Lugares – olhar expandido

Mergulhamos num dos materiais do professor da exposição-oficina da arte-educadora Stela Barbieri e selecionamos para o Blog alguns dos seus pensamentos e propostas.

imagem Stela Barbieri 1 (2)Visitar uma exposição de arte é entrar em contato com obras que tocam nossa sensibilidade e nossas formas de ver o mundo. Estas visitas nos questionam e nos colocam em outro tempo e espaço: um tempo de contemplação, de reflexão, de fruição. Mas e o que acontece quando a exposição nos convoca a também participar da própria obra?

Este é o propósito do Projeto Lugares: Cinco obras-oficinas que a artista e educadora Stela Barbieri realiza em três SESC São Paulo.

Segundo a autora a intenção das obras-oficinas deste Projeto é convidar as pessoas a se deslocar do mundo cotidiano e explorar novas possibilidades de diálogos com esses outros Lugares. “Desenhar não é apenas circunscrever formas com um lápis sobre o papel, desenhar é designar. É projetar, organizar, fazer com que uma ideia tome forma no mundo”.(fonte: Lugares Publicações – Lugar para criar espaços – concepção Stela Barbieri)

Estamos cercados por desenhos que não percebemos que são desenhos! Mas, se olhamos com atenção… Os objetos ao nosso redor, as construções, as nossas roupas… tudo tem desenho. Stela propõe que olhemos os traçados do rio numa foto, as formas das construções onde estamos, as cercas, os muros e os portões das propriedades, e os desenhos que os gestos do nosso corpo realizam e os espaços que ocupam.

Para observar desenhos do ambiente, o caderno traz recortes, janelinhas que, quando observamos através delas, podemos focar em partes menores do todo e aguçar a percepção dos detalhes.

imagem Stela Barbieri 2Provocar um olhar mais detalhado pode ser interessante, oferecendo, por exemplo, tubos de papelão de diferentes diâmetros.

Para a artista, os Lugares são obras-oficinas, espaços de reflexão e também de produção, em que o participante pode se envolver e ter possibilidades de ação. A obra-oficina é um lugar para criar: formas, espaços, pensamentos, desejos…

Assim, o trabalho proposto no Caderno do Professor (da exposição Lugar para criar espaços) apresenta questionamentos que nos sugerem reflexões sobre o ato de desenhar e as possibilidades de aplicação nas instituições em que trabalhamos:

Qual é o espaço do desenho? Qual espaço o desenho constrói? Qual espaço do desenho na sua vida pessoal? Você está atenta a detalhes? Qual espaço o desenho ocupa na sua Rotina na Educação Infantil? Ele é recreação ou faz parte de propostas de desenvolvimento de pesquisa? Como ampliar as oportunidades de desenho para as crianças? Quais materiais podem marcar, registrar os movimentos das crianças?

Porque desenhar sempre no mesmo lugar? Desenhar no mesmo lugar é sempre igual? O desenho também precisa passear? O que se ganha retomando as mesmas situações e o que se ganha levando o ato de desenhar para outros lugares, outras atmosferas, outros ambientes? As crianças podem escolher onde desenhar? Qual o tamanho do papel?

E se as linhas do desenho fossem linhas de costura, barbante, lã? Como você pensa os materiais de desenho nos seus planejamentos? Lápis de cor, cera e tintas dão conta das experiências? Já pensou em desenhar com carvão, dedo, na areia, além das propostas da pergunta acima?

Os palitos só fazem casas? Construções são parte do seu trabalho com as crianças? Preciso de jogos estruturados (aqueles prontos, que só servem para isso ou aquilo…) para trabalhar esse aspecto tridimensional do desenho? Será que podemos construir com materiais como gravetos, tocos de madeira, embalagens, potes e até os brinquedos da sala usados como peças? O corpo pode ser usado na construção? E, finalmente, o tema das construções, pode variar ou precisa ser casinha e castelo? imagens post Stela Barbieri Gravetos (2)

Construções grandes Com quais materiais é possível delimitar espaços? Como construir no pátio? E na sala? Como as crianças usam as mesas? E os colchonetes? Pense com seu grupo o que falta na escola que eles poderiam reformular, modificar ou construir. Com quais materiais? Materiais que podem ser facilmente encontrados e reunidos para esse fim são os rolos e as caixas de papelão, as sucatas e sobras de madeiras. É então uma questão de se perguntar para repensar e refletir. O importante é trabalhar com as crianças de forma a propor para ampliar suas vivências e experiências estéticas.

barrinha colorida fininha

 

Stela Barbieri

Artista plástica, educadora, escritora e contadora de histórias. Curadora do Educativo da Bienal de Artes de São Paulo desde a 29ª Bienal de Arte. Foi diretora da Ação Educativa o Instituto Tomie Ohtake de 2002 a 2014, onde dirigiu a coordenação do Espaço do olhar. É assessora de artes da educação infantil e ensino fundamental 1 na escola Vera Cruz.

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