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Se é brincadeira, é livre!

Existe “brincadeira dirigida”?
É comum ouvirmos professores comentado sobre os momentos da rotina em que promovem “brincadeiras dirigidas” ou “brincadeiras livres”. Ambas colocações levam a interpretações não adequadas a respeito da brincadeira na escola.

provocação brincadeira livrea

Afinal, como são pensados essas tais momentos de “brincadeira”?

  • As tais “brincadeiras dirigidas” podem até ser lúdicas mas estão na esfera das atividades propostas e desenvolvidas pelo professor.
  • Por outro lado, as “brincadeiras livres” geralmente são momentos de pátio em que o professor se afasta, “permite” as propostas das crianças e assume uma postura de cuidador e mediador de conflitos.

Essas duas situações merecem reflexão.

As brincadeiras brincadas pelas crianças envolvem a liberdade de desenvolvimento e criação de narrativas por parte de quem brinca.

Do contrário não é brincadeira!

O espírito brincante não tem regras, mesmo que a brincadeira esteja estruturada em forma de jogo. No momento em que as crianças assumem a brincadeira para si, a inventividade entra em jogo e pode determinar outros percursos diferentes daqueles planejados por quem propõe. Assim, se o professor “dirige” uma atividade, mesmo que lúdica, ela deixa de ser uma brincadeira para as crianças.

Já as brincadeiras genuínas que acontecem nas instituições de educação são fundamentais para o professor observar e aprender sobre suas crianças: a forma como estão pensando, seus interesses e os relacionamentos. Por isso, o professor está sempre ativo, interagindo, entrado na brincadeira e até provocando as crianças para propor ampliações que podem ou não ser aceitas por elas.

imagem post brincadeira livre

Maria Amélia Pinho Pereira, a Péo da Casa Redonda, SP, define o brincar com poesia e sabedoria:

O Brincar como a própria palavra descreve em sua etimologia – nasce da palavra Brincos – o que significa VÍNCULO, presente nas primeiras canções de embalo de uma mãe com seu filho. A ação vinculadora do Brincar é quem determina sua qualidade essencialmente humana necessitando hoje ser compreendida em sua inteireza para que possamos afirmar sua importância no processo de desenvolvimento e porque não dizer da sobrevivência de nossa espécie. Milton Santos nosso grande geógrafo diz que habitamos na verdade em dois lugares: “na Terra e no Infinito”. As crianças brincando conversam fluentemente entre estes dois lugares e expressam através das suas infinitas brincadeiras o modo singular de como elas se apropriam do mundo que está à sua volta através da espontaneidade, da imaginação e da Alegria. Urge no nosso tempo a compreensão da Infância como portadora de uma Cultura própria cuja linguagem de conhecimento é o BRINCAR. Esta Cultura pertence a um misterioso universo simbólico que exige daqueles que dela querem se aproximar para conhecê-la uma atitude de profundo respeito e atenção por se tratar de uma linguagem que sagra a VIDA.
(Palestra ministrada no Fórum Internacional Criança e Consumo, do Instituto Alana, realizada em março de 2010 em São Paulo, SP).

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PARA SABER MAIS…

Maria Amélia Pinho Pereira é uma inspiração para o Tempo de Creche. ela é pedagoga com formação em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae; Fundadora e Orientadora do Centro de Estudos Casa Redonda, em Carapicuíba (SP); Vice-Presidente do Instituto Brincante e Fundadora da OCA – Associação Aldeia de Carapicuíba (SP).

→ Veja a Maria Amélia falando sobre o brincar num pequeno vídeo das Memórias do Futuro, da Fundação Telefônica Vivo.

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Um cardápio variado de cantos de atividades

Que tal aproveitar as férias com menor número de crianças de diversas idades para testar novos cantos de atividades que permanecem na sala?

Antes de pensar em outras possibilidades é importante dizer que a escola existe na vida dos pequenos para ampliar seus desafios e construir saberes. Por isso, canto permanente não quer dizer imutável! Cantos permanentes de atividades tem uma temática que se mantém, mas a partir da observação e do acompanhamento das brincadeiras, o professor pode introduzir novos materiais, alterar a arrumação e até dar um descanso no tema se perceber que os interesses estão diferentes.

canto de carrinhos

É comum encontrarmos nas salas da Educação Infantil cantos de leitura, de casinha, de cozinha e até de carrinhos e fantasias. Com essas organizações de espaços e materiais, provocamos brincadeiras, o letramento e o faz de conta. Outras atividades lúdicas, tão importantes quanto essas, ficam de fora do cardápio de propostas disponíveis para escolha autônoma das crianças.

