Categoria: Postura do Professor

Livro didático para professores da educação infantil: por que tanta polêmica com o PNLD?

Estamos intrigadas. Porque os livros didáticos do MEC para a Educação Infantil estão causando tanta polêmica? Por que não estão sendo apresentados para que educadores de creches e pré-escolas emitam suas opiniões e escolham uma das obras selecionadas pelo MEC? O que está acontecendo? Vamos analisar essa questão.

Nas minhas andanças de formação, tenho encontrado posturas preocupantes frente ao PNLD da Educação Infantil. Diversos profissionais e secretarias municipais têm manifestado resistência para conhecer, avaliar, escolher e adotar os livros que foram selecionados por uma comissão de educadoras habilitadas e competentes.

Vamos esclarecer e pensar sobre o PNLD-Educação Infantil :

  • O que é PNLD?

É a sigla utilizada para oPrograma Nacional do Livro e do Material Didático. São livros didáticos, literários e materiais de apoio GRATUITOS, destinados aos professores e alunos de escolas públicas municipais, estaduais e federais e de instituições conveniadas, como grande parte das creches municipais. O programa existe desde 1937 e é a primeira vez que temos um edital exclusivamente voltado para PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL. Como os livros foram atrelados à BNCC, a resistência a ela tem gerado resistência aos livros.

  • Como são os livros do PNLD da Educação Infantil?

São obras escritas por autores respeitados, valorizados e seguidos pela comunidade de educadores da Educação Infantil. São livros conceituais, voltados EXCLUSIVAMENTE para a formação dos professores, coordenadores e diretores de creches e pré-escolas. Nosso livro em particular (Práticas comentadas para inspirar), COMENTA de inúmeras práticas, mas NÃO DITA MODELOS! Quem acompanha o Blog Tempo de Creche, sabe como pensamos a respeitos das práticas docentes voltadas para as crianças pequenas. Nas mais de 400 postagens não há uma prática sequer que deixe de valorizar o contexto das atividades, que não apresente os percursos do planejamento professor e que não exponha os registros reflexivos. Nosso livro para o PNLD não é diferente. As reflexões sobre práticas reais foram relacionadas aos Campos de Experiências, que não são exclusividade da Base brasileira e foram inspirados no currículo italiano, um dos mais adotados pelos países com os melhores padrões de educação do mundo.

  •  Como foram escolhidos os livros?

As quatro obras (duas para a faixa 0 a 3 anos e duas para a faixa 4 a 6 anos) foram selecionadas por profissionais gabaritadas e respeitadas no meio da Educação Infantil: Zilma de Morais Ramos de Oliveira, Beatriz Cardoso e Gisela Wajskop. Todas são pesquisadoras, autoras de livros consagrados e formadoras. Por isso, acredito que estas profissionais fizeram escolhas compatíveis com suas crenças pedagógicas, as quais acompanhamos e seguimos de perto.

  • E a BNCC? Há tantas controvérsias….

É verdade! A BNCC possui muitas lacunas e alguns pontos que precisam ser revistos. Mas as bases curriculares são assim!!!! NO MUNDO TODO!

Nos países escandinavos, por exemplo, elas são revistas a cada 3 anos. No Brasil, teremos a primeira revisão (pública!) daqui a 5 anos.

Educação é viva, caminha com o contexto do momento e do lugar. Não é possível conceber um currículo perfeitamente adequado a tudo e a todos, que atenda perenemente todo o país. É por isso que precisamos nos colocar nesse processo, agindo com responsabilidade! É necessário conhecer a BNCC, estudá-la, tentar colocá-la em prática, para depois criticá-la. Fazer críticas a partir da mão na massa! Não fazer a crítica pela crítica, formulando opiniões de “ouvir dizer”… Só assim conquistaremos aos poucos um documento de referência que dialoga de fato com a educação que acreditamos e queremos para nossas crianças.

  • O que acontecerá se os livros do PNLD Educação Infantil não forem adotados?

O mesmo que acontecerá com a BNCC! Ela nunca será NOSSA e nunca nos sentiremos incluídos.

