Como é a matemática na Base Nacional Comum

Matemática na Base Nacional Comum? Crianças brincam, descobrem possibilidades e pensam hipóteses para explicar o que não entendem, em qualquer lugar e nas creches.

Gosto de observar crianças na rua. E você?
Gosto de olhar as descobertas que fazem quando catam alguma coisa no chão ou sobem nos canteiros e muretas, propondo desafios corporais ao andar, recolher pedrinhas, colecionar folhas…

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Nas casas, na rua, e principalmente nas creches, as crianças brincam, descobrem possibilidades, pensam hipóteses para explicar o que não entendem.

As crianças são curiosas e buscam compreender:

-> o ambiente em que vivem,
-> suas características,
-> suas qualidades
-> os usos e a procedência dos materiais com os quais entram em contato

Com esse constante fazer, elas aprendem a:

-> observar,
-> medir,
-> quantificar,
-> estabelecer comparações,
-> criar explicações e
-> criar registros

Angela 9As inúmeras possibilidades de experiências e descobertas que as crianças podem fazer envolvem:

-> as noções e percepções dos espaços ao situar-se, movimentar-se e localizar-se espacialmente,
-> o reconhecimento da passagem do tempo,
-> o perceber e fazer relações de tamanho, de cor, de forma etc.
-> o perceber e lidar com quantidades.

Mas qual Campo de Experiências inclui estas distintas ações das crianças?
A Base Nacional Comum da Educação Infantil propõe o Campo de Experiências: Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações.

O que o professor deve conhecer para ampliar as pesquisas neste Campo?

Angela 2Em diferentes situações podemos constatar que as crianças manifestam muitas de suas competências e aprendizagens sobre as quais não temos planejamento e controle. Estas manifestações são resultados de processos informais, da relação individual e cooperativa das crianças em seu meio.

Mas cabe ao professor intervir quando identifica e reconhece a potencialidade da situação e, assim, aprofundar a aprendizagem, fazer comentários, formular perguntas, favorecer as hipóteses das crianças, suscitar desafios, separar e oferecer diferentes materiais etc., incentivando e socializando as descobertas e a narrativa feita por elas.

O professor ainda pode levantar as ações que envolvem espacialidade, temporalidade, quantificação, correspondência, comparação e transformações, registrando as situações cotidianas em que surgiram para usar como contexto de atividades de ampliação dessas experiências. Outra dica é anotar as respostas ou hipóteses dos pequenos para perguntas que envolvam as palavras “quantos?”, “quando?” e “como?”. Nas respostas estão os indicadores da permanente busca das crianças em construir significados, em aprender e compreender o mundo. Vale a pena conferir!

Angela 4A Base Comum propõe que o professor crie situações de aprendizagem que possibilitem à criança:

  • Conviver e explorar: identificando, nomeando, descrevendo e explicando fenômenos naturais observados, tais como:
    -> o sol e a chuva,
    -> a terra e a areia,
    -> os líquidos e seus movimentos,
    -> os espaços grandes e pequenos, cheios e vazios, aqueles em que se pode entrar, os que se pode subir etc.
  •  Brincar com diferentes materiais, experimentando a diversidade de formas, texturas, cheiros, cores, tamanhos, pesos, densidades e possibilidades de transferência. Com:
    -> Objetos do cotidiano que favorecem essa pesquisa (copos, bacias, pratos, tecidos, mantas, espumas, sapatos, agasalhos, mochilas, caixas e caixotes, etc.).
    -> Sementes, terra, areia, pedras, galhos e gravetos, tampinhas de garrafa, garrafas pet.
  • Participar da resolução de problemas cotidianos que envolvam quantidades, medidas, dimensões, tempos, espaços, comparações, transformações. Na prática pode-se:
    -> trabalhar com os volumes na hora do suco,
    -> utilizar baldes, pás e areia, pedras ou sementes para preencher e perceber quantidades,
    -> entregar para todos da turma os copos de suco, as pazinhas de brincar na comentar com as crianças sobre a distribuição igual de folhas de papel (uma para cada um, por exemplo), porção de massinha,
    -> pedir ajuda para distribuir pratos, copos e alimentos, colocar a mesa, guardar brinquedos em caixas por tipo e categoria etc.
    -> trabalhar os estados da água na percepção das características e das transformações,
    -> cortar frutas e legumes para conhecer o interior, plantar e acompanhar o desenvolvimento dos vegetais e a temporalidade do processo. Trabalhar a culinária destacando e provocando hipóteses sobre as misturas e seus resultados

