Uma prática de documentação pedagógica para aproximar famílias

Em 2015 a professora Keli Patricia Luca trabalhou no berçário da EMI Candinha Fedato Massei, de São Caetano do Sul, SP. Pela primeira vez assumindo um dos turnos de uma turma de crianças pequeninas, a relação com as famílias passou a ser um desafio necessário. Como elaborar uma documentação pedagógica que dialogue com os pais?
 Como compartilhar com as famílias o trabalho desenvolvido com os bebês?
 Como apresentar o desenvolvimento das crianças de forma fundamentada e acessível?
 Qual o melhor canal de comunicação com os familiares, a professora do turno da manhã e a equipe pedagógica?

Ao escrever para o Tempo de Creche, Keli compartilhou sua jornada junto aos bebês e a construção de uma relação de entendimento e cumplicidade com as famílias e colegas de trabalho.

registro fotográfico espelho professora KeliO primeiro passo da professora foi pesquisar e estudar sobre a faixa etária e as peculiaridades da rotina no berçário, muito diferentes das outras faixas etária com que havia trabalhado. E foi justamente nas primeiras semanas, no período de adaptação dos bebês, que percebeu a distância dos pais e a falta de informação do que era feito na escola, dificultava o processo e agravava a sensação de insegurança e o choro dos bebês. Era um período de grande sofrimento das três partes envolvidas: bebês, pais e educadores.

Keli voltou à pesquisa em busca de referências de adaptação bem sucedidas na educação infantil. Descobriu os conteúdos esclarecedores das escolas infantis italianas de Reggio Emilia. No livro Diálogos com Reggio Emilia: escutar, investigar e aprender, a autora, Carla Rinaldi, explica a importância dos pais como parceiros no processo de aprendizagem dos filhos e também da documentação pedagógica como forma de comunicação. Keli percebeu então que poderia documentar as conquistas das crianças com fotografias e anotações esclarecedoras. Com isso, elaboraria uma documentação pedagógica que boletim informativo adaptação professora Kelirevelasse o amadurecimento dos pequenos e levasse o sabor das conquistas dos bebês no cotidiano da escola. Como nas comunidades de Reggio, Keli esperava que, informadas e sensibilizadas, as famílias e a escola construíssem vínculos sólidos e uma parceria na educação dos pequenos.

Assim, surgiu a ideia de criar boletins informativos, escritos em linguagem adequada ao público – famílias e equipe, ilustrados com fotografias reveladoras dos aprendizados e elaborados em formato digital e cartazes.

Com a divulgação dos primeiros, Keli notou que não só transformou a relação com as famílias, mas também melhorou a comunicação com a professora do turno da manhã, atingiu a comunidade escolar e trouxe mais qualidade ao trabalho realizado com os pequenos. Uma equação em que todos ganham, em especial, as crianças!

boletim 1 semana

boletim 2 semana

Balão-na-PráticaO passo a passo da professora…

 

⇒ 1° passo: registrar o dia a dia.

A rotina do berçário exige dos professores agilidade e disciplina do olhar atento para registrar os momentos mais significativos. Keli usou como instrumento de trabalho o seu celular, tirando fotos e fazendo pequenas filmagens, de onde recortou algumas cenas que também se transformaram em fotos reveladoras.

⇒ 2° Passo: rever, selecionar, refletir

Ao final do, com tudo fresquinho na cabeça, Keli revia os registros fotográficos, separava as fotos mais sugestivas, refletia sobre o material e fazia anotações.

⇒ 3° Passo: organizar e construir

Dessa forma, construiu o primeiro boletim informativo em formato de arquivo digital, que abordou o período de adaptação.

⇒ 4° Passo: compartilhar e comunicar

Painel dos BoletinsApresentou o trabalho para a diretora, que reconheceu a importância, fez elogios e autorizou que fossem feitas cópias em preto e branco a serem entregues para os pais. Kelli também transformou o material do arquivo num mural colocado na entrada da escola, com as imagens ampliadas e coloridas, para que a comunidade escolar também tivesse acesso. Por meio do WhatsApp a comunicação com a professora da manhã pode ser intensificada e o compartilhamento de registros da manhã qualificou ainda mais a documentação.

Ao entregar a documentação pedagógica para as famílias, abriu-se um canal de comunicação e a disponibilidade para dialogar sobre as pesquisas e descobertas individuais e coletivas da turma. A reflexão sobre os registros revelou as aprendizagens, e, ao final de cada sequência didática, um material consistente se transformava em boletim informativo que era compartilhado com a equipe gestora e as professoras e auxiliares do outro turno. Além disso, a cada jornada Keli revivia os acontecimentos do dia. Refletia, avaliava e conhecia cada vez mais as características, habilidades e fragilidades de cada bebê. Abria-se diante dela um universo de possibilidades concretas e adequadas de trabalho pedagógico. Keli descobriu o exercício da avaliação conectada ao planejamento de novas propostas ampliadoras e desafiantes.

boletins informativos professora Keli

Por motivo de saúde Keli está afastada da escola, mas deixou três boletins para sua equipe e estabeleceu com as famílias de suas crianças um novo olhar para o desenvolvimento infantil e para as conquistas de um trabalho pedagógico de qualidade.

Keli finaliza seu depoimento dizendo que – se juntarmos as forças das famílias e das escolas, conseguiremos mobilizar a todos, inclusive as Secretarias de Educação pela qualidade na educação infantil, assegurando um trabalho inovador e visando o desenvolvimento infantil pleno.

Keli, obrigada pela generosidade de compartilhar uma experiência tão intensa! As crianças aguardam o seu retorno!

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Balão-Para-Saber-Mais

Keli Lucca Keli Patricia Luca é pedagoga e professora da Rede de Ensino do Município de São Caetano, SP. Em 2015 trabalhou na EMI Candinha Fedato Massei.

 Leia mais sobre documentação pedagógica e relação com famílias nas postagens:

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3 Comentários para Uma prática de documentação pedagógica para aproximar famílias

  1. Sueli Carolino diz:

    Parabéns. muito rico esse material. Gostei muito.

  2. Aline Daiana Maria Celestino diz:

    Olá, adorei a publicação e gostaria de saber qual é o livro da Carla Rinaldi que foi citado?
    Obrigada … Joyce Rosset, sou sua fã!

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