | Tags , , , , , , | 21 Comentários

Palavra de… Beatriz Ferraz: a BNCC e a Educação Infantil

O Blog Tempo de Creche conversou com a psicóloga Beatriz Ferraz sobre a nova Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil. Beatriz participou do grupo de especialistas que escreveram textos para apoiar a implementação da primeira versão do documento e foi leitora crítica da 3ª versão.

 

Tempo de Creche O que é a BNCC? Em que ela difere das Diretrizes Nacionais e Referenciais?

captura_de_tela_2017-04-10_as_08.30.11

Beatriz – A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que estabelece um conjunto de noções, habilidades e atitudes que todas as crianças que frequentam a educação infantil têm o direito de aprender. Esse conjunto de aprendizagens estão redigidos como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e devem ser considerados por todas as escolas do país, sejam elas públicas ou privadas.

O documento da BNCC estabelece um referencial nacional obrigatório que deve ser contemplado no currículo de todas as redes de ensino e instituições escolares, públicas ou privadas.

A partir dessa referência, o exercício das redes e escolas é realizar adequações em suas propostas curriculares e pedagógicas, garantindo que as mesmas estejam considerando as aprendizagens indicadas na BNCC. Nesse aspecto a BNCC se diferencia dos Referenciais Curriculares Nacionais, pois os mesmos não tinham o caráter de obrigatoriedade.

Tempo de Creche – A BNCC dialoga com as Diretrizes? Continue lendo..

Postado em Campos de Experiências, Desenvolvimento Infantil, Palavra de... especialista, Postura do Professor | Tags , | 16 Comentários