  • Canto do Desenho

Uma folha de papel colada no chão ou na parede e alguns lápis podem ter um espaço permanente na sala ou até no pátio. Uma mesa pode compor o ambiente. Com o tempo, os formatos, tamanhos, texturas e cores dos suportes devem variar e também a qualidade dos riscadores (lápis de cor, giz de cera, giz de lousa, carvão, pedaços de tijolos e outros). Crianças precisam desenhar todos os dias! Desenho é uma forma de elaborar e expressar pensamentos que ainda não cabem no vocabulário dos pequenos. O desenho convoca a participação de todo o cérebro, ativando as estruturas responsáveis pelo pensamento lógico, a imaginação e o controle motor. Além de tudo isso, o desenho solicita concentração e foco, auxiliando no desenvolvimento dessas habilidades. Finalmente, desenhar provoca as relações. Crianças gostam de desenhar sozinhas e também em conjunto. Apreciam os gestos e traços realizados pelos colegas e aprendem com eles.

Possibilidades do desenho

  • Canto de elementos da natureza

canto para plantarOrganizar um canto permanente com folhas, galhos, gravetos, sementes, pedras e conchas coletadas na sala ou no pátio . Em ambientes externos, como solários, é possível deixar material para que as crianças façam sozinhas suas plantações: potes, pás, terra, adubo, sementes e mudinhas. Há dois anos, uma turma de crianças da Suécia está pesquisando e plantando sementes e brotos de hortaliças que conseguem na cozinha, a partir das frutas e legumes que consomem.

canto com elementos da natureza

 

  • Cantos de construção

Em geral, brincadeiras com construções tridimensionais ficam relegadas a alguns joguinhos de montar cujas peças vão se perdendo e se misturando ao longo do ano. Trabalhar a tridimensionalidade é fundamental para desenvolver inúmeras habilidades, tantas quantas as adquiridas com o desenho, as brincadeiras de faz de contas e outras. Fazendo construções com materiais pequenos e também com grandes blocos como caixas, caixotes e tábuas, as crianças desenvolvem a consciência do equilíbrio, as habilidades viso-espaciais, levantar hipóteses, planejar e resolver problemas; criar; trabalhar o foco e a cooperação. Todas essas habilidades estão implicadas no desenvolvimento global da criança e em especial da escrita e do pensamento matemático.

Disponibilizar, desde jogos de construção até potes plásticos, copos, palitos de sorvete, canudinhos, tubos e caixas de papelão ou cartão firmes, de tamanhos variados, atrai e desafia as crianças para inventar torres, casas, carros, cenários e uma infinidade de objetos e histórias.

canto de construção

Cantos de atividades diversificadas são propostas que levam tempo até que se tornem parte da rotina das crianças. É só com a frequência e constância que os pequenos percebem que os cantos vão permanecer por tempo suficiente para que eles brinquem tranquilamente. Assim, acaba o primeiro ímpeto de esgotar os desejos porque aquela oportunidade pode ser única! Então, é provável que ao encontrar o novo canto organizado, as crianças dediquem mais tempo e energia a ele, testando, desorganizando e reorganizando. Depois,  percebem que os materiais e a proposta vão permanecer por tempo suficiente para esgotar as brincadeiras.

É importante pensar que os cantos despertam para situações de aprendizagens intensas que, em geral, não terminam com uma ‘brincadinha’. A professora Ana Helena Rizzi Cintra ressalta que as crianças devem poder transitar com todos os materiais da sala e reconstruir os ambientes de acordo com suas necessidades, e que dentro do possível os cantos que elas criam devem permanecer até serem transformados, dando identidade para o espaço e continuidade para a elaboração das brincadeiras. Desse modo as brincadeiras podem continuar por dias e, com isso, a organização do espaço feito pelas crianças precisa ser respeitada e conservada. A forma como organizam as próprias brincadeiras pode ser importante para que ela continue e se amplie. A sala precisa ser limpa e os cantos desmontados? Caso seja necessário, a sugestão da professora Ana Helena é negociar e anotar com as crianças como o espaço está arrumado ou mesmo fotografa-lo.

