Diálogos sobre relações: famílias e creches unidas na educação II

As pedagogas Tânia Fukemann Landau e Lena Bartman Marko escreveram diálogos sobre as relações envolvidas no ambiente das creches e instituições de educação. São sete capítulos para refletir e inspirar as ações dessa delicada relação e as possibilidades de construir um ambiente favorável ao desenvolvimento e educação das crianças e das comunidades abrangidas pela instituição.

2. CRECHES E FAMÍLIAS: UMA PARCERIA DE ESCUTA

Entender a escola como ambiente de desenvolvimento infantil traz uma nova lente para educadores e famílias. Ambos nutrem expectativas em relação ao outro que, muitas vezes, são contraditórias. Algumas situações exigem um bom diálogo e uma dose de trabalho e disponibilidade para esclarecer à comunidade a função educativa da creche, para trocar opiniões, negociar e buscar soluções conjuntas e inovadoras para este atual formato de atendimento às crianças. Isto implica aceitar que qualquer criança pode frequentar a creche, não importa a razão pela qual seus pais optaram por isto. Parece muito simples esta proposição, mas compreendê-la significa aceitar, por exemplo, que uma mãe ou um pai deixe seu filho lá seja para passear, descansar ou procurar um trabalho. Isto é do âmbito particular e peculiar e não cabe à escola avaliar as dinâmicas e escolhas familiares.

Obras

 

A creche é uma instituição que recebe famílias dos mais diferentes estilos, religiões e culturas domésticas. Os diferentes modos de pensar e agir em relação às crianças geram conflitos que são inevitáveis e inerentes às relações humanas. Seria utópico (ideal, impossível) pensarmos em uma relação da creche com as famílias livre de contradições e atritos. Apesar dos esforços dos educadores para manter um bom relacionamento com as famílias, ainda é evidente as dificuldades de enfrentar os confrontos que são característicos das relações. Ao invés de tentarmos eliminar os conflitos ou abafá-los, precisamos enfrentá-los com humildade e flexibilidade. Isto só é possível por meio de uma escuta aberta, respeitosa e verdadeira para com os pais e responsáveis.

Mas como fazer isto?

O diálogo ainda é a melhor maneira de esclarecer pontos de vista, de trocar informações e construir conhecimentos que ajudam a manter a coerência e maior tranquilidade nesta tarefa conjunta de educar e cuidar.

FratoA participação democrática das famílias é um processo, muitas vezes lento, a ser trilhado no dia a dia com o empenho de todos, família, escola e comunidade. É necessário ir além da colaboração das famílias, é preciso criar um sentimento de pertencimento a este local que recebe seus filhos. O espaço da instituição deve ser um espaço de vida e interação entre todos os seus agentes: famílias, funcionários, professores e crianças. A iniciativa da escola e o convite para o diálogo podem ser um início desta construção.

Escutar a família não significa que todas as suas sugestões serão realizadas, e que toda crítica receberá apoio. Sabemos quantos sonhos, desejos e frustrações podem ser depositadas na escola. Sabemos o quanto ecoa a antiga vida escolar dos pais naquela dos filhos, gerando mil projeções. Todos que vivemos um dia na escola podemos reconhecer diferentes sentimentos, ambivalentes, de alegria, mas também hostis, nem sempre conscientes, que temos em relação à escola.

Escutar os pais não significa render-se às suas solicitações mais imediatas. O mais importante é saber que esta relação está permeada de emoções e sentimentos e que podemos acolher e ter continência para este manancial de experiências que a escola desperta em cada um.

Tempo de Creche já publicou:

1. CONSTRUINDO DIÁLOGO E APOIO ENTRE FAMÍLIA E CRECHE

Outros capítulos do Diálogo sobre relações famílias e creches unidas serão publicados nas próximas semanas. Veja abaixo:

3. APROFUNDANDO O DIÁLOGO
4. RELAÇÕES EM AÇÃO: REUNIÃO DE PAIS
5. RELAÇÕES EM AÇÃO: CADERNOS DE COMUNICADOS
6. RELAÇÕES EM AÇÃO: CONTATOS DE PORTA E PRIMEIROS DIAS NA ESCOLA
7. RELAÇÕES EM AÇÃO: ENCONTROS CULTURAIS E FESTIVOS

Balão Para Saber Mais* Cena de Família de Adolpho Augusto Pinto é o nome completo da pintura de José Ferraz de Almeida Junior. Adolfo, engenheiro e urbanista, foi responsável pelo primeiro plano de urbanização da cidade de São Paulo.

barrinha colorida fininha

Autoras

Lena Bartman Marko, pedagoga formada pela USP, terapeuta de família pelo ITF SP, especialista em psicanálise pelo Sedes Sapientiae. Fundadora e Diretora da CONVERSO – Assessoria Pedagógica.  Foi coordenadora, diretora e sócia-fundadora da Escola Ibeji e atuou como diretora pedagógica no Instituto Alana. Fundou os respectivos centros de formação de professores.

Tania Fukelmann Landau, pedagoga pela PUC-SP e especialista em Educação Lúdica pelo ISEVEC. Fundadora e Diretora da CONVERSO – Assessoria Pedagógica.   Colaboradora em projetos e publicação da Fundação ABRINQ. Membro da diretoria da Casa do Povo (instituição cultural). Atualmente dedica- se integralmente a formação continuada de educadores e aos estudos sobre a infância.

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Comentários para Diálogos sobre relações: famílias e creches unidas na educação II

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