Veja, o fato de termos um PNLD voltado para a Educação Infantil é uma grande conquista para esta etapa recente da educação básica: estamos sendo reconhecidos pelo MEC. O programa pretende investir na FORMAÇÃO DO PROFESSOR e está deixando de lado o “apostilamento” para crianças pequenas! Só esse fato já mereceria reconhecimento e apoio de todos os profissionais da Educação Infantil!

Se os livros não forem adotados e usados, corremos o risco de perder a chance de estudar, criticar e propor outros rumos para o programa que investe na formação dos professores.

Por isso, nós do Tempo de Creche, apesar de acreditarmos muito no nosso livro (modestas… rsrsrs!), pedimos atenção a todos os livros selecionados. Solicitamos que cada professor, coordenador, diretor, supervisor, formador e secretário de educação, pondere o processo como um todo e ESCOLHA os livros que achar mais apropriados ao seu contexto. NÃO DEIXEMOS QUE ESTA INICIATIVA ÚNICA, QUE ENVOLVEU PROFISSIONAIS QUALIFICADOS E PRODUZIU MATERIAIS INTERESSANTES, SE PERCA.

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Atividades para criança criativa: o que significa isto?

Um grande número de atividades de creches e pré-escolas apresentadas nas redes sociais nos fazem pensar sobre a qualidade da educação praticada com as crianças pequenas. Ainda é possível observar que muitos educadores valorizam as “atividades” e esquecem do personagem principal de todo e qualquer planejamento pedagógico: a criança criativa, seus interesses, necessidades e percursos de aprendizagem e desenvolvimento.

Muitos dos conteúdos pedagógicos da Educação Infantil postados nas redes sociais pertencem a um universo ultrapassado da Educação Infantil.

paredes com imagens de qualidade fb

Um número significativo de experiências pedagógicas compartilhadas mostra crianças “enquadradas”, com pouco espaço para o exercício da criatividade, a resolução de problemas e o desenvolvimento da autonomia.

O que quero dizer com isso?

São diversas indicações de atividades centradas em professores que assumem postura diretiva e retratam propostas baseadas em folhinhas impressas para colorir, pobreza estética e a valorização da mão do professor na elaboração de materiais com imagens estereotipadas de EVA. Pouco se nota da escuta, das descobertas e das contribuições das crianças nos processos de aprendizagem. Em resumo, divulgam-se atividades que não valorizam a identidade, a singularidade e a aprendizagem por meio de experiências e construção de conhecimentos.

brinquedinho ou desafio

A criança pequena, cuja curiosidade e iniciativa é valorizada, pode se colocar nas situações que vivencia. Ela tem espaço para “se interessar/não se interessar”; “perguntar/ouvir”; “saber/ainda não saber”; “entender/não entender”; “pensar igual/pensar diferente”; “querer repetir/querer inventar/ querer descobrir”… enfim, são crianças que têm posicionamento e certamente participam do próprio processo de aprender e se desenvolver.

artesanato do professor

Para o teólogo, filósofo e pesquisador da Educação, Cipriano Carlos Luckesi, as aprendizagens complexas dão base para aprofundamentos e criatividade: “só cria quem entende”. O ser humano é ativo. É um ser de movimentos, mesmo que esteja aparentemente quieto. Na sua quietude, certamente os neurônios estão em movimento. O ensino mecânico não considera os movimentos internos e externos das crianças e, com isso, não constrói uma aprendizagem baseada no “querer saber os porquês”, para entender, aplicar e recriar (LUCKESI, 2011). Só nesse estágio é que a criança se transforma, conquista autonomia e pode transformar o mundo.

documentação pedagógica da criança

Já crianças que foram formatadas em comportamentos condicionados, perdem a curiosidade, o desejo de pesquisa, a criatividade, o encantamento pela descoberta e a certeza de que podem aprender, inventar e participar do que acontece ao seu redor. Essas são as bases para formar crianças pensantes, inteligentes, críticas e que conhecem os próprios jeitos de se organizar para aprender.

