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Um cardápio variado de cantos de atividades

Que tal aproveitar as férias com menor número de crianças de diversas idades para testar novos cantos de atividades que permanecem na sala?

Antes de pensar em outras possibilidades é importante dizer que a escola existe na vida dos pequenos para ampliar seus desafios e construir saberes. Por isso, canto permanente não quer dizer imutável! Cantos permanentes de atividades tem uma temática que se mantém, mas a partir da observação e do acompanhamento das brincadeiras, o professor pode introduzir novos materiais, alterar a arrumação e até dar um descanso no tema se perceber que os interesses estão diferentes.

canto de carrinhos

É comum encontrarmos nas salas da Educação Infantil cantos de leitura, de casinha, de cozinha e até de carrinhos e fantasias. Com essas organizações de espaços e materiais, provocamos brincadeiras, o letramento e o faz de conta. Outras atividades lúdicas, tão importantes quanto essas, ficam de fora do cardápio de propostas disponíveis para escolha autônoma das crianças.

  • Canto do Desenho

Uma folha de papel colada no chão ou na parede e alguns lápis podem ter um espaço permanente na sala ou até no pátio. Uma mesa pode compor o ambiente. Com o tempo, os formatos, tamanhos, texturas e cores dos suportes devem variar e também a qualidade dos riscadores (lápis de cor, giz de cera, giz de lousa, carvão, pedaços de tijolos e outros). Crianças precisam desenhar todos os dias! Desenho é uma forma de elaborar e expressar pensamentos que ainda não cabem no vocabulário dos pequenos. O desenho convoca a participação de todo o cérebro, ativando as estruturas responsáveis pelo pensamento lógico, a imaginação e o controle motor. Além de tudo isso, o desenho solicita concentração e foco, auxiliando no desenvolvimento dessas habilidades. Finalmente, desenhar provoca as relações. Crianças gostam de desenhar sozinhas e também em conjunto. Apreciam os gestos e traços realizados pelos colegas e aprendem com eles.

Possibilidades do desenho

  • Canto de elementos da natureza

canto para plantarOrganizar um canto permanente com folhas, galhos, gravetos, sementes, pedras e conchas coletadas na sala ou no pátio . Em ambientes externos, como solários, é possível deixar material para que as crianças façam sozinhas suas plantações: potes, pás, terra, adubo, sementes e mudinhas. Há dois anos, uma turma de crianças da Suécia está pesquisando e plantando sementes e brotos de hortaliças que conseguem na cozinha, a partir das frutas e legumes que consomem.

canto com elementos da natureza

 

  • Cantos de construção

Em geral, brincadeiras com construções tridimensionais ficam relegadas a alguns joguinhos de montar cujas peças vão se perdendo e se misturando ao longo do ano. Trabalhar a tridimensionalidade é fundamental para desenvolver inúmeras habilidades, tantas quantas as adquiridas com o desenho, as brincadeiras de faz de contas e outras. Fazendo construções com materiais pequenos e também com grandes blocos como caixas, caixotes e tábuas, as crianças desenvolvem a consciência do equilíbrio, as habilidades viso-espaciais, levantar hipóteses, planejar e resolver problemas; criar; trabalhar o foco e a cooperação. Todas essas habilidades estão implicadas no desenvolvimento global da criança e em especial da escrita e do pensamento matemático.

Disponibilizar, desde jogos de construção até potes plásticos, copos, palitos de sorvete, canudinhos, tubos e caixas de papelão ou cartão firmes, de tamanhos variados, atrai e desafia as crianças para inventar torres, casas, carros, cenários e uma infinidade de objetos e histórias.

canto de construção

Cantos de atividades diversificadas são propostas que levam tempo até que se tornem parte da rotina das crianças. É só com a frequência e constância que os pequenos percebem que os cantos vão permanecer por tempo suficiente para que eles brinquem tranquilamente. Assim, acaba o primeiro ímpeto de esgotar os desejos porque aquela oportunidade pode ser única! Então, é provável que ao encontrar o novo canto organizado, as crianças dediquem mais tempo e energia a ele, testando, desorganizando e reorganizando. Depois,  percebem que os materiais e a proposta vão permanecer por tempo suficiente para esgotar as brincadeiras.

É importante pensar que os cantos despertam para situações de aprendizagens intensas que, em geral, não terminam com uma ‘brincadinha’. A professora Ana Helena Rizzi Cintra ressalta que as crianças devem poder transitar com todos os materiais da sala e reconstruir os ambientes de acordo com suas necessidades, e que dentro do possível os cantos que elas criam devem permanecer até serem transformados, dando identidade para o espaço e continuidade para a elaboração das brincadeiras. Desse modo as brincadeiras podem continuar por dias e, com isso, a organização do espaço feito pelas crianças precisa ser respeitada e conservada. A forma como organizam as próprias brincadeiras pode ser importante para que ela continue e se amplie. A sala precisa ser limpa e os cantos desmontados? Caso seja necessário, a sugestão da professora Ana Helena é negociar e anotar com as crianças como o espaço está arrumado ou mesmo fotografa-lo.

Segundo a professora Ana Helena, outro ponto importante é que o adulto não decida aleatoriamente que elementos retirar do canto. No meio do material pode ter uma tampinha insignificante para o adulto mas que uma das crianças acha especial e brinca todos os dias. Desse modo, o que era pesquisa para a criança vai parar no lixo!

Com a escola mais tranquila e turmas misturadas, professores podem pesquisar, juntar materiais e preparar cantos interessantes para serem testados e perpetuados quando as outras crianças voltarem das férias. Aproveite a oportunidade!

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PARA SABER MAIS…

Foto Ana Helena Rizzi Cintra Ana Helena Rizzi Cintra  é filósofa, pedagoga e professora da Creche da USP. Especialista em Dança e Consciência Corporal.

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:

Dicas para planejar e preparar Cantos de Atividades Diversificadas

Cantos de atividades diversificadas e Jogos heurísticos: muitas brincadeiras!

Palavra de… Denise Nalini: cantos de atividades e as tomadas de decisão das crianças

Desenhar, desenhar, desenhar… Todos os dias!

Desenho: espelho do desenvolvimento infantil

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Palavra de… Magda Soares: criança e a reinvenção da escrita

Na segunda postagem da conversa com a educadora e estudiosa Magda Soares, pesquisadora de alfabetização e letramento, enfocamos os processos da criança ao desenvolver suas habilidades de comunicação e a construção da parceria com as famílias durante o letramento e o início da alfabetização. Para Magda, a criança imersa na cultura da escrita naturalmente se interessa por ela e repete, de certa forma, a trajetória criativa da humanidade na sua invenção, usos e práticas.

Antes de mergulhar em mais um texto esclarecedor e inspirador, Magda compartilha uma observação que vem fazendo ao longo dos seus anos de trabalho com crianças pequenas: a criança quer compreender o mundo que a circunda, e quer que a esclareçam sobre esse mundo circundante. Quando se pergunta a uma criança prestes a entrar em instituição de Educação Infantil  “por que você quer ir para a escolinha?”, a resposta é quase sempre “para aprender a ler”, raramente a resposta é  “para brincar”.

Parte 1: Letramento ou alfabetização? Os dois!
Parte 2: Crianças e a reinvenção da escrita

Crianças e a reinvenção da escrita

Crianças desenhando com gizTempo de Creche – Alguns estudos ressaltam a importância da criatividade das crianças pequenas quando começam a se apropriar do código linguístico. Outros estudos colocam que a criança pequena começa a se comunicar por meio de imagens e que esse percurso se perde quando elas iniciam a alfabetização e o uso das palavras escritas. Como você vê estas questões?

Magda Inicialmente, proponho substituirmos  “código” por “representação”, pois os sons da língua não são “codificados” em letras, mas “representados”  por letras, e isso resulta em significativa diferença na compreensão dos processos da criança e, em decorrência, em sua orientação.

Também proponho não nos restringirmos à apropriação do sistema de representação alfabético, mas, mais amplamente, à inserção plena da criança na cultura do escrito: inserção no letramento, considerando a alfabetização um dos componentes do letramento (como disse na primeira postagem Palavra de… Magda Soares: a linguagem escrita na infância, alfabetização e letramento são interdependentes e indissociáveis).

Na verdade, o desenvolvimento da criança na compreensão do sistema alfabético e dos usos e práticas da escrita é uma surpreendente demonstração de sua capacidade criativa. A criança repete, de certa forma, a trajetória criativa da humanidade na invenção da escrita e de seus usos e práticas, basta que não  atropelemos sua criatividade com a impaciência de poupar tempo e “ensinar” logo o que já sabemos… e com a ansiedade para que ela “aprenda” logo o que é preciso deixar que ela, em seu próprio ritmo, construa, com as oportunidades que vão sendo oferecidas a ela para essa construção.

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Oficinas para crianças com artistas de verdade?

 

Terceira oficina de desenho de "Histórias da infância" nos dias 14 e 15 de maio

Terceira oficina de desenho de “Histórias da infância” nos dias 14 e 15 de maio

Contato com a arte e os artistas Informação Experimentação e aprendizagem andando juntos! Esta é a proposta do MASP – Museu de Arte de São Paulo

Aos sábados e domingos, o museu oferece uma grande oportunidade de se relacionar com as ideias e a produção de artistas contemporâneos, em oficinas gratuitas para crianças de 5 a 8 anos. Entre os artistas visuais que receberam o convite para conduzirem as oficinas com as crianças estão Rivane Neuenschwander, Paulo Nazaterh, Beatriz Milhazes, e outros. A “relação entre o MASP, as crianças e suas formas de expressão é pioneira no Brasil e remonta aos anos iniciais do museu, fundado em 2 de outubro de 1947, destaca o curador Fernando Oliva. Continue lendo..

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Um acervo de ideias para reinventar o Desenho

Para as crianças, o desenho é brincadeira, desafio e prazer com os próprios movimentos. Mais tarde, as marcas também são valorizadas.
Para que essa brincadeira continue e seja ampliada é preciso desenhar sempre e, em especial, pensar em alargar os desafios.

 O que interfere no desenho e o que pode variar os desafios?

desenho 3Para a neurocientista mineira Leonor Bezerra, o cérebro das crianças está no início do seu desenvolvimento. Nesse momento é ideal provocar diversas áreas cerebrais com estímulos multissensoriais, isso é, que obriguem a criança a sentir e usar vários órgãos dos sentidos ao mesmo tempo. Assim, o ato de desenhar, que já se mostrou importantíssimo para favorecer a expressividade e as narrativas, também ganha pontos com os estímulos motores e proprioceptivos* associados às emoções e sensações. Quando propomos desafios mais amplos para os pequenos, bombardeamos [no bom sentido] diferentes áreas cerebrais ao mesmo tempo. Com isso, o cérebro desenvolve  conexões nervosas mais abrangentes e complexas. Aprender é assumir novos comportamentos e atitudes. Continue lendo..

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O que o Desenho nos conta?


menino desnhando na paredeCrianças escolhem desenhar. Em diversas culturas, desenhar é uma atividade típica da infância. Ao observar os pequenos desenhando é comum perceber que todo o corpo está envolvido na ação. Os rabiscos fluem de mãozinhas que voam sobre o suporte, deixando suas marcas. Às vezes as crianças desenham sem mesmo acompanhar a ação com o olhar, fazendo parecer que os rabiscos são marcas ocasionais e sem sentido…. Ledo engano! Muita coisa está acontecendo porque nesses momentos elas usam seu cérebro de forma complexa e dedicam emoções à ação que fica expressa no suporte.

bebê desenhandoCrianças podem rabiscar desde que consigam segurar um riscador (qualquer objeto como gravetos, carvão, tijolos ou mesmo batons…) e coordenar seus movimentos o suficiente para deixar marcas. Mas é por volta dos 18 meses que elas se interessam de fato por rabiscar. Para Piaget, as crianças desenham o que sabem e não o que veem. O estudioso do desenho infantil G. H. Luquet, dizia que a criança desenha para se divertir e é para ela uma brincadeira como outra qualquer. Mais especificamente, uma brincadeira que pode ser brincada a sós, em espaços fechados ou ao ar livre. Continue lendo..

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Palavra de… Edith Derdyk: o desenho do gesto e dos traços sensíveis

Edith Derdyk nos fala do novo olhar para o desenho da criança no contexto da arte contemporânea: o desenho que ultrapassa barreiras de modelos e normas formais para contar sobre as sensações e gestos de quem os produz.

Tanto em suas palavras como em seus trabalhos, a linha marca a pesquisa na arte de Edith Derdyk e nos convida a brincar com nosso olhar e gesto.
VIÉS – DVDteca Arte na Escola

Tempo de Creche – O que o desenho conta sobre a criança?

Edith – O desenho é linguagem que atravessa todos os tempos – das cavernas à informática – sempre esteve presente na História da Civilização. E, de todas as linguagens, é a mais antiga. Tal como a pantomima*, são linguagens nascentes.O desenho é linguagem inata: toda a criança, de qualquer tempo e lugar, desenha. Toda criança possui intimidade com o desenho como ponte de investigação, expressão e comunicação com o mundo. Existe uma proximidade imensa e natural entre o ato de desenhar e a ação corporal mais do que com o quê a criança deseja ou pensa em “representar”. Num primeiro momento do desenvolvimento da aquisição da linguagem do desenho, a criança é verdadeiramente o seu gesto, o seu traço, o seu movimento e o desenho é resultante desta ação, registrando o percurso do movimento do corpo no espaço do papel, na parede, em qualquer superfície.

desenho final

Seguindo por esta trilha de investigação, talvez possamos refletir um pouco mais sobre como a criança desenha e menos com o quê o desenho conta sobre o que a criança é! Esta diferença entre “como a criança desenha” e “sobre o quê ela desenha” ou “o quê o desenho conta sobre a criança” são limites sutis e avassaladores, pois o modo como se desenha revela qual o modelo de desenho que nos habita. E cada modelo de desenho traz, consigo, um conjunto de conceitos, ideias, atitudes e procedimentos. Talvez pudéssemos inverter a pergunta e enunciar que o sujeito que desenha – seja criança, seja adulto – , é quem reinventa o que um desenho é e pode ser!
[*pantomima = mímica] Continue lendo..

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Desenhar, desenhar, desenhar …todos os dias!

garatujasParece que é automático! É só apresentar para os pequenos algo com que riscar que o ato de desenhar se inicia na mesma hora!

Que bom! Porque quanto mais desenha, mais a criança desenvolve o desenho os ganhos cognitivos que o ato proporciona. 

mz2-twin-score-also-0.w529.h352.2xAté os 12 meses a criança descobre a existência dos objetos que podem deixar marcas nas superfícies (riscadores e suportes). Começa então uma produção natural e espontânea de traços, inicialmente desordenados e sem controle (garatujas desordenadas).  Porque ainda não tem maturidade para coordenar seus movimentos, os traços são fortes e descontínuos. Também não existe percepção do espaço gráfico e nota-se que os traços ultrapassam os limites dos suportes (papel, por exemplo). Braço e antebraço são como um membro unido que se move a partir da articulação do ombro. Continue lendo..

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Desenho: espelho do desenvolvimento infantil

O desenho é um pilar do trabalho com a infância. Desenhando a criança mobiliza tantos processos cognitivos e motores que a atividade, lúdica e prazerosa, favorece desenvolvimentos e ainda dá pistas deles para os educadores.

IMAGEM RISCADORES

No post Repetir propostas para crianças. Será? Falamos sobre a repetição de atividades, destacando o desenho. Ao repetir o ato de desenhar a criança evolui as marcas que aprende a fazer. Lowenfeld, Piaget, Vygotsky e Luquet estudaram esse desenvolvimento e o consideraram como marcas do amadurecimento da criança.

Segundo Lowenfeld, a criança inicia o processo de desenhar fazendo garatujas ou rabiscos de forma desordenada. Em seguida, os rabiscos vão se ordenando. A prática desse rabiscar encaminha a criança para fazer formas. As formas vão gerando as figuras humanas que são constituídas basicamente por cabeças redondas e membros que se originam dela. Essas figuras, ao longo das repetições, vão adquirindo mais detalhes e o desenho passa a evoluir na composição também. Continue lendo..

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Repetir propostas para crianças. Será?

atividades para repetir

Educadores de educação infantil geralmente sofrem da ansiedade de buscar rotineiramente atividades diversificadas. E não se trata de buscar a ampliação das pesquisas que as crianças fazem. Trata-se de inovar os formatos das propostas para buscar novos processos e resultados.

Realmente, as surpresas movem as crianças porque intrigam, despertam o interesse e as descobertas. Mas, para movê-las nesse sentido, não é necessário inventar novidades a todo o momento.

Balão Dúvida pPor quê? Continue lendo..

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Lugares – olhar expandido

Mergulhamos num dos materiais do professor da exposição-oficina da arte-educadora Stela Barbieri e selecionamos para o Blog alguns dos seus pensamentos e propostas.

imagem Stela Barbieri 1 (2)Visitar uma exposição de arte é entrar em contato com obras que tocam nossa sensibilidade e nossas formas de ver o mundo. Estas visitas nos questionam e nos colocam em outro tempo e espaço: um tempo de contemplação, de reflexão, de fruição. Mas e o que acontece quando a exposição nos convoca a também participar da própria obra?

Este é o propósito do Projeto Lugares: Cinco obras-oficinas que a artista e educadora Stela Barbieri realiza em três SESC São Paulo. Continue lendo..

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