Segundo a professora Ana Helena, outro ponto importante é que o adulto não decida aleatoriamente que elementos retirar do canto. No meio do material pode ter uma tampinha insignificante para o adulto mas que uma das crianças acha especial e brinca todos os dias. Desse modo, o que era pesquisa para a criança vai parar no lixo!

Com a escola mais tranquila e turmas misturadas, professores podem pesquisar, juntar materiais e preparar cantos interessantes para serem testados e perpetuados quando as outras crianças voltarem das férias. Aproveite a oportunidade!

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PARA SABER MAIS…

Foto Ana Helena Rizzi Cintra Ana Helena Rizzi Cintra  é filósofa, pedagoga e professora da Creche da USP. Especialista em Dança e Consciência Corporal.

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Dicas para planejar e preparar Cantos de Atividades Diversificadas

Cantos de atividades diversificadas e Jogos heurísticos: muitas brincadeiras!

Palavra de… Denise Nalini: cantos de atividades e as tomadas de decisão das crianças

Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!

Desenho: espelho do desenvolvimento infantil

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Jogo de brincar ou jogo de competir?

jogo das cadeiras criança tristeDuas situações de competição X participação envolvendo a Dança das Cadeiras chamaram a nossa atenção recentemente. A brincadeira tradicional foi proposta para crianças na faixa de 3 a 4 anos, em diferentes instituições, e causou tristeza, choro e frustração nos grupos e também nos professores.
Por que as crianças que saíam do jogo ficavam tão chateadas a ponto de chorar e impedir a continuidade da brincadeira?

Pois é! A Dança ou Jogo das Cadeiras é um jogo tradicional que, dependendo da forma como é brincado, leva à questão de ganhar ou perder, inadequada até 4 anos.
Por que será? Qual a diferença entre competição e participação? 

jogo das cadeiras de sentar no colo Santa Marina

Piaget e sua discípula, a educadora Constance Kamii, estudaram as situações de jogo com regras ao longo da infância e também as implicações da competição entre os participantes. Para ambos, as crianças até 5 ou 6 anos estão no estágio do brincar egocêntrico, em que brincando juntas ou separadas não se preocupam com a questão de “vencer”. Crianças pequenas gostam do desafio de jogar e se divertem cumprindo tarefas, regras ou combinados propostas pelos jogos. E só!

jogo das cadeiras do SnoopyOutro aspecto dessa questão diz respeito às disputas. Nessa fase elas podem brigar por um brinquedo ou até para serem escolhidas como ajudantes para servir a fruta na hora do lanche. Isso porque o brinquedo e servir a fruta têm um valor intrínseco e imediato para elas. Nos jogos, por outro lado, objetos interessantes ou privilégios não estão diretamente envolvidos. O que os pequenos ganham concretamente chegando em primeiro lugar numa corrida? O que eles ganham em superar os amigos? O que compreendem desta situação?

Até 5 ou 6 anos as crianças são muito egocêntricas para se importar com a performance dos colegas.

A partir dessa idade, no entanto, elas começam a prestar mais atenção nas próprias conquistas e nas dos colegas. Começam a comparar e caminham para a competição.

Mas o que é competir?

Competir é comparar os desempenhos e superar os outros. E aí a intervenção do professor é fundamental.

Ao ganhar, algumas crianças expressam orgulho e sentimentos de superioridade. Quando professores enaltecem e valorizam as conquistas com muitos “muito bem!” e premiações, acabam por reforçar a superioridade do vencedor e também o sentimento de fracasso dos perdedores. Frente às primeiras experiências com jogos de competição, o professor deve valorizar a brincadeira, a participação do grupo e até adequar as regras dos jogos conforme a leitura que faz sobre o desenvolvimento das crianças.

Voltando para a Dança das Cadeiras, algumas variantes são indicadas para adaptar a brincadeira para os menores.

jogo das cadeiras de livro1- Para os bem pequenos, as cadeiras podem ser retiradas mas não os participantes! A proposta é sentar no colo do amigo que quiser acolher quem sobrou. É muito bacana observar como o grupo vai se organizando para ter os amigos sentados no colo. Além de adequada, a brincadeira tradicional modificada desafia o espírito de colaboração coletiva.

2- Para a faixa dos 4 a 6 anos, quem sai do jogo pode controlar a música. Desse modo, ao ficar sem cadeira, a criança ainda tem uma oportunidade de participar.

A convivência de crianças cria situações de competição e participação. Competir faz parte da natureza humana, mas os sentimentos de superioridade e de inferioridade não são condições para a competição acontecer. Com olhar afiado e intencionalidade nas ações, os professores podem construir situações positivas de aprendizagem com jogos e brincadeiras tradicionais e suas adequações às faixas etárias da Educação Infantil.

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Balão-Para-Saber-Mais Jean Piaget não era um educador, era um investigador da aprendizagem ou da epistemologia genética. Constance Kamii, sua discípula, tendo trabalhado com Piaget em vários períodos, foi uma das pensadoras que promoveu e adaptou seu pensamento à educação, especialmente na faixa etária da Educação Infantil.

→ Bibliografia – Group Games in Early Education: implications of Piaget Theory, Constance Kamii e Rheta DeVries. National Association for the Education of Young Children, Washington, 1988

→ Leia mais sobre o brincar nas postagens:

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Baralho Corporal para desafiar o corpo

Brincadeiras que desafiam a percepção sobre o próprio corpo, equilíbrio, orientação e ocupação do espaço são momentos apreciados pelas crianças e favorecem amplas aprendizagens.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 1

Se a questão é desafiar o corpo, que tal esta sugestão?

A professora Leny, da Turma da Onça, da EMEI Nelson Mandela, SP, propôs a brincadeira do Baralho Corporal para o seu grupo.

A proposta é simples mas rica, e as crianças adoraram.

A professora organizou uma série de cartelas com bonequinhos que representam esquemas de posições do corpo – esse tipo de ilustração usada para orientar quem faz ginástica e outros esportes. Cada imagem é uma provocação para desafiar o corpo e a mente.

baralho corporal

O professor escolhe aleatoriamente uma cartela do baralho e o grupo reproduz a posição do desenho com o próprio corpo.

A brincadeira do Baralho Humano pode começar mais direta até as crianças pegarem o jeito. Depois, pode ser a vez de cada criança sortear uma posição.

brincadeira baralho corporal Nelson Mandela 2

Brincar em pequenos grupo com crianças acima de 4 anos amplia ainda mais as possibilidades. O desafio poderia ser estendido para as equipes que teriam que “montar” a posição do baralho num amigo “boneco”.

29_MVG_cult_soleilImitar posições e sentir o próprio corpo assumindo posturas diferentes é uma experiência importante para crianças pequenas que a cada dia descobrem sobre o mundo e sobre si mesmas. Ana Helena Rizzi Cintra, quando professora de bebês na Creche Oeste da USP, percebeu que os pequenos de 18 meses gostavam de se espichar e se curvar sobre os colchonetes. A partir desse olhar, ela selecionou um trecho de vídeo com a atuação de uma contorcionista com bambolê do Cirque du Soleil. Separou bambolês e colchonetes na sala com a TV, colocou o filme e plantou a provocação. Os pequenos assistiram a exibição da artista e procuraram imitar alguns gestos usando até o bambolê.

Sutil, encantador e desafiador. Brincar com o corpo pode ampliar o já famoso “Siga Mestre” e seguir por outros caminhos.

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Balão-Para-Saber-Mais

Leia sobre o campo de experiências Corpo e Movimento na postagem:
Aprendizagem dos movimentos

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Sou o que sou, não o que vou ser…

É possível olhar outro ser humano com olhos neutros?
Acho que não! Percebemos o mundo a partir do que somos e das experiências que acumulamos na jornada da nossa vida.

Lá no início do ano, quando entramos em contato com as crianças que vão ser “nossas”, é com um olhar subjetivo que encontramos outras tantas subjetividades concentradas em corpos pequeninos.

PROVOCAÇÃO SOU O QUE SOU

Estar consciente de que nosso olhar nunca é neutro, é ponto de partida para pensar sobre a forma como vemos as crianças e como desenhamos suas características em nossas cabeças. É esse desenho, ou conceito, que pauta as relações com os pequenos.

Mas outro aspecto da relação pontua nossas ações, emoções e, consequentemente, as atividades que planejamos para as crianças:

Será que estamos propondo conteúdos pertinentes àquilo que as crianças são ou compatíveis com a expectativa do que elas virão a ser?
Estamos ouvindo o que as crianças dizem sobre si mesmas?
Estamos considerando, em nossos planejamento, as crianças como são hoje?

A palavra considerar faz refletir:  com = junto  +   siderar = sideral, universo.

Assim, estamos trazendo crianças reais para o nosso universo?

Crianças irrequietas, tímidas, ousadas, investigativas, abruptas, calmas, pensativas, contemplativas, quietas, tagarelas. É comum recebermos mensagens de professores se queixando de crianças assim ou assado e grupos “difíceis” de lidar.

Especialmente na faixa etária da educação infantil, é mais provável pensar que o professor se relaciona a partir das expectativas subjetivas sobre um ideal de criança, e desenvolve com elas um trabalho que se distancia da realidade, entrando em colisão com subjetividades desconsideradas (des=negação da consideração).

Se a turma é energética, impetuosa fique a maior parte do tempo fora da sala! Desafie o corpo, gaste boas energias com as crianças e, depois de ter os corpos satisfeitos, faça roda, conte histórias e converse.

Se a turma é curiosa, cutuca, abre, remexe e fuça, ofereça desafios para pesquisar objetos e transformações.

Se o grupo gosta de meleca, explorar texturas, sentir os materiais com e no corpo, planeje e ofereça frequentemente propostas de artes visuais e plásticas com diferentes tintas, argila, massas, farinhas, entre outros materiais e prepare um ambiente onde os pequenos terão liberdade para explorar.

Nem todos estão com desejo ou disposição para participar da atividade?

Que tal organizar pequenas propostas paralelas para contemplar outros interesses? Caixas com livros, um jogo de montar, um cantinho pra faz de conta considera (!) singularidades. 

Experiências são a fonte da aprendizagem, do desenvolvimento e o alicerce da construção da identidade. Experimentações verdadeiras, sem objetivos fechados e que favoreçam a expressão de cada indivíduo, são a matéria prima da educação que contempla crianças reais!

Leia mais em

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Apoiamos as iniciativas das crianças?

A cada dia nos surpreendemos com as habilidades e as iniciativas das crianças pequenas. Curiosas e investigativas, experimentam o que está ao seu alcance. Ao valorizar esse espírito, contribuímos para formar bons estudantes e profissionais competentes. Será que a nossa prática dá espaço ao entusiasmo da infância?

quem disse que eu não consigo

Quanto menor a criança, maior o entusiasmo e o afinco em pesquisar, construir, encaixar, desmontar, saltar, ultrapassar, transferir, esvaziar, atirar, amassar, criar… Um sem fim de ações ousadas que a leva a experimentar e aprender.

Porém, à medida que as crianças crescem, percebemos que esse ímpeto diminui. Já não se atrevem com frequência a realizar tarefas que não tem familiaridade, não se interessam por desvendar mistérios e vão se conformando com um repertório limitado de brincadeiras.

Por que isso acontece? Por que o entusiasmo diminui?

Claro que à medida que cresce a criança passa a se conhecer melhor e a desenvolver gostos e afinidades que direcionam suas escolhas. Contudo, outros fatores podem explicar a perda do entusiasmo. Entre eles, a falta de autonomia e a indiferença dos adultos em acompanhar e valorizar as pesquisas, as tentativas e as descobertas.

Na verdade, frequentemente preferimos agir pelas crianças! Por exemplo, é mais fácil para o adulto se antecipar e servir o suco na hora do lanche. Dessa forma se evita derramamento de suco na sala, na roupa, no colega, troca de roupa…

Na hora de desenhar, é mais tranquilo para o professor distribuir os lápis de cera nas mesinhas do que entregar pequenos potinhos para que cada criança se sirva das cores que desejar. Negociar trocas com os colegas, encher demais o potinho e derrubar tudo no chão “dá mais trabalho” para todos!

Outro exemplo de situações em que atropelamos os ímpetos das crianças pode ser observada quando elas resolvem puxar os colchonetes da pilha para construir uma cabana ou uma montanha a ser escalada. Os colchonetes não são brinquedos! – retrucamos. Eles são para dormir!
Quem disse isso?
Assinamos um documento com o fabricante jurando que os colchonetes só seriam usados na hora do sono? Na cabeça incrivelmente ativa e criativa das crianças tudo pode!

Esses e outos cenários ilustram ocasiões valiosas para o professor trabalhar as escolhas autônomas, a criatividade e a pesquisa. Nesses momentos as crianças precisam de um outro espírito aventureiro junto delas, que as acompanhe acreditando nas suas capacidades e valorizando o interesse e a inovação.

Quem sabe assim invertemos a tendência de encolher o espírito de descoberta das crianças mais velhas? Dê espaço e arrisque-se com os pequenos! Sua prática também vai crescer.

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Para saber mais…

As imagens dessa postagem são registros de uma série de propostas de experimentações plásticas realizadas pelas professoras Maria, Neuza, Cidélia e Katia do CEI Santa Marina, SP, pertencente ao Instituto Rogacionista. As professoras, participantes do Projeto Afinal o que é arte na Educação Infantil, apoiado pelo Instituto Minide Pedroso (IMPAES) e desenvolvido pela equipe Tempo de Creche, trabalharam com diferentes farinhas e misturas com água.

→ Para se aprofundar nesse tema, leia as postagens:

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Cantos de atividades diversificadas e Jogos heurísticos: muitas brincadeiras!

Como alimentar a curiosidade e atender aos interesses intermináveis das crianças?

Os cantos de atividades diversificadas nascem da perspectiva de considerar a singularidade de cada criança, que é capaz de escolher entre algumas possibilidades, porque têm interesses próprios. Reunimos uma lista de postagens já publicadas que podem facilitar a busca e o aprofundamento destes temas.

Shangri-la 15

Você também pode estar se perguntando: Os bebês também escolhem?
Leia as matérias abaixo e responda a sua pergunta!

Jogo Heurístico 11

A partir das sugestões apresentadas, arrisque, crie, proponha desafios e acompanhe o desenvolvimento interessado e participativo das crianças.

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Depois do período de acolhimento…

Por que o período de adaptação/acolhimento não acaba?

Muitos professores imaginam respostas para essa pergunta comum:
Neste ano minha turma está difícil.
As minhas crianças chegam cansadas, ficam irritadas e querem dormir.
Percebo que os pequenos ainda não estão prontos para participar de projetos, eles não se entrosaram com os colegas, o espaço, os horários…

Encontramos professores assumindo essas conclusões no período “pós adaptação” ou, como temos nos referido, “pós-acolhimento”.

O que está acontecendo de fato? 
Onde está o problema?
O que está por trás dessas conclusões?

Respondemos:
O que você está olhando?
O que está deixando escapar?
Qual é a sua pauta de olhar nesse momento?

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Experiências duram para sempre, já a “sujeira”…

Qual a sua opinião?

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A “sujeira” das crianças é o resultado dos processos de pesquisa e descoberta para a qual torcemos o nariz.

Mas a criança mergulha na investigação sem se preocupar com este mero “detalhe”, porque o que está em jogo é aprender sobre o mundo que a cerca.

Se o papel do professor é favorecer as experiências de aprendizagem, talvez seja preciso repensar o que é sujeira na infância.

 

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Água para brincar, acolher e pesquisar

Crianças são formadas num ambiente aquático. O líquido amniótico é uma piscina que banha o bebezinho durante os 9 meses de gestação. Então a água é a casa da criança por muito tempo. Naturalmente a sua ligação com esse elemento é estrutural. Crianças até dois anos são formadas por 75 a 80% de água, enquanto nós, adultos, temos 70 a 75% deste elemento em nossa constituição.

Portanto, a água é conhecida dos pequenos. Ela traz uma memória corporal que ficou registrada em seus primórdios. Água faz parte de seu universo, interessa e desafia. Água é íntima, acalma e acolhe.

Quer elemento melhor para acolher as acrianças na chegada ao mundo novo que é a escola depois das férias?

Use a água e todo o seu potencial de propostas nessa época de calor e adaptação:

Bacias, banheirinhas e outros recipientes amplos

Bebês e a água2

De acordo com o número de crianças da turma, coloque os recipientes preenchidos com aproximadamente 10 cm de água. Disponha as bacias com distância apropriada para permitir a movimentação dos pequenos. Diminua a roupa: tirar camisetas, meias, sapatos e até a calça/short. Permita tempo suficiente para a experiência. Enquanto os pequenos não se cansarem de aproveitar a água, vai ser difícil encerrar a brincadeira… é muita diversão e aprendizagem! Continue lendo..

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