Muitas das propostas divulgadas na internet atropelam o potencial das crianças e, como diz Madalena Freire, no lugar de oferecer “FÓRMAS”, as colocam em “FÔRMAS”.

atividade formatada

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PARA SABER MAIS…

→ Cipriano Carlos Luckesi é teólogo, filósofo, doutor em Educação: Filosofia e História da Educação e especialista em Avaliação. Hoje é professor aposentado, orientador de pós-graduandos e integrante do Grupo de Pesquisa em Educação e Ludicidade da Universidade Federal da Bahia. O livro consultado nesse artigo é Avaliação da aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2011.

→ Madalena Freire é uma das inspirações do Tempo de Creche. É pedagoga e arte- educadora. Dedica-se desde 1981 à formação de educadores com grupos de reflexão e estudo. Foi fundadora do Espaço Pedagógico em São Paulo e presta assessoria a instituições públicas e particulares em todo o território nacional.

Leia mais sobre Madalena Freire e o tema desta postagem em:

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Hora do parque é hora de quê?

O que a hora do parque representa para as crianças?
E para os professores?

Vamos começar pelos pequenos

O parque é um dos diversos espaços da escola que devem ser ocupados pelas crianças. Mas o parque é especial… talvez mais importante do que a própria sala!

Na área externa, de preferência grande, ensolarada e “decorada” pela natureza, as crianças desfrutam um ambiente arejado; amplo o suficiente para experimentar os grandes gestos do corpo; pesquisam e coletam galhos, pedras, plantas, bichinhos e outros tesouros; se juntam aos colegas e também encontram cantinhos secretos; colocam em ação incríveis enredos de faz de conta… enfim, vivem a infância no melhor cenário!
a hora do parque 1

Se perguntássemos agora, qual cena da sua infância vem primeiro à mente, para grande parte dos leitores o espaço que abriga a lembrança é o externo. Somos marcados por quintais, jardins, parques, sítios, praias e matas. Nesse sentido, os educadores percebem a importância desses espaços para suas crianças, mas nem sempre priorizam e se preparam para dedicar diariamente longos períodos às áreas externas.

a hora do parque 4Por que isso ocorre?
Porque fomos formados em escolas de paredes! Apesar de perceber os ganhos para as crianças, nossa memória corporal nos projeta para as salas de aula e acabamos reproduzindo nossa história com as crianças.

Recebemos inúmeras mensagens de professores pedindo orientação à respeito de turminhas de 1, 2, 3, 4 ou 5 anos “muito agressivas”. Pergunto-me se estas crianças são alimentadas pela vitamina “sol-espaço-movimento”!

Até aqui pensamos sobre o valor destas áreas na rotina dos pequenos (e na nossa também!). Agora vamos pensar no professor

Pergunto: sair para o parque todos os dias e garantir a segurança dos pequenos é suficiente?
É importante mas não é suficiente.

a hora do parque 3O parque da escola faz parte de um espaço FORMAL de educação. Ele não é a pracinha perto de casa que a criança frequenta com a família!

A hora do parque é um território fundamental para o desenvolvimento de diversas habilidades e aprendizagens e, por isso, não há lugar para espontaneísmo pedagógico. É impensável ocupar esse tempo precioso das crianças batendo-papo com o colega e colocando o Facebook, o WhatsApp e os e-mails em dia.

A hora do parque na escola é educativa… necessita planejamento, observação, intervenção, registro e reflexão:

  • Do que as crianças estão brincando no momento do parque?
  • O que posso levar para que as brincadeiras se ampliem e se aprofundem? (materiais)
  • Como posso organizar o espaços do parque para provocar a curiosidade e as explorações? (espaço propositor)
  • O que posso fazer para instigar, levantar problemas e desafiar as crianças a pensarem nas resoluções? (intervenções)
  • Quem e o que devo observar no momento de parque? Quais questões são importantes para registrar? (pauta do olhar e registro)
  • Com base nas observações e registros, quais materiais e intervenções posso organizar para a próxima saída ao parque? Quando devo me afastar e observar (dar espaço) e quando devo intervir?

a hora do parque 2

Então, o professor deve estar sempre encabeçando as propostas do grupo, se colocando, intervindo, mediando etc. etc. etc.?

