Diálogos sobre relações: famílias e creches unidas na educação III

As pedagogas Tânia Fukemann Landau e Lena Bartman Marko escreveram diálogos sobre as relações envolvidas no ambiente das creches e instituições de educação. São sete capítulos para refletir e inspirar as ações dessa delicada relação e as possibilidades de construir um ambiente favorável ao desenvolvimento e educação das crianças e das comunidades abrangidas pela instituição.

3. APROFUNDANDO O DIÁLOGO

gêmeos

Nas conversas com os pais e familiares é preciso deixar claros os objetivos e cultura institucional. É possível concordar ou discordar dos pais, podendo acatar ou não suas sugestões, buscando sempre fundamentar e esclarecer nossas decisões. Os pais também têm o direito de argumentar frente aos encaminhamentos institucionais. O importante é lembrar que todas as atitudes adotadas devem ser pautadas no que é melhor para as crianças e a coletividade escolar. E devem dar espaços para que caibam individualidades e singularidades neste coletivo.

Existe um cuidado a ser preservado que é o de manter a ética nesta relação e preservar os espaços de intimidade familiar. A escola pode sinalizar, apontar, alertar as famílias sobre as necessidades de seus filhos, mas não pode e não deve penetrar nas suas vivencias particulares, nem tão pouco julgá-las. Esta é uma medida cautelosa e que exige muita sensibilidade e delicadeza. Os educadores também possuem valores, e precisam refletir sobre suas histórias pessoais, dificuldades e singularidades para exercerem de forma profissional a mediação com as famílias. O vínculo estabelecido pelo educador com o pai, a mãe e/ou o responsável são de caráter profissional e diferem daquele estabelecido nas amizades.

É importante ressaltar aqui que entendemos que a creche não substitui as famílias e suas ações, pois desempenham papeis diferenciados. Ambas podem cuidar de modo complementar e são corresponsáveis na educação das crianças, embora cumpram funções diferentes.

Tendo em mente a importância da qualidade desta comunicação da escola com as famílias adentramos no estudo e reflexão sobre alguns instrumentais de aproximação.

Existe uma série de medidas que a creche pode e deve tomar para promover e fortalecer as relações com as famílias. Para pensar num caminho, colocamos algumas questões:

balão laranjaComo a escola pode apoiar os pais?

balão laranjaComo estabelecer e estreitar os vínculos?

balão laranjaQuais os meios que a escola possui para isto?

balão laranjaQuais os detalhes que podem afastar ou acirrar os conflitos ao invés de aproximar e fortalecer a relação com as famílias?

A relação com as famílias se constrói por meio de algumas ações que ocorrem no miudinho do dia a dia e no decorrer do ano. É comum vermos as creches chamarem os responsáveis para que resolvam problemas com as crianças que ocorrem dentro da instituição, por exemplo, como pedir para os pais chamarem a atenção do filho porque ele bateu no colega, se recusou a fazer o que a educadora pediu etc.  Boa parte destes problemas podem ser solucionados no interior da própria escola e no momento em que aconteceram.  Uma reciproca disto seria dizer que a creche tem condições de solucionar problemas caseiros como o de uma criança que, em casa, não quer tomar banho, desligar a TV ou ir dormir na hora em que seus pais estipularam.

As ações da escola com a família são escolhas realizadas de acordo as características e necessidades de cada comunidade e instituição. Algumas já são tradicionais no âmbito das creches, e, quando bem planejadas, costumam levar a bons resultados, tais como:

balão laranjaRealizar reuniões periódicas com as famílias

balão laranjaReceber e entregar as crianças na porta da sala para os pais ou responsáveis

balão laranjaOrganizar mostras culturais

balão laranjaEscrever relatórios de grupo e individuais

balão laranjaOrganizar portfólios também de grupo e individuais

balão laranjaConvidar os pais para realizar atividades com as crianças

balão laranjaPreparar alguns eventos e festividades em conjunto

balão laranjaPlanejar o período de adaptação da criança na creche e os primeiros dias com a presença dos pais ou responsáveis

A reflexão sobre esses tópicos pode trazer indícios sobre a forma e a qualidade com que a creche tem desenvolvido sua relação com as famílias e comunidade e apontar direções para as ações futuras. No próximo diálogo aprofundaremos alguns dos itens destacados.

Tempo de Creche já publicou:

1. CONSTRUINDO DIÁLOGO E APOIO ENTRE FAMÍLIA E CRECHE
2. CRECHES E FAMÍLIAS: UMA PARCERIA DE ESCUTA

Outros capítulos do Diálogo sobre relações famílias e creches unidas serão publicados nas próximas semanas. Veja abaixo:

4. RELAÇÕES EM AÇÃO: REUNIÃO DE PAIS
5. RELAÇÕES EM AÇÃO: CADERNOS DE COMUNICADOS
6. RELAÇÕES EM AÇÃO: CONTATOS DE PORTA E PRIMEIROS DIAS NA ESCOLA
7. RELAÇÕES EM AÇÃO: ENCONTROS CULTURAIS E FESTIVOS

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Autoras

Lena Bartman Marko, pedagoga formada pela USP, terapeuta de família pelo ITF SP, especialista em psicanálise pelo Sedes Sapientiae. Fundadora e Diretora da CONVERSO – Assessoria Pedagógica.  Foi coordenadora, diretora e sócia-fundadora da Escola Ibeji e atuou como diretora pedagógica no Instituto Alana. Fundou os respectivos centros de formação de professores.

Tania Fukelmann Landau, pedagoga pela PUC-SP e especialista em Educação Lúdica pelo ISEVEC. Fundadora e Diretora da CONVERSO – Assessoria Pedagógica.   Colaboradora em projetos e publicação da Fundação ABRINQ. Membro da diretoria da Casa do Povo (instituição cultural). Atualmente dedica- se integralmente a formação continuada de educadores e aos estudos sobre a infância.

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