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Educação Infantil: negócio lucrativo ou iniciativa emancipadora?

Será que a primeira infância está se tornando um negócio para o mundo, antes mesmo de ser reconhecida como etapa fundamental da educação do ser humano?
Como a sociedade brasileira está lendo a Educação Infantil?
Na mesma semana tivemos uma entrevista com a prêmio Nobel, James Heckman, economista e agora estudioso dos impactos econômicos da educação infantil. A TV paga apresentou um programa dedicado aos negócios lucrativos voltados à primeira infância (Mundo SA, Globo News) .
O que pensar de tudo isso?

Captura de Tela 2017-09-24 às 17.02.07O programa de TV até apresentou produtos interessantes. Mostrou um fabricante de brinquedos para parquinhos, reconhecido pela ONU, que propõe inovações para desafiar as crianças a experimentar novos movimentos, equilíbrio e estratégias para interagir. Outro fabricante desenvolveu jogos que possibilitam adequações para atender crianças especiais.

Mas o que destoou foram os negócios dedicados à “educação” dos pequenos. Sim, educação entre aspas!

Educação, antes de tudo, é uma questão de emancipação, desenvolvimento social e melhoria de qualidade de vida da sociedade. É um assunto sério e complexo para ser transformado em investimentos que gerem lucro para poucos e clientes “satisfeitos”.

O âmbito da Educação pertence às políticas de estado, se constituem em pilar da sociedade e da cultura. É fruto de pesquisas e estudos que atravessam séculos. Avança-se com muita dedicação, ciência e trabalho compartilhado globalmente.

O programa Mundo S/A apresentou escolas, espaços para brincar e até um SPA para bebês. Falava-se, fundamentalmente, em estimular as crianças. Não foram pronunciadas palavras como curiosidade, experiência, cultura e natureza, estruturantes dos processos de aprendizagem e construção de conhecimentos.

Curiosidade e vivências significativas acontecem com crianças motivadas, isto é, quando têm desejo (interno) de aderir às propostas, de brincar, pesquisar e viver experiências para aprender.

Já o estímulo é externo.

Representa a ação de quem estimula e, portanto, pode estar descolada da criança, seus desejos e encantamentos. Uma educação baseada em estímulos está mais centrada no professor e nas metodologias do que nas crianças e suas características e culturas.

Então, o que está acontecendo com a visão de primeira infância?

Estamos vivendo tempos delicados…

Por um lado, temos a entrevista com o Nobel James Heckman que destaca seus métodos científicos criados para avaliar a eficácia de programas sociais e, mais recentemente, os programas voltadas à primeira infância. Para ele, até os 5, 6 anos, a criança aprende em ritmo espantoso, e uma educação qualificada nessa fase será valiosa para toda a vida:

(…) faço contas o tempo inteiro. Uma delas é especialmente impressionante: cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida. É um dos melhores investimentos que se podem fazer. (James Heckman)

imagem Veja James Heckman

As nações que valorizam iniciativas de educação voltadas à primeira infância o fazem na qualidade de políticas públicas e não como nichos de mercado e de negócios! Públicas ou particulares, as escolas devem seguir diretrizes nacionais criteriosamente pensadas e elaboradas.

Captura de Tela 2017-09-24 às 17.07.59Por outro lado, temos a 3a versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que disciplinariza a Educação Infantil, contradizendo a forma de ser e estar no mundo das crianças pequenas.

O currículo proposto pela Base conduz professores a pensar mais enfaticamente sobre objetivos de aprendizagem do que a construir uma postura voltada à escuta e interação, elaboração de propostas desafiadoras e provocativas, apoiadas na observação das crianças e na reflexão sistemática da própria prática.

A BNCC atual procura indicar o que se espera que a criança aprenda, elencando um número limitado de objetivos que subestima as possibilidades de aprendizagem das crianças e de ensino de professores sensíveis e estudiosos, que articulem cuidado e educação e entendam as crianças como seres holísticos e capazes de fazer escolhas.

Finalmente, caminhando em direção à valorização da educação da primeira infância, pela primeira vez o MEC lança o Programa Nacional para o Livro Didático, PNLD 2019, voltado aos professores de Educação Infantil. Porém, o edital corre o risco de derrapar na oferta de livros voltados à manualização de práticas descoladas dos contextos de cada escola e, especialmente, de cada grupo de crianças.

Entre metodologias, lucros, receitas prontas e educação infantil de qualidade, quais caminhos escolhemos trilhar?

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Fontes:

capa-2549 Revista VEJA de 27 de setembro de 2017, edição nº 2549

Programa Mundo S/A, canal Globo News https://globosatplay.globo.com/globonews/v/6157564/

3a versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), disponível em http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf

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Um cardápio variado de cantos de atividades

Que tal aproveitar as férias com menor número de crianças de diversas idades para testar novos cantos de atividades que permanecem na sala?

Antes de pensar em outras possibilidades é importante dizer que a escola existe na vida dos pequenos para ampliar seus desafios e construir saberes. Por isso, canto permanente não quer dizer imutável! Cantos permanentes de atividades tem uma temática que se mantém, mas a partir da observação e do acompanhamento das brincadeiras, o professor pode introduzir novos materiais, alterar a arrumação e até dar um descanso no tema se perceber que os interesses estão diferentes.

canto de carrinhos

É comum encontrarmos nas salas da Educação Infantil cantos de leitura, de casinha, de cozinha e até de carrinhos e fantasias. Com essas organizações de espaços e materiais, provocamos brincadeiras, o letramento e o faz de conta. Outras atividades lúdicas, tão importantes quanto essas, ficam de fora do cardápio de propostas disponíveis para escolha autônoma das crianças. Continue lendo..

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20o Seminário de Educação Infantil: a natureza das infâncias

O Prisma, Centro de Estudos do Colégio Santa Maria, prorrogou o prazo de inscrição para comunicação oral no 20o Seminário de Educação Infantil: a natureza das infâncias.

Aproveite e faça seu relato!

Seminário de Edcação Infantil - Prisma

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O dia a dia da creche e a Rotina: o que pensar e por onde começar?

Uma professora nos escreve para auxiliá-la na orientação da rotina, pois trabalha com crianças de 3 a 4 anos e fica em dúvida de como e que conteúdos, eixos contemplar na mesma.
Quando o tema é Rotina, o que estamos pensando? Como a definimos?

Rotina

Existe um modelo pronto aplicável a todas as creches e escolas de Educação Infantil?

Não!

Se definirmos rotina como a organização do desenvolvimento que abrange o trabalho diário de professores e crianças, estamos falando em como levar em conta as concepções pedagógicas, a percepção de tempos, espaços e sua relação com as organizações da ação do professor e das crianças. Continue lendo..

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Organização de propostas: garantia de brincadeira e aprendizado

Como ser educador em meio à cena pulsante de crianças vivas e curiosas que seguem seus desejos para apreender o mundo? Como elaborar e organizar planos e propostas na educação Infantil?

texto Planos e propostas

Segundo Madalena Freire, ensinamos e aprendemos a partir do que sabemos, do que tem significado para nós. Os conteúdos que despertam e estimulam, tem que ter sentido para nós e para as crianças nesse jogo de ensino-aprendizagem. Nessa jornada, o educador da Educação Infantil, faz a mediação:

  • Afasta-se para permitir a livre pesquisa e a criação
  • Observa para perceber as descobertas que devem ser valorizadas, as dificuldades e as demandas que as crianças fazem
  • Valoriza as descobertas e as conquistas do desenvolvimento
  • Encaminha, intervindo a partir as demandas das crianças, com propostas de novos materiais, locais e situações de forma a enriquecer ainda mais as aprendizagens obtidas no processo de pesquisa
  • Mantém o ambiente seguro para cuidar do bem-estar

Assim, nessa intermediação, o educador é o mediador no processo de leitura e pesquisa do mundo realizado pelas crianças.

Que tal experimentar esse modo de olhar?

Crianças e educador: uma parceria para desbravar um mundo!

Como conhecer a criança, o grupo e escolher como agir? Continue lendo..

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Da criança adaptada à criança realizada

O que queremos para as nossas crianças?

É sempre bom refletir sobre Educação: o que está por trás das ações que desenvolvemos todos os dias com as crianças? O que acreditamos que seja uma educação adequada?

da criança adaptada à criança realizada

 

criança adaptada e realizada

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Ciclo da Curiosidade e da Aprendizagem… na prática!

Nas postagens Curiosidade e pedagogia da investigação: caminhos para 2017 e Curiosidade: o combustível da aprendizagem, falamos sobre a importância da curiosidade como estado provocador para aprendizagens. Quando ficamos curiosos a respeito de algo buscamos acalmar o desejo de saber sobre alguma coisa que não sabemos, mas que nos interessa. Essa inquietação é uma potente força disparadora para a formulação de hipóteses, a pesquisa, a relação com o outro e com os fatos, a elaboração da comunicação e da linguagem.

Muitos processos complexos estão envolvidos e o resultado é a construção de aprendizagens, novas conexões, conhecimentos, a facilitação para buscar as curiosidades da vida e embarcar em novas pesquisas.

É um ciclo que não para nunca e que, a cada volta, desenha caminhos cada vez mais claros.

Nós (e as crianças!) aprendemos com o processo de investigar o que desperta nossa curiosidade, nosso interesse e, consequentemente, o que é significativo para nós.

Eu quero voar! Diz um menino numa turma de pré-escola.
Quem sabe voar? Pergunta a professora.
Eu! Responde o menino com uma capa de papel amarrada no pescoço.
E quem mais? João e eu queremos saber quem sabe voar!, diz a professora, organizando o pensamento e convocando outras crianças a participarem.
A borboleta!, reponde o pequeno com a capa.
O avião!, responde uma menina.
O passarinho!, responde outro menino.
Como será que eles voam?, intervém a professora.
Com o cérebro acessando os arquivos, as crianças respondem: com a asa!, correndo!, pulando de cima, ó!– um pequeno sube no banco e pula.

brincadeira de voar
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Curiosidade e pedagogia da investigação: caminhos para 2017

crianca-investigativaPropomos um desafio: planejar 2017 levando em conta a importância da curiosidade e da investigação da criança como um dos motores da aprendizagem.
Já pesquisamos e abordamos a escuta de Paulo Freire, o registro e a reflexão de Madalena Freire e a documentação a partir da visão de Reggio Emilia. Exploramos Pikler com o seu olhar sobre a autonomia do bebê e a relação olho no olho com o educador. Pensamos nas diretrizes e bases curriculares para apoiar nosso trabalho. Mas o que acontece no mundo da educação além disso?

Estudiosos e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento estão pesquisando a conexão entre curiosidade e desenvolvimento humano. Por que tantos cientistas estão tão curiosos a respeito da curiosidade?

Para o psicólogo, educador e economista americano, George Loewenstein, a curiosidade tem sido compreendida como uma força que impulsiona o desenvolvimento infantil e um dos mais importantes estímulos condutores da Educação e das descobertas ccuriosidade-e-investigacao-bebeientíficas.

Um dos pilares da teoria de Piaget sobre o desenvolvimento intelectual da criança é o anseio natural que ela tem para investigar e compreender o seu ambiente. Piaget definiu curiosidade como a necessidade de explicar o inesperado. Para ele, as crianças são pequenos cientistas.

Nesse sentido, a curiosidade reflete o desejo de preencher informações que nos faltam para explicar coisas e situações sobre as quais temos interesse. Continue lendo..

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Moradias do saber: uma reflexão sobre aprendizagem

Madalena Freire, filha do educador e filósofo Paulo Freire, é uma de nossas gurus. Para nós, Madalena traz conceitos sofisticados, essenciais e, na mesma medida, simples e práticos. Ao ler e ouvir Madalena, você enxerga o contexto da sala de aula, os alunos e se percebe como professor.

angela-rizzi-madalena-freire-joyce-rossetAproveitando uma rara oportunidade, estamos participando de um curso ministrado por ela em São Paulo – Grupo de Estudo: o papel do registro na formação do educador. Como toda aula da Madalena, precisamos registrar, refletir e produzir uma síntese – um resumo comentado – sobre os conteúdos abordados e a aprendizagem que ficou.

julyanne-n-curso-madalena-freireJulyanne Nakagawa, uma das nossas colegas do curso, fez uma síntese sensível, que traduz as sensações de aprender e, consequentemente, de compreender aquilo que causamos ao ensinar. Processos de aprendizagem começam com o que nos tira do conforto, o que nos provoca e incomoda.

Quando algo nos instiga, perece que provoca um burburinho na nossa cabeça: isso parece fazer sentido, mas ainda não compreendo! Como explicar isso? Esse é o desconforto que nos move e nos faz querer aprender. Essa é a sensação que precisamos provocar ao ensinar os alunos … de 0 a 100 anos! Continue lendo..

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Eu não consigo… Eu preciso…

Nesse dia em que decidimos sobre a política das nossas cidades, propomos uma REFLEXÃO sobre nossas crianças…cartao-face-estou-na-educacao-infantil

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