Os pequenos podem experimentar uma maior autonomia na hora do parque. O professor pode assumir uma postura acolhedora e menos diretiva, que favoreça a organização autônoma dos grupos em torno de interesses próprios. É só fazer uma escuta para os desejos e necessidades das crianças e balancear os usos desse espaço privilegiado… assim como estamos habituados a pensar no espaço da sala!

a hora do parque 5

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PARA SABER MAIS…

Leia mais sobre esse tema nas postagens:

 

 

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Para ser professor, basta o diploma?

Percorremos uma jornada de formação na faculdade. Atualizamos nossos conhecimentos por meio de cursos e palestras. Compramos alguns livros e lemos artigos em revistas especializadas e na internet… ainda assim parece que falta algo! Parece que nada disso dialoga com a prática! O que acontece?

Atualmente, a formação do professor é considerada uma disciplina de estudo especializado e uma área de pesquisa estratégica. Diversos países investem nesse tema porque julgam ser prioritário pensar sobre a qualidade do ensino praticado pelos professores ao longo de suas carreiras.

O que isso quer dizer exatamente?
Para qualquer profissional cuja carreira dependa das habilidades intelectuais, é fundamental que a formação se estenda por toda a vida.
Até aí, nada de novo.

O que tem despontado nas pesquisas a respeito da formação continuada do professor, é a importância da REFLEXÃO como estratégia de auto-formação.

É crença de diversos estudiosos e especialistas que a formação do professor se completa com a sua prática. Isso quer dizer que sem colocar a mão na massa não há formação que dê conta de preparar um professor para um trabalho qualificado.

O educador americano Herbert Kohl diz que a não ser que os professores assumam a responsabilidade de testar e elaborar teorias de educação, as teorias serão sempre feitas (e impostas!) pelos outros.

Então não é só frequentar uma faculdade, estudar, obter a graduação e, com a experiência prática, conquistar a satisfação de reconhecer-se como um bom professor?

Mais uma vez, não!

É nesse sentido que os pesquisadores têm apontado e necessidade de uma etapa formativa da carreira que NUNCA TERMINA: o exercício constante da reflexão sobre a própria prática.

Paulo Freire foi um defensor da reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Para ele, (…) é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. (FREIRE, 1996, p.43).

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Como dizer NÃO para crianças pequenas?

Crianças nasceram com o gene da exploração! São pesquisadoras natas do mundo que as cerca e, aos poucos, vão tendo suas fronteiras ampliadas. No fuça, mexe, remexe, segura, transporta, tira e põe, os adultos ficam ansiosos, receosos pela segurança e não sabem como agir para estabelecer limites: não dá para abrir os armários da sala e tirar tudo de dentro, lidando com grupos de 18 crianças! Brincar de abrir e bater portas pode machucar!
O que fazer para interromper algumas dessas “investigações”? Como trabalhar os limites nessas situações?

PESQUISAS PERIGOSAS DE CRIANÇA

A casa, os ambientes da creche e, em especial, a sala, são o mundo das crianças. Isso significa que esses universos precisam ser explorados para serem totalmente reconhecidos. Paralelamente, controlar o ímpeto de pesquisa não é fácil e nem natural nessa faixa etária. Os impulsos ainda não conseguem ser freados pelos pequenos e, apesar dos alertas dos adultos capturarem a atenção, em poucos minutos eles estão de volta às portas, gavetas e armários!

O que fazer?

  1. Ter expectativas realistas com relação aos limites

Sabendo que a pesquisa e a exploração é natural da primeira infância, esses comportamentos não acontecem para deixar os adultos malucos!
Assim, é importante saber que os fuça-mexe vão se repetir muitas vezes, nos lugares mais diversos, sempre que a criança perceber que tem algo a descobrir. Outro aspecto dessa questão é levantado pela psicóloga Rosely Sayão. Ela acredita que as crianças estão sendo educadas sob o peso da superproteção, o que as desconecta da realidade. O excesso de zelo também dificulta o desenvolvimento da resiliência, a capacidade de resistir às adversidades.

  1. Observar o foco da pesquisa

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Adaptação em processo: você já é o brinquedo favorito das suas crianças?

Professor, o choro de algumas crianças ainda “contamina” as outras do grupo e você não sabe mais o que fazer? …

Com todo o esforço da adaptação, muitas turmas ainda têm crianças que choram (porque essa é a forma que utilizam para expressar suas angústias!), outras que encontram maior dificuldade para se integrarem e parece que não chegam à creche com o ânimo e vontade. Essa situação que parece fora de hora e causa ansiedade porque você, como professor, não consegue planejar propostas de atividades com a certeza de que vai contar com a adesão do grupo, pode ser pensada de outra maneira?

Imagem crianças post você é o brinquedo

Mas essa maneira deve ser o X da questão! Então, quais são os objetivos do planejamento das propostas para abordarmos essa situação?

O objetivo principal da adaptação é a construção do seu vínculo com a turma. Você deve ser o centro desse relacionamento focado em cada criança individualmente. Nessa fase, é você com o Pedro e o Pedro com você; você com Maria e a Maria com você; você com o João e o João com você … e o elo que une essas relações baseia-se na seguinte questão:

Você já é o brinquedo favorito das suas crianças?

Porque a língua das crianças é o lúdico e seu universo é brincante!

E como saber a resposta para essa pergunta?

Siga o roteiro de questões abaixo pensando nas situações ocorridas no último mês:
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Campos de experiências todos os dias! Como trabalhá-los?

Falamos em planejar, registrar, refletir e replanejar como uma postura contemporânea do educador, que percebe as crianças e acolhe suas contribuições. Mas isso é suficiente no contexto formal da Educação Infantil?
O que dizer de currículos oficias, como a BNCC, com conteúdos a serem ensinados ?

→ Por onde começar?
→ Quem pensa sobre a criança e a infância hoje?

campo do conhecimento espacial e matemáticoPodemos partir de uma discussão baseada na Antropologia da Criança para buscar conclusões. Clarice Cohn (2005) disse que a criança produz cultura, não pelos objetos ou relatos que constrói, mas pela formulação de um sentido que dá ao mundo que a rodeia. Segundo a antropóloga, criança não sabe menos, sabe outra coisa e nós adultos precisamos entrar neste mundo respeitando uma cultura que já existe. Essa postura faz toda a diferença ao pensar em “currículos” e “ensinos”, porque não é possível construir desenvolvimento sobre um território desrespeitado ou até destruído.

Conhecer a cultura da infância das crianças com as quais trabalhamos, é o primeiro ponto de partida para pensar no contexto educativo.

O segundo ponto é refletir sobre a forma como entendemos a infância e o que ela representa para a constituição do futuro adulto.

É a criança um adulto em miniatura?

expressão em artes visuais 2Já vimos que a Antropologia da Criança distancia-se desse pensamento porque considera que a criança tem universo próprio.

O terceiro ponto apoia-se nas pesquisas da arquitetura do cérebro, que é formado pelas experiências, aprendizagens e emoções vividas na infância.

Os estudos de ambas as ciências – antropologia e fisiologia do pensamento – falam que crianças aprendem pela experiência, pela pesquisa e interações que realizam ao brincar, que deixam marcas por toda a vida.
Esse é o nosso guia!
Simples?
Não, complexo! E desafiador!

Fomos treinados para conduzir o ensino e dar aulas. Esse modo de agir não é respeitoso e nem produtivo.
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Palavra de… Beatriz Ferraz: a BNCC e a Educação Infantil

O Blog Tempo de Creche conversou com a psicóloga Beatriz Ferraz sobre a nova Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil. Beatriz participou do grupo de especialistas que escreveram textos para apoiar a implementação da primeira versão do documento e foi leitora crítica da 3ª versão.

 

Tempo de Creche O que é a BNCC? Em que ela difere das Diretrizes Nacionais e Referenciais?

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Beatriz – A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que estabelece um conjunto de noções, habilidades e atitudes que todas as crianças que frequentam a educação infantil têm o direito de aprender. Esse conjunto de aprendizagens estão redigidos como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e devem ser considerados por todas as escolas do país, sejam elas públicas ou privadas.

O documento da BNCC estabelece um referencial nacional obrigatório que deve ser contemplado no currículo de todas as redes de ensino e instituições escolares, públicas ou privadas.

A partir dessa referência, o exercício das redes e escolas é realizar adequações em suas propostas curriculares e pedagógicas, garantindo que as mesmas estejam considerando as aprendizagens indicadas na BNCC. Nesse aspecto a BNCC se diferencia dos Referenciais Curriculares Nacionais, pois os mesmos não tinham o caráter de obrigatoriedade.

Tempo de Creche – A BNCC dialoga com as Diretrizes? Continue lendo..

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Adaptação: emoções à flor da pele

Reunimos diversos pensamentos, depoimentos e práticas relacionadas à adaptação das crianças à creche e à pré escola no início do ano letivo. Essa situação geralmente perdura um mês e traz ansiedades e angústias de todos os lados: professores, famílias e crianças. Mas é também uma questão pensada e estudada. Conhecer visões sobre o assunto pode transformar o medo do desconhecido num primeiro passo para atravessar a porta de entrada!

Frato menina

Balão numero 1O primeiro passo na visão de alguns estudiosos

“O momento de visita de uma criança a um local (…) é inaugural, ou seja, ao mesmo tempo, inaugura um novo lugar e inaugura um novo você”.
Coordenadora do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca, Mila Chiovatto, em depoimento para o Bolg Tempo de Creche (“É preciso olhar o mundo com olhos de criança”. Henri Matisse) 

“Temos que ter o maior cuidado com este primeiro encontro [da criança com o local], o tempo inaugural. É preciso ter profissionais cuidadores do tempo inaugural. É o futuro que está sendo construído. É uma alta responsabilidade”
Luiz Guilherme Vergara, educador, curador e atualmente diretor do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, em depoimento para o Blog Tempo de Creche (“É preciso olhar o mundo com olhos de criança”. Henri Matisse) 

A escola é uma espécie de segunda casa das crianças. Elas vão passar boa parte do dia neste ambiente. Na realidade, a creche e a pré-escola são os primeiros espaços de uma sequência de lugares educativos, são as portas de entrada da vida escolar.

Para as famílias da Educação Infantil o ambiente da instituição é novo e desconhecido. Iniciar a apresentação do local com pais e responsáveis e, depois, deixar para eles a tarefa de conduzir a criança na sua primeira visita, vai assegurar aos pequenos que o local conta com a aprovação da família. Essa ação pode contribuir para:

  • Uma boa relação das crianças com o novo ambiente
  • Familiaridade e integração das famílias com a instituição
  • Construir parceria na adaptação da criança na creche

Em depoimento para o Blog Tempo de Creche, Anelise Csapo, supervisora do Núcleo Educativo da Casa das Rosas (SP),  (Primeiro dia na creche: um olhar novo de tudo) afirma: “Se a gente trabalhar instigando a criança a perceber o espaço como ela vê e como ela vai dispor das coisas, ela vai encontrar o “seu” espaço, ela vai começar a interagir, construir um espaço que seja aconchegante, que tenha acolhimento. Ao mesmo tempo, ela vai estar num momento de aprendizado, ela vai observar e ela vai trocar com outro, para criar uma coisa nova, mesmo que seja por intuição. Diferente de nós que pensamos o espaço como um todo, ela instintivamente vai pela curiosidade, percebendo, construindo o novo e se apropriando”.

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Educação Infantil: negócio lucrativo ou iniciativa emancipadora?

Será que a primeira infância está se tornando um negócio para o mundo, antes mesmo de ser reconhecida como etapa fundamental da educação do ser humano?
Como a sociedade brasileira está lendo a Educação Infantil?
Na mesma semana tivemos uma entrevista com a prêmio Nobel, James Heckman, economista e agora estudioso dos impactos econômicos da educação infantil. A TV paga apresentou um programa dedicado aos negócios lucrativos voltados à primeira infância (Mundo SA, Globo News) .
O que pensar de tudo isso?

Captura de Tela 2017-09-24 às 17.02.07O programa de TV até apresentou produtos interessantes. Mostrou um fabricante de brinquedos para parquinhos, reconhecido pela ONU, que propõe inovações para desafiar as crianças a experimentar novos movimentos, equilíbrio e estratégias para interagir. Outro fabricante desenvolveu jogos que possibilitam adequações para atender crianças especiais.

Mas o que destoou foram os negócios dedicados à “educação” dos pequenos. Sim, educação entre aspas! Continue lendo..

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