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Se é brincadeira, é livre!

Existe “brincadeira dirigida”?
É comum ouvirmos professores comentado sobre os momentos da rotina em que promovem “brincadeiras dirigidas” ou “brincadeiras livres”. Ambas colocações levam a interpretações não adequadas a respeito da brincadeira na escola.

provocação brincadeira livrea

Afinal, como são pensados essas tais momentos de “brincadeira”?

  • As tais “brincadeiras dirigidas” podem até ser lúdicas mas estão na esfera das atividades propostas e desenvolvidas pelo professor.
  • Por outro lado, as “brincadeiras livres” geralmente são momentos de pátio em que o professor se afasta, “permite” as propostas das crianças e assume uma postura de cuidador e mediador de conflitos.

Essas duas situações merecem reflexão.

As brincadeiras brincadas pelas crianças envolvem a liberdade de desenvolvimento e criação de narrativas por parte de quem brinca.

Do contrário não é brincadeira!

O espírito brincante não tem regras, mesmo que a brincadeira esteja estruturada em forma de jogo. No momento em que as crianças assumem a brincadeira para si, a inventividade entra em jogo e pode determinar outros percursos diferentes daqueles planejados por quem propõe. Assim, se o professor “dirige” uma atividade, mesmo que lúdica, ela deixa de ser uma brincadeira para as crianças.

Já as brincadeiras genuínas que acontecem nas instituições de educação são fundamentais para o professor observar e aprender sobre suas crianças: a forma como estão pensando, seus interesses e os relacionamentos. Por isso, o professor está sempre ativo, interagindo, entrado na brincadeira e até provocando as crianças para propor ampliações que podem ou não ser aceitas por elas.

imagem post brincadeira livre

Maria Amélia Pinho Pereira, a Péo da Casa Redonda, SP, define o brincar com poesia e sabedoria:

O Brincar como a própria palavra descreve em sua etimologia – nasce da palavra Brincos – o que significa VÍNCULO, presente nas primeiras canções de embalo de uma mãe com seu filho. A ação vinculadora do Brincar é quem determina sua qualidade essencialmente humana necessitando hoje ser compreendida em sua inteireza para que possamos afirmar sua importância no processo de desenvolvimento e porque não dizer da sobrevivência de nossa espécie. Milton Santos nosso grande geógrafo diz que habitamos na verdade em dois lugares: “na Terra e no Infinito”. As crianças brincando conversam fluentemente entre estes dois lugares e expressam através das suas infinitas brincadeiras o modo singular de como elas se apropriam do mundo que está à sua volta através da espontaneidade, da imaginação e da Alegria. Urge no nosso tempo a compreensão da Infância como portadora de uma Cultura própria cuja linguagem de conhecimento é o BRINCAR. Esta Cultura pertence a um misterioso universo simbólico que exige daqueles que dela querem se aproximar para conhecê-la uma atitude de profundo respeito e atenção por se tratar de uma linguagem que sagra a VIDA.
(Palestra ministrada no Fórum Internacional Criança e Consumo, do Instituto Alana, realizada em março de 2010 em São Paulo, SP).

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PARA SABER MAIS…

Maria Amélia Pinho Pereira é uma inspiração para o Tempo de Creche. ela é pedagoga com formação em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae; Fundadora e Orientadora do Centro de Estudos Casa Redonda, em Carapicuíba (SP); Vice-Presidente do Instituto Brincante e Fundadora da OCA – Associação Aldeia de Carapicuíba (SP).

→ Veja a Maria Amélia falando sobre o brincar num pequeno vídeo das Memórias do Futuro, da Fundação Telefônica Vivo.

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Olhar do professor: 12 escalas do brincar

brincando com pneusDá para classificar as brincadeiras infantis?
Brincar de mexer. Brincar de pular. Brincar de dançar. Brincar de desenhar. Brincar de comer. Brincar de construir. Brincar de casinha. Brincar de carrinho. Brincar de jogar. Brincar de rir… brincar de brincar.

Os brincares são intensos, variados, criativos e evoluem à medida que são brincados. Essa é a grande matéria prima da infância. Criança é feliz quando brinca e exercita as relações. Assim, esse estado de graça faz com que aconteçam aprendizagens e desenvolvimento.

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Natureza, riscos e brincadeiras numa discussão que dá o que pensar

Educadores falam sobre a liberdade das brincadeiras, a importância dos ambientes naturais na infância e os riscos que devemos permitir às crianças durante o brincar. Propomos acender uma discussão! Fizemos uma pesquisa e reunimos o que temos ouvido nos últimos meses em seminários e mostras.

brincadeiras arriscadas de criança

Segundo Andrew Swan, estudioso do brincar, hoje as crianças são vistas como porcelanas, avessas a riscos. Consequentemente, as oportunidades REAIS de brincar quase não se apresentam mais. As ruas foram abolidas dos espaços da brincadeira infantil e os parquinhos estão cada vez menores ou desaparecendo. A minimização dos riscos levou a criança a espaços estéreis, artificiais e monótonos.

Essa situação despertou num grupo cada vez maior de pesquisadores e defensores de uma infância saudável, a criação de um conceito: a SÍNDROME DO DÉFICIT DE NATUREZA

A falta do convívio com ambientes naturais e seus desafios levou esse grupo ao seguinte questionamento: Continue lendo..

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