Diálogos sobre relações VI: contatos de porta e primeiros dias na creche

As pedagogas Tânia Fulkemann Landau e Lena Bartman Marko escreveram diálogos sobre as relações envolvidas no ambiente das creches e instituições de educação. Neste capítulo, as autoras aprofundam algumas das ações das escolas com as famílias para promover o diálogo e construir relações e vínculo: contatos de porta e primeiros dias na creche.

  6. CONTATOS DE PORTA E PRIMEIROS DIAS NA CRECHE

Crianças e paiMuitos pais querem conhecer a professora do seu filho e saber como é a pessoa ou as pessoas que cuidarão dele. Nutrem fantasias a respeito do jeito delas e precisam “ver para crer” e saber se são carinhosas ou ríspidas, comunicativas ou caladas, querem confirmar se são atenciosas e dedicadas as crianças e se correspondem as suas demais expectativas. Todos os pais têm uma ideia do tipo de professor que acham melhor para o seu filho, mesmo que este não seja verdadeiramente o perfil daquele que vai cuidar dele. Os contatos de porta e a presença deles na escola nos primeiros dias em que a criança ingressa são decisivos, servem para afinar estas expectativas, para criar os primeiros laços e fortalecer os vínculos entre pais e educadores.

Muitas vezes os pais fazem perguntas somente para testar se os professores sabem o que acontece com o filho deles e se conhecem suas especificidades, principalmente no início de um novo ano letivo, quando geralmente ocorre a troca de professor. Olham para sala e querem saber de quem é o desenho pendurado no mural, perguntam o que o filho almoçou ou se ele dormiu muito.  Se são pais novatos na escola podem questionar e fazer críticas diante das novidades e daquilo que lhes causa estranheza. Também precisam deste tempo de adaptação em suas novas vidas.

São várias as emoções que emergem desta relação entre pais e professores, pode haver ciúme porque a criança gosta da professora, receio de que o filho não receba toda a atenção que acredita merecer, culpa por deixa-lo na creche, etc. Um breve contato de porta pode ser simples mas acolhedor também para os pais.

Eles também fazem perguntas pois querem acompanhar a vida dos filhos, que afinal, passam muito tempo na escola! Precisam de informações para compreenderem o que se sucede com eles, querem saber se ele é enjoado somente para comer em casa ou se também enrola na escola. Com estas perguntas descobrem coisas sobre os filhos, mas também avaliam as suas próprias condutas e buscam dicas de como podem se tornar pais melhores.

Crianças

Quanto menor a criança, mais imediatas precisam ser algumas informações sobre a rotina na escola, como: se dormiu bem, se teve alguma indisposição ou irritação, se ingeriu algum alimento novo, se evacuou ou se alimentou bem. Estas informações garantem a continuidade dos cuidados em casa. Esta conduta deve ser reciproca, é sempre bom lembrar e retomar com os pais que devem informar a escola caso algo fora do comum aconteça com a criança, como uma noite mais agitada, uma mudança do berço para a cama, a retirada da fralda noturna, etc. O caderno de recados, também chamado em alguns lugares de agenda serve para isto, mas tem pais que preferem falar olho no olho, pois sabem que a fala presencial também comunica os sentimentos e a intensidade das emoções experimentadas nestas vivencias. Não querem dividir apenas os problemas, erros e dificuldades, mas também querem compartilhar as alegrias e experiências frutíferas que experimentam com os filhos como um passeio no parque e a cara azeda que fizeram quando morderam a ameixa pela primeira vez. Isto sem contar dos primeiros passos, da primeira refeição solida, do adeus as chupetas e dos rabiscos que não cansam de fazer.

Um grande desafio para professores é conversar com pais, muitas vezes sedentos de informações sobre os filhos, na porta da sala, quando ainda temos a maioria das crianças em sala. Por isso, necessariamente, serão conversas rápidas e objetivas.

Assuntos que requerem maior tempo e aprofundamento devem ser encaminhados à coordenação.

Tempo de Creche já publicou:

  1. CONSTRUINDO DIÁLOGO E APOIO ENTRE FAMÍLIA E CRECHE 
  2. CRECHES E FAMÍLIAS: UMA PARCERIA DE ESCUTA 
  3. APROFUNDANDO O DIÁLOGO 
  4. REUNIÃO DE PAIS
  5. CADERNOS DE COMUNICADOS 

Outro capítulo da série Diálogo sobre relações famílias e creches unidas será publicados na próxima semana. Veja abaixo:

7. RELAÇÕES EM AÇÃO: ENCONTROS CULTURAIS E FESTIVOS

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Autoras

Lena Bartman Marko, pedagoga formada pela USP, terapeuta de família pelo ITF SP, especialista em psicanálise pelo Sedes Sapientiae. Fundadora e Diretora da CONVERSO – Assessoria Pedagógica.  Foi coordenadora, diretora e sócia-fundadora da Escola Ibeji e atuou como diretora pedagógica no Instituto Alana. Fundou os respectivos centros de formação de professores.

Tania Fukelmann Landau, pedagoga pela PUC-SP e especialista em Educação Lúdica pelo ISEVEC. Fundadora e Diretora da CONVERSO – Assessoria Pedagógica.   Colaboradora em projetos e publicação da Fundação ABRINQ. Membro da diretoria da Casa do Povo (instituição cultural). Atualmente dedica- se integralmente a formação continuada de educadores e aos estudos sobre a infância.

 

 

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