Promover narrativas sobre as ideias, observações, hipóteses, registros e explicações das crianças sobre:

-> objetos,
-> organismos vivos,
-> personagens,
-> acontecimentos sociais e culturais
-> fenômenos da natureza
-> preservação do ambiente.

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Uma dica importante na organização das propostas: a quantidade de material deve ser suficiente para que cada criança possa descobrir as características e propriedades principais e suas possibilidades associativas: empilhar, rolar, transvasar, encaixar, encher, esvaziar.

O desafio do desenvolvimento de experiências nesse Campo está na escuta e percepção do professor para aproveitar as oportunidades reveladas nas ações e narrativas das crianças e nos planejamentos de propostas do professor em quaisquer outros campo de experiências. Sequências didáticas do campo das linguagens expressivas favorecem o pensamento espacial, quantificação, peso, textura, transformações e muitas outras propriedades. Ao desenvolver a oralidade, a temporalidade nas narrativas também pode ser trabalhada. O importante é saber que as crianças, desde bebês são pesquisadoras natas. Favorecer e encaminhar as descobertas constrói aprendizagem e desenvolvimento.

Angela 7Leia mais sobre a proposta em andamento da Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil em
Base Nacional Comum Curricular: uma referência prática? Você decide!
Base Nacional Comum Curricular: a criança como protagonista
Arte, cultura, expressão e a Base Comum Curricular

Sobre a Base

  • A Base Nacional Comum vem cumprir   a meta 7 (sete) do Plano Nacional de Educação (PNE) que visa fomentar a qualidade da Educação Básica, do fluxo escolar e da aprendizagem. Este documento esteve em consulta pública e a lei determina que até junho de 2016 ela seja encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE).

Sobre o Plano Nacional de Educação

  • O Plano Nacional de Educação é uma lei ordinária, prevista na Constituição Federal, que entrou em vigência no dia 26 de junho de 2014 e valerá por 10 anos. Tramitou no Congresso Nacional durante quatro anos e estabelece 20 metas para serem cumpridas até 2023.
    O Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da educação.
    Entre os objetivos estão ampliar o acesso desde a educação infantil até o ensino superior, melhorar a qualidade de forma que os estudantes tenham o nível de conhecimento esperado para cada idade, e valorizar os professores com medidas que vão da formação ao salário dos docentes.

Para acompanhar as reflexões sobre a Base Nacional Curricular veja as postagens:
Base Nacional Comum Curricular: uma referência prática? Você decide!
Base Nacional Comum Curricular: a criança como protagonista
Arte, cultura, expressão e a Base Comum Curricular

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6 Comentários para Como é a matemática na Base Nacional Comum

  1. Cristina Oliveira diz:

    Excelente visão. Amooooooooo os posts.
    P-A-R-A-B-É-N-S pelo lindo e enriquecedor trabalho!

  2. Meu primeiro trabalho foi na Creche Central da USP e depois em grandes instituições de ensino e até hoje a base de tudo que aprendi ainda é novidade para a maioria dos meus colegas. Isso há 30 anos atrás. Belo trabalho de vocês. Separo seus posts para fazer capacitação da nossa turma. Parabéns para equipe

  3. Como sempre, mais um post excelente! Gostaria de saber um pouco mais sobre a base curricular, mas pensando nas crianças do berçário.
    Parabéns pelo trabalho!

  4. Mabi rodrigues dos santos diz:

    Amei este post, algumas coisas já faço com as crianças só não sabia a nomenclatura. Parabéns!

    • Obrigada pelo retorno, Mabia. Envie suas sugestões e dúvidas. Estamos aqui para ampliar os questionamentos e continuar o diálogo! Para ler mais sobre este assunto acesse: Base Nacional Comum e o pensamento matemático – parte 2. Um